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Essa plantação de cana-de-açúcar supera toda a cidade de São Paulo: 350 mil hectares alimentam quatro usinas, têm colheita 100% mecanizada e formam um canavial maior que a maior metrópole do Brasil.

Essa plantação de cana-de-açúcar supera toda a cidade de São Paulo: 350 mil hectares alimentam quatro usinas, têm colheita 100% mecanizada e formam um canavial maior que a maior metrópole do Brasil.

SP

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Essa plantação de cana-de-açúcar supera toda a cidade de São Paulo: 350 mil hectares alimentam quatro usinas, têm colheita 100% mecanizada e formam um canavial maior que a maior metrópole do Brasil.

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 02/09/2026 às 12:16

Atualizado em 02/09/2026 às 12:26

Agronegócio

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plantação de cana-de-açúcar supera toda a cidade de São Paulo – 350 mil hectares

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São Martinho administra 350 mil hectares de área agrícola, mais que o dobro da cidade de São Paulo, para abastecer quatro usinas de açúcar e etanol.

Imagine cobrir todo o município de São Paulo com plantações de cana-de-açúcar e ainda precisar de outra área maior que a própria capital para acomodar o restante. Essa é a escala da operação agrícola da São Martinho. A companhia informa possuir aproximadamente 350 mil hectares de área produtiva sob gestão, equivalentes a cerca de 3.500 km², distribuídos principalmente em torno de suas quatro unidades industriais em São Paulo e Goiás.

Para comparação, o IBGE informa que o município de São Paulo possui 1.522,683 km². Na prática, a área agrícola administrada pelo grupo é aproximadamente 2,3 vezes o território inteiro da maior cidade brasileira em população.

E esse território agrícola gigantesco existe para alimentar uma estrutura industrial igualmente impressionante. A São Martinho opera quatro usinas, possui capacidade instalada para processar 24,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra e trabalha com grau de mecanização próximo de 100% nas operações agrícolas.

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Os 350 mil hectares equivalem a cerca de 3.500 quilômetros quadrados

O primeiro número necessário para visualizar a operação é 350 mil hectares. Um hectare corresponde a 10 mil metros quadrados. Quando os 350 mil hectares são convertidos, chega-se a aproximadamente 3.500 km² de área agrícola sob gestão.

São Paulo, por sua vez, tem uma área territorial oficial de 1.522,683 km² em 2025, segundo o IBGE.

Portanto, a área agrícola administrada pela São Martinho corresponde a aproximadamente 230% do território paulistano.

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Outra maneira de enxergar a diferença é imaginar duas cidades de São Paulo completas lado a lado. Juntas, elas ocupariam pouco mais de 3.045 km². Ainda sobrariam aproximadamente 455 km² da área agrícola administrada pelo grupo.

A comparação não significa que exista um único canavial contínuo de 350 mil hectares cercado por uma única divisa. As áreas estão distribuídas em diferentes regiões e ligadas às unidades industriais da companhia.

É justamente essa dispersão que torna a logística ainda mais complexa.

Quatro usinas recebem a cana produzida nessa operação gigantesca

A São Martinho possui quatro unidades industriais em operação. Três ficam no estado de São Paulo: a Unidade São Martinho, em Pradópolis; a Unidade Iracema, em Iracemápolis; e a Unidade Santa Cruz, em Américo Brasiliense.

A quarta é a Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis, Goiás.

As unidades possuem perfis produtivos diferentes. As instalações paulistas trabalham com açúcar e etanol, enquanto a Boa Vista é voltada ao etanol.

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O conjunto transforma a produção agrícola em uma cadeia industrial que começa no preparo do solo, passa pelo plantio, manejo e corte da cana e termina em produtos como açúcar, etanol e eletricidade gerada a partir da biomassa.

Por isso, os 350 mil hectares não podem ser vistos apenas como um gigantesco campo agrícola. Eles são a primeira etapa de uma estrutura agroindustrial integrada.

Capacidade de moagem chega a 24,5 milhões de toneladas de cana por safra

Depois de imaginar a dimensão territorial, o segundo número colossal está no peso. A São Martinho informa capacidade instalada de moagem de 24,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em uma única safra.

A maior parcela dessa capacidade está na Unidade São Martinho, em Pradópolis.

Segundo o Formulário de Referência da companhia, a divisão das capacidades é de aproximadamente 10,5 milhões de toneladas em Pradópolis, 5,5 milhões na Santa Cruz, 5 milhões na Boa Vista e 3,5 milhões na Iracema.

Somadas, chegam aos 24,5 milhões.

plantação de cana-de-açúcar supera toda a cidade de São Paulo – 350 mil hectares

Isso não significa que a companhia necessariamente processe exatamente esse volume todos os anos. Capacidade instalada representa aquilo que a estrutura industrial pode comportar, enquanto a moagem efetiva depende da safra, produtividade, clima, disponibilidade de matéria-prima e condições operacionais.

Na safra 2024/25, por exemplo, foram processadas 21,788 milhões de toneladas de cana.

Para 2025/26, previsão era processar 22,6 milhões de toneladas

A projeção oficial divulgada em junho de 2025 previa aumento da moagem. A São Martinho estimou 22,6 milhões de toneladas de cana processadas na safra 2025/26, avanço de 3,7% sobre as 21,788 milhões de toneladas do período anterior.

A companhia relacionou a expectativa de recuperação a investimentos realizados no canavial depois dos incêndios de 2024, além de práticas agrícolas, manejo e utilização de variedades genéticas voltadas a maior produtividade.

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Ao mesmo tempo, alertou para um elemento impossível de controlar integralmente mesmo em uma operação dessa escala: o clima.

A menor ocorrência de chuvas entre janeiro e maio de 2025 havia prejudicado as estimativas de produtividade.

Isso mostra um contraste importante. É possível administrar 350 mil hectares, operar máquinas em escala industrial e controlar milhões de toneladas de matéria-prima, mas a chuva ainda continua determinante para o resultado final.

Colheita é praticamente toda feita por máquinas

Administrar uma extensão agrícola maior que duas cidades de São Paulo seria impraticável com os métodos de corte manual que dominaram o setor sucroenergético durante décadas.

A São Martinho informa possuir grau de mecanização próximo de 100% em suas operações e se apresenta como uma das referências brasileiras na colheita mecanizada de cana-de-açúcar sem queima.

As colhedoras avançam pelas linhas de cana, cortando e processando a planta enquanto veículos trabalham em conjunto para retirar a matéria-prima do campo.

Isso transforma a colheita em uma operação contínua.

O desafio não é somente possuir máquinas suficientes. É necessário coordenar colhedoras, tratores, transbordos e caminhões para que a cana chegue às usinas dentro do fluxo necessário para manter a indústria operando.

Em uma cadeia desse tamanho, uma máquina parada deixa de ser apenas problema mecânico e passa a interferir na logística de toda uma frente de colheita.

A operação agrícola funciona como uma fábrica a céu aberto

A comparação com uma cidade ajuda a visualizar a área, mas o funcionamento é mais próximo de uma enorme fábrica distribuída pelo campo.

O canavial precisa ser preparado, plantado, tratado e colhido seguindo um planejamento que considere idade das plantas, produtividade estimada, distância da usina e capacidade diária de processamento.

Enquanto uma parte do território está sendo colhida, outra está em desenvolvimento. Em outra área, máquinas podem estar realizando plantio ou tratos culturais.

plantação de cana-de-açúcar supera toda a cidade de São Paulo – 350 mil hectares

A colheita precisa ainda conversar diretamente com a indústria.

Não existe vantagem em mandar cana para a usina muito acima daquilo que ela consegue processar. Tampouco interessa deixar a indústria sem matéria-prima.

É esse sincronismo que transforma centenas de milhares de hectares em um único sistema produtivo, ainda que as plantações estejam geograficamente separadas.

De toda essa cana saem açúcar, etanol e eletricidade

A escala do campo existe porque cada tonelada colhida pode ser transformada em diferentes produtos. A companhia possui capacidade para produzir aproximadamente 1,6 milhão de toneladas de açúcar e 1,5 milhão de metros cúbicos de etanol, conforme os dados apresentados no reporte de 2023/24.

A cana ainda entrega outro produto importante: energia.

Depois da extração do caldo, o bagaço pode ser queimado em caldeiras para produzir vapor e eletricidade.

A São Martinho informa capacidade de cogeração renovável na ordem de aproximadamente 1 TWh, integrando a geração elétrica ao funcionamento das unidades.

Assim, aquilo que chega à indústria como cana deixa a planta em várias formas.

Só armazenar tudo que sai das usinas já exige outra estrutura colossal

Uma operação dessa escala não termina quando o açúcar ou o etanol ficam prontos.

É preciso armazená-los. A companhia informa possuir capacidade para estocar aproximadamente 820 mil toneladas de açúcar e 740 mil metros cúbicos de etanol.

Essa capacidade tem função econômica. O açúcar não precisa necessariamente ser vendido no mesmo instante em que sai da linha de produção. O armazenamento permite organizar os embarques e aproveitar diferentes condições de mercado.

No etanol, gigantescos tanques assumem a mesma função. A logística precisa então conectar usinas, rodovias, terminais e destinos de exportação.

Na Unidade São Martinho existe inclusive estrutura ferroviária própria conectada à malha utilizada para escoamento em direção ao Porto de Santos, um diferencial destacado pela própria companhia.

A maior cidade do Brasil caberia mais de duas vezes dentro dessa área agrícola

O número que melhor traduz tudo isso para quem nunca esteve diante de uma lavoura dessa escala continua sendo a comparação territorial.

São Paulo possui 1.522,683 km².

Os 350 mil hectares sob gestão agrícola equivalem a aproximadamente 3.500 km².

Isso significa que o território paulistano caberia cerca de 2,3 vezes dentro dessa área. Mas existe uma diferença importante.

Dentro dos 1.522 km² de São Paulo estão mais de 11 milhões de moradores, avenidas, bairros, prédios, parques, rios, aeroportos, metrô, indústrias e milhões de imóveis.

Na comparação agrícola, o que impressiona é imaginar uma extensão equivalente sendo administrada para garantir produtividade de plantas, movimentação de máquinas e chegada de milhões de toneladas de matéria-prima às unidades industriais.

É uma escala difícil de perceber olhando apenas para uma embalagem de açúcar ou abastecendo um automóvel com etanol.

Os 350 mil hectares revelam uma dimensão do agro que quase nunca aparece para o consumidor

A imagem popular de uma plantação ainda costuma ser a de uma propriedade rural cercada, com uma sede, algumas máquinas e campos visíveis do mesmo ponto.

A realidade de operações agroindustriais gigantes é completamente diferente. No caso da São Martinho, os 350 mil hectares não formam uma única fazenda contínua, mas uma rede de áreas agrícolas administradas para abastecer quatro unidades industriais em São Paulo e Goiás.

Essa diferença torna a comparação ainda mais relevante. Não se trata apenas de possuir muita terra. Trata-se de coordenar uma cadeia sobre aproximadamente 3.500 km², com colheita praticamente integralmente mecanizada e capacidade industrial para receber 24,5 milhões de toneladas de cana por safra.

O resultado final pode aparecer para o consumidor em algo pequeno: um pacote de açúcar, alguns litros de etanol ou eletricidade entregue à rede.

Por trás desses produtos, porém, existe um território agrícola que supera toda a cidade de São Paulo não por alguns bairros, mas por mais de duas vezes.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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