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Fazendão investe R$ 500 milhões em indústria de 800 mil m² no Tocantins para processar 800 mil toneladas de soja por ano e gerar 1.300 empregos

Fazendão investe R$ 500 milhões em indústria de 800 mil m² no Tocantins para processar 800 mil toneladas de soja por ano e gerar 1.300 empregos

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Fazendão investe R$ 500 milhões em indústria de 800 mil m² no Tocantins para processar 800 mil toneladas de soja por ano e gerar 1.300 empregos

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 21/09/2026 às 20:45

Atualizado em 21/09/2026 às 20:50

Economia

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Fábrica de R$ 500 milhões em Porto Nacional (TO) pode esmagar 800 mil toneladas de soja por ano, fica na Norte-Sul e está sendo vendida à ALZ Grãos.

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A fábrica da Fazendão em Luzimangues fica no ponto onde os dois trechos da Norte-Sul se encontram. Em abril de 2026, o grupo tocantinense assinou acordo para vendê-la a um consórcio formado por Amaggi, Louis Dreyfus e Zen-Noh.

A Fazendão Agronegócio investiu R$ 500 milhões numa indústria de processamento de soja em Luzimangues, distrito de Porto Nacional (TO). A unidade ocupa uma área de 800 mil metros quadrados e tem capacidade para esmagar cerca de 800 mil toneladas de soja por ano. Com a soja, produz farelo e óleo.

A fábrica foi inaugurada em 25 de outubro de 2024, com o governador Wanderlei Barbosa presente. Um ano e meio depois, a empresa assinou um memorando vinculante para vender a unidade à ALZ Grãos, associação entre Amaggi, Louis Dreyfus Company e Zen-Noh. A venda ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O que sai da fábrica

Colheita de soja – Foto: Bloomberg

Esmagar soja é separar o grão em duas partes. A maior vira farelo, rico em proteína e usado principalmente em ração para aves, suínos e bovinos. A outra é o óleo degomado, um óleo bruto que já passou por uma primeira limpeza e segue para refinarias ou para usinas de biodiesel.

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Com a nova unidade, a produção industrial do grupo ganhou outra escala. Segundo a própria Fazendão, a empresa processa mais de 1 milhão de toneladas de soja por ano. Isso rende mais de 700 mil toneladas de farelo e 200 mil toneladas de óleo degomado.

Por que a fábrica foi para Luzimangues

Fábrica de R$ 500 milhões em Porto Nacional (TO) pode esmagar 800 mil toneladas de soja por ano, fica na Norte-Sul e está sendo vendida à ALZ Grãos.

A escolha foi logística. Porto Nacional é o ponto em que a Ferrovia Norte-Sul muda de operador. Para o norte, cerca de 720 quilômetros de trilhos operados pela VLI levam até Açailândia (MA). Para o sul, o trecho da Rumo Logística segue por aproximadamente 1.537 quilômetros até Estrela d’Oeste (SP).

A fábrica foi construída no distrito industrial de Luzimangues, na beira da linha férrea. Pelo lado da VLI, a carga chega ao Arco Norte, o conjunto de rotas que escoa grãos do Centro-Norte pelos portos do Norte e do Nordeste. A principal saída é o Porto do Itaqui, em São Luís (MA).

A rota para Santos

A outra saída passa por Gurupi, no sul do Tocantins. Ali o grupo montou um terminal de transbordo, onde os grãos passam do caminhão para o trem no trecho da Rumo, com destino ao Porto de Santos.

Essa rota já funciona. Desde o fim de 2025, segundo a empresa, saem de Gurupi carregamentos semanais de farelo de soja para Santos, com cerca de 80 vagões por semana. Com Itaqui ao norte e Santos ao sul, o grupo pode escolher o porto conforme o frete e o destino da carga.

A venda para a ALZ Grãos

O acordo foi anunciado em abril de 2026. A ALZ Grãos já atuava no comércio e na armazenagem de grãos no Matopiba, a região de fronteira agrícola entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Com a fábrica de Luzimangues, as três empresas entram pela primeira vez no esmagamento de soja na região.

Enquanto o Cade não aprovar, a transação não está concluída. A Fazendão informou que vai direcionar investimentos para novas frentes de crescimento e manter o restante da operação no Tocantins.

O que continua com a Fazendão

Volney Aquino, CEO da FazendãoFoto: Fazendão

A empresa nasceu em 2004 como uma loja em Gurupi. Hoje tem 11 unidades no Tocantins, no Pará e em Mato Grosso, e afirma faturar mais de R$ 4 bilhões por ano. É comandada pelo empresário Volney Aquino.

Fora de Luzimangues, o grupo mantém a esmagadora de Cariri do Tocantins, com capacidade para cerca de 650 mil toneladas de soja por ano. Também tem armazéns em Alvorada, Divinópolis, Santa Rosa, Peixe, Fátima, Cariri e Porto Nacional, que somam mais de 700 mil toneladas de capacidade. Segundo a empresa, a operação tem duas certificações europeias de sustentabilidade exigidas por compradores estrangeiros: a ISCC EU e a 2BSvs.

O plano do etanol de milho

A segunda etapa do complexo de Luzimangues previa etanol de milho e biodiesel. A peça principal era uma usina de 350 mil litros de etanol por dia, a primeira do tipo no Tocantins. A inauguração foi anunciada para o primeiro semestre de 2025.

Na época, Aquino disse que a proximidade com as distribuidoras de combustíveis de Porto Nacional facilitaria a venda do etanol e do biodiesel. O acordo com a ALZ Grãos trata da unidade de esmagamento de soja.

Empregos e peso na safra do estado

A projeção divulgada para o complexo era de cerca de 300 empregos diretos e 1.000 indiretos. Quando a fábrica foi anunciada, o grupo tinha mais de 700 funcionários.

O tamanho da fábrica aparece quando comparado à safra. A Conab estima que o Tocantins colha 6,015 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, alta de 12,4% sobre a anterior.

Só a unidade de Luzimangues pode esmagar o equivalente a cerca de 13% dessa colheita (cálculo feito a partir dos dois números). O futuro dono da fábrica depende agora da decisão do Cade.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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