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Fazendeiro mineiro coloca mais de 500 carneiros dentro de 22 hectares de café, os animais passam o dia comendo o mato, adubando o solo com esterco e ajudando no manejo da lavoura, custo da capina cai 80%, gasto com adubação recua até 40% e a fazenda ainda reduz despesas com ração, mão de obra, herbicidas e outros defensivos

Fazendeiro mineiro coloca mais de 500 carneiros dentro de 22 hectares de café, os animais passam o dia comendo o mato, adubando o solo com esterco e ajudando no manejo da lavoura, custo da capina cai 80%, gasto com adubação recua até 40% e a fazenda ainda reduz despesas com ração, mão de obra, herbicidas e outros defensivos

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Fazendeiro mineiro coloca mais de 500 carneiros dentro de 22 hectares de café, os animais passam o dia comendo o mato, adubando o solo com esterco e ajudando no manejo da lavoura, custo da capina cai 80%, gasto com adubação recua até 40% e a fazenda ainda reduz despesas com ração, mão de obra, herbicidas e outros defensivos

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 09/09/2026 às 16:25

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Produtor de Cambuquira reduz custos no cafezal ao integrar mais de 500 ovinos à lavoura e usar os animais no controle do mato e na adubação do solo

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Anderson Luiz Junqueira reuniu criação de ovinos e cafezal na mesma propriedade em Cambuquira, no Sul de Minas. O esterco passou a ser aproveitado como adubo e os animais ajudam a controlar o mato entre os pés de café, reduzindo gastos em diferentes etapas da produção.

Mais de 500 ovinos circulando em uma fazenda com 22 hectares de cafezal passaram a cumprir duas funções ao mesmo tempo para o produtor Anderson Luiz Junqueira, de Cambuquira, em Minas Gerais: alimentar-se da vegetação disponível e ajudar no manejo da lavoura.

O resultado apareceu diretamente nos custos. Segundo o Senar Minas, Anderson informou economia de até 40% com adubação e redução de 80% nos gastos da capina, considerando mão de obra e herbicidas. A integração também diminuiu despesas com alimentação dos animais e permitiu reduzir o uso de defensivos no café.

O caso foi divulgado pelo Senar Minas no portal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 24 de junho de 2021. Na época, Anderson participava havia oito meses do Programa de Assistência Técnica e Gerencial, o ATeG, após entrar no programa em outubro de 2020.

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Mais de 500 ovinos dividem espaço com 22 hectares de cafezal

A propriedade de Anderson reúne duas atividades que normalmente são administradas separadamente. De um lado estão mais de 500 cabeças de ovinos. Do outro, 22 hectares plantados com café.

Na prática adotada pelo produtor, os animais entram na dinâmica do cafezal. Enquanto se alimentam da vegetação disponível na área, ajudam a manter o mato sob controle.

O próprio Anderson apontou esse funcionamento como um dos principais diferenciais do sistema. Os carneiros conseguem obter parte da alimentação dentro da lavoura e, ao mesmo tempo, reduzem a necessidade de intervenções para controlar a vegetação.

Capina fica 80% mais barata com menos mão de obra e herbicidas

Um dos efeitos mais expressivos apareceu justamente na manutenção do cafezal. O custo da capina caiu 80%, segundo os dados apresentados pelo produtor ao Senar Minas. A redução considera tanto o gasto com trabalhadores quanto o uso de herbicidas que seriam necessários para controlar o mato.

Em vez de depender exclusivamente da capina convencional, parte desse trabalho passou a ser feita pelos próprios animais enquanto se alimentam dentro da área.

A mudança também trouxe outro efeito citado pelo produtor: a propriedade passou a utilizar menos defensivos na lavoura.

Esterco dos carneiros corta em até 40% o gasto com adubação

Esterco dos carneiros vira adubo natural e ajuda produtor a reduzir em até 40% os gastos com fertilização do cafezal

O benefício dos ovinos não termina quando o mato é consumido. O esterco deixado pelos animais é aproveitado na própria área de produção e entra no manejo da fertilidade do solo. Com isso, Anderson afirmou ter alcançado economia de até 40% na adubação.

O funcionamento cria um ciclo dentro da fazenda. O cafezal oferece vegetação que pode servir de alimento aos animais, enquanto os ovinos devolvem matéria orgânica à área por meio do esterco.

A alimentação dos carneiros também ficou mais barata, segundo o relato divulgado pelo Senar Minas. Dessa forma, a mesma integração atingiu custos da cafeicultura e da criação de ovinos.

Assistência técnica começou em outubro de 2020 e colocou a gestão no centro do trabalho

Anderson entrou no ATeG em outubro de 2020. O programa era promovido pelo Sistema FAEMG/SENAR/INAES e incluía acompanhamento técnico e gerencial da propriedade.

Nos primeiros oito meses, a técnica de campo Lineia Franciane da Silva trabalhou com a família também na retomada da gestão do negócio rural.

Para Lineia, a combinação chamou atenção justamente por não ser uma configuração comum nas propriedades acompanhadas. Ela avaliou que as duas produções se complementavam.

Anderson afirmou que o acompanhamento ajudou a organizar a direção das atividades e trouxe orientações principalmente na área de gestão.

“Já estou tendo retorno financeiro para a minha propriedade”, relatou o produtor ao comentar os resultados obtidos durante o acompanhamento.

Fazenda está na família desde o tataravô e Anderson representa a quinta geração

A experiência com café e ovinos ocorre em uma propriedade cuja história familiar começou várias gerações antes.

Anderson é a quinta geração da família a cuidar da fazenda, iniciada ainda na época de seu tataravô.

Quando a experiência foi divulgada, seus dois filhos também participavam do cotidiano da propriedade. Yam tinha 17 anos e Sani, sete.

A presença dos filhos aparece no contexto de uma fazenda que Anderson pretende manter produtiva e, ao mesmo tempo, reorganizar para aproveitar melhor aquilo que já é produzido dentro da própria área.

Próximo passo pensado pelo produtor é colocar café, carneiro e cereais na mesma área

O sistema envolvendo ovinos e cafezal não era o ponto final imaginado por Anderson.

O produtor afirmou que pretendia avançar para uma integração envolvendo café, carneiros e cereais dentro da mesma área.

A ideia era usar os cereais para produzir palhada e complementar o sistema de alimentação dos ovinos, enquanto o esterco dos animais continuaria retornando à área.

Anderson também dizia querer que a propriedade fosse reconhecida como modelo desse tipo de produção e, se possível, chegasse a algum tipo de certificação.

“Meu sonho é ter uma produção mais sustentável e já estou conseguindo colocar isto em prática”, afirmou.

Em 2021, integração já reduzia quatro grupos de despesas da propriedade

Quando o caso foi divulgado, os resultados apresentados já atingiam diferentes partes da operação.

A capina havia ficado 80% mais barata, a economia com adubação chegava a 40%, a alimentação dos animais custava menos e o uso de defensivos havia sido reduzido.

Ao mesmo tempo, Anderson mantinha mais de 500 ovinos e 22 hectares de café, usando os animais no próprio manejo da lavoura enquanto trabalhava com assistência técnica para melhorar a gestão da fazenda.

O objetivo seguinte era ampliar a integração, acrescentando cereais ao sistema e aproveitando ainda mais esterco, alimento e palhada produzidos dentro da propriedade.

Na sua opinião, colocar ovinos dentro do cafezal para controlar o mato e aproveitar o esterco pode funcionar em outras propriedades ou depende das condições específicas de cada fazenda? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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