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Fazendeiro que perdia ovelhas e cabras para coiotes coloca cães gigantes no meio do rebanho, predadores começam a evitar o pasto e técnica de 5 mil anos substitui a caça no Texas

Fazendeiro que perdia ovelhas e cabras para coiotes coloca cães gigantes no meio do rebanho, predadores começam a evitar o pasto e técnica de 5 mil anos substitui a caça no Texas

4 min de leitura

Fazendeiro que perdia ovelhas e cabras para coiotes coloca cães gigantes no meio do rebanho, predadores começam a evitar o pasto e técnica de 5 mil anos substitui a caça no Texas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 11/09/2026 às 19:09

Atualizado em 11/09/2026 às 19:10

Ciência e Tecnologia

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Após perderem centenas de animais para coiotes, fazendeiros do Texas recorreram a cães treinados desde filhotes para proteger rebanhos sem confrontos frequentes

Durante décadas, criadores de ovelhas e cabras do Texas recorreram a armadilhas, cercas, venenos e perseguições aéreas para enfrentar coiotes. A solução mais eficiente, porém, veio de uma habilidade exercida por cães há pelo menos 5 mil anos: proteger rebanhos.

A experiência foi relatada pelo jornalista Chris Pomorski em reportagem publicada na edição de março de 2026 da revista norte-americana Smithsonian Magazine.

Na região central do Texas, uma das propriedades beneficiadas pela estratégia foi a Hillingdon Ranch, situada no condado de Kendall, aproximadamente 80 quilômetros ao norte de San Antonio.

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A fazenda teve origem em 1885, quando o arquiteto inglês Alfred Giles e seu cunhado começaram a comprar terras. Com o tempo, reuniram mais de 13 mil acres destinados principalmente à criação de ovelhas, cabras e gado Aberdeen Angus.

Mais de 400 animais mortos em apenas um ano

Durante mais de 40 anos, os coiotes praticamente não foram vistos na região. Essa tranquilidade terminou em 1970, quando mais de 400 ovelhas e cabras de Robin Giles foram mortas pelos predadores.

As perdas chegaram a aproximadamente US$ 10 mil na época, valor equivalente a mais de US$ 82 mil atualmente. O prejuízo correspondia a cerca de 70% da renda potencial da propriedade naquele ano.

Giles procurou um agente do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos. Juntos, eles mataram 14 coiotes, mas isso não eliminou o problema.

Nas décadas seguintes, o fazendeiro adotou armadilhas metálicas, cercas reforçadas, operações com helicópteros e dispositivos M-44, que utilizavam cianeto de sódio. Os coiotes, entretanto, encontravam maneiras de ultrapassar as barreiras.

Eles cavavam passagens sob as cercas ou se espremiam lateralmente pelos espaços disponíveis. Essas aberturas ficaram conhecidas entre os criadores como “escorregadores de coiote”.

Por volta de 2016, Grant Giles, filho de Robin, perdia até 20% dos cordeiros e cabritos para predadores. Em outras propriedades do Planalto de Edwards, prejuízos de 50% e até 90% não eram desconhecidos.

Criador começou experiência com cães nos anos 1970

Diante da situação, Grant procurou Bob Buchholz, criador que desenvolvia cães especializados na proteção de rebanhos. Buchholz havia iniciado esse trabalho no final da década de 1970, quando comprou cinco cães da raça Grande Pireneus.

Sem encontrar instruções práticas em livros, ele e o irmão, David, passaram cerca de um ano observando os animais. À noite, dormiam nos pastos para acompanhar os latidos dos cães e os uivos dos coiotes.

Eles perceberam que os guardiões estabeleciam domínio sobre o pasto por meio de latidos, marcação de cheiro e confrontação. Assim, criavam uma zona de segurança móvel ao redor do rebanho, raramente precisando entrar em combate direto.

Dos cinco primeiros cães, apenas um macho e uma fêmea demonstraram aptidão completa. O casal originou aproximadamente 40 descendentes capazes de realizar o mesmo trabalho.

Desde os anos 1980, Buchholz também cria animais para venda. Após diferentes cruzamentos, desenvolveu cães predominantemente da raça akbash turca, com características de Grande Pireneus e pastor-da-anatólia.

Treinamento começa nas primeiras semanas de vida

Segundo Buchholz, a genética não é suficiente. O período decisivo ocorre entre a sexta e a 12ª semana de vida, quando o filhote precisa criar vínculos sociais com ovelhas ou cabras.

O criador mantém as cadelas e seus filhotes em currais de aproximadamente 12 por 12 metros. Os cães crescem próximos de um animal adulto do rebanho, geralmente acostumado a participar do treinamento.

Quando os filhotes alcançam entre seis e oito semanas, a mãe é retirada. A ausência estimula os cães jovens a reforçarem o vínculo com a ovelha ou cabra mantida no espaço.

O contato com seres humanos é controlado. Em excesso, pode estimular os cães a abandonarem o rebanho; quando é insuficiente, dificulta vacinação, transporte e cuidados veterinários.

Aos dez meses, os animais podem continuar a preparação no pasto, preferencialmente ao lado de cães experientes. Entre seis e 14 meses, normalmente já é possível identificar aqueles que não possuem comportamento adequado.

Hillingdon Ranch passou a utilizar 14 cães

Grant e Misty Giles procuraram Buchholz em 2017, mas havia uma longa fila para adquirir os filhotes. As primeiras tentativas com cães de outros criadores trouxeram problemas, incluindo fugas e ataques às galinhas de uma propriedade vizinha.

Os primeiros cães treinados por Buchholz chegaram à Hillingdon Ranch em 2021. Em 2026, a família mantinha 14 desses guardiões, além de outro animal adotado de um criador que havia deixado a atividade.

Robin Giles, então com 83 anos, afirmou que a presença dos cães reduziu drasticamente os ataques. Embora a manutenção seja cara — a propriedade utiliza cerca de 68 quilos de ração por semana —, a família considera o resultado decisivo.

A técnica também ganhou espaço em outras propriedades. Em 2019, quase 30% dos criadores de ovelhas dos Estados Unidos já utilizavam cães guardiões. Desde 2017, a Universidade Texas A&M mantém um programa dedicado ao estudo e treinamento desses animais.

Os cães não eliminam completamente a necessidade de outras medidas, especialmente diante de coiotes mais experientes ou grandes javalis. Ainda assim, passaram a funcionar como a principal linha de defesa dos rebanhos, reduzindo mortes sem depender prioritariamente do abate de predadores.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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