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EUA e Reino Unido planejam conectar supercomputadores dedicados à fusão nuclear para treinar IA e criar gêmeos digitais de reatores
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 16/09/2026 às 09:34
Atualizado em 16/09/2026 às 09:41
Ciência e Tecnologia
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EUA e Reino Unido planejam conectar supercomputadores dedicados à fusão nuclear para treinar inteligência artificial, criar gêmeos digitais e acelerar futuras usinas.
EUA e Reino Unido querem fazer seus supercomputadores dedicados à pesquisa de fusão trabalharem de forma coordenada, permitindo que cientistas utilizem dados experimentais dos dois países para treinar os mesmos modelos de inteligência artificial. A iniciativa reúne a Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido (UKAEA) e o Laboratório de Física de Plasma de Princeton (PPPL), ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, e poderá conectar as plataformas SUNRISE e STELLAR-AI.
A proposta recebeu o nome de Federação SUNRISE–STELLAR-AI e foi formalizada por meio de uma Declaração Conjunta de Intenções durante a Cúpula Global de Políticas de Fusão, realizada em Londres. Em vez de manter cada infraestrutura computacional restrita aos resultados produzidos por sua própria instalação experimental, a parceria busca criar um ambiente no qual modelos, simulações e tarefas possam circular entre os dois sistemas.
EUA e Reino Unido querem usar supercomputadores para ampliar os dados disponíveis à IA
Um dos desafios enfrentados pelos pesquisadores está na quantidade e na diversidade das informações utilizadas para ensinar sistemas de inteligência artificial.
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Modelos treinados apenas com resultados de uma única máquina podem funcionar bem naquele equipamento e perder precisão quando precisam analisar outro tokamak. A estratégia da federação é justamente aumentar a variedade dos dados colocados diante da IA.
O Reino Unido contribuiria com resultados obtidos no MAST Upgrade, instalado em Oxfordshire. Nos EUA, a base experimental viria do NSTX-U, operado pelo PPPL em Nova Jersey.
Os dois equipamentos são tokamaks esféricos compactos e possuem projetos semelhantes, característica que permite utilizar seus resultados de forma complementar. Ao trabalhar com informações produzidas em duas instalações, os pesquisadores pretendem construir modelos capazes de reconhecer melhor os fenômenos físicos que se repetem entre diferentes máquinas.
Nesse cenário, os supercomputadores deixam de desempenhar apenas a função de processar grandes volumes de informações. Eles passam a formar a infraestrutura sobre a qual diferentes experiências poderão ser comparadas e transformadas em ferramentas de previsão.
Dados de dois tokamaks poderão alimentar modelos comuns nos EUA e Reino Unido
A lógica da parceria não prevê simplesmente copiar arquivos de um país para outro. O objetivo é permitir que SUNRISE e STELLAR-AI participem do treinamento dos mesmos modelos, mesmo utilizando infraestruturas computacionais diferentes.
Shantenu Jha, chefe de Ciências Computacionais do PPPL, resumiu a ambição como a transformação de um conjunto de supercomputadores em um único mecanismo voltado à descoberta na área de fusão.
Para chegar a esse ponto, as equipes ainda precisarão estudar como distribuir tarefas entre plataformas construídas com hardware diferente. Assim, um pesquisador poderia escolher qual sistema é mais adequado para determinado cálculo sem precisar tratar as duas infraestruturas como ambientes completamente separados.
A integração também permitiria utilizar simulações para complementar aquilo que não foi observado diretamente nos experimentos. Dessa forma, os conjuntos de dados poderiam alcançar regimes ainda não explorados fisicamente pelas instalações.
Supercomputadores poderão criar gêmeos digitais de máquinas do Reino Unido e EUA
Entre as aplicações planejadas está o desenvolvimento de gêmeos digitais do MAST Upgrade e do NSTX-U.
Esses modelos seriam representações virtuais detalhadas das máquinas reais, constantemente alimentadas pelos resultados produzidos nos experimentos. Alterações poderiam ser avaliadas primeiro no ambiente computacional antes de serem levadas ao equipamento físico.
Para Rob Akers, diretor de Programas de Computação e pesquisador sênior da UKAEA, combinar simulações e informações experimentais pode tornar os modelos de tokamaks esféricos mais úteis para os engenheiros responsáveis por projetar futuras instalações.
A vantagem está na possibilidade de explorar cenários sem depender de um novo experimento físico para cada questão. Quanto mais dados reais alimentarem o modelo virtual, maior será a base disponível para testar hipóteses sobre o comportamento da máquina.
A federação entre EUA e Reino Unido pretende justamente tornar esse processo compartilhado, utilizando conhecimento produzido dos dois lados do Atlântico.
SUNRISE recebeu £45 milhões para apoiar pesquisas de fusão no Reino Unido
O SUNRISE ocupa uma posição específica dentro da infraestrutura científica britânica. Ele é apresentado como o primeiro supercomputador de inteligência artificial do Reino Unido dedicado à energia de fusão.
O projeto recebeu £45 milhões do governo britânico e constitui a primeira etapa da infraestrutura computacional associada à primeira Zona de Crescimento de IA do país, instalada no campus da UKAEA em Culham.
Do lado americano, o STELLAR-AI funciona como plataforma de inteligência artificial e computação de alto desempenho do PPPL, com apoio da Universidade de Princeton.
Ao conectar os dois ambientes, a intenção é permitir que pesquisadores não precisem limitar um modelo à capacidade ou ao conjunto de dados de apenas uma plataforma.
Joe Milnes, diretor executivo de Engenharia e Computação da UKAEA, afirma que a complexidade da fusão torna as parcerias internacionais especialmente importantes. Para ele, EUA e Reino Unido já possuem um histórico de cooperação científica que pode ser ampliado pela nova estrutura.
EUA e Reino Unido querem reduzir caminho entre experimento e futura usina
O objetivo final não é apenas melhorar modelos computacionais existentes. A parceria pretende diminuir o tempo necessário para transformar resultados experimentais em decisões usadas no desenvolvimento de novas usinas.
Jonathan Menard, cientista-chefe do PPPL, destacou que uma instalação de fusão está entre as máquinas mais complexas já propostas pela humanidade e que seu desenvolvimento dificilmente poderá depender de um único laboratório ou país.
Nesse processo, os dados produzidos atualmente podem orientar conceitos que ainda estão em desenvolvimento.
No Reino Unido, um dos projetos beneficiados poderá ser o Tokamak Esférico para Produção de Energia, conhecido como STEP Fusion. Nos EUA, a aplicação poderá alcançar propostas como o Reator Avançado Tokamak Esférico, o STAR, desenvolvido pelo PPPL.
A Federação SUNRISE–STELLAR-AI pretende usar os supercomputadores para reduzir a distância entre esses projetos futuros e os experimentos realizados nas máquinas existentes.
Supercomputadores também serão usados para formar novos especialistas
A colaboração vai além das próprias plataformas. UKAEA e PPPL preveem treinamentos, workshops, oportunidades de pesquisa e outras atividades destinadas a aproximar cientistas e especialistas em inteligência artificial.
Essa formação compartilhada é relevante porque os futuros profissionais precisarão lidar simultaneamente com física de plasma, engenharia, simulação e técnicas de aprendizado de máquina.
Em vez de manter essas áreas isoladas, a parceria pretende criar uma base na qual pesquisadores possam desenvolver ferramentas usando informações geradas em diferentes instituições.
A plataforma, portanto, serviria tanto para executar cálculos quanto para formar uma comunidade científica capaz de trabalhar com os mesmos modelos e compartilhar métodos entre os dois países.
Parceria entre EUA e Reino Unido começou antes da nova federação de supercomputadores
A aproximação não começou na cúpula realizada em Londres. UKAEA e PPPL já haviam assinado um memorando de entendimento em junho, criando uma estrutura para trabalhos conjuntos.
A Declaração Conjunta de Intenções amplia esse movimento e direciona a colaboração especificamente para SUNRISE e STELLAR-AI.
A Cúpula Global de Políticas de Fusão, realizada na Mansion House, em Londres, em 14 de setembro de 2026, também discutiu a harmonização regulatória para projetos futuros. A intenção é criar maior previsibilidade tanto para desenvolvedores quanto para investidores enquanto a tecnologia avança.
Depois do encontro, as duas instituições passaram a avaliar os próximos passos técnicos, incluindo a criação dos gêmeos digitais e a melhor maneira de transferir cargas computacionais de uma plataforma para outra.
Se essa integração avançar, EUA e Reino Unido poderão fazer com que seus supercomputadores deixem de funcionar como ilhas separadas: SUNRISE e STELLAR-AI poderão treinar modelos comuns, aproveitar dados produzidos em dois tokamaks e oferecer aos pesquisadores uma plataforma compartilhada para transformar os experimentos atuais em conhecimento aplicado às futuras usinas de fusão.
Fonte
Governo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

