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Fábrica que começou produzindo medicamentos em Manaus há 12 anos agora recebe R$ 300 milhões para acelerar as linhas e chegar a até 2,5 bilhões de comprimidos por mês
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 10/09/2026 às 19:12
Atualizado em 10/09/2026 às 19:18
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Novamed, empresa do Grupo EMS, amplia sua operação no Polo Industrial de Manaus e implanta um novo centro de pesquisa e inovação, enquanto R$ 27,5 milhões do investimento serão financiados pelo BNDES para planta-piloto e expansão do laboratório analítico
Há 12 anos, a Novamed inaugurava uma operação que marcou a chegada da primeira fabricante de medicamentos à Zona Franca de Manaus. Agora, aquela fábrica entra em uma nova fase e se prepara para operar numa escala difícil de imaginar: até 2,5 bilhões de comprimidos por mês. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a empresa do Grupo EMS anunciou R$ 300 milhões em investimentos para ampliar a unidade e implantar um novo centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Polo Industrial de Manaus.
Do total anunciado, R$ 27,5 milhões serão financiados pelo BNDES. O crédito destinado à estrutura de PD&I já havia sido aprovado em maio e contempla a construção de uma planta-piloto, a ampliação do laboratório analítico, a reforma de um prédio existente e a aquisição de novos equipamentos. A estratégia é ampliar não apenas o volume que sai das linhas, mas também a capacidade de desenvolver e testar medicamentos dentro da própria estrutura industrial.
E a escala atual já é gigantesca. Dados divulgados sobre a operação indicam que a fábrica produz atualmente cerca de 1,7 bilhão de comprimidos por mês, funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, em três turnos, e conta com aproximadamente 1.160 colaboradores. Em 12 anos, cerca de 129 bilhões de unidades de medicamentos sólidos já saíram das linhas de Manaus.
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Paulo Nogueira
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As máquinas praticamente não param e cerca de 1,7 bilhão de comprimidos já deixam a fábrica todos os meses
A dimensão da operação fica mais clara quando os números são colocados lado a lado.
Atualmente, aproximadamente 1,7 bilhão de comprimidos são produzidos mensalmente na unidade de Manaus. Isso equivale a cerca de 20,4 bilhões de unidades em um ano, caso o ritmo mensal seja mantido.
Além disso, a fábrica trabalha em três turnos e opera continuamente, 24 horas por dia e sete dias por semana.
São cerca de 1.160 trabalhadores envolvidos na unidade.
A operação mantém ainda 1.101 SKUs em suas linhas de produção e atende aproximadamente 80% da demanda de medicamentos sólidos do Grupo EMS, segundo informações divulgadas sobre os 12 anos da fábrica.
Portanto, não se trata da criação de uma pequena instalação experimental.
O investimento está sendo colocado sobre uma estrutura industrial que já trabalha em escala bilionária.
E a intenção é fazê-la crescer ainda mais.
Esse movimento acontece justamente enquanto outras empresas farmacêuticas ampliam a fabricação nacional. Recentemente, por exemplo, uma empresa conseguiu financiamento para erguer uma fábrica de 10 mil m² destinada a matérias-primas de medicamentos contra câncer, HIV, hepatites, depressão e hipertensão, em outro projeto acompanhado pela redatora Roberta Souza no CPG.
A meta agora coloca um novo número sobre a mesa e leva a capacidade para até 2,5 bilhões de comprimidos todos os meses
Com a expansão, a Novamed afirma que sua capacidade poderá alcançar até 2,5 bilhões de comprimidos por mês.
Para visualizar essa escala, basta fazer a conta.
Se uma fábrica operasse continuamente nesse teto durante 12 meses, a capacidade teórica corresponderia a até 30 bilhões de comprimidos por ano.
Isso não significa, porém, que 30 bilhões necessariamente serão produzidos ou vendidos anualmente.
Capacidade produtiva não é a mesma coisa que produção efetiva.
O volume real depende da demanda, do mix de medicamentos, da utilização das linhas e de diversos outros fatores industriais.
Ainda assim, o salto mostra o tamanho da estrutura que a companhia pretende manter em Manaus.
Curiosamente, a meta de 2,5 bilhões mensais já havia sido projetada anteriormente para o primeiro trimestre de 2026, quando a capacidade informada era de 1,5 bilhão de comprimidos mensais. Agora, a empresa volta a apresentar esse patamar no contexto da nova expansão.
O dinheiro não ficará apenas nas linhas de produção porque uma parte vai construir o lugar onde os próximos medicamentos poderão começar a nascer
O projeto possui outra frente importante.
Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.
O novo centro de PD&I receberá parte da estrutura financiada pelo BNDES.
O banco aprovou R$ 27,5 milhões para essa etapa em maio de 2026.
O plano inclui a construção de uma planta-piloto.
Esse tipo de instalação ocupa uma posição importante entre o laboratório e a produção industrial em larga escala. É nela que processos podem ser desenvolvidos e testados numa escala intermediária antes de avançarem para linhas muito maiores.
Além disso, o projeto contempla a ampliação do laboratório analítico da fábrica.
Um prédio já existente também será reformado para receber o espaço dedicado à pesquisa e inovação, enquanto novos equipamentos serão adquiridos.
Assim, parte dos R$ 300 milhões está ligada ao crescimento físico da produção, enquanto outra parcela reforça a estrutura tecnológica necessária para desenvolver e aprimorar processos.
Antes de chegar às linhas, matérias-primas já passam por pesagem robotizada enquanto softwares acompanham diferentes etapas da fabricação
A fábrica de Manaus também utiliza automação em partes do processo.
Segundo informações divulgadas sobre a unidade, antes de os comprimidos chegarem às linhas, um sistema robotizado realiza a dosagem das matérias-primas.
Além disso, softwares acompanham etapas da fabricação.
A documentação industrial opera em modelo eletrônico, reduzindo a utilização de papel e permitindo acompanhamento digital dos processos.
Essa automação ganha relevância quando se observa a escala.
Uma fábrica capaz de trabalhar com bilhões de unidades precisa repetir operações de maneira extremamente controlada.
Na indústria farmacêutica, porém, velocidade não é suficiente.
Produzir mais também exige manter controles de qualidade e rastreabilidade compatíveis com as exigências regulatórias aplicáveis aos medicamentos.
Por isso, a ampliação do laboratório analítico e a criação do centro de PD&I aparecem paralelamente ao aumento da capacidade fabril.
Quando as primeiras máquinas começaram a funcionar em 2014, a empresa abriu uma frente industrial que ainda não existia na Zona Franca de Manaus
A Novamed foi inaugurada em 2014.
Naquele momento, tornou-se a primeira indústria farmacêutica dedicada à produção de medicamentos instalada na Zona Franca de Manaus, segundo as informações divulgadas pela empresa e reproduzidas pela Folha.
Doze anos depois, a operação ganhou outra dimensão.
A unidade é dedicada à fabricação de medicamentos sólidos, incluindo comprimidos, cápsulas e drágeas.
Nesse período, aproximadamente 129 bilhões de unidades foram produzidas.
Além disso, a fábrica tornou-se uma peça relevante dentro da estrutura do Grupo EMS.
Isso porque a companhia não opera apenas no Amazonas.
O grupo mantém unidades em Hortolândia e Jaguariúna, no estado de São Paulo, além de Brasília e Manaus. Também possui operações internacionais na Sérvia, Itália e Estados Unidos.
Portanto, a ampliação no Amazonas faz parte de uma estratégia industrial mais ampla.
O BNDES entra com R$ 27,5 milhões e coloca pesquisa farmacêutica dentro de uma nova onda de financiamento à produção nacional
Embora os R$ 300 milhões correspondam ao investimento anunciado pela Novamed, somente uma parcela específica está ligada ao financiamento informado pelo BNDES.
São R$ 27,5 milhões destinados ao centro de PD&I.
É importante fazer essa distinção para não transmitir a impressão de que o banco está financiando todo o projeto.
O crédito cobre iniciativas como a planta-piloto e a expansão do laboratório analítico.
E o financiamento aparece num momento em que o banco também participa de outros projetos destinados a ampliar a cadeia farmacêutica brasileira.
A CYG Biotech, do Grupo Blanver, por exemplo, obteve R$ 86 milhões do BNDES para construir uma nova unidade industrial de 10 mil m² em Indaiatuba, destinada à produção de insumos farmacêuticos ativos usados em medicamentos para diferentes doenças.
Nesse caso, o objetivo inclui aumentar a produção nacional de matérias-primas farmacêuticas.
Já em Manaus, o crédito está direcionado à estrutura de pesquisa e desenvolvimento da Novamed.
São projetos diferentes, mas que mostram investimentos chegando a elos distintos da cadeia farmacêutica brasileira.
Enquanto uma fábrica aumenta comprimidos, outra tenta nacionalizar os ingredientes que entram dentro deles
Essa comparação ajuda a compreender um desafio maior.
Para um medicamento chegar à farmácia, não basta possuir uma máquina capaz de fabricar comprimidos.
É necessária uma cadeia inteira.
Existem os insumos farmacêuticos ativos, os excipientes, processos de formulação, testes, fabricação, embalagem, controle de qualidade e distribuição.
Consequentemente, ampliar a capacidade industrial brasileira envolve diferentes tipos de investimento.
A expansão da Novamed atua principalmente sobre a fabricação de medicamentos sólidos e a estrutura de pesquisa e inovação.
Enquanto isso, projetos como o da CYG Biotech buscam ampliar a produção doméstica de IFAs.
No caso da nova instalação paulista, os insumos serão utilizados em medicamentos relacionados a tratamentos de câncer, HIV, hepatites B e C, artrite, reumatismo, depressão, transtorno bipolar, doenças inflamatórias crônicas, hipertensão, derrame e doença arterial periférica.
É justamente por isso que a produção nacional de matérias-primas farmacêuticas voltou ao centro dos investimentos industriais.
Quanto maior a capacidade instalada em diferentes etapas, maior pode ser a autonomia produtiva do setor.
A fábrica que já produziu 129 bilhões de unidades agora tenta colocar pesquisa, laboratório e produção bilionária dentro da mesma expansão
Os números acumulados ajudam a mostrar quanto a operação mudou desde 2014.
Em aproximadamente 12 anos, a Novamed produziu cerca de 129 bilhões de unidades de medicamentos sólidos em Manaus.
Hoje, são aproximadamente 1,7 bilhão de comprimidos por mês.
Agora, a expansão apresentada pela companhia coloca como referência uma capacidade de até 2,5 bilhões mensais.
Paralelamente, haverá uma estrutura de pesquisa reforçada.
Laboratório analítico maior.
Planta-piloto.
Novos equipamentos.
Reforma de instalações.
Portanto, o projeto não se resume a instalar mais uma linha e acelerar a esteira.
A companhia tenta ampliar simultaneamente escala industrial e capacidade tecnológica.
Essa combinação é especialmente importante em um setor no qual o produto fabricado depende de desenvolvimento, validação, controle e regulamentação antes de chegar ao consumidor.
Manaus deixa de ser apenas uma base de produção e ganha peso dentro da estratégia de expansão nacional e internacional da EMS
A Folha destaca que o investimento integra a estratégia da EMS de ampliar a fabricação de medicamentos no Brasil e reforçar a capacidade nacional de produção.
Ao mesmo tempo, o grupo mantém atuação internacional.
Isso ajuda a explicar por que o novo centro de pesquisa possui importância além da estrutura física da fábrica.
Uma empresa que pretende competir em diferentes mercados precisa desenvolver produtos, adaptar processos e sustentar capacidade tecnológica própria.
E Manaus passa a concentrar uma parcela maior dessa estrutura.
A fábrica já ocupa posição importante no abastecimento interno do grupo, atendendo aproximadamente 80% de sua demanda por medicamentos sólidos, conforme dados divulgados sobre a operação.
Agora, pesquisa e desenvolvimento ganham uma presença maior dentro da mesma unidade.
Por trás dos bilhões de comprimidos existe também uma disputa para produzir mais medicamentos dentro do Brasil e depender menos de cadeias externas
O setor farmacêutico brasileiro possui uma particularidade importante.
O país tem um enorme mercado consumidor e uma indústria relevante de medicamentos, mas diferentes etapas da cadeia ainda dependem de produtos e insumos fabricados no exterior.
Por isso, investimentos recentes passaram a enfatizar produção nacional, pesquisa e autonomia industrial.
No projeto da Blanver financiado pelo BNDES, por exemplo, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que a fabricação doméstica de insumos ajuda a proteger o SUS contra variações cambiais e aumenta a autonomia brasileira na produção de medicamentos.
A expansão da Novamed atua por outra frente.
Ela amplia a capacidade de transformar esses insumos em medicamentos sólidos em escala industrial e reforça a estrutura de desenvolvimento tecnológico.
E isso significa que novas fábricas e ampliações começam a ocupar diferentes etapas da produção farmacêutica nacional.
Não é uma mudança que elimina imediatamente a dependência externa.
Mas amplia a infraestrutura disponível no país.
Do primeiro comprimido produzido na Zona Franca a bilhões de unidades todos os meses, a fábrica chega aos 12 anos preparando seu maior salto
A trajetória começou em 2014.
Na época, a Novamed inaugurava uma operação inédita para o segmento farmacêutico na Zona Franca de Manaus.
Doze anos depois, o cenário é completamente diferente.
A unidade trabalha 24 horas por dia.
Possui aproximadamente 1.160 colaboradores.
Mantém mais de 1.100 SKUs em produção.
Já acumulou cerca de 129 bilhões de unidades de medicamentos sólidos fabricadas.
E produz atualmente em torno de 1,7 bilhão de comprimidos por mês.
Agora chegam os R$ 300 milhões anunciados para a nova etapa.
Uma parcela ajudará a fortalecer pesquisa e inovação.
Outra está relacionada à ampliação da estrutura industrial.
E a companhia coloca no horizonte uma capacidade de até 2,5 bilhões de comprimidos mensais.
É justamente aí que a história ganha dimensão.
Uma fábrica que começou como pioneira em um polo industrial distante dos grandes centros farmacêuticos brasileiros passou 12 anos aumentando sua presença até chegar a uma operação que mede a produção não em milhões, mas em bilhões de comprimidos todos os meses.
Agora, a próxima etapa tenta fazer com que parte do desenvolvimento dos medicamentos também avance dentro daquela estrutura.
E você, o que mais chama atenção nesse projeto: uma única fábrica ter capacidade para chegar a 2,5 bilhões de comprimidos por mês ou R$ 300 milhões serem destinados a ampliar produção e pesquisa farmacêutica dentro de Manaus?
Fonte
Folha de S.Paulo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

