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Fazendeiro brasileiro solta 200 marrecos em 9 hectares de arroz para baixar custos e diminuir agrotóxicos, colhe 300 sacas a mais que no ano anterior e amplia o plantel para 800 aves espalhadas por 38 hectares, enquanto a Epagri aponta redução de horas de máquina, defensivos e adubos

Fazendeiro brasileiro solta 200 marrecos em 9 hectares de arroz para baixar custos e diminuir agrotóxicos, colhe 300 sacas a mais que no ano anterior e amplia o plantel para 800 aves espalhadas por 38 hectares, enquanto a Epagri aponta redução de horas de máquina, defensivos e adubos

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Fazendeiro brasileiro solta 200 marrecos em 9 hectares de arroz para baixar custos e diminuir agrotóxicos, colhe 300 sacas a mais que no ano anterior e amplia o plantel para 800 aves espalhadas por 38 hectares, enquanto a Epagri aponta redução de horas de máquina, defensivos e adubos

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 09/09/2026 às 16:48

Atualizado em 09/09/2026 às 16:49

Curiosidades

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Produtor de SC usa 800 marrecos em lavoura de arroz para reduzir pragas, agrotóxicos e custos de produção

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Ademir Daros começou com 200 marrecos em nove hectares de arroz em Turvo, no Sul de Santa Catarina, e relatou uma colheita 300 sacas maior que a do ano anterior. No segundo ano, levou 800 aves para toda a área de 38 hectares, usando os animais para limpar a lavoura durante a entressafra e reduzir custos com máquinas e produtos químicos

O produtor rural Ademir Daros colocou 200 marrecos em nove hectares de arroz irrigado e, após a experiência, relatou ter colhido 300 sacas a mais do que no ano anterior. O teste levou o fazendeiro de Turvo, no Sul de Santa Catarina, a ampliar o sistema: no ciclo seguinte, eram 800 aves distribuídas pelos 38 hectares da propriedade.

A experiência foi divulgada em 28 de setembro de 2009 pelo Página Rural, a partir de informações da Epagri de Santa Catarina. Além do resultado obtido por Ademir, outros produtores do município já utilizavam o marreco-de-pequim para controlar plantas invasoras e caramujos, preparar o terreno para a próxima safra e reduzir gastos na lavoura.

200 marrecos foram soltos em nove hectares e produtor relatou 300 sacas a mais

Ademir Daros estava no segundo ano de utilização dos marrecos quando a experiência foi registrada pela Epagri. Na primeira etapa, ele colocou 200 aves em uma área de nove hectares durante a entressafra do arroz.

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Ao comparar a produção seguinte com a anterior, o agricultor afirmou ter obtido 300 sacas de arroz a mais. Ele também disse ter percebido melhora na qualidade dos grãos, que, segundo seu relato, recebeu elogios de proprietários de engenhos.

O resultado levou à expansão do sistema. Em 2009, os 38 hectares cultivados com arroz na propriedade já recebiam cerca de 800 marrecos.

O objetivo, porém, não era simplesmente colocar mais aves para tentar elevar a produtividade. A estratégia envolvia principalmente a limpeza da lavoura durante os meses em que o arroz não estava sendo cultivado.

Marrequinhos entram na lavoura com 30 dias e permanecem no campo por até cinco meses

Marrequinhos de 30 dias entram na lavoura de arroz e passam até cinco meses ajudando no controle de plantas invasoras e caramujos

O funcionamento descrito pela Epagri começava logo depois da colheita do arroz, normalmente entre abril e maio.

Os marrequinhos eram colocados na área com aproximadamente 30 dias de vida e permaneciam ali durante quatro a cinco meses, justamente durante a entressafra. Nesse período, circulavam pelas quadras de arroz procurando alimento.

Em vez de manter a área sem utilização até o próximo plantio, o produtor aproveitava as aves para trabalhar sobre os restos existentes no terreno.

Elas consumiam ervas daninhas, sementes e plantas indesejadas, além de caramujos encontrados na área. Ao mesmo tempo, os dejetos das aves contribuíam para devolver matéria orgânica ao solo.

Arroz vermelho, ervas daninhas e caramujos entram no “cardápio” dos marrecos

Entre os principais alvos estava o chamado arroz vermelho ou arroz-daninho, uma das plantas invasoras mais problemáticas nas lavouras de arroz irrigado.

A Epagri registra que o arroz-daninho pode reduzir a produtividade, depreciar o produto colhido e elevar os custos de beneficiamento e de manejo.

Os caramujos também são um problema conhecido nas áreas irrigadas. Um boletim técnico publicado pela Epagri em 2024 reúne espécies encontradas nas lavouras catarinenses e métodos de manejo integrado, enquanto trabalhos anteriores da instituição já apontavam danos provocados pelos moluscos em áreas de arroz pré-germinado.

No sistema adotado em Turvo, os próprios marrecos consumiam parte desse material durante os meses em que permaneciam nas quadras.

Outro produtor colocou 1.200 marrecos nas áreas onde colhia 10 mil sacas de sementes por ano

Ademir não era o único agricultor de Turvo usando a técnica.

Na comunidade de Ponte Alta, Rogério Dagostin mantinha 1.200 marrecos nas áreas destinadas à produção de sementes de arroz. Na época da reportagem, sua propriedade produzia cerca de 10 mil sacas de sementes por ano.

Segundo Dagostin, a qualidade dos grãos havia melhorado nas três safras anteriores. O produtor atribuía parte desse resultado ao trabalho das aves na entressafra.

Ele descreveu os marrecos como animais que permaneciam trabalhando continuamente na área, consumindo ervas daninhas, arroz vermelho e caramujos.

A ligação de Rogério Dagostin com a rizicultura de Turvo continuou nos anos seguintes. Em janeiro de 2025, sua propriedade na comunidade de Ponte Alta recebeu a 7ª Abertura da Colheita do Arroz de Santa Catarina e o 9º Dia de Campo Dagostin Sementes.

Epagri apontava economia com máquinas, defensivos agrícolas e adubos

Apesar do relato de Ademir sobre as 300 sacas adicionais, a avaliação técnica feita pela Epagri colocava o foco principalmente em outro ponto: reduzir o custo para produzir cada hectare de arroz.

Marcos José Rosso, engenheiro agrônomo que prestava assistência técnica em Turvo, explicou na época que as lavouras da região já apresentavam produtividade elevada. Por isso, havia menos espaço para buscar ganhos apenas aumentando a quantidade colhida.

A utilização dos marrecos poderia melhorar a margem do agricultor ao reduzir horas de máquina por hectare, o uso de defensivos agrícolas e a necessidade de adubos solúveis, conforme a orientação divulgada pela Epagri.

Dessa forma, mesmo quando a produtividade não aumentasse, o produtor poderia gastar menos para preparar a área para a safra seguinte.

Turvo colhia 67,5 mil toneladas para consumo e outras 9,9 mil toneladas para sementes

Na época em que a experiência foi divulgada, Turvo já tinha forte presença na produção catarinense de arroz irrigado.

Segundo os dados apresentados pela Epagri em 2009, os produtores do município colhiam 67,5 mil toneladas de arroz destinadas ao consumo por safra, além de aproximadamente 9,9 mil toneladas comercializadas como sementes.

Esse nível de produção ajudava a explicar a busca por técnicas capazes de reduzir despesas sem comprometer a qualidade do grão.

O cultivo de arroz irrigado continua tendo peso relevante em Santa Catarina. Em recomendações técnicas publicadas pela Epagri, a cultura ocupa quase 150 mil hectares no estado e está presente em dezenas de municípios catarinenses.

Venda dos próprios marrecos ainda podia criar uma segunda fonte de renda

As aves não precisavam permanecer indefinidamente na propriedade.

Depois de cumprir o período de quatro a cinco meses na lavoura, os marrecos também podiam ser comercializados, criando outra possibilidade de receita para o produtor rural.

Assim, o sistema reunia três frentes: os animais consumiam materiais indesejados durante a entressafra, ajudavam a reduzir determinadas operações necessárias antes do novo cultivo e ainda tinham valor comercial.

Para a Epagri, havia ainda a possibilidade de o método contribuir para propriedades interessadas em avançar para sistemas de produção orgânica, desde que fossem atendidas as demais exigências necessárias para esse tipo de cultivo.

Em 2009, experiência havia passado de 200 para 800 marrecos em 38 hectares

Quando a reportagem foi publicada, em setembro de 2009, a experiência de Ademir Daros já havia saído dos 200 marrecos utilizados inicialmente em nove hectares para cerca de 800 aves cobrindo os 38 hectares de arroz da propriedade.

O agricultor relatava 300 sacas adicionais na colheita posterior ao primeiro teste e destacava a melhora na qualidade do arroz. A Epagri, por sua vez, apontava como principal ganho do sistema a possibilidade de diminuir despesas com máquinas, defensivos e fertilizantes enquanto os animais faziam a limpeza da área durante a entressafra.

Você usaria centenas de marrecos em uma lavoura para controlar ervas daninhas e caramujos e reduzir o uso de produtos químicos? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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