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Exército dos EUA leva arma a laser contra drones à produção pela primeira vez, em contrato de US$ 464,8 milhões para dezenas de sistemas
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 05/09/2026 às 15:31
Atualizado em 05/09/2026 às 15:35
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O Exército dos Estados Unidos assinou em 2 de setembro seu primeiro contrato de produção de uma arma a laser de alta energia: o acordo de US$ 464,8 milhões com a AeroVironment prevê dezenas de sistemas LOCUST X3 de 30 kW para enfrentar drones.
A decisão leva o programa Enduring-High Energy Laser, conhecido como E-HEL, para além da fase de protótipos. Em vez de testar poucas unidades experimentais, a força agora prepara uma capacidade destinada ao emprego continuado.
O anúncio oficial do Exército não informou um calendário unitário de entrega. A fabricante disse que fornecerá dezenas de equipamentos ao longo dos próximos anos, além de treinamento e suporte aos operadores.
O alvo principal são sistemas aéreos não tripulados dos grupos 1 a 3. Essa faixa inclui desde drones pequenos até aeronaves sem piloto maiores, cuja proliferação tornou mais caro proteger bases, tropas e infraestrutura.
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A vantagem prometida não está apenas na velocidade do feixe. O E-HEL usa energia elétrica, oferece baixo custo por disparo e recompõe seu “carregador” enquanto houver alimentação disponível para o sistema.
Contrato de US$ 464,8 milhões muda a escala do laser militar
A AeroVironment atribuiu ao contrato um valor de US$ 464,8 milhões. O instrumento é um Other Transaction Agreement, formato usado pelo governo americano para acelerar projetos de pesquisa, desenvolvimento e aquisição fora de alguns ritos tradicionais.
O Exército foi mais cuidadoso com números comerciais, mas confirmou o caráter inédito: trata-se do primeiro contrato de produção da força para um sistema de arma a laser de alta energia.
Essa passagem é importante porque demonstra que a tecnologia alcançou um nível considerado suficiente para compras em série. Ainda assim, produção não significa que todas as limitações operacionais tenham desaparecido.
Lasers dependem de geração elétrica, resfriamento, sensores, rastreamento preciso e condições atmosféricas adequadas. Chuva, poeira, fumaça ou turbulência podem interferir no caminho entre o emissor e o alvo.
Por isso, o próprio Exército apresenta o E-HEL como parte de uma defesa em camadas. O equipamento deve trabalhar ao lado de sensores, guerra eletrônica, canhões e interceptadores, não substituí-los em todas as situações.
O LOCUST X3 entrega 30 kW e pode mudar de plataforma
A versão anunciada pela fabricante opera com potência de 30 quilowatts. Seu projeto não fica preso a um único veículo, o que permite combinar o módulo com diferentes posições fixas, semimóveis e plataformas terrestres.
A AeroVironment citou a integração com o Joint Light Tactical Vehicle, o JLTV, e configurações sobre paletes. Também informou que estuda instalar o conjunto no Infantry Squad Vehicle em uma etapa futura.
No desenho do Exército, a arquitetura usa onze interfaces principais. A intenção é trocar componentes, receber melhorias e conectar novos recursos sem reconstruir todo o equipamento a cada evolução tecnológica.
Esse conceito modular responde a um problema de aquisição militar. Drones e táticas mudam rapidamente, enquanto uma plataforma de defesa pode permanecer em serviço durante muitos anos.
O LOCUST combina o emissor com rastreamento e controle de tiro. A empresa afirma que sua camada de software AV_Halo auxilia a detecção, a decisão e o engajamento, mas não divulgou taxas de acerto do lote contratado.
Baixo custo por disparo enfrenta a matemática dos drones baratos
A lógica econômica ajuda a explicar a urgência. Derrubar um drone simples com um míssil sofisticado pode impor ao defensor um custo muito maior do que aquele pago pelo atacante.
O laser muda essa conta porque cada engajamento consome principalmente eletricidade. O Exército não publicou um preço exato por tiro no comunicado, mas destacou que ele é muito menor do que o de interceptadores cinéticos.
Também não existe um paiol físico de feixes. Enquanto o conjunto tiver energia e conseguir administrar o calor gerado, o chamado carregador regenerativo pode voltar a atirar sem receber uma nova caixa de munição.
Isso reduz o peso logístico, porém transfere a dependência para geradores, baterias, combustível e refrigeração. A autonomia real será determinada pelo sistema completo, não apenas pela potência nominal do laser.
Contra enxames, a velocidade de apontamento e o tempo necessário para permanecer sobre cada alvo serão decisivos. O contrato confirma a confiança institucional, mas os dados detalhados de desempenho permanecem militares.
Testes em White Sands abriram o caminho para a produção
Segundo a AeroVironment, o LOCUST passou por testes no campo de provas de White Sands. As demonstrações envolveram operações contra drones em espaço aéreo americano e contribuíram para a coordenação de segurança entre autoridades de defesa e aviação.
O programa também aproveita experiências dos protótipos Army Multi-Purpose High Energy Laser. Assim, a compra atual não surgiu de um único ensaio, mas de uma sequência de desenvolvimento, integração e avaliação.
Para aumentar a produção, a empresa relacionou o contrato a um investimento de US$ 30 milhões em sua instalação de Albuquerque, no Novo México, anunciado em março de 2026.
A fábrica terá de transformar componentes ópticos, eletrônicos e térmicos em dezenas de conjuntos repetíveis. Essa padronização é uma etapa diferente de construir um protótipo acompanhado por uma equipe de engenharia.
Treinar militares e sustentar os equipamentos em campo também fazem parte do acordo. Um laser disponível somente com especialistas da fabricante não atenderia ao objetivo de uma capacidade duradoura do Exército.
O que a primeira compra em série ainda não responde
O anúncio não detalha quantidade exata, cronograma de cada unidade, alcance efetivo ou locais de implantação. Também não apresenta resultados de combate que permitam comparar o sistema com outras soluções antidrone.
Essas lacunas impedem concluir que o E-HEL resolveu sozinho a defesa aérea de curto alcance. O marco confirmado é mais específico: a tecnologia saiu do desenvolvimento experimental e recebeu uma encomenda de produção.
Se o sistema mantiver disponibilidade, precisão e ritmo de engajamento fora do ambiente de testes, poderá preservar mísseis caros para ameaças que realmente exijam interceptação cinética.
A defesa em camadas ganha, assim, uma opção elétrica entre a interferência eletrônica e a destruição por projétil. Seu valor dependerá da forma como sensores, comando e alimentação forem integrados.
O contrato de laser antidrone E-HEL não encerra a corrida contra aeronaves não tripuladas. Ele registra que, para o Exército americano, o feixe de alta energia finalmente está pronto para entrar na linha de produção.
Você acredita que lasers elétricos conseguirão reduzir de verdade o custo da defesa contra enxames de drones?
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Fontes
U.S. Army
AeroVironment
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

