MG
5 min de leitura
Executivo australiano que comprou em abril um morro em Poços de Caldas anuncia um furo de 116 metros com 4,78% de óxidos de terras raras e convence o governo de Minas a botar o projeto na fila prioritária do estado
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 10/09/2026 às 06:51
Atualizado em 10/09/2026 às 06:56
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A campanha de sondagem no Morro do Ferro devolveu, logo nos primeiros furos, intervalos longos e teores altos de óxidos de terras raras em Poços de Caldas, e transformou um ativo comprado há poucos meses num empreendimento que o Governo de Minas Gerais decidiu tratar como prioritário.
Alistair Stephens é o presidente-executivo da Power Minerals, a companhia australiana por trás do projeto Morro do Ferro, no Complexo Alcalino de Poços de Caldas.
A compra do projeto foi concluída em abril de 2026. Cinco meses depois, a empresa já anunciava resultados de sondagem e um acordo com o governo estadual.
Esse ritmo, por si só, chama atenção em mineração, um setor onde prazos normalmente se medem em anos e não em trimestres.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Quem quiser entrar na Transpetro tem até 14 de setembro para disputar uma das 4.171 oportunidades do concurso, com salário inicial que chega a R$ 15 mil e prova marcada para 29 de novembro
Quem quiser entrar na Transpetro tem até o dia catorze de setembro para disputar uma das quatro mil cento e setenta e uma oportunidades do concurso, com salário inicial que…
Paulo Nogueira
0
O furo MFSR-051 atravessou 116 metros com 4,78% de óxidos totais de terras raras
Conforme divulgado pela empresa, o furo MFSR-051 cortou 116 metros a 4,78% de TREO, a sigla usada no setor para óxidos totais de terras raras.
O segundo furo, MFSR-052, atravessou 137 metros a 4,31%, enquanto o terceiro, o MFSR-053, registrou 108,55 metros a 4,15% no mesmo tipo de intervalo contínuo.
Os três resultados vêm da primeira campanha de sondagem diamantada no projeto, aquela em que se extrai um testemunho cilíndrico contínuo da rocha para análise.
Entender o que significa 4,78% de TREO muda a leitura da notícia
TREO mede quanto do peso da rocha corresponde ao conjunto de óxidos de terras raras. Um teor de 4,78% quer dizer que, em cada tonelada, cerca de 48 quilos são esses óxidos.
Para efeito de comparação dentro do próprio universo de terras raras, muitos projetos discutidos globalmente trabalham com percentuais bem abaixo de um por cento nas zonas mineralizadas.
Por isso a expressão que circula sobre Poços de Caldas é teor alto. Não é adjetivo publicitário: é a diferença entre processar muita ou pouca rocha para obter o mesmo produto.
A espessura do intervalo pesa tanto quanto o percentual
Um teor alto num intervalo de dois metros diz pouco. O mesmo teor sustentado por mais de cem metros contínuos conta uma história diferente sobre o corpo mineralizado.
Nos três furos divulgados, os intervalos ficaram entre 108,55 e 137 metros de espessura, com percentuais que variaram pouco entre si, de 4,15% a 4,78% de TREO.
Essa combinação de espessura com estabilidade de teor é o tipo de resultado que faz uma companhia acelerar cronograma em vez de esperar mais uma temporada de campo.
A mineralização aparece já a partir da superfície, e isso mexe com o custo
De acordo com a empresa, a mineralização começa na superfície e ocorre em bastnasita e cerianita, dois minerais portadores de terras raras.
Mineralização aflorante significa que não é preciso remover uma espessa camada de rocha estéril antes de chegar ao material de interesse. Essa camada removida é o que a mineração chama de decapeamento.
Cada metro de estéril retirado custa combustível, equipamento, hora de operador e espaço para depositar aquilo em algum lugar. Quando o minério está na superfície, boa parte dessa conta simplesmente não existe.
Olhando assim, a frase técnica sobre mineralização desde a superfície é, na prática, uma informação econômica disfarçada de informação geológica, e talvez seja o dado mais subestimado do comunicado.
Em 9 de setembro a empresa anunciou o enquadramento como projeto prioritário de Minas
Segundo o comunicado, em 9 de setembro de 2026 a Power Minerals informou o acordo com o Governo de Minas Gerais que coloca o empreendimento no regime de projetos prioritários do estado.
A declaração do executivo foi objetiva: “O Estado concordou em aplicar seu regime de projetos prioritários ao nosso projeto de terras raras em Poços de Caldas”.
Não foram divulgados valor de investimento, número de empregos previstos nem estimativa de recurso mineral. O que veio a público foi o enquadramento em si.
Cinco meses separam a compra do morro do status de prioridade estadual
Em abril de 2026 a companhia concluiu a aquisição. Em setembro do mesmo ano, com a primeira campanha de sondagem ainda em andamento, veio o acordo com o governo estadual.
É difícil não notar a velocidade. Entre assinar a compra e ser tratado como prioridade por um estado inteiro passaram-se cerca de cinco meses.
Esse intervalo curto tem explicação plausível nos próprios números da sondagem, que chegaram cedo e vieram com teores que dispensam apresentação no setor.
O Complexo Alcalino de Poços de Caldas não é endereço qualquer
O projeto Morro do Ferro fica dentro do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, uma estrutura geológica conhecida no sul de Minas Gerais.
Complexos alcalinos costumam ser justamente o tipo de ambiente onde elementos menos comuns se concentram, o que explica por que essa região aparece com frequência em estudos minerais.
Os detalhes do enquadramento estadual foram publicados pelo portal Minera Brasil, que registrou o acordo entre a companhia e o Governo de Minas.
Sondagem diamantada é o método que devolve a rocha inteira para análise
A técnica usada na campanha extrai um cilindro contínuo de rocha, chamado testemunho, com uma coroa diamantada girando na ponta da haste de perfuração.
Esse testemunho é serrado ao meio, descrito metro a metro e enviado para laboratório, o que permite dizer com precisão onde começa e onde termina a zona mineralizada.
Por isso a sondagem diamantada custa mais caro do que outros métodos de perfuração, contudo é ela que sustenta números como os 116 metros anunciados no MFSR-051.
Sem esse tipo de amostra, teor e espessura seriam estimativa. Com ela, viram medida verificável e auditável por terceiros dentro dos padrões técnicos do setor.
Bastnasita e cerianita definem o caminho do processamento
Os dois minerais citados pela empresa como portadores da mineralização são bastnasita e cerianita. A identificação do mineral portador não é detalhe menor.
Isso porque o mineral em que o elemento está hospedado determina a rota metalúrgica, ou seja, como aquela rocha será quebrada e tratada até virar produto vendável.
Portanto, quando uma empresa divulga o mineral junto com o teor, ela está entregando duas informações de peso diferente para quem acompanha o setor.
A primeira campanha ainda está em andamento
Os três furos divulgados fazem parte da primeira campanha de sondagem diamantada do projeto, que segue em curso e ainda deve render novos resultados nos próximos meses.
Ou seja, os números conhecidos até aqui são o começo do banco de dados que sustentará qualquer estimativa futura de recurso mineral, ainda não divulgada.
Entretanto, a combinação entre teor alto, intervalos longos e mineralização aflorante já foi suficiente para mover a agulha na relação com o governo estadual.
Cinco meses entre comprar um morro e virar prioridade estadual: rapidez saudável ou pressa demais?
Tags
Fontes
Minera Brasil
Brasil Mineral
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

