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Filho de família com 11 irmãos, Francisco trabalhava limpando o tribunal pela manhã, estudava nos corredores à tarde e, aos 50 anos, conquistou diploma em Direito
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 13/09/2026 às 17:57
Atualizado em 13/09/2026 às 17:58
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Francisco começou como faxineiro no TJGO, trabalhou como gari, vendeu rifas para custear os estudos e conquistou o diploma de Direito aos 50 anos.
Aos 50 anos, Francisco Arnaldo Patrício concluiu a graduação em Direito no mesmo ambiente profissional em que, quase duas décadas antes, havia começado limpando pisos. Hoje assistente judiciário, ele voltou a trabalhar no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) depois de uma trajetória que incluiu emprego como gari, duas interrupções na faculdade e dificuldades para bancar os estudos.
O diploma, porém, não encerrou seus planos. Francisco pretende fazer o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e continuar disputando concursos que possam levá-lo a outros cargos dentro do sistema de Justiça. A graduação passou a ser, assim, uma etapa intermediária de uma mudança profissional construída ao longo de anos.
Faculdade começou quando Francisco ainda trabalhava na limpeza
O curso de Direito entrou na rotina de Francisco em 2008, dois anos depois de ele começar a trabalhar no TJGO. Naquele período, recebia um salário mínimo e precisava conciliar as despesas pessoais com os custos da formação universitária.
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Sua jornada no tribunal começava às 7h. Quando o serviço de limpeza terminava, por volta das 11h, o próprio prédio onde trabalhava ganhava outra função: os corredores serviam como espaço para abrir os livros e aproveitar o intervalo disponível para estudar.
O esforço não ficou restrito às horas livres. Para chegar à faculdade, Francisco utilizava bicicleta e mantinha os deslocamentos mesmo quando enfrentava chuva durante o caminho.
Rifas e ajuda de colegas entraram no orçamento dos estudos
Permanecer matriculado exigiu soluções além da organização do tempo. Em determinados momentos, Francisco passou a vender rifas para conseguir dinheiro destinado às despesas do curso.
Colegas de trabalho também participaram dessa etapa, oferecendo apoio enquanto ele tentava manter a graduação. Ainda assim, a formação não seguiu sem interrupções: o estudante precisou trancar a faculdade duas vezes antes de alcançar o bacharelado.
Esses obstáculos prolongaram o caminho até o diploma, mas não provocaram o abandono definitivo do projeto iniciado anos antes.
Quando a graduação finalmente chegou ao fim, parte das pessoas que havia acompanhado essa trajetória dentro do ambiente profissional estava presente para celebrar a conquista.
Antes do Direito, trajetória passou pelo trabalho de gari
Uma mudança importante ocorreu em 2011. Naquele ano, Francisco foi aprovado em concurso da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) para trabalhar como gari.
A aprovação abriu uma nova fase profissional, mas não rompeu sua ligação com o Tribunal de Justiça. Em 2014, ele foi cedido novamente ao TJGO e passou a atuar como assistente judiciário.
Dessa forma, o local onde havia realizado serviços de faxina em 2006 voltou a fazer parte de sua rotina sob outra condição profissional.
O percurso entre as duas funções também passou pelo avanço nos estudos, que continuaram mesmo depois das dificuldades financeiras e das interrupções enfrentadas durante a graduação.
Origem no interior do Ceará marcou início de uma trajetória com pouco acesso aos estudos
Muito antes de chegar ao Judiciário goiano, Francisco viveu no interior do Ceará e cresceu em uma família humilde formada por 11 irmãos.
O acesso à educação era limitado naquele período, cenário bastante distante daquele que ele encontraria décadas depois ao ingressar em uma faculdade de Direito.
A mudança de estado, os diferentes empregos e a retomada dos estudos acabaram compondo um percurso profissional construído em várias etapas, sem que a formação universitária tivesse ocorrido logo no início da vida adulta.
Foi aos 50 anos que ele conseguiu completar o objetivo acadêmico e receber o título de bacharel.
Passado na limpeza continua presente nos planos profissionais
Francisco não procura esconder o trabalho que exerceu quando chegou ao TJGO. Pelo contrário, ele vê a passagem pela limpeza como parte da trajetória que o levou até a função atual e à conclusão da faculdade.
Depois de receber o diploma, sua atenção passou para a preparação destinada ao exame da OAB. Paralelamente, pretende continuar participando de concursos públicos em busca de crescimento profissional no Judiciário.
A possibilidade de avançar para novos cargos representa a continuidade de um percurso iniciado com atividades muito diferentes das funções jurídicas que agora pretende alcançar.
Ao falar sobre sua experiência, ele também associa a própria caminhada à perseverança e à manutenção de objetivos mesmo diante de períodos difíceis.
Francisco transforma diploma em ponto de partida para nova etapa
A graduação mudou o horizonte profissional de um trabalhador que, em 2006, entrou no Tribunal de Justiça de Goiás responsável pela limpeza do prédio. Depois vieram o curso iniciado dois anos mais tarde, o concurso para gari, o retorno ao TJGO e a retomada dos estudos até a conclusão.
Agora, Francisco permanece no mesmo tribunal, mas com outras metas à frente. A carteira da OAB e novos concursos ocupam o espaço antes reservado à preocupação de conseguir pagar mensalidades e encontrar tempo para estudar entre o trabalho e os deslocamentos.
Ao incentivar outras pessoas a não abandonarem seus objetivos, ele resume a experiência pela persistência: depois de décadas entre diferentes trabalhos e tentativas de concluir a faculdade, chegou aos 50 anos com o diploma de Direito e com a intenção de continuar avançando profissionalmente.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

