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Fim dos pedreiros humanos: a máquina inteligente que faz com 1 operador o trabalho de 3 pedreiros, usa até 50% menos argamassa e promete acelerar a construção de 900 mil moradias
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/09/2026 às 10:35
Atualizado em 10/09/2026 às 10:36
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Desenvolvido pela holandesa ROPAX e levado a uma obra residencial pela Ballast Nedam, o PAX automatiza assentamento, corte e aplicação de argamassa, mas mantém um profissional no comando para acompanhar o equipamento e intervir nas situações que ficam fora do ciclo automático.
Um robô desenvolvido nos Países Baixos concentra em uma máquina parte do trabalho repetitivo da alvenaria. Com um operador treinado, o PAX alcança uma produção equivalente à de três pedreiros na etapa automatizada, conforme dados divulgados pela Ballast Nedam.
Criado pela holandesa ROPAX, o equipamento reúne braço robótico, sensores, reservatório e bomba de argamassa, serra integrada e controles digitais. O sistema prepara e posiciona os tijolos diretamente no canteiro a partir das características definidas para a fachada.
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A comparação com três pedreiros não significa que o trabalhador desaparece da obra. O profissional continua necessário para operar a máquina, acompanhar a execução e atuar em tarefas que exigem preparação, controle ou intervenção fora do processo automatizado.
O PAX também precisa compensar diferenças entre o projeto digital e aquilo que encontra na construção. Sensores identificam variações de medidas e superfícies antes do assentamento, permitindo que o sistema ajuste a execução em vez de reproduzir de forma rígida as dimensões previstas.
Quando uma peça precisa ser adaptada, uma serra circular integrada realiza o corte nas dimensões necessárias. Assim, a preparação do tijolo pode permanecer dentro do próprio fluxo de trabalho da máquina, sem depender de uma etapa externa para cada ajuste.
Menos argamassa e desperdício de tijolos
A aplicação de argamassa é uma das etapas em que a automação altera diretamente o consumo de material. A Ballast Nedam informa uma redução de 30% a 50%, associada à dosagem controlada e à deposição do produto somente onde ele será utilizado.
Em uma medição divulgada pela construtora, o sistema consumiu 455 gramas de argamassa por tijolo, enquanto o assentamento convencional foi associado a aproximadamente 1.000 gramas por peça. A diferença mostra o efeito que a dosagem automatizada pode produzir em uma operação repetida milhares de vezes.
O controle também alcança os próprios tijolos. A empresa atribui ao uso do robô uma redução de até 70% no desperdício de peças, resultado relacionado ao planejamento da fachada e à precisão dos cortes realizados pelo equipamento.
Outra característica do sistema é a manutenção dos tijolos convencionais nas fachadas. O PAX foi desenvolvido para trabalhar com peças reais, em vez de substituir a alvenaria por placas ou elementos finos destinados apenas a reproduzir visualmente o acabamento tradicional.
Sensoriamento, corte e aplicação de argamassa são incorporados à etapa automatizada sem exigir que a construtora abandone o material usado no projeto. O resultado continua sendo uma fachada formada pelo assentamento de tijolos, embora parte do serviço passe a ser executada pela máquina.
Robô foi colocado em uma obra residencial
A Ballast Nedam utilizou o PAX no projeto residencial de baixo consumo energético Tuinbuurt Vrijlandt, em Roterdã. Em 2024, a construtora informou ter sido a primeira dos Países Baixos a empregar dessa forma um robô de alvenaria em uma obra residencial.
O uso no canteiro colocou o equipamento diante de condições que não aparecem da mesma maneira em um ambiente controlado. Diferenças dimensionais, abastecimento de materiais, movimentação na obra e interação com trabalhadores passaram a fazer parte da rotina operacional.
Nesse modelo, a função do operador deixa de se concentrar no assentamento manual contínuo. Ele acompanha a produção da máquina e participa das situações em que o serviço depende de conhecimento profissional ou de atividades que não foram incorporadas ao ciclo automático.
A construtora também relaciona o equipamento à redução da carga física sobre os trabalhadores. Ao assumir movimentos repetitivos de posicionamento, corte e aplicação de argamassa, o robô diminui a participação humana em tarefas de produção seriada realizadas durante várias horas.
O ganho de produtividade divulgado, portanto, está limitado à parte do serviço que pode ser automatizada. Preparação, acompanhamento da máquina e intervenções específicas continuam dependendo de trabalhadores no canteiro.
Meta de 900 mil moradias pressiona setor por produtividade
A adoção da tecnologia ocorre em um mercado que precisa ampliar a construção residencial sem depender apenas do crescimento das equipes. O governo dos Países Baixos mantém como referência a construção de 900 mil novas moradias até o fim de 2030.
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É nesse contexto que a Ballast Nedam relaciona o PAX à necessidade de elevar a velocidade de execução e enfrentar a escassez de profissionais qualificados. O equipamento, porém, automatiza uma etapa específica da construção e não corresponde sozinho à capacidade de entregar uma residência completa.
O efeito esperado aparece na repetição de milhares de ciclos semelhantes em paredes e fachadas. Ao concentrar parte do assentamento, do corte e da aplicação de argamassa em uma máquina operada por um profissional, a construtora pode deslocar trabalhadores para serviços que continuam dependentes de habilidade manual.
A aplicação prática do PAX permanece condicionada justamente a essa divisão: o robô executa a produção seriada para a qual foi programado, enquanto operador e equipe continuam responsáveis por integrar o equipamento às particularidades de cada obra.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

