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Família deixa quadro embrulhado atrás do sofá por 27 anos após uma bola de tênis derrubá-lo da parede e só décadas depois descobre que a obra pode ser um Michelangelo perdido avaliado em até R$ 1,5 bilhão

Família deixa quadro embrulhado atrás do sofá por 27 anos após uma bola de tênis derrubá-lo da parede e só décadas depois descobre que a obra pode ser um Michelangelo perdido avaliado em até R$ 1,5 bilhão

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Família deixa quadro embrulhado atrás do sofá por 27 anos após uma bola de tênis derrubá-lo da parede e só décadas depois descobre que a obra pode ser um Michelangelo perdido avaliado em até R$ 1,5 bilhão

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 06/09/2026 às 00:09

Atualizado em 06/09/2026 às 00:10

Curiosidades

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Quadro guardado atrás de sofá por 27 anos pode ser uma Pietà perdida de Michelangelo e recebeu estimativa potencial de até US$ 300 mi.

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Quadro guardado atrás de sofá por 27 anos pode ser uma Pietà perdida de Michelangelo e recebeu estimativa potencial de até US$ 300 milhões.

Durante 27 anos, uma família do estado de Nova York manteve embrulhada atrás do sofá uma pintura religiosa de aproximadamente 500 anos que chamava informalmente de “The Mike”. A tradição familiar dizia que o quadro poderia ter sido pintado por Michelangelo, mas ele continuou tratado como uma curiosa herança doméstica até que o tenente-coronel aposentado da Força Aérea dos Estados Unidos Martin Kober resolveu investigar sua origem em 2003. Anos depois, o historiador da arte e restaurador italiano Antonio Forcellino declarou estar convencido de que tinha diante de si uma obra autêntica do mestre renascentista.

A história ficou ainda mais extraordinária quando reportagens de 2010 passaram a mencionar uma avaliação potencial de até US$ 300 milhões, equivalente hoje a aproximadamente R$ 1,54 bilhão. Mas existe uma ressalva decisiva: o quadro nunca foi vendido por essa cifra e a atribuição integral a Michelangelo permanece controversa entre especialistas. O valor bilionário depende justamente de uma autenticação que não alcançou consenso acadêmico.

Família chamava o misterioso quadro simplesmente de “The Mike”

A pintura representa uma Pietà, tema cristão no qual a Virgem Maria aparece com o corpo de Jesus após a crucificação. No painel dos Kober, Cristo é sustentado por dois anjos diante de Maria, numa composição relacionada a um famoso desenho produzido por Michelangelo para a poetisa italiana Vittoria Colonna, uma das pessoas intelectualmente mais próximas do artista em seus últimos anos.

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Paulo Nogueira

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Dentro da casa, porém, toda essa possível importância histórica era reduzida a um apelido.

A família chamava a pintura de “The Mike”, abreviação informal de Michelangelo, porque havia uma antiga tradição segundo a qual o quadro teria saído das mãos do artista renascentista. Martin Kober cresceu vendo aquela obra pendurada na residência familiar na região de Buffalo, no estado de Nova York.

O painel mede aproximadamente 25 por 19 polegadas, ou cerca de 64 por 48 centímetros. Não era, portanto, uma pequena miniatura escondida em uma gaveta. Ficou durante anos exposto normalmente dentro de uma casa de família.

Bola de tênis virou parte da lenda do possível Michelangelo

A história da bola de tênis ganhou repercussão mundial quando o caso veio à tona em 2010.

Os primeiros relatos publicados diziam que crianças da família estavam brincando quando uma bola de tênis atingiu o quadro e o derrubou, levando os Kober a embrulhá-lo e guardá-lo atrás do sofá. Foi essa versão que transformou o episódio em uma das histórias mais surreais do mercado de arte.

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Posteriormente, porém, Martin Kober forneceu uma versão mais detalhada. Ao jornal El País, afirmou que a pintura havia sido atingida por uma bola de tênis sem sofrer dano grave, mas que anos mais tarde caiu enquanto estava sendo limpa, quebrando a moldura. Como a família não queria gastar dinheiro em outra moldura, o painel foi cuidadosamente acondicionado e colocado atrás do sofá.

Uma pintura que poderia ter origem no século XVI passou aproximadamente um quarto de século armazenada atrás de um móvel doméstico.

Quadro ficou escondido durante aproximadamente 27 anos

As fontes contemporâneas variam ligeiramente entre 25 e 27 anos, dependendo do relato sobre quando exatamente a obra foi retirada da parede.

O número de 27 anos tornou-se o mais amplamente reproduzido em 2010. Martin Kober somente começou a investigar seriamente a peça depois de se aposentar da Força Aérea, no início dos anos 2000.

Em 2003, segundo os relatos mais divulgados, seu pai lhe propôs transformar a velha história familiar em uma investigação real.

Kober passou então a procurar casas de leilão, historiadores, pesquisadores do Renascimento e arquivos europeus. Também viajou à Itália e tentou estabelecer uma sequência documental que explicasse como uma pintura possivelmente produzida no círculo de Michelangelo teria acabado em uma residência americana.

A tarefa parecia improvável.

Grandes especialistas e instituições tinham motivos para ser cautelosos diante de uma família alegando possuir um Michelangelo perdido atrás do sofá.

Antonio Forcellino inicialmente esperava encontrar apenas uma cópia

A investigação mudou quando Kober chegou ao restaurador e historiador italiano Antonio Forcellino, especialista no Renascimento e autor de estudos sobre Michelangelo e Rafael.

A própria editora Rizzoli descreve que Forcellino estava habituado a receber pedidos de autenticação, muitos deles improváveis. Quando recebeu imagens do painel dos Kober, porém, percebeu elementos que justificavam uma análise mais profunda.

Quadro guardado atrás de sofá por 27 anos pode ser uma Pietà perdida de Michelangelo e recebeu estimativa potencial de até US$ 300 mi.

Forcellino viajou aos Estados Unidos e examinou diretamente a pintura. Ele posteriormente declarou que inicialmente acreditava que encontraria uma cópia, mas terminou convencido de que o painel era uma obra autêntica de Michelangelo.

A investigação resultou no livro “La Pietà perduta. Storia di un capolavoro ritrovato di Michelangelo”, publicado na Itália em 2010.

Michelangelo é conhecido sobretudo por esculturas, afrescos e desenhos. Uma pintura sobre painel reconhecida como obra autógrafa do artista teria importância extraordinária.

Raios X e infravermelho revelaram alterações sob a pintura

Forcellino sustentou sua atribuição não apenas na aparência visual.

Exames por raios X e infravermelho teriam revelado alterações feitas durante o processo de execução, além de uma área aparentemente inacabada próxima ao joelho direito da Virgem. Para o restaurador, essas mudanças indicavam um processo criativo original, e não simplesmente a reprodução mecânica de outra pintura existente.

A composição também estava diretamente relacionada a um desenho de Michelangelo destinado a Vittoria Colonna.

Esse desenho, preservado no Isabella Stewart Gardner Museum, tornou-se referência para diversas versões produzidas no século XVI. Artistas ligados ao círculo de Michelangelo, incluindo Marcello Venusti, executaram pinturas baseadas em composições do mestre.

É justamente aí que surge a grande dificuldade de autenticação.

Mostrar que o painel deriva de uma composição de Michelangelo é uma coisa. Demonstrar que Michelangelo pessoalmente segurou o pincel e executou aquela pintura específica é outra muito mais difícil.

Família reconstruiu uma trajetória que chegaria aos Estados Unidos em 1883

Kober e Forcellino também tentaram estabelecer a procedência histórica da obra. A reconstrução divulgada em 2010 dizia que o painel teria passado por proprietários ligados à Igreja Católica e posteriormente chegado a uma baronesa alemã. Uma mulher chamada Gertrude Young, relacionada à família Kober e ligada à casa da baronesa, teria recebido a pintura antes de enviá-la aos Estados Unidos em 1883.

A Rizzoli descreve uma investigação que atravessou arquivos europeus, personagens religiosos do século XVI e a possível passagem da obra pela região de Ragusa, atual Dubrovnik.

Forcellino associou o quadro ao ambiente religioso e intelectual de Michelangelo em torno de Vittoria Colonna e do bispo Ludovico Beccadelli.

Essa reconstrução fortaleceu a tese do pesquisador, mas não eliminou as dúvidas de outros especialistas.

No mercado de arte, uma cadeia de propriedade perfeitamente documentada durante cinco séculos pode representar uma diferença monumental no valor e na aceitação de uma atribuição.

Quadro voltou à Itália e foi restaurado em Roma

A partir de 2010, a pintura deixou definitivamente a condição de objeto esquecido atrás do sofá.

Em 2011, ela foi levada para Roma. A Fondazione Roma financiou uma restauração realizada durante aproximadamente seis meses, preparando o painel para uma exposição dedicada ao Renascimento.

A obra apareceu na mostra “Il Rinascimento a Roma. Nel segno di Michelangelo e Raffaello”, realizada no Palazzo Sciarra entre outubro de 2011 e fevereiro de 2012.

A exposição reuniu cerca de 170 obras e objetos relacionados à produção artística, arquitetônica e urbana da Roma renascentista.

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Para Martin Kober, ver o antigo quadro da família exposto em Roma junto de obras reconhecidas de grandes mestres representava um salto quase inimaginável.

Pouco tempo antes, ele estava acondicionado atrás de um sofá em Nova York.

Possível valor chegou a US$ 300 milhões

Quando o caso ganhou atenção internacional em outubro de 2010, surgiu a estimativa que tornou a história ainda mais viral.

Reportagens afirmaram que, caso a autoria de Michelangelo fosse plenamente aceita, o painel poderia valer até US$ 300 milhões.

Na cotação atual, esse teto hipotético corresponde a aproximadamente R$ 1,54 bilhão.

De quadro familiar a possível obra bilionária em menos de uma década

A trajetória de Martin Kober mostra como a percepção sobre um objeto pode mudar completamente sem que o próprio objeto mude.

Durante décadas, era apenas uma herança familiar conhecida pelo apelido de “The Mike”. Depois virou um painel embrulhado atrás do sofá.

Em 2003, tornou-se objeto de investigação.

Em 2010, apareceu em jornais ao redor do mundo como possível Michelangelo.

Em 2011, estava restaurado em Roma e integrado a uma exposição internacional sobre o Renascimento.

E sobre ele passou a pairar um número extraordinário: até US$ 300 milhões, mais de R$ 1,5 bilhão atualmente, se a atribuição defendida por Forcellino fosse plenamente aceita.

A história continua fascinante justamente porque não termina com uma resposta simples.

A família Kober pode ter preservado durante gerações uma obra de um dos maiores artistas da história. Ou pode ter conservado uma pintura extraordinariamente próxima de Michelangelo, mas realizada por alguém de seu círculo.

Em qualquer dos casos, existe um fato quase inacreditável que não depende dessa disputa: durante aproximadamente 27 anos, uma pintura renascentista suficientemente importante para acabar restaurada e exibida em Roma permaneceu embrulhada atrás do sofá de uma casa americana, depois que uma bola de tênis e um acidente doméstico ajudaram a tirá-la da parede.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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