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Fazendeiro ara uma lavoura na Namíbia em 1920, sente a lâmina bater em um bloco metálico impossível de mover e descobre o maior meteorito intacto conhecido do planeta; mais de 100 anos depois, a massa de ferro e níquel continua exatamente no mesmo lugar, sem uma cratera evidente ao redor
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 15/09/2026 às 18:10
Atualizado em 15/09/2026 às 18:14
Ciência e Tecnologia
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Pela versão mais conhecida, o fazendeiro Jacobus Hermanus Brits arava uma lavoura da fazenda Hoba West, no norte da Namíbia, em 1920, quando achou o meteorito Hoba, o maior intacto conhecido do planeta. A massa de ferro e níquel, de dezenas de toneladas, continua no mesmo lugar, sem cratera visível.
O fazendeiro Jacobus Hermanus Brits arava a terra com uma junta de bois na fazenda Hoba West, na região de Grootfontein, no norte da Namíbia, em 1920, quando a lâmina do arado bateu em metal onde deveria haver apenas terra vermelha e pedra. O bloco escuro não se mexeu nem com a força de todos os bois juntos. Era o meteorito Hoba, o maior meteorito intacto conhecido do planeta, que mais de 100 anos depois continua exatamente onde foi encontrado.
As informações foram publicadas pelo Diário do Litoral em 11 de setembro de 2026, em reportagem de Willian Porto, da Agência NextNews, que também cita uma análise do caso feita pelo site spacedaily.com. Segundo a reportagem, a cena do arado é a versão mais repetida da descoberta, e alguns detalhes ainda são discutidos por pesquisadores que revisaram documentos da época.
Bloco era pesado demais para qualquer carroça da região de Grootfontein
Brits tirou a terra com as mãos e com a própria lâmina do arado e viu que o obstáculo era largo como o chão de um quarto pequeno, conta a reportagem. O bloco também era pesado demais para qualquer carroça disponível na região de Grootfontein.
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O meteorito ganhou o nome do lugar onde estava enterrado e passou a ser chamado de Hoba. É uma única peça de ferro e níquel, que chegou ao solo sem espalhar fragmentos visíveis, segundo o Diário do Litoral.
Amostras foram para laboratórios, mas a massa principal nunca saiu da fazenda
A escavação ao redor do meteorito foi feita com cuidado para não quebrar a peça, e pequenas amostras foram enviadas, ao longo do século 20, para laboratórios de vários países. A massa principal, porém, nunca foi colocada em um caminhão nem levada a um museu da Europa ou da África do Sul, segundo a reportagem.
Houve vontade de levar o Hoba para um museu, como aconteceu com outros meteoritos africanos menores, mas o peso, o formato largo e a localização no interior da Namíbia nas décadas de 1920 e 1930 dificultavam o transporte. Mover dezenas de toneladas de ferro maciço exigiria engenharia pesada, trilhos improvisados, guindastes e dinheiro, e nem a fazenda nem o governo colonial da época priorizaram esse gasto, conforme o Diário do Litoral.
Imobilidade virou argumento de preservação, e local foi declarado monumento nacional
O fato de o meteorito Hoba não ter saído do lugar acabou virando, com o passar das décadas, um argumento para preservá-lo onde está. Hoje, o local é protegido, aberto à visitação e tratado como patrimônio científico, segundo a reportagem.
Ora Scheel, que comprou o terreno, conseguiu que o local fosse declarado monumento nacional, de acordo com o Diário do Litoral. Uma foto de 1952 publicada pelo jornal mostra Ora Scheel com um visitante junto ao meteorito. Ao longo do tempo, o espaço ganhou proteção, placas explicativas e degraus circulares.
Visitantes encontram ferro opaco, escuro e marcado por décadas de sol e chuva
Quem visita o meteorito Hoba encontra a peça dentro de um cercado aberto, com piso preparado e informações básicas sobre massa, composição e ausência de cratera. A pedra não brilha: é opaca, escura e marcada por décadas ao ar livre, segundo a reportagem.
A superfície tem oxidação, sulcos causados pelo desgaste do tempo e manchas escuras deixadas pela chuva e pelo sol. Por dentro, a estrutura ainda mostra que o objeto se solidificou no vácuo do espaço, sem relação com nenhum processo de fundição conhecido na Terra, conforme o Diário do Litoral.
Não há cratera ao redor do meteorito Hoba
Não existe cratera ao redor do Hoba, nem buraco de impacto ou anéis de material lançado para fora. Segundo a reportagem, essa ausência reduz muito os tipos de queda possíveis e obriga os modelos físicos a descartar a ideia de uma bola de fogo atingindo o chão em alta velocidade.
Se o meteorito tivesse tocado o solo em velocidade alta demais, o chão compactado da região teria ficado com um buraco profundo e marcas de choque que geólogos ainda conseguiriam identificar depois de dezenas de milhares de anos. Nenhuma dessas marcas aparece na paisagem atual, onde a vegetação rasteira e o piso preparado contornam o bloco.
Formato achatado, como bigorna caída de lado, é a chave da explicação mais aceita
O formato achatado e irregular do Hoba, mais parecido com uma bigorna caída de lado do que com uma esfera, é a base da explicação mais aceita pelos pesquisadores, segundo o Diário do Litoral. Em vez de atravessar a atmosfera como um projétil pontudo, a peça pode ter ficado de lado, oferecendo muita superfície ao ar das camadas mais altas.
Nessa hipótese, o atrito teria freado a queda com força e transformado a energia do movimento em calor e ruído muito antes de o meteorito tocar a savana. O resultado seria um pouso pesado, quase vertical e relativamente lento, capaz de enterrar a massa sem abrir o buraco típico de um impacto.
Estimativa situa a queda há menos de 80 mil anos, e ninguém a viu
A estimativa de idade do evento é de menos de 80 mil anos, período curto em termos geológicos, no qual uma cratera grande ainda seria visível sob o clima semiárido do norte da Namíbia. A falta de cratera, somada a essa idade, reforça a hipótese de um pouso amortecido pelo formato do meteorito e pela posição em que entrou na atmosfera, segundo a reportagem.
Não há relato de testemunha da queda nem tradição oral clara que fale de fogo no céu ou estrondo noturno na região de Grootfontein. Tudo o que se sabe sobre o trajeto final é deduzido da massa total, da composição rica em níquel e do formato achatado, conforme o Diário do Litoral.
Composição indica origem no núcleo de metal de um corpo planetário antigo
Meteoritos de ferro puro ou quase puro são minoria entre as quedas registradas no planeta, mas são a maioria entre os grandes exemplares das coleções, porque se fragmentam menos na atmosfera e resistem melhor à corrosão ao longo de milênios, segundo a reportagem. O Hoba faz parte desse grupo raro.
A composição do meteorito Hoba indica que ele veio do núcleo de metal de um corpo planetário antigo, que se despedaçou no cinturão de asteroides ou em colisões anteriores, há bilhões de anos. Um fragmento assim guarda informações da época em que o Sistema Solar ainda era jovem, e no caso do Hoba essas informações estão ao alcance de qualquer visitante, conforme o Diário do Litoral.
Pesquisadores ainda medem inclinação, profundidade e corrosão da peça
O local onde está o meteorito Hoba funciona como um laboratório ao ar livre, onde geólogos estudam como o ferro reage com o solo e físicos calculam, a partir do formato achatado, como ele perdeu velocidade na atmosfera. Pesquisadores que voltam ao local medem a inclinação da peça, a profundidade em que ela estava antes das escavações de 1920 e a química do ponto de contato entre metal e solo, segundo a reportagem.
Cada nova pesquisa confirma o que já se sabia desde a década da descoberta e acrescenta detalhes sobre a velocidade da corrosão. Os estudos também avaliam a possibilidade de pedaços menores terem se soltado na atmosfera e caído longe dali, sem registro em coleções nem em relatos de fazendeiros vizinhos.
Físico Peter Spargo aponta inconsistências na história da descoberta
A versão com Jacobus Hermanus Brits e o arado de bois batendo no metal circulou por décadas em guias, placas e textos de divulgação. Arquivos e pesquisas posteriores trouxeram dúvidas sobre datas, nomes de fazenda e sobre quem percebeu primeiro que o ferro era de um meteorito, segundo o Diário do Litoral.
O físico Peter Spargo e outros pesquisadores que revisaram documentos da época apontam inconsistências que sugerem que mais de uma pessoa pode ter participado da escavação e da comunicação às autoridades. Eles também indicam uma demora entre o primeiro contato com o bloco e a identificação científica oficial.
Sem o reconhecimento, o bloco poderia ter sido quebrado ou coberto de novo
Em uma lavoura, um bloco daquele tamanho poderia ter sido ignorado como resto de ferramenta abandonada ou como uma pedra que atrapalhava, segundo a reportagem. O Hoba, porém, foi visto primeiro como curiosidade e depois como objeto de estudo científico, o que definiu o futuro da peça.
Sem esse reconhecimento, o meteorito poderia ter sido quebrado para aproveitar o metal ou coberto de novo pela terra arada até ser esquecido, conforme o Diário do Litoral. A reportagem ressalta que as dúvidas sobre os detalhes não mudam o fato de que alguém bateu no metal e decidiu cavar, em vez de desviar o arado.
Ao contrário de outros grandes meteoritos, o Hoba não foi serrado nem retirado de uma cratera
Muitos dos grandes meteoritos conhecidos foram serrados em laboratório, divididos entre museus de continentes diferentes ou retirados de crateras que ainda marcam a paisagem, segundo a reportagem. O Hoba não passou por nada disso e continua inteiro onde caiu, o que faz dele um dos menos fragmentados e menos deslocados do mundo, apesar de ser o mais pesado e o mais famoso do seu tipo.
A ausência de cratera também alimenta debates sobre como classificar impactos, porque nem todo meteorito grande abre um buraco no chão. Formatos achatados, entradas em ângulo baixo e variações na densidade do ar podem gerar pousos que deixam pouca marca no terreno, e o Hoba é o caso mais extremo e mais bem preservado dessa possibilidade, conforme o Diário do Litoral.
Mais de 100 anos depois, meteorito Hoba segue no ponto onde foi encontrado
Desde a descoberta, a fazenda mudou de donos e de uso, e o país mudou de nome e de regime político, mas o meteorito Hoba continua no mesmo ponto, exposto ao sol e ao vento do planalto, segundo o Diário do Litoral. Ele só foi preservado no local original por dois motivos: a dificuldade de transporte e a curiosidade que o arado despertou em 1920.
O site spacedaily.com, ao analisar o caso, afirma que a massa de ferro, a ausência de cratera e a história da descoberta, ainda discutida, ajudam a entender uma queda rara, que ninguém viu.
Para você, o meteorito Hoba deve continuar exposto no local onde foi encontrado, como está há mais de 100 anos, ou estaria mais protegido em um museu? Deixe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

