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Expedições no Atlântico descobrem escondido entre 200 e 1.000 metros de profundidade um gigantesco “mundo” de corais com 83.908 montes, espalhado por 26 mil km² e considerado o maior habitat de recifes de águas profundas já mapeado no planeta

Expedições no Atlântico descobrem escondido entre 200 e 1.000 metros de profundidade um gigantesco “mundo” de corais com 83.908 montes, espalhado por 26 mil km² e considerado o maior habitat de recifes de águas profundas já mapeado no planeta

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Expedições no Atlântico descobrem escondido entre 200 e 1.000 metros de profundidade um gigantesco “mundo” de corais com 83.908 montes, espalhado por 26 mil km² e considerado o maior habitat de recifes de águas profundas já mapeado no planeta

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 03/09/2026 às 13:09

Atualizado em 03/09/2026 às 13:10

Ciência e Tecnologia

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Expedições no Atlântico descobrem escondido entre 200 e 1.000 metros de profundidade um gigantesco “mundo”

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Cientistas mapearam no Atlântico um habitat colossal de corais de águas profundas com 83.908 estruturas e extensão superior a 26 mil km².

Durante mais de uma década, navios de pesquisa cruzaram uma extensa região do oceano Atlântico diante da costa sudeste dos Estados Unidos, usando sonares capazes de enxergar o relevo escondido centenas de metros abaixo da superfície. Quando cientistas reuniram os dados de 31 levantamentos com sonar multifeixe, surgiu algo muito maior do que os pontos isolados de corais conhecidos anteriormente: uma gigantesca província de recifes de águas profundas no Blake Plateau, formada por dezenas de milhares de elevações submarinas associadas principalmente a corais de água fria. O trabalho científico publicado em 2024 identificou 83.908 estruturas de pico classificadas como potenciais montes de corais na região estudada.

A parte praticamente contínua dessa paisagem submarina ocupa aproximadamente 26.064 km², ou 6,4 milhões de acres, uma área maior que o estado americano de Vermont e aproximadamente três vezes o tamanho do Parque Nacional de Yellowstone.

Cientistas levaram mais de uma década para enxergar o tamanho real do recife

Os corais profundos do sudeste dos Estados Unidos não surgiram repentinamente em 2024. Grandes montes de corais já haviam sido documentados na região desde a década de 1960.

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O que faltava era perceber a verdadeira escala do conjunto.

Durante anos, os pesquisadores conheciam áreas separadas, observadas por navios, veículos submarinos e diferentes levantamentos oceanográficos. Era como conhecer bairros isolados sem possuir um mapa completo da cidade.

A mudança ocorreu quando dados coletados por várias instituições foram reunidos em uma única análise. O projeto combinou 31 levantamentos de sonar multifeixe, incluindo numerosas missões da NOAA Ocean Exploration e dados de outras campanhas científicas.

Com isso, pesquisadores produziram um mapa quase completo do fundo do Blake Plateau e puderam observar padrões que não eram visíveis quando cada expedição era analisada separadamente.

O “mundo perdido” está escondido onde a luz do Sol praticamente não chega

Quem imagina um recife de coral normalmente pensa em águas tropicais rasas, transparentes e iluminadas.

No Blake Plateau acontece quase o contrário. Os recifes estudados ficam em águas profundas, fora da zona iluminada utilizada pelos tradicionais corais tropicais para sustentar suas algas simbióticas.

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A espécie construtora mais importante observada na região é Desmophyllum pertusum, anteriormente conhecida como Lophelia pertusa.

Ela é encontrada em diferentes profundidades no Atlântico, mas ocorre frequentemente aproximadamente entre 200 e 1.000 metros.

No Blake Plateau, os picos dos montes analisados nas principais sub-regiões ficaram aproximadamente entre 367 e 918 metros de profundidade.

Portanto, algumas dessas estruturas permanecem a quase um quilômetro abaixo dos navios que passam pela superfície.

Os corais brancos não estão mortos

As imagens submarinas podem produzir outra impressão enganosa. Muitos dos corais aparecem completamente brancos.

Em um recife tropical, corais esbranquiçados imediatamente lembrariam branqueamento causado pela perda das algas simbióticas.

Nesse caso, branco pode ser perfeitamente saudável. Os corais profundos predominantes nessa região não dependem das mesmas algas fotossintéticas utilizadas por muitos corais tropicais.

Como vivem praticamente sem luz solar, eles obtêm alimento capturando partículas orgânicas transportadas pela água.

A NOAA destaca especificamente que a coloração branca observada nesses recifes profundos não representa necessariamente branqueamento.

É um ecossistema funcionando sob regras muito diferentes das encontradas nos cartões-postais de recifes tropicais.

A maior faixa chega a 500 quilômetros de comprimento

Os números horizontais são ainda mais impressionantes. Segundo o estudo publicado na revista científica Geomatics, a extensão máxima das formações praticamente contínuas chega a aproximadamente 500 quilômetros de norte a sul.

Em alguns pontos, essa faixa alcança cerca de 110 quilômetros de largura. Dentro desse gigantesco território existe uma região central com concentração especialmente alta de montes.

Essa área de alta densidade possui aproximadamente 254 quilômetros de comprimento, até 42 quilômetros de largura e 6.215 km².

Os pesquisadores deram a uma das regiões mais impressionantes um nome bastante apropriado: Million Mounds, ou “Milhão de Montes”.

Mesmo o nome, porém, surgiu antes de existir uma contagem detalhada das estruturas.

Computadores identificaram 83.908 elevações no fundo do Atlântico

Contar dezenas de milhares de formações submarinas manualmente seria extremamente difícil. Os cientistas utilizaram uma abordagem automatizada de análise de terreno para interpretar os mapas batimétricos.

O sonar multifeixe permite aos navios emitir ondas acústicas em direção ao fundo e calcular a profundidade a partir do retorno dos sinais.

Computadores identificaram 83.908 elevações no fundo do Atlântico

Com milhares de medições, é possível construir representações tridimensionais do relevo submarino.

Os pesquisadores aplicaram então um sistema padronizado para separar diferentes formas do terreno, como picos, vales, cristas, encostas e áreas planas.

O resultado foi a identificação de 83.908 estruturas individuais de pico em toda a região estudada. Essa foi a primeira estimativa cartográfica ampla da quantidade de potenciais montes de corais existentes ali.

Nem todos os 83.908 montes foram visitados por robôs

Esse detalhe é essencial para interpretar corretamente a descoberta. Os cientistas não desceram individualmente até cada um dos 83.908 pontos para verificar visualmente a presença de coral vivo.

A quantidade deriva principalmente da identificação das características geomorfológicas presentes nos dados de sonar.

Por isso, o estudo utiliza cuidadosamente expressões como “potenciais montes de corais de águas frias” ao falar da contagem completa.

Expedições com veículos submarinos, câmeras e amostragens confirmaram a presença de extensos recifes na região e ajudaram os pesquisadores a interpretar o que aparecia no sonar.

Assim, a combinação entre mapeamento acústico e observações diretas revelou a dimensão do sistema sem exigir que cada elevação fosse fisicamente visitada.

Só a faixa praticamente contínua reúne mais de 64 mil montes

Quando os pesquisadores separaram a região considerada praticamente contínua, outro número gigantesco apareceu.

Esse polígono contém 64.706 estruturas de montes, equivalentes a aproximadamente 77% dos 83.908 picos identificados no levantamento completo.

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A sub-região denominada Million Mounds apresentou sozinha 35.789 picos dentro da classificação utilizada no estudo.

Foi também a área com maior densidade entre as sub-regiões analisadas, chegando a 5,8 montes por quilômetro quadrado.

Não é, portanto, apenas um lugar onde alguns recifes profundos estão separados por enormes distâncias.

Há áreas onde as formações aparecem repetidamente pelo fundo oceânico, criando uma verdadeira paisagem submarina construída ao longo de milhares de anos.

Crescimento lento torna esses recifes especialmente vulneráveis

A lentidão é uma das características mais importantes desses organismos. O estudo cita pesquisas no Golfo do México que estimaram taxas mínimas de crescimento de Desmophyllum pertusum entre aproximadamente 3,2 e 32,3 milímetros por ano.

Mesmo no limite superior, estamos falando de centímetros anuais. Grandes estruturas recifais, portanto, exigem enormes períodos para se desenvolver.

Essa característica preocupa pesquisadores quando ocorre dano físico provocado por atividades humanas. Uma floresta pode levar décadas para recuperar determinadas estruturas.

Um sistema construído por corais profundos durante milhares de anos pode necessitar de períodos muito maiores. Por isso, saber exatamente onde essas formações estão localizadas é essencial para planejar sua proteção.

Correntes poderosas ajudam a alimentar um ecossistema sem Sol

O Blake Plateau está diretamente sob influência da Corrente da Flórida e da Corrente do Golfo, uma das principais circulações oceânicas do planeta.

Essas águas em movimento têm papel fundamental na dinâmica da região.

Como os corais profundos não produzem alimento por fotossíntese, dependem das partículas transportadas pela água.

O fluxo oceânico funciona, portanto, como parte do sistema que leva matéria orgânica até esses organismos. O estudo destaca que a corrente pode alcançar o próprio fundo nessa região do Blake Plateau.

Onde para o olhar humano existiria apenas escuridão e água fria, existe um ambiente movimentado por correntes capazes de transportar alimento através de enormes distâncias.

Recifes viram abrigo para muitos outros animais

Os corais não são importantes apenas por existirem. Suas estruturas tridimensionais transformam áreas relativamente simples do fundo em habitats muito mais complexos.

Entre ramos, esqueletos e elevações encontram-se espaços onde peixes e diferentes invertebrados podem buscar abrigo, alimento e áreas de desenvolvimento.

Por décadas, cientistas não sabiam que o sistema era tão gigantesco

Uma das partes mais surpreendentes da história está justamente no tempo necessário para enxergar o conjunto.

O Blake Plateau fica diante de uma das regiões mais desenvolvidas dos Estados Unidos.

Não estamos falando de um mar desconhecido do outro lado do planeta. Mesmo assim, grande parte daquele relevo profundo permaneceu insuficientemente mapeada durante décadas.

Antes das campanhas modernas, algumas áreas do centro do plateau eram interpretadas como extensões dominadas por sedimentos relativamente simples.

Os novos levantamentos revelaram algo muito diferente: extensas formações de montes associadas a comunidades de corais profundos.

Foi necessário combinar tecnologia, navios, robôs, sonar e anos de trabalho para transformar pontos isolados em uma imagem completa.

O maior recife profundo conhecido estava escondido diante da costa dos Estados Unidos

Os números finais transformaram completamente a escala conhecida daquele ecossistema.

A NOAA passou a descrever o Blake Plateau como o maior habitat de recifes de águas profundas conhecido e mapeado até hoje.

A contagem de 83.908 picos não significa que cada um deles tenha sido individualmente confirmado como recife vivo, e os 26.064 km² correspondem especificamente à enorme província praticamente contínua identificada pelo estudo. Essa precisão científica torna o achado ainda mais interessante, não menos.

Durante décadas, os pesquisadores sabiam que havia corais naquela parte do oceano. O que ninguém compreendia era a dimensão.

Quando os últimos mapas foram reunidos, o que parecia formado por pontos separados revelou-se um gigantesco mundo submarino de recifes de água fria, escondido na escuridão do Atlântico e grande o bastante para ocupar uma área superior à de um pequeno estado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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