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Filho de mecânico e operadora de caixa, jovem de 18 anos saía de casa às 5h, estudava até perto das 22h e descobriu às 2h30 da madrugada que havia conquistado uma vaga em Medicina na UFC

Filho de mecânico e operadora de caixa, jovem de 18 anos saía de casa às 5h, estudava até perto das 22h e descobriu às 2h30 da madrugada que havia conquistado uma vaga em Medicina na UFC

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Filho de mecânico e operadora de caixa, jovem de 18 anos saía de casa às 5h, estudava até perto das 22h e descobriu às 2h30 da madrugada que havia conquistado uma vaga em Medicina na UFC

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 08/09/2026 às 08:00

Atualizado em 08/09/2026 às 08:01

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Filho de mecânico e operadora de caixa, jovem que estudou em escola pública conquista uma vaga na UFC após uma rotina intensa de preparação. Fonte: G1 Ceará

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Filho de mecânico e operadora de caixa, jovem que estudou em escola pública conquista uma vaga na UFC após uma rotina intensa de preparação.

Sair de casa entre 5h e 6h da manhã, passar pelo colégio, seguir para o cursinho e terminar a rotina perto das 22h virou parte do último ano escolar de Miguel Arcanjo Alves Freitas, de 18 anos. Morador de Jacarecanga, na periferia de Fortaleza, ele transformou essa preparação em uma vaga no curso de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) pelo Sisu.

O resultado representou uma mudança importante para um jovem que admite não ter sido, durante boa parte da vida escolar, alguém dedicado intensamente aos estudos. A virada ocorreu principalmente no terceiro ano do ensino médio, quando decidiu aumentar o ritmo e passou a tratar a preparação para o vestibular como atividade de praticamente o dia inteiro.

Escola pública e cursinho formaram a base da preparação

Miguel estudou quase toda a trajetória escolar na rede pública e concluiu o ensino médio em 2025 na Escola de Ensino Médio Dr. César Cals, localizada no Centro de Fortaleza.

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As aulas regulares ocupavam a manhã. Depois, ele permanecia ligado aos estudos por meio de um cursinho pré-vestibular oferecido pela própria escola, estendendo a preparação para além do turno convencional.

Mesmo quando retornava para casa tarde, a frequência do dia seguinte era mantida. Miguel conta que tinha receio de faltar e acabar deixando algum conteúdo importante para trás, fator que o fazia comparecer às aulas de maneira constante.

Essa disciplina ganhou força justamente na etapa em que a escolha profissional começou a ficar mais clara.

Interesse pela medicina cresceu ao acompanhar a irmã

A decisão de seguir a área da saúde não esteve definida desde o início do ensino médio. Miguel chegou a considerar ciências da computação antes de direcionar a preparação para outra carreira.

A mudança começou especialmente durante o segundo ano, quando passou a observar mais de perto a experiência da irmã, que também havia estudado em escola estadual e conseguiu ingressar em medicina na UFC.

Ver a rotina universitária dela, conhecer relatos sobre o curso e acompanhar sua convivência com colegas despertou um interesse que antes não estava consolidado. Aos poucos, Miguel passou a imaginar a própria trajetória dentro da mesma área.

A responsabilidade da profissão também pesou nessa escolha. Para ele, trabalhar diretamente com a vida de outras pessoas torna a medicina uma atividade de grande importância e aumentou o desejo de seguir o curso.

Filho de mecânico e operadora de caixa, jovem que estudou em escola pública conquista uma vaga na UFC após uma rotina intensa de preparação. Fonte: G1 Ceará

Pais concluíram o ensino médio e acompanharam esforço do filho

A preparação aconteceu dentro de uma família em que os pais chegaram até o ensino médio e seguiram caminhos profissionais fora da universidade.

O pai de Miguel trabalha como mecânico de compressor pneumático. A mãe é operadora de caixa em uma loja de calçados. Em casa, a expectativa pela seleção passou a envolver todos conforme a divulgação do Sisu se aproximava.

A própria trajetória da irmã funcionava como uma referência concreta. Ela já havia mostrado que era possível sair da escola pública estadual e chegar ao curso desejado na universidade federal.

Para Miguel, porém, a conquista dependeria de uma mudança no próprio comportamento diante dos estudos, algo que ele decidiu fazer no último período da educação básica.

Resultado saiu por volta das 2h30 enquanto Miguel ainda estava acordado

Depois de meses acompanhados por aulas e cursinho, a confirmação da vaga chegou em um horário pouco comum.

Na madrugada da divulgação, 29 de janeiro de 2026, Miguel não conseguia dormir por causa da ansiedade. Por volta das 2h30, acessou o resultado e encontrou a aprovação para cursar medicina na UFC.

A primeira pessoa procurada foi justamente a irmã, a única que ainda estava acordada naquele momento. A reação inicial misturou choque, incredulidade e emoção até que o jovem compreendesse que havia conseguido a vaga.

Só depois a notícia chegou aos demais integrantes da família, que comemoraram a conquista dentro de casa.

Novo momento começa na mesma universidade frequentada pela irmã

Com a etapa do Sisu encerrada, a rotina que antes era organizada em torno de escola e pré-vestibular dará lugar à universidade.

Miguel diz estar ansioso para conhecer melhor a UFC e começar as atividades do curso. A dimensão do campus e a possibilidade de iniciar uma experiência acadêmica completamente nova aparecem entre os aspectos que despertam sua expectativa.

O jovem também tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), característica que faz parte de sua trajetória pessoal e que não impediu a construção de uma rotina intensa de preparação durante o último ano escolar.

Agora, ele chegará ao mesmo curso frequentado pela irmã que ajudou a despertar seu interesse pela área.

Miguel transforma mudança de rotina em vaga na UFC

A aprovação não surgiu de uma relação antiga com jornadas extensas de estudo. O próprio Miguel reconhece que a disciplina foi construída quando percebeu que precisava aumentar o esforço para disputar a vaga desejada.

Foi nesse período que manhãs no colégio passaram a ser seguidas pelo cursinho, e o retorno para casa ficou concentrado no fim do dia. Ao mesmo tempo, uma dúvida entre caminhos profissionais diferentes se transformou em uma escolha definida pela área médica.

A madrugada em que o resultado apareceu encerrou esse ciclo. Aos 18 anos, depois de concluir o ensino médio em escola pública, Miguel passou de candidato ansioso diante do Sisu a novo estudante de medicina da UFC, seguindo uma trajetória universitária que ele começou a imaginar ao observar de perto a própria irmã.

Fonte

G1 Ceará


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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