6 min de leitura
Família abandona criação de gado e produção de leite após quase 30 anos, vira alvo de piadas ao plantar abóboras e hoje transforma sementes em 400 litros anuais de “ouro negro” premiado
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 05/09/2026 às 21:39
Atualizado em 05/09/2026 às 21:50
Agronegócio
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Após quase 30 anos criando gado na Croácia, família Ovanin enfrentou piadas ao mudar de atividade, multiplicou por dez a plantação e conquistou quatro medalhas com óleo de sementes de abóbora
Em Petrinja, na Croácia, a família Ovanin passou quase três décadas sustentando parte da propriedade com criação de gado e produção de leite. A rotina começou a mudar quando os preços pagos aos produtores deixaram de acompanhar os custos, fazendo Kristijan Ovanin procurar uma atividade capaz de gerar mais valor dentro da própria fazenda.
A mudança chamou atenção porque o novo negócio começou em apenas meio hectare. Kristijan decidiu plantar abóboras sem casca, matéria-prima usada na fabricação de um óleo escuro conhecido como “ouro negro”. A escolha provocou desconfiança e até piadas entre pessoas que não acreditavam que a cultura pudesse se tornar uma alternativa ao leite.
O resultado apareceu com o passar dos anos. A família ampliou a plantação para cinco hectares, passou a produzir aproximadamente 400 litros de óleo por ano e conquistou quatro medalhas em avaliações especializadas realizadas na Croácia.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Vinte e dois anos depois de entrar em serviço, a família E-Jet chegou à aeronave de número 2.000 e colocou a Embraer no clube das três maiores da aviação comercial, atrás apenas do A320 e do 737
A Embraer entregou no dia 2 de setembro o E-Jet de número 2.000, um E195-E2 destinado à Azul, e com essa aeronave a família brasileira entrou no grupo das três…
Paulo Nogueira
0
Produção de leite perdeu espaço depois de quase 30 anos na propriedade da família Ovanin
Kristijan assumiu a propriedade familiar anos antes da mudança definitiva de atividade. Naquele momento, os Ovanin ainda criavam vacas e mantinham uma produção de leite que fazia parte da rotina familiar havia quase três décadas.
O cenário econômico, porém, tornou a atividade cada vez menos interessante. Segundo Kristijan, os preços recebidos pelo leite eram baixos, enquanto os custos aumentavam e reduziam a margem disponível para manter o rebanho.
O produtor também queria mudar a forma de trabalhar. Em vez de vender somente matéria-prima e depender do valor definido pelo mercado, ele pretendia transformar aquilo que produzia em um produto pronto e participar de uma parcela maior da receita gerada dentro da propriedade.
A mudança ganhou força depois do terremoto que atingiu Petrinja em 29 de dezembro de 2020. As vacas foram vendidas, a criação de suínos aumentou e a família começou a procurar uma nova cultura para ocupar parte das terras disponíveis.
Foi nesse contexto que as primeiras abóboras começaram a ser plantadas.
Plantação de abóboras começou em meio hectare e chegou a cinco após família insistir no novo negócio
A primeira área dedicada à cultura tinha aproximadamente meio hectare. Os Ovanin escolheram plantar as chamadas abóboras sem casca, conhecidas localmente como “bundeve golice”, variedade utilizada principalmente pela qualidade das sementes.
A decisão causou estranhamento entre algumas pessoas próximas. Houve quem fizesse piadas com a ideia de abandonar parte da antiga atividade para investir em abóboras, principalmente porque a família tinha longa experiência com produção de leite.
Kristijan continuou com o projeto e aumentou gradualmente a área cultivada. O meio hectare inicial virou cinco hectares, fazendo a plantação alcançar uma área dez vezes maior do que aquela utilizada no começo.
Os campos ficam em Novo Farkašić, a aproximadamente 12 quilômetros da casa do produtor. A expansão continua nos planos, e Kristijan procura novas terras onde possa ampliar o cultivo.
A propriedade manteve outras atividades durante esse processo. A família ainda planta milho, cevada e triticale, utilizados principalmente na alimentação dos animais, além de continuar com a criação de suínos.
As abóboras, no entanto, passaram a oferecer algo diferente: a possibilidade de transformar uma matéria-prima produzida na fazenda em um alimento acabado vendido diretamente aos consumidores.
Recomendado para você
Curiosidades
Após 15 anos vivendo nas ruas e enfrentando álcool e drogas, homem volta a estudar, conquista casa e emprego e transforma a própria história em livro no litoral de SP
Fábio Siqueira dos Santos deixou a situação de rua em São Vicente, retomou os estudos, conquistou casa e emprego e publicou, em 2023, o livro “O Inferno Existe, Eu Estive…
Viviane Alves
0
Sementes das abóboras são torradas, prensadas e transformadas no chamado “ouro negro”
O produto que mudou a dinâmica da propriedade é feito com as sementes retiradas das abóboras. Depois do processamento, elas originam um óleo de tonalidade verde muito escura, capaz de parecer quase preto dependendo da iluminação.
A aparência ajudou a popularizar o apelido de “ouro negro”.
A produção exige uma quantidade considerável de sementes. Para obter aproximadamente um litro do óleo, são necessários cerca de dois quilos de sementes já secas.
Cada hectare pode fornecer entre 1.000 e 1.200 quilos de sementes ainda frescas. Depois da etapa de secagem, esse volume perde aproximadamente metade do peso e fica próximo de 500 quilos.
Com os cinco hectares atualmente cultivados, Kristijan produz cerca de 400 litros de óleo por ano. Segundo ele, toda a quantidade encontra compradores e chega ao público diretamente pela propriedade ou durante feiras.
Quatrocentos litros de óleo equivalem a cerca de 1.600 garrafas de 250 mililitros
O volume produzido anualmente ajuda a mostrar a dimensão alcançada pelo negócio. Os 400 litros correspondem a aproximadamente 1.600 garrafas de 250 mililitros.
Como referência apresentada no mercado regional, uma embalagem desse tamanho com óleo de boa qualidade pode superar 1.000 dinares na Sérvia. Multiplicado por 1.600 unidades, esse valor ultrapassaria 1,6 milhão de dinares.
A comparação não representa o faturamento informado pela família, mas serve para dimensionar o potencial comercial de uma produção desse porte. O preço cobrado pelos Ovanin pode variar conforme o canal de venda e as condições do mercado.
O principal diferencial está justamente em transformar a semente em produto acabado. Em vez de comercializar somente a produção agrícola, a família participa também da etapa de processamento e da venda direta ao consumidor.
Família decidiu produzir óleo puro e rejeitou mistura com óleo de girassol
A qualidade passou a ocupar posição central desde as primeiras garrafas. Kristijan afirma que existem diferentes tipos de óleo de sementes no mercado e que alguns produtos podem receber mistura com óleo de girassol.
Os Ovanin escolheram produzir um óleo feito exclusivamente com as sementes das próprias abóboras. O processo inclui torrefação e prensagem mecânica, etapas utilizadas para extrair o óleo mantendo as características desejadas pela família.
Kristijan considera cheiro, sabor e coloração alguns dos elementos capazes de ajudar a identificar a qualidade do produto. Essa preocupação acompanhou a expansão da plantação e se tornou parte da estratégia utilizada para diferenciar o óleo vendido pela propriedade.
O cuidado também levou a família a participar de avaliações especializadas realizadas na Croácia.
Óleo dos Ovanin conquistou duas medalhas de ouro e duas de prata em quatro anos
Nos últimos quatro anos considerados pela família, o óleo produzido na propriedade recebeu duas medalhas de ouro e duas medalhas de prata em uma exposição dedicada a óleos de sementes realizada em Varaždin.
O reconhecimento deu outra dimensão ao projeto iniciado em meio hectare. A mesma plantação que havia sido recebida com piadas passou a abastecer uma produção premiada e comercializada diretamente aos consumidores.
As medalhas também reforçaram a escolha de Kristijan de abandonar a dependência exclusiva do leite e investir em um produto processado dentro da própria propriedade.
A mudança não eliminou todas as atividades agrícolas anteriores, mas criou uma nova frente capaz de combinar plantio, processamento e comercialização em um mesmo negócio familiar.
Família Ovanin agora prepara sala de degustação e novos produtos feitos com sementes
Os planos dos Ovanin não terminam na venda das garrafas de óleo. A família pretende criar uma sala de degustação na propriedade para ampliar a experiência dos visitantes e apresentar os produtos feitos a partir das abóboras.
As sementes também deverão ser utilizadas de outras formas. Marica, mãe de Kristijan, pretende preparar pão com farinha produzida a partir delas, enquanto Ivana, noiva do produtor, participa da rotina da propriedade e planeja fazer pães e rolinhos.
A ligação de Ivana com o negócio começou antes do relacionamento com Kristijan. Ela era cliente dos produtos da família e, ao longo do tempo, passou a participar diretamente das atividades.
Enquanto procura novas áreas para aumentar a plantação, Kristijan prepara a próxima etapa de um negócio que nasceu após quase 30 anos de produção de leite. O cultivo iniciado em apenas meio hectare hoje ocupa cinco hectares, rende cerca de 400 litros de óleo por ano e já colocou a família entre produtores premiados na Croácia.
O que você acha que foi mais importante para a família Ovanin: abandonar uma atividade tradicional que já não dava retorno ou insistir em um novo negócio mesmo sendo alvo de piadas? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

