Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Família acha 40 cartas de amor dos anos 1940 escondidas em casa que será demolida em Sorocaba, com a história completa de um namoro do pós-guerra

Família acha 40 cartas de amor dos anos 1940 escondidas em casa que será demolida em Sorocaba, com a história completa de um namoro do pós-guerra

7 min de leitura

Família acha 40 cartas de amor dos anos 1940 escondidas em casa que será demolida em Sorocaba, com a história completa de um namoro do pós-guerra

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 02/09/2026 às 11:33

Curiosidades

Canal

Família achou 22 envelopes e 40 cartas dos anos 1940 em casa que seria demolida em Sorocaba (SP). Adroaldo Itagyba escrevia para Dirce de Paula, em Avaré.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

O empresário Sérgio Guariglia, de 61 anos, achou o material em uma caixa de papéis do imóvel da família, no Centro de Sorocaba. Adroaldo Itagyba escrevia de São Paulo para Dirce de Paula, em Avaré. Eles terminaram em 10 de dezembro de 1945 e se casaram em março de 1948

Vinte e dois envelopes, 40 cartas, documentos e fotografias foram encontrados por uma família durante a limpeza de um imóvel que seria demolido em Sorocaba (SP). O material estava em uma caixa de papéis que seria descartada e chamou a atenção do empresário Sérgio Guariglia e das duas filhas dele, que passaram a tentar identificar o casal autor da correspondência e os parentes dos dois.

As informações foram publicadas em 6 de agosto de 2020, às 8h09, com base em entrevista que Sérgio Guariglia concedeu ao G1 sobre a descoberta feita durante o esvaziamento da casa.

Imóvel fica na área central e daria lugar a um prédio

Família achou 22 envelopes e 40 cartas dos anos 1940 em casa que seria demolida em Sorocaba (SP). Adroaldo Itagyba escrevia para Dirce de Paula, em Avaré.

A casa onde o envelope foi encontrado pertence à família de Sérgio Guariglia, de 61 anos, e fica na área central de Sorocaba.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

BNDES aprova R$ 300 milhões para a Electrolux desenvolver 26 produtos com inteligência artificial e cortar em 40% o consumo de energia de refrigeradores

O financiamento BNDES Electrolux destina R$ 300 milhões ao desenvolvimento de 26 produtos, à aplicação de inteligência artificial e a projetos de eficiência energética, incluindo refrigeradores capazes de consumir até…

Paulo Nogueira

0

O motivo do esvaziamento era definitivo: o imóvel seria demolido e, no lugar, seria construído um prédio. É esse prazo que explica por que a caixa de papéis estava em uma pilha de descarte, e não guardada: tudo que não fosse retirado ali acabaria no lixo junto com a construção.

Última visita ao endereço tinha sido antes da morte da mãe, em novembro de 2019

Em entrevista ao G1, Sérgio Guariglia contou que a última vez que havia ido até o endereço tinha sido antes da morte da mãe dele, em novembro de 2019.

Durante a pandemia, a família decidiu retirar os objetos que estavam guardados na casa. O intervalo de meses sem ninguém entrar no imóvel ajuda a dimensionar o achado: o envelope atravessou a mudança de gerações da própria família Guariglia sem que ninguém tivesse aberto.

Uma foto solta em meio ao lixo mudou o destino do pacote

“A gente foi acumulando o que seria jogado. Em uma caixa cheia de papéis, vi que tinha uma foto e na hora peguei”, contou Sérgio Guariglia.

“Dentro do envelope havia vários papéis antigos e pensei de levar para a minha filha, porque ela gosta de coisas investigativas”, completou o empresário. A decisão de separar o material se deu por causa da fotografia, e não das cartas, que só foram lidas depois.

Leitura tomou uma tarde inteira da família

Família achou 22 envelopes e 40 cartas dos anos 1940 em casa que seria demolida em Sorocaba (SP). Adroaldo Itagyba escrevia para Dirce de Paula, em Avaré.

Quando chegou em casa e abriu o envelope, Sérgio conta que a família passou uma tarde inteira lendo todas as cartas e observando as fotos.

“Ficamos muito curiosos e fomos entrando no universo deles. É uma coisa instigante, você quer saber todos os fatos, como começou tudo, como morreram”, relatou. “Nós temos apenas o meio e o fim da história”, acrescentou, apontando a principal lacuna do acervo.

Acervo tem brincos, exames médicos e contas de energia

A família informou que encontrou 22 envelopes, 40 cartas e muitas fotos de Dirce, de parentes próximos e de amigos que enviavam fotos 3×4.

Junto com a correspondência havia também contas bancárias, um par de brincos, exames médicos e contas de energia elétrica. O conjunto vai além do namoro: são documentos de rotina que, somados às cartas, formam um retrato da vida cotidiana do casal. Uma das cartas registra o término do relacionamento.

Cartas iam de São Paulo para Avaré

Nos textos, é possível saber que as cartas foram escritas por Adroaldo Itagyba, que se apresenta como morador de São Paulo.

A destinatária era Dirce de Paula, em Avaré (SP). A distância entre as duas cidades é o que dá sentido ao volume de correspondência: era pela carta, e não pelo encontro, que o relacionamento se sustentava no dia a dia.

Primeira carta é de 1937 e o tratamento era “Distinta Senhorinha”

“A primeira carta é de 1937. Ele chamava ela de ‘Distinta Senhorinha’”, contou Sérgio Guariglia sobre o documento mais antigo do lote.

“Parece que foram escritas com pena. O envelope é antigo, tinha até um forro por dentro”, descreveu o empresário. O detalhe do forro e do traço a pena situa a escrita em um período anterior ao uso corrente da caneta esferográfica no Brasil.

Textos traziam amor, saudade, ciúme e relatos de rotina

De acordo com Sérgio Guariglia, a interpretação feita por meio da leitura do material é que Adroaldo era apaixonado por Dirce e sempre mandava cartas.

Nos textos, ele declarava amor, saudade, ciúme e contava sobre a rotina. O tipo de conteúdo indica correspondência frequente e não protocolar, mais próxima de uma conversa contínua do que de recados esporádicos.

Casal terminou em 1945 e se casou em 27 de março de 1948

“São memórias de uma vida. Eles terminaram em 10 de dezembro de 1945 e depois de casaram em 27 de março de 1948”, afirmou Sérgio Guariglia.

“Saiu no jornal da época”, acrescentou o empresário sobre o casamento. As duas datas mostram um intervalo de pouco mais de dois anos entre a ruptura registrada por escrito e a união formalizada, e é justamente esse desfecho que sobreviveu dentro da caixa.

Mistério é como as cartas foram parar naquela casa

A casa onde estavam as cartas não tinha ligação com a família Guariglia, já que foram os pais de Sérgio que compraram o imóvel, e ele nunca foi alugado.

Com isso, começou a busca por entender como o material foi parar no local, ponto que a reportagem não esclarece. Sem inquilinos e sem parentesco com o casal, a presença do envelope no endereço segue sem explicação.

Filha comparou a leitura a um histórico de WhatsApp

Natalie Guariglia, de 21 anos, estudante de psicologia e filha de Sérgio, notou muita diferença no modo como o casal se relacionava em comparação com os namoros de hoje. Ela namora há três anos com Leonardo Rodrigues e relatou que ler as cartas foi como percorrer um diálogo no WhatsApp.

“Parece o meu histórico de conversa com o Leo. Mas é muito diferente, tipo dele falar ‘não saia, você é mulher’”, comentou Natalie. “É uma graça eles ficarem juntos. O ideal de relacionamento era diferente. Apesar de existir amor”, completou a estudante.

Namorado dela achou divertido encontrar os documentos

Leonardo Rodrigues, de 21 anos, assistente administrativo, contou que achou divertido encontrar os documentos.

“Deve ser legal encontrar os parentes e perguntar como era”, disse ele, apontando o interesse pela conversa com quem conheceu o casal.

Sérgio comparou o papel guardado às fotos perdidas no computador

Para Sérgio Guariglia, o encontro das cartas trouxe reflexão sobre as diferenças entre gerações.

“Com o tempo, a tecnologia vai deixar obsoleto e muitas vezes as fotografias se perdem no computador. A geração muda, mas você percebe que sempre tem uma história”, afirmou o empresário. O contraste é concreto no caso: um pacote de papel sobreviveu décadas dentro de uma casa fechada.

Busca por parentes levou cinco dias e chegou a um sobrinho de Dirce

Após o encontro do material, Sérgio Guariglia procurou na internet o inventário de Adroaldo Itagyba e, pelo sobrenome, buscou parentes nas redes sociais.

Após cinco dias, ele conseguiu o contato de um sobrinho de Dirce, comunicou a existência das cartas e combinou a entrega de todo o material. “Seria como assistir uma novela e não ver o fim. A gente estava tão à vontade, que ficamos a tarde inteira lendo”, disse. “Queríamos encontrar a pessoa para dar para ela”, ressaltou.

Entrega ao sobrinho já estava combinada em agosto de 2020

Quando a reportagem foi publicada, em 6 de agosto de 2020, a família Guariglia já havia localizado o sobrinho de Dirce de Paula e combinado a entrega dos 22 envelopes, das 40 cartas, das fotografias e dos demais documentos encontrados.

A casa do Centro de Sorocaba, por sua vez, seguia com a demolição prevista para dar lugar a um prédio. A publicação não informa a data da entrega do material nem se a família chegou a descobrir como o envelope foi parar no imóvel comprado pelos pais de Sérgio.

Na sua opinião, cartas antigas encontradas assim devem sempre voltar para a família dos autores, ou material desse tipo tem valor histórico e deveria ir para um arquivo público? Deixe sua opinião nos comentários.

Tags

cartas de amor encontradas em Sorocaba


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

Sair da versão mobile