3 min de leitura
Físicos podem ter acabado de encontrar o sinal mais promissor da matéria escura até agora – mas era apenas uma partícula
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 04/09/2026 às 10:21
Atualizado em 04/09/2026 às 10:25
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O detector LUX-ZEPLIN registrou uma colisão de alta energia que pode ser o indício mais promissor de matéria escura já encontrado, embora pesquisadores destaquem que a descoberta exige cautela e novas confirmações.
Localizado a quase 1,6 quilômetro de profundidade em uma antiga mina de ouro na Dakota do Sul, o experimento capturou uma colisão atípica em 16 de junho de 2023. O núcleo de xenônio recuou com energia de 248 quiloeletronvolts.
O valor registrado ficou muito acima da faixa prevista para os modelos mais simples de partículas massivas de interação fraca, conhecidas como WIMPs. A equipe analisou o evento por anos tentando descartar causas convencionais, mas nenhuma explicação se confirmou.
Apesar do entusiasmo, o evento possui um nível de significância estatística de 2,6 sigma. Isso representa uma probabilidade de uma em 200 de o fenômeno ser apenas uma flutuação aleatória do ruído de fundo da instalação.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Biocombustíveis Renováveis
Etanol cai 2,06% em agosto e acumula recuo de 7,45% desde maio nos postos, enquanto gasolina e diesel S10 também ficam mais baratos
O preço do etanol caiu 2,06% em agosto e acumulou recuo de 7,45% desde maio, segundo transações da ValeCard em mais de 25 mil postos, enquanto gasolina e diesel S10…
Paulo Nogueira
0
Estrutura do experimento LUX-ZEPLIN e a busca por sinais
A matéria escura não absorve, reflete ou emite luz, sendo inferida apenas por seus efeitos gravitacionais sobre a matéria visível. Estimativas indicam que ela compõe cerca de 85% de toda a matéria do universo.
Para tentar interceptar essas partículas invisíveis, o detector opera com sete toneladas de xenônio líquido sob denso isolamento metálico. Quando ocorre um impacto contra os átomos de xenônio, o instrumento registra pequenos flashes luminosos.
Análises anteriores buscavam colisões mais suaves, mas não obtiveram sucesso. Diante do impasse, os cientistas expandiram o alcance das buscas para impactos de maior energia, identificando o sinal isolado em um período de 220 dias de dados.
Hipóteses complexas e limites da descoberta
Na física de partículas, uma descoberta oficial exige um grau de certeza de 5 sigma, equivalente a uma chance em 3,5 milhões de erro. Por isso, um único evento é insuficiente para confirmar a existência da partícula.
Se o registro realmente for causado pela matéria escura, ele indica que essas partículas interagem com a matéria comum de forma mais complexa do que as teorias tradicionais previam. Modelos teóricos com interações variáveis em altas energias já existem.
Resultados anteriores em outros laboratórios, como o DAMA/LIBRA na Itália, geraram debates semelhantes no passado sem confirmações definitivas. Experimentos concorrentes tentaram replicar os dados sem obter os mesmos padrões, reforçando a necessidade de análise rigorosa.
Próximos passos e verificação por outros laboratórios
O sinal publicado representou apenas um terço dos dados totais acumulados pelo LUX-ZEPLIN. A equipe optou por divulgar os achados preliminares para incentivar a comunidade científica a examinar o evento detalhadamente.
Outros centros de pesquisa internacionais, como o XENONnT na Itália e o PandaX na China, também possuem capacidade para buscar eventos de alta energia de forma independente.
Caso o evento tenha sido provocado por matéria escura, novos registros semelhantes devem aparecer em futuras leituras. Caso contrário, a detecção será classificada como mais uma oscilação estatística intrigante na história da física experimental.
Fonte: Zeme Scincience
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

