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Expedição na Antártida encontra a cerca de 500 metros de profundidade uma colônia estimada em 60 milhões de ninhos de peixe-gelo, espalhada por pelo menos 240 km² no Mar de Weddell, com mais de 60 mil toneladas de biomassa e a maior área contínua de reprodução de peixes já documentada

Expedição na Antártida encontra a cerca de 500 metros de profundidade uma colônia estimada em 60 milhões de ninhos de peixe-gelo, espalhada por pelo menos 240 km² no Mar de Weddell, com mais de 60 mil toneladas de biomassa e a maior área contínua de reprodução de peixes já documentada

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Expedição na Antártida encontra a cerca de 500 metros de profundidade uma colônia estimada em 60 milhões de ninhos de peixe-gelo, espalhada por pelo menos 240 km² no Mar de Weddell, com mais de 60 mil toneladas de biomassa e a maior área contínua de reprodução de peixes já documentada

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 01/09/2026 às 21:39

Atualizado em 01/09/2026 às 21:43

Ciência e Tecnologia

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Expedição na Antártida identifica cerca de 60 milhões de ninhos de peixe-gelo distribuídos por pelo menos 240 km² no Mar de Weddell, com mais de 60 mil toneladas de biomassa.

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Pesquisadores encontraram no Mar de Weddell uma área de reprodução de peixe-gelo-da-Jonah com aproximadamente 60 milhões de ninhos, distribuídos por pelo menos 240 km² a profundidades próximas de 500 metros. A colônia reúne mais de 60 mil toneladas de biomassa e é a maior concentração contínua já documentada nos oceanos.

Uma expedição científica na Antártida encontrou no fundo do Mar de Weddell uma área de reprodução de peixes em escala sem precedentes: cerca de 60 milhões de ninhos de Neopagetopsis ionah, conhecido como peixe-gelo-da-Jonah, distribuídos por pelo menos 240 km² e associados a mais de 60 mil toneladas de biomassa.

Segundo o estudo posteriormente publicado na revista científica Current Biology, a descoberta ocorreu em fevereiro de 2021 durante uma expedição do navio de pesquisa Polarstern, nas proximidades da plataforma de gelo Filchner. Conforme o equipamento percorria o fundo do oceano, novos ninhos continuavam surgindo nas imagens transmitidas aos pesquisadores.

Colônia apareceu a profundidades entre 420 e 535 metros

Foto: Créditos – Alfred-Wegener-Institut / PS124, AWI OFOBS team

A equipe explorou uma região situada a centenas de metros abaixo da superfície.

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O equipamento utilizado durante a expedição percorreu áreas entre 420 e 535 metros de profundidade, faixa que coloca grande parte da descoberta em torno dos 500 metros mencionados no título.

Sistema OFOBS percorreu o fundo conectado ao Polarstern

Os cientistas utilizaram o Ocean Floor Observation and Bathymetry System, o OFOBS.

O sistema possui câmeras e sensores e permanece conectado ao navio enquanto é conduzido próximo ao fundo oceânico, enviando imagens da região examinada em tempo real.

Estruturas circulares começaram a surgir uma após outra

Foto: Créditos – Alfred-Wegener-Institut / PS124, AWI OFOBS team

As primeiras imagens mostraram pequenas depressões circulares no sedimento.

À medida que o OFOBS avançava, essas estruturas continuaram aparecendo repetidamente, revelando que a concentração não se restringia a um pequeno trecho do Mar de Weddell.

Câmeras registraram diretamente 16.160 ninhos

Foto: Créditos – Alfred-Wegener-Institut / PS124, AWI OFOBS team

Os 60 milhões de ninhos não foram contados individualmente.

As câmeras da expedição registraram diretamente 16.160 ninhos em uma área observada de aproximadamente 45,6 mil metros quadrados. Esses registros serviram de base para calcular a densidade da colônia e projetar sua extensão total.

Densidade média ficou em cerca de um ninho a cada três metros quadrados

Os pesquisadores encontraram, em média, aproximadamente um ninho a cada três metros quadrados durante as observações.

Em pontos de maior concentração, foram encontrados um ou dois ninhos ativos por metro quadrado, mostrando que a distribuição podia variar dentro da própria área de reprodução.

Cálculo apontou cerca de 0,26 ninho por metro quadrado

Foto: Créditos – Alfred-Wegener-Institut / PS124, AWI OFOBS team

Para chegar à dimensão total, a equipe combinou as observações diretas com o mapeamento da região.

Os cálculos indicaram uma densidade de aproximadamente 0,26 ninho por metro quadrado ao longo de uma área de pelo menos 240 km².

A extrapolação desses dados levou à estimativa de cerca de 60 milhões de ninhos ativos.

Área de reprodução ocupa pelo menos 240 km²

A extensão territorial é um dos números que tornam a descoberta excepcional.

A colônia se espalha por pelo menos 240 quilômetros quadrados no fundo do Mar de Weddell, formando uma área contínua de reprodução.

Segundo os pesquisadores, nenhuma outra concentração contínua de reprodução de peixes com dimensões semelhantes havia sido registrada anteriormente nos oceanos, independentemente da profundidade.

Ninhos pertencem ao peixe-gelo-da-Jonah

As estruturas são utilizadas pelo Neopagetopsis ionah.

Conhecido como peixe-gelo-da-Jonah, o animal vive nas águas extremamente frias do Oceano Austral e ainda possui diversos aspectos de sua biologia pouco conhecidos pelos pesquisadores.

Cada estrutura aparece como uma depressão no sedimento

Os ninhos possuem formato circular e são construídos diretamente sobre o fundo marinho.

Nas imagens, aparecem como pequenas depressões no sedimento, muitas delas ocupadas por um peixe adulto responsável pela guarda dos ovos.

Cada ninho ativo tem em média 1.735 ovos

Os pesquisadores calcularam aproximadamente 1.735 ovos por ninho ativo, embora a quantidade varie de uma estrutura para outra.

Esse número reforça que a área não representa apenas uma grande reunião de peixes adultos, mas uma região de reprodução de enorme escala.

Um peixe adulto frequentemente permanecia protegendo os ovos

O comportamento observado também trouxe informações sobre o cuidado parental da espécie.

Grande parte dos ninhos ativos apresentava um único peixe adulto fazendo a guarda dos ovos, enquanto outras estruturas apareciam vazias.

Antes da descoberta, estudo havia encontrado somente 93 ninhos

A dimensão observada em 2021 contrastou fortemente com levantamentos anteriores.

Um estudo sobre a reprodução do Neopagetopsis ionah no sudeste do Mar de Weddell havia registrado apenas 93 ninhos ao longo do trecho analisado por vídeo.

A identificação posterior de dezenas de milhões de estruturas mudou completamente a escala conhecida para a espécie.

Instituto explora a região desde o início dos anos 1980

O Mar de Weddell não era uma área desconhecida para os pesquisadores.

O Instituto Alfred Wegener explora a região com o Polarstern desde o início da década de 1980, mas, antes dessa expedição, haviam sido encontrados apenas indivíduos isolados da espécie ou pequenas concentrações de ninhos.

Água no local chegava a ficar 2°C mais quente

As condições oceanográficas podem ajudar a explicar por que tantos peixes escolheram aquele trecho.

Medições realizadas durante a expedição mostraram que a água próxima ao fundo, na região ocupada pelos ninhos, podia ficar até 2°C mais quente do que em áreas profundas próximas.

Corrente relativamente mais quente coincide com distribuição dos ninhos

A diferença está associada à entrada de Água Profunda Quente Modificada sobre a plataforma continental do Mar de Weddell.

Os cientistas identificaram uma relação espacial entre essa corrente relativamente mais quente e a localização da área de reprodução.

A hipótese é que essas condições possam criar um ambiente particularmente favorável à reprodução dos peixes.

Biomassa ultrapassa 60 mil toneladas

A quantidade de animais associada aos ninhos também foi estimada pelos pesquisadores.

Os cálculos apontam para mais de 60 mil toneladas de biomassa de peixes concentradas naquela região do fundo antártico.

Focas-de-Weddell mergulham justamente sobre a colônia

A enorme concentração pode ter importância direta para outros animais.

Dados obtidos de focas-de-Weddell equipadas com transmissores mostraram uma forte concentração de mergulhos justamente sobre a área ocupada pelos ninhos.

O padrão indica que as focas podem utilizar a concentração de peixes como uma área de alimentação.

Restos de peixes também alimentam organismos do fundo

Os pesquisadores encontraram numerosos restos de peixes dentro e ao redor da área de reprodução.

Isso significa que a colônia pode participar da cadeia alimentar de duas formas: com peixes vivos servindo de alimento para predadores e, após a morte, com matéria orgânica disponível para organismos do fundo marinho.

Descoberta reforça proposta de proteção para o Mar de Weddell

Foto: Créditos – Alfred-Wegener-Institut / Tomas Lundälv

A importância científica da colônia não está limitada ao recorde de tamanho.

A combinação de milhões de ninhos, mais de 60 mil toneladas de biomassa e presença de predadores levou os autores a argumentar que a descoberta fortalece a proposta de estabelecer uma Área Marinha Protegida nessa parte do Oceano Austral.

Colônia permanece como a maior área contínua de reprodução já documentada

Assista o vídeo

Com aproximadamente 60 milhões de ninhos distribuídos por pelo menos 240 km², a região representa a maior colônia contínua de reprodução de peixes já documentada.

A descoberta revelou que, a cerca de 500 metros abaixo das águas do Mar de Weddell, uma concentração gigantesca de peixe-gelo-da-Jonah sustenta uma área de reprodução e uma biomassa que também podem desempenhar papel importante no ecossistema antártico.

Na sua opinião, o que mais chama atenção nessa descoberta: os 60 milhões de ninhos, os 240 km² ocupados pela colônia ou as mais de 60 mil toneladas de peixes concentradas no fundo do Mar de Weddell? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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