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Ex-motorista vende o próprio carro, investe cerca de R$ 100 mil e cria aplicativo que já faz até 3 mil viagens mensais no interior da Paraíba
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 16/09/2026 às 19:40
Atualizado em 16/09/2026 às 19:41
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Criado em Sapé após um antigo motorista colocar as próprias economias e o carro no projeto, o CarVip superou um primeiro ano difícil, chegou a quatro municípios, reuniu cerca de 5 mil passageiros e passou a alcançar até 3 mil viagens mensais nos períodos mais movimentados.
Enio Joab Macedo da Cunha conhecia a rotina dos motoristas de aplicativo por experiência própria quando decidiu assumir um risco bem maior: vendeu o próprio carro e colocou recursos pessoais em uma plataforma de transporte criada no interior da Paraíba.
O investimento inicial no CarVip ficou em torno de R$ 100 mil. A apuração foi publicada em 16 de julho de 2026 por 55content, portal de notícias de mobilidade e delivery, que entrevistou Enio sobre a criação e o funcionamento da plataforma.
O dinheiro foi usado na tecnologia, divulgação, construção da marca e estrutura necessária para colocar o serviço em funcionamento. Enio resumiu a decisão em uma frase: “Eu vendi meu carro e joguei tudo dentro do negócio”.
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CarVip nasceu onde o mototáxi ocupava grande parte do espaço deixado pela falta de transporte estruturado
O CarVip foi criado em 20 de junho de 2023, em Sapé, município do interior da Paraíba. A cidade tinha forte presença dos mototáxis e não contava com uma estrutura ampla de transporte coletivo capaz de atender todas as necessidades de deslocamento.
Enio já havia trabalhado como motorista de aplicativo em João Pessoa. Essa experiência permitiu que ele conhecesse a rotina das plataformas, as dificuldades enfrentadas pelos condutores e as informações que um motorista considera antes de aceitar uma viagem.
A ideia inicial era bem menor. O projeto deveria permitir que Enio e alguns conhecidos trabalhassem com transporte por aplicativo em Sapé. A proposta, porém, ganhou estrutura e começou a alcançar um público maior.
Para financiar essa tentativa, Enio usou dinheiro que havia guardado, vendeu o automóvel que possuía e passou aproximadamente um ano utilizando um carro alugado enquanto direcionava recursos ao novo negócio.
Primeiro ano teve meses entre 200 e 500 viagens e fez Enio acreditar que o investimento poderia ter dado errado
O lançamento ocorreu durante o período de festas de São João de 2023. O movimento inicial trouxe passageiros, mas também criou uma dificuldade: parte do público associou o aplicativo apenas às festividades.
Depois daquele começo, veio o período mais delicado. Durante o primeiro ano, o CarVip enfrentou meses com volumes próximos de 200 a 500 corridas, ainda longe da regularidade necessária para uma operação maior.
Enio havia colocado praticamente todos os recursos disponíveis no projeto. A situação chegou ao ponto de um amigo emprestar um carro por dois meses para que ele conseguisse reorganizar a própria rotina.
O risco financeiro, portanto, não ficou limitado aos R$ 100 mil estimados de investimento. A venda do veículo e a necessidade de continuar trabalhando com carros de terceiros mostram quanto do patrimônio e da renda pessoal ficou ligado ao desempenho do aplicativo.
Plataforma chegou a quatro municípios, cerca de 5 mil passageiros e até 3 mil viagens nos meses mais fortes
A situação começou a mudar a partir do segundo ano. O número de corridas se tornou mais constante, a base de motoristas ganhou estabilidade e a plataforma passou a operar também fora de Sapé.
Em julho de 2026, o CarVip estava presente em Sapé, Mari, Sobrado e Riachão do Poço. A operação reunia aproximadamente 5 mil passageiros cadastrados e 280 motoristas e motoboys.
Nos períodos comuns, o volume mensal podia ficar entre 1.500 e 2.500 corridas. Em momentos de maior movimento, especialmente durante São João e Natal, a plataforma chegava a 3 mil viagens no mês.
Os números foram detalhados por 55content, portal de notícias de mobilidade e delivery, que também registrou a mudança de escala da operação desde os meses de baixa movimentação do primeiro ano.
Contrato para transportar pacientes ajudou a recuperar parte importante do dinheiro colocado no aplicativo
Outro ponto decisivo apareceu fora das corridas comuns entre passageiros. O CarVip conseguiu um contrato com a Secretaria de Saúde de Sapé para participar do transporte de pacientes que precisam realizar tratamentos em outras cidades.
Entre os deslocamentos estão viagens para localidades como Recife e Natal, onde transportar poucos pacientes usando veículos públicos poderia gerar gastos maiores com estrutura, motorista e deslocamento.
Esse contrato deu uma fonte adicional de movimento para a plataforma e ajudou a recuperar parte do capital utilizado na criação do negócio. Enio chegou a declarar: “Hoje, praticamente, eu tirei o investimento em cima desse contrato”.
Motoristas podem pagar 15% das corridas ou R$ 150 por mês para trabalhar exclusivamente pelo CarVip
O modelo de cobrança também nasceu da experiência de Enio ao volante. No CarVip, o motorista recebe o pagamento da corrida diretamente do passageiro e depois utiliza uma das formas de remuneração da plataforma.
Uma possibilidade é pagar 15% sobre cada corrida. A outra é uma mensalidade de R$ 150, destinada aos motoristas que trabalham exclusivamente com o CarVip.
Nesse segundo formato, o condutor paga o valor no início do período e permanece com o restante do que receber nas viagens realizadas durante o mês. Quem deseja utilizar outros aplicativos pode continuar no sistema de cobrança percentual.
A plataforma também mostra ao motorista várias informações antes da aceitação da corrida. O condutor consegue verificar dados como origem, destino, distância, avaliação do passageiro e valor da viagem antes de decidir se deseja realizar o atendimento.
A expansão do CarVip também passou por um teste quando a 99 iniciou operações na região. A entrada de uma plataforma nacional trouxe promoções e incentivos que inicialmente aumentaram a preocupação entre os motoristas ligados ao serviço local.
O efeito, porém, não foi apenas a perda de usuários. Depois da entrada da concorrente, o CarVip registrou aproximadamente mil novos downloads de passageiros, além de novos cadastros entre os condutores.
A operação continuou apoiada na presença regional e no conhecimento que Enio acumulou trabalhando como motorista. O aplicativo permaneceu com uma proposta voltada a cidades menores, onde a relação entre passageiros, motoristas e administração ocorre em uma escala diferente daquela encontrada nos grandes centros.
A trajetória também mostra como um projeto que começou com recursos pessoais, um carro vendido e meses de poucas centenas de corridas conseguiu alcançar uma operação com milhares de viagens mensais em quatro municípios.
Você colocaria o próprio carro e praticamente todas as economias em um aplicativo criado para sua cidade? Conte nos comentários o que faria diante de um risco como esse.
Tags
aplicativo CarVipmotorista de aplicativo
Fonte
55content
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

