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Exportações para a China somam US$ 77 bilhões até agosto de 2026, 3 vezes o que o Brasil vende aos EUA, e acordo de Trump e Xi inclui agro americano

Exportações para a China somam US$ 77 bilhões até agosto de 2026, 3 vezes o que o Brasil vende aos EUA, e acordo de Trump e Xi inclui agro americano

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Exportações para a China somam US$ 77 bilhões até agosto de 2026, 3 vezes o que o Brasil vende aos EUA, e acordo de Trump e Xi inclui agro americano

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 28/09/2026 às 08:18

Atualizado em 28/09/2026 às 08:19

Economia

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Xi Jinping e Donald Trump na recepção da visita de Estado, em 23 de setembro de 2026. Foto: Casa Branca (Official White House Photo)

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Exportações para a China cresceram 15% de janeiro a agosto, enquanto as vendas aos EUA caíram 9,7%, segundo o Comex Stat; veja os números da soja, do saldo e da tecnologia ao lado do que o acordo entre Washington e Pequim diz.

As exportações para a China somaram US$ 77,07 bilhões de janeiro a agosto de 2026, ou 3,2 vezes o que o Brasil vendeu aos EUA, segundo o Comex Stat.

Os números são do Comex Stat, o sistema oficial de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), consultado pelo CPG em 27 de setembro de 2026.

Na mesma semana, Donald Trump recebeu Xi Jinping na Casa Branca. O fact sheet da Casa Branca, de 25 de setembro, lista produtos agrícolas americanos entre os itens recomendados para receber tarifa mais favorável, ainda sem data para valer.

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Lado a lado, os números do Comex Stat mostram o que o Brasil vende e compra de cada potência, e o texto da Casa Branca mostra o que ficou acertado sobre agro, tecnologia e minerais.

Exportações para a China: US$ 77 bilhões em oito meses

De janeiro a agosto de 2026, o Brasil exportou US$ 77.070.422.805 para a China, em valores FOB, segundo o Comex Stat. FOB é o valor da mercadoria embarcada, sem frete e sem seguro.

Exportações do Brasil para China e EUA de janeiro a agosto, em bilhões de dólares. Foto: Arte CPG com dados do Comex Stat/MDIC

No mesmo período de 2025, as vendas para os chineses tinham somado US$ 67.040.336.738, segundo o mesmo sistema. A diferença entre os dois anos cabe numa conta simples, mostrada abaixo.

A conta do CPG com esses dados mostra alta de 15,0% nas exportações para a China: 77,07 dividido por 67,04 dá 1,150. Em valores absolutos, foram US$ 10,03 bilhões a mais que nos oito primeiros meses de 2025.

Quanto o Brasil vendeu aos Estados Unidos no mesmo período

Para os Estados Unidos, o Brasil exportou US$ 24.104.879.482 entre janeiro e agosto de 2026, também de acordo com o Comex Stat.

De janeiro a agosto de 2025, o Comex Stat registra US$ 26.704.870.150. Pela conta do CPG, a queda é de 9,7%, ou cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em oito meses.

O Comex Stat mostra movimento oposto das duas linhas no mesmo intervalo: as vendas para um lado subiram, e as vendas para o outro caíram.

A conta do CPG: a China compra 3,2 vezes mais

Dividindo os dois números de 2026, a conta do CPG mostra: 77,07 bilhões divididos por 24,10 bilhões dão 3,2. Ou seja, para cada dólar vendido aos americanos, o Brasil vendeu 3,20 dólares aos chineses.

Em 2025, com os números do mesmo período, a proporção era menor: 67,04 divididos por 26,70 davam 2,5 vezes.

A distância entre os dois compradores, portanto, aumentou em um ano, segundo o Comex Stat, de janeiro a agosto.

O que o Brasil compra de cada um

O comércio tem duas mãos. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil importou US$ 51.561.499.839 da China, segundo o Comex Stat. Em 2025, no mesmo período, tinham sido US$ 47.080.394.753, conforme o mesmo sistema.

As compras de produtos chineses, pela conta do CPG, subiram 9,5% em um ano, ritmo menor que o das exportações para a China.

Dos Estados Unidos, segundo o Comex Stat, o Brasil importou US$ 27.315.950.598 nos oito primeiros meses de 2026, contra US$ 29.888.771.211 em 2025. A queda, na conta do CPG, é de 8,6%.

Somando o que foi vendido e o que foi comprado, a corrente de comércio com a China chegou a US$ 128,63 bilhões em 2026 (77,07 mais 51,56). Com os Estados Unidos, a soma dá US$ 51,42 bilhões (24,10 mais 27,32), ou 2,5 vezes menos.

O saldo comercial com China e EUA

O saldo é a diferença entre o que se vende e o que se compra. Com a China, a conta de 2026 fica em US$ 77,07 bilhões menos US$ 51,56 bilhões: superávit de US$ 25,51 bilhões para o Brasil.

Em 2025, com o mesmo período, o superávit com os chineses tinha sido de US$ 19,96 bilhões (67,04 menos 47,08).

Com os Estados Unidos, conforme o Comex Stat, a conta é negativa: US$ 24,10 bilhões menos US$ 27,32 bilhões dão déficit de US$ 3,21 bilhões em 2026. Em 2025, o déficit tinha sido de US$ 3,18 bilhões.

Exportações para a China em toneladas

O Comex Stat também registra o peso do que foi embarcado. Para a China, foram 305,4 milhões de toneladas de janeiro a agosto de 2026, contra 297,7 milhões de toneladas no mesmo período de 2025.

Para os Estados Unidos, conforme o Comex Stat, o peso exportado foi de 22,7 milhões de toneladas em 2026, contra 28,1 milhões em 2025. São 19,3% a menos, pela conta do CPG.

A diferença de peso é maior que a de valor: em 2026, a China levou 13,5 vezes mais toneladas que os EUA (305,4 divididos por 22,7).

Soja em grão: o produto que pesa na conta chinesa

A soja em grão (código NCM 1201.90.00) rendeu US$ 27.496.403.500 em vendas para a China de janeiro a agosto de 2026, segundo os registros do Comex Stat. Foram 64,7 milhões de toneladas embarcadas.

Vista aérea dos terminais do Porto de Santos, no litoral paulista. Foto: Autoridade Portuária de Santos/Divulgação

Na conta do CPG, a soja respondeu por 35,7% das exportações para a China no período (27,50 divididos por 77,07). Em 2025, essa fatia era de 38,9%.

Para os Estados Unidos, a mesma consulta ao Comex Stat mostra valores simbólicos: US$ 992 em 2025 e US$ 1 em 2026. Na prática, quase nenhuma soja em grão brasileira foi vendida aos americanos nos dois períodos.

O preço médio da tonelada de soja vendida à China

Com os dados do Comex Stat, dá para calcular, segundo o Comex Stat, quanto a China pagou, em média, por tonelada de soja brasileira. Em 2026: US$ 27,50 bilhões divididos por 64,75 milhões de toneladas dão US$ 424,7 por tonelada.

Em 2025, no mesmo período, a conta era de US$ 26,09 bilhões divididos por 65,85 milhões de toneladas: US$ 396,2 por tonelada.

Ou seja, o Brasil embarcou 1,7% menos soja em peso para a China, mas faturou 5,4% mais, porque o valor médio da tonelada subiu 7,2%, segundo a conta feita com os números do Comex Stat.

Tecnologia na pauta brasileira: aparelhos elétricos da China

Nas compras, a tecnologia aparece forte. O capítulo 85 da nomenclatura, que reúne máquinas, aparelhos e materiais elétricos, aparelhos de som e de imagem e suas partes, somou, segundo o Comex Stat, US$ 10,53 bilhões em importações da China de janeiro a agosto de 2026.

No mesmo período de 2025, o valor registrado no Comex Stat tinha sido de US$ 10,05 bilhões. A alta, pela conta do CPG, é de 4,8%.

Esse único capítulo representa 20,4% de tudo o que o Brasil comprou da China em 2026 (10,53 divididos por 51,56). De cada cinco dólares gastos com produtos chineses, um foi para esse grupo.

O peso de China e EUA no total exportado pelo Brasil

O Brasil exportou US$ 250,86 bilhões para o mundo de janeiro a agosto de 2026, segundo o Comex Stat, contra US$ 227,41 bilhões em 2025. A alta total foi de 10,3%.

A China ficou com 30,7% das exportações brasileiras em 2026, segundo os números do Comex Stat (conta do CPG: 77,07 divididos por 250,86). Em 2025, a fatia chinesa era de 29,5%.

Os Estados Unidos, segundo a mesma conta, ficaram com 9,6% das vendas brasileiras em 2026, contra 11,7% em 2025. Somados, os dois países receberam 40,3% de tudo o que o Brasil exportou nos oito primeiros meses do ano.

O que diz o acordo de Trump e Xi, em poucas linhas

Xi Jinping fez uma visita de Estado a Washington na semana de 24 de setembro de 2026. Segundo a Casa Branca, os dois governos colocaram em funcionamento o Conselho de Comércio e o Conselho de Investimento criados na cúpula de maio, em Pequim.

Peng Liyuan, Melania Trump, Xi Jinping e Donald Trump na Casa Branca durante a visita de Estado de setembro de 2026. Foto: Casa Branca (Official White House Photo)

No Conselho de Comércio, segundo a Casa Branca, os dois países chegaram a um consenso sobre recomendações de tratamento tarifário mais favorável para US$ 30 bilhões em bens não sensíveis em cada direção.

O valor vale para cada lado, segundo o mesmo texto: US$ 30 bilhões em produtos americanos e US$ 30 bilhões em produtos chineses.

O Conselho de Investimento, segundo o fact sheet, tem a missão de discutir oportunidades e entraves ao investimento entre os dois países, com um canal estruturado para resolver questões comerciais.

A lista de US$ 30 bilhões: agro americano de um lado, brinquedos do outro

O fact sheet da Casa Branca cita, entre as exportações americanas que entram na lista, “produtos agrícolas, peixes e frutos do mar, toras e produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos”.

Nas importações americanas, segundo o fact sheet, entram bens de consumo como pequenos eletrodomésticos, brinquedos, enfeites de fim de ano e cadeirinhas infantis para carro.

O mesmo documento informa que o Conselho de Comércio abriu um grupo de trabalho sobre barreiras de acesso ao mercado no setor agrícola.

Superinteligência: a parte de tecnologia do acordo

A tecnologia entrou no acordo por um caminho diferente das tarifas. Segundo a Casa Branca, os dois líderes combinaram usar o termo “superinteligência” para descrever essas tecnologias emergentes, segundo o fact sheet.

Os dois países criaram o Diálogo EUA-China sobre Superinteligência, para trocar visões sobre riscos e benefícios. Segundo o fact sheet, a próxima rodada acontece até novembro de 2026, e haverá um canal bilateral de comunicação para incidentes.

A superinteligência é, assim, a parte do acordo ligada à tecnologia de ponta. O canal para incidentes, segundo a Casa Branca, é bilateral, ligando só os dois governos.

Terras raras, carvão e petróleo no texto da Casa Branca

Sobre minerais, segundo o fact sheet, EUA e China seguem trabalhando nas preocupações americanas com a falta de terras raras e de outros minerais críticos nas cadeias de suprimento. O objetivo declarado é que os embarques voltem a níveis adequados.

O documento também informa que a China vai importar pelo menos 10 milhões de toneladas de carvão dos Estados Unidos em 2027 e de novo em 2028.

Há ainda uma linha sobre petróleo. Segundo a Casa Branca, Trump pediu a Xi que aumentasse a produção de derivados de petróleo refinados para estabilizar a oferta global.

Números lado a lado: o que o Comex Stat mostra e o que o acordo diz

Com os números do Comex Stat, o quadro de 2026 fica assim. Do lado brasileiro, os números de janeiro a agosto, segundo o Comex Stat:

Comércio do Brasil com China e EUA de janeiro a agosto de 2026. Foto: Arte CPG com dados do Comex Stat/MDIC

Do lado do acordo, segundo a Casa Branca: recomendação de tarifa mais favorável para US$ 30 bilhões em bens em cada direção, ainda sem data para valer, produtos agrícolas americanos na lista, grupo de trabalho do setor agrícola, diálogo sobre superinteligência e carvão americano para a China em 2027 e 2028.

Como consultar os números no Comex Stat

Os valores de comércio saem da consulta geral do Comex Stat, do MDIC, por país de destino ou de origem, em dólares FOB. A soja fica no código NCM 1201.90.00, e os aparelhos elétricos no capítulo 85.

Qualquer leitor pode refazer a consulta no próprio site do sistema, escolhendo o período de janeiro a agosto e o país. Os dados mensais podem ser revisados pelo ministério depois da primeira divulgação.

Variações, proporções, saldos e preços médios são contas do CPG com os números do Comex Stat, sempre comparando o mesmo período de oito meses de cada ano.

As próximas datas do acordo e da balança comercial

Pelo calendário do próprio acordo, a próxima rodada do diálogo sobre superinteligência está marcada até novembro de 2026, segundo a Casa Branca.

O compromisso de compra de carvão americano pela China vale para 2027 e 2028, segundo o fact sheet. Os dois presidentes também disseram que pretendem ir às cúpulas do G20 e da Apec, sediadas pelos dois países.

No Brasil, os números de setembro entram no Comex Stat com a próxima atualização mensal.

O CPG já mostrou como as exportações de Santa Catarina reagiram em agosto e acompanhou a disputa entre Brasil e EUA na OMC. As exportações para a China de setembro serão o próximo número da série do Comex Stat.

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exportações para a China


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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