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Família encontra relógio de 90 anos esquecido em caixa de joias, espera até £10 mil, vê disputa entre colecionadores de 5 países e vende peça por £59 mil
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 02/09/2026 às 11:28
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Patek Philippe de aço dos anos 1930 passou por gerações de uma família britânica e ainda funcionava quando chegou ao leiloeiro. Avaliado inicialmente entre £5 mil e £10 mil, o relógio atraiu compradores de América, Ásia, Oriente Médio e Reino Unido antes de seguir para Hong Kong.
Uma família britânica fazia uma limpeza na casa da mãe falecida quando um objeto guardado durante décadas em uma caixa de joias começou uma trajetória inesperada. Era um pequeno relógio de pulso Patek Philippe dos anos 1930, com apenas 28 milímetros, que havia passado por gerações sem chamar grande atenção.
A proprietária falecida sabia que possuía algo valioso. Em seu diário de 2011, ela chegou a registrar uma referência a um relógio caro. Ainda assim, ninguém da família imaginava o valor que o objeto alcançaria quando finalmente chegasse a um leilão.
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A Hansons Auctioneers avaliou a peça entre £5 mil e £10 mil. Porém, o interesse internacional mudou completamente a situação. Em 25 de agosto de 2026, os lances passaram rapidamente por £20 mil, £30 mil, £40 mil e £50 mil até o martelo finalmente cair em £59 mil.
Relógio apareceu durante limpeza de uma casa na Cornualha
A descoberta aconteceu em Camborne, na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. A família organizava os pertences deixados pela mãe quando encontrou o relógio entre joias guardadas na residência.
Não era a primeira vez que ouviam falar da peça. A mãe havia dito à filha que possuía um relógio valioso e chegou a deixar uma anotação sobre um relógio caro em 2011. Porém, essa percepção familiar estava muito distante do resultado final do leilão.
Depois da descoberta, a família levou a peça para avaliação na unidade da Hansons na Cornualha. Foi então que Darren Ashley, avaliador sênior da casa, conseguiu examiná-la detalhadamente.
O especialista percebeu rapidamente que não estava diante de um relógio comum.
Patek Philippe Reference 448 foi fabricado por volta dos anos 1930
A peça foi identificada como um Patek Philippe & Co Calatrava Reference 448, fabricado por volta da década de 1930. O relógio possui caixa de 28 mm, número de série 822731 e número de caixa 610667.
O mostrador traz a inscrição “Patek Philippe & Co Geneva” e possui um pequeno mostrador separado para os segundos. Além disso, o movimento mecânico interno é assinado e numerado pela fabricante suíça.
Porém, um detalhe ajudou a transformar a peça em objeto de desejo entre colecionadores: a caixa é de aço inoxidável.
Segundo Darren Ashley, a Patek Philippe produziu poucos relógios de aço nesse período. Consequentemente, exemplares sobreviventes podem despertar grande interesse quando aparecem no mercado.
Aço inoxidável aumentou a raridade do relógio
Hoje, aço inoxidável parece um material normal para relógios. Entretanto, a situação era diferente para uma fabricante de luxo como a Patek Philippe durante os anos 1930.
A marca produziu muitas peças em metais preciosos. Por isso, determinadas referências antigas de aço são muito mais raras do que sua aparência relativamente discreta sugere.
Essa característica foi fundamental para a avaliação dos especialistas. Além disso, a procedência familiar e o estado mecânico ajudaram a aumentar o interesse.
Darren Ashley destacou que o relógio tinha aproximadamente 90 anos e permaneceu durante décadas com a mesma família. Mesmo assim, quando chegou às suas mãos, continuava funcionando.
Relógio passou por diferentes gerações da mesma família
A história conhecida da peça começa com o avô da atual família vendedora. Ele morava em Wadebridge e trabalhava como auxiliar de advogado em Bodmin. Posteriormente, o relógio passou para sua filha e permaneceu guardado durante muitos anos.
Depois da descoberta, a família também começou a reconstruir outras possibilidades sobre a origem do objeto. Segundo os parentes, existe a hipótese de que a avó tenha comprado originalmente a peça.
Ela era conhecida por gostar de roupas de grife e artigos de luxo. Por isso, os descendentes consideram possível que o Patek Philippe tenha sido um presente dela para o marido.
Entretanto, essa origem não foi comprovada. Como décadas se passaram, a resposta pode ter desaparecido junto com os antigos proprietários.
Avaliação inicial ficou entre £5 mil e £10 mil
Mesmo depois de identificar o relógio como uma peça rara, a Hansons estabeleceu uma estimativa pré-leilão relativamente conservadora. O intervalo ficou entre £5 mil e £10 mil.
Uma estimativa de leilão não determina obrigatoriamente o preço final. Ela funciona como uma referência para vendedores e compradores antes da disputa.
Nesse caso, porém, a distância entre avaliação e venda ficou extraordinariamente grande. O valor final de £59 mil foi 5,9 vezes maior que o teto de £10 mil.
Se compararmos com a estimativa mínima de £5 mil, o resultado chegou a 11,8 vezes aquele valor.
Interesse saiu da Cornualha e chegou a cinco grandes mercados
A história mudou de escala quando colecionadores internacionais perceberam que o relógio entraria no mercado.
Segundo a Hansons, compradores demonstraram interesse a partir de Estados Unidos, Japão, China, Arábia Saudita e Reino Unido, entre outros locais.
Dois compradores internacionais chegaram a reservar linhas telefônicas específicas para participar da sessão. Entre eles estavam um importante colecionador de relógios de Nova York e um interessado na China.
Além disso, compradores online acompanharam o lote.
Portanto, uma pequena peça encontrada dentro de uma residência em Camborne rapidamente entrou em uma competição mundial.
Família acompanhou preço passar por £20 mil, £30 mil e £40 mil
Três membros da família decidiram assistir ao leilão presencialmente. Enquanto isso, outros parentes acompanharam tudo pelos celulares e computadores durante o trabalho.
A avaliação máxima era de £10 mil. Porém, os lances continuaram subindo.
Primeiro, o preço ultrapassou £20 mil. Depois passou por £30 mil e £40 mil.
Em seguida, rompeu também a barreira de £50 mil.
Para os familiares, a cena era particularmente surpreendente porque o relógio havia passado anos praticamente escondido dentro de uma caixa de joias.
Colecionador de Nova York permaneceu na disputa até £52 mil
Um dos compradores mais persistentes estava em Nova York. Ele continuou oferecendo lances até aproximadamente £52 mil, segundo a Hansons.
Nesse nível, o valor já havia superado em mais de cinco vezes a estimativa máxima.
Entretanto, a retirada do americano não encerrou a disputa. Restavam compradores asiáticos determinados a levar o relógio.
Então começou o confronto final.
De um lado estava um comprador online no Japão. Do outro, um participante por telefone na China.
Japão e China travaram disputa final perto de £60 mil
Os dois compradores continuaram aumentando os valores enquanto o preço se aproximava de £60 mil. Finalmente, o participante por telefone superou o interessado japonês.
O martelo caiu em £59 mil.
Esse é o chamado hammer price, ou preço de martelo. Portanto, ele corresponde ao valor vencedor no momento em que o leiloeiro encerra os lances.
A publicação da Hansons não apresenta nesse texto o custo final incluindo eventual comissão do comprador e outros encargos. Assim, £59 mil deve ser tratado como preço de martelo, e não necessariamente como desembolso total do comprador.
Relógio vai sair da Cornualha para Hong Kong
Depois de permanecer durante gerações com a mesma família britânica, a peça agora inicia outra etapa de sua história.
Segundo a Hansons, o relógio deverá deixar a Cornualha e seguir para Hong Kong.
A trajetória é curiosa. O objeto passou por Wadebridge, Bodmin e Camborne antes de chegar à sala de leilões.
Agora, atravessará milhares de quilômetros para entrar em uma coleção na Ásia.
Dessa forma, um relógio familiar guardado silenciosamente durante décadas se tornou um item disputado no mercado internacional.
Objetos comuns dentro de casas podem esconder histórias inesperadas
O caso chama atenção porque a peça não apareceu em um cofre de banco ou em uma coleção especializada. Ela estava dentro de uma caixa de joias em uma residência familiar.
Descobertas desse tipo não significam que qualquer relógio antigo seja extremamente valioso. Porém, mostram como idade, fabricante, material, raridade e procedência podem mudar completamente a avaliação de um objeto.
Algo semelhante ocorre com achados históricos aparentemente banais. Recentemente, uma obra residencial na Índia revelou 29 grandes peças de cobre, cada uma pesando até 10 kg. A descoberta obrigou polícia e arqueólogos a investigar o terreno.
Homem cava fundação de uma casa e encontra 29 esferas de cobre de até 10 kg enterradas no terreno
Nesse caso, o valor principal ainda é histórico e arqueológico. Já no relógio britânico, a combinação de raridade e demanda de colecionadores produziu um preço concreto em leilão.
Procedência pode alterar valor de peças antigas
Colecionadores não observam apenas marca e idade. A proveniência, ou história documentada de propriedade, também pode importar.
No Patek Philippe da Cornualha, a peça permaneceu durante décadas dentro da mesma família. Além disso, existem referências sobre os antigos proprietários e os locais pelos quais o relógio passou.
Essa narrativa não transforma automaticamente um objeto em item valioso. Porém, quando já existe raridade técnica, uma origem bem preservada pode aumentar o interesse.
Darren Ashley destacou justamente essa combinação entre raridade, qualidade mecânica e história familiar ao explicar a reação dos compradores.
Relógio de 90 anos ainda estava funcionando
Outro detalhe ajuda a explicar a reação do avaliador.
Apesar de ter sido fabricado há cerca de nove décadas, o mecanismo continuava funcionando quando chegou à Hansons.
Relógios mecânicos antigos dependem de dezenas de componentes minúsculos trabalhando em conjunto. Portanto, manter um mecanismo funcionando após tantas décadas oferece um exemplo da engenharia empregada na relojoaria de alto padrão.
Ainda assim, a Hansons não publicou na matéria uma avaliação técnica completa sobre precisão, manutenção anterior ou componentes eventualmente substituídos.
Logo, seria inadequado afirmar que a peça permanecia inteiramente original sem documentação adicional.
Uma pequena diferença de material pode mudar completamente a procura
À primeira vista, o relógio não possui dimensões extraordinárias. Seus 28 mm são até pequenos em comparação com muitos relógios modernos.
O valor também não decorre de diamantes gigantes ou decoração extremamente chamativa.
Nesse caso, a raridade está justamente em detalhes menos óbvios. Referência, época, fabricante e caixa de aço inoxidável transformaram o relógio em oportunidade rara para colecionadores.
Isso ajuda a explicar por que uma pessoa sem conhecimento especializado poderia facilmente subestimar a peça.
O relógio parecia apenas mais um item antigo dentro de uma caixa.
Achados escondidos também mudam completamente projetos modernos
O contraste entre aparência e importância aparece em outros tipos de descoberta.
Na Bélgica, por exemplo, operários preparavam um terreno para construir apartamentos quando encontraram partes de um castelo espanhol de quase 500 anos. Depois, arqueólogos identificaram ainda dezenas de esqueletos medievais, materiais romanos e ferramentas pré-históricas.
Operários encontram castelo espanhol de quase 500 anos, esqueletos e objetos antigos durante obra na Bélgica
Nos dois casos, aquilo que estava escondido ganhou importância somente depois que especialistas entraram em cena.
Na Cornualha, porém, bastou abrir uma caixa de joias.
Leilões transformam interesse em um preço real de mercado
Avaliação e preço de venda não são a mesma coisa. Um especialista pode estimar determinado intervalo, mas o resultado final depende dos compradores presentes no momento do leilão.
Quando dois ou mais colecionadores desejam intensamente a mesma peça, cada novo lance altera o preço.
Foi exatamente isso que aconteceu com o Reference 448.
A estimativa colocou o relógio entre £5 mil e £10 mil. Porém, colecionadores internacionais perceberam uma oportunidade rara e continuaram oferecendo valores maiores.
O resultado ilustra como mercados de colecionáveis podem produzir diferenças muito grandes entre estimativa inicial e preço efetivamente pago.
Mercado de leilões também cresce com tecnologia
A própria dinâmica da disputa mostra como leilões deixaram de depender apenas das pessoas presentes fisicamente em uma sala.
Havia familiares no local, mas os compradores estavam espalhados por vários países. Alguns participaram por telefone, enquanto outros entraram pela internet.
Esse processo também aparece em mercados de bens corporativos. Uma matéria recente do CPG mostrou uma empresa brasileira que já recolocou mais de 1 milhão de produtos no mercado por meio de 650 leilões e agora investe em inteligência artificial para acelerar avaliações e vendas.
Empresa transforma produtos que grandes companhias não querem mais em negócio milionário após realizar 650 leilões
A escala é completamente diferente. Entretanto, a lógica permanece: o leilão reúne compradores e transforma interesse competitivo em preço.
Patek Philippe ocupa posição especial entre colecionadores
A Hansons atribui parte da procura à reputação da fabricante suíça.
Charles Hanson, proprietário da casa de leilões, destacou que Patek Philippe ocupa o topo da relojoaria fina e que raridade, qualidade e procedência podem produzir resultados expressivos.
Nesse caso, todos esses elementos apareceram simultaneamente.
O relógio pertence a uma referência antiga. Além disso, possui caixa de aço rara para a época e uma história familiar de várias gerações.
Finalmente, colecionadores internacionais estavam dispostos a competir por ele.
A combinação empurrou a peça muito além da avaliação inicial.
Valor final foi quase seis vezes maior que a estimativa máxima
Os números mostram claramente o tamanho da surpresa.
A Hansons colocou o limite superior da estimativa em £10 mil.
O resultado ficou em £59 mil.
Portanto, o relógio atingiu 590% do valor máximo estimado. Em outra forma de comparação, ficou 490% acima desse teto.
Já em relação ao piso de £5 mil, o preço final ficou 1.080% acima da estimativa mínima.
Essas porcentagens servem apenas para dimensionar a diferença. Elas não significam uma valorização financeira tradicional, pois a família não comprou a peça recentemente por £5 mil ou £10 mil.
Família não sabia exatamente quem havia comprado o relógio originalmente
Mesmo com toda a atenção, uma parte da história continua sem resposta.
A família sabe que o relógio pertenceu ao avô. Porém, não consegue afirmar com certeza quem o comprou inicialmente.
A hipótese é que a avó possa ter adquirido a peça e oferecido ao marido. O comportamento dela, conhecida pelo interesse em artigos de luxo, sustenta essa possibilidade.
Entretanto, não existem documentos apresentados pela Hansons que confirmem essa versão.
Assim, o novo proprietário receberá um relógio cuja história é parcialmente conhecida e parcialmente perdida no tempo.
Diário de 2011 mostrou que a antiga dona sabia que possuía algo importante
Uma pequena anotação ganhou significado depois da avaliação.
A proprietária falecida registrou em um diário de 2011 uma referência a um relógio caro que possuía. Além disso, havia contado à filha que guardava uma peça valiosa.
Portanto, ela sabia que o objeto merecia atenção.
Mesmo assim, não há indicação de que soubesse que o mercado poderia colocar a peça perto de £60 mil.
É justamente essa distância entre “relógio caro” e £59 mil no martelo que criou a surpresa para os descendentes.
Depois do resultado, Charles Hanson usou o caso para chamar atenção para objetos herdados.
Segundo ele, famílias não deveriam ignorar automaticamente itens antigos antes de buscar uma avaliação especializada.
Essa recomendação não significa que toda caixa de joias esconda dezenas de milhares de libras. A maioria dos objetos antigos não alcança valores desse nível.
Porém, peças específicas podem reunir características difíceis de identificar para quem não conhece o mercado.
No caso da Cornualha, o detalhe decisivo estava em um pequeno relógio de aço produzido por uma das mais conhecidas fabricantes suíças há cerca de 90 anos.
Resultado dependeu de raridade, conservação, história e concorrência
Não existe apenas uma explicação para as £59 mil.
Primeiro, o Patek Philippe Reference 448 é antigo. Além disso, a caixa de aço constitui uma característica incomum para peças da marca naquele período.
O relógio também tinha proveniência familiar e seguia funcionando.
Finalmente, surgiu uma disputa entre compradores internacionais com interesse suficiente para continuar oferecendo lances muito acima da estimativa.
Sem essa competição, o resultado poderia ter sido diferente.
Portanto, seria errado concluir que todo exemplar semelhante vale automaticamente £59 mil.
De uma caixa esquecida ao outro lado do mundo
A transformação aconteceu em poucos passos.
Durante uma limpeza de casa, a família encontrou um relógio que havia passado décadas em uma caixa de joias.
Depois, levou a peça para avaliação. A Hansons identificou um Patek Philippe Calatrava Reference 448 dos anos 1930 e colocou uma estimativa de £5 mil a £10 mil.
Então, compradores de vários países começaram a demonstrar interesse.
No dia 25 de agosto, os lances cruzaram sucessivamente £20 mil, £30 mil, £40 mil e £50 mil. O colecionador de Nova York saiu da disputa perto de £52 mil.
Por fim, Japão e China protagonizaram a disputa final. O comprador por telefone venceu com £59 mil, e o relógio agora deverá seguir para Hong Kong.
A família entrou no leilão esperando, no melhor cenário da estimativa, cerca de £10 mil no martelo. Saiu com um resultado quase seis vezes maior.
E tudo começou com um objeto que já estava dentro de casa havia gerações.
Você levaria relógios, moedas e joias antigas herdadas da família para uma avaliação profissional antes de vender ou descartar esses objetos?
Fonte
Hansons Auctioneers
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

