5 min de leitura
Fóssil de 295 milhões de anos encontrado em uma mina na China contém estruturas com possíveis sementes protegidas e pode empurrar a origem das plantas com flores cerca de 150 milhões de anos para trás, colocando esse tipo de reprodução muito antes do aparecimento dos dinossauros
Escrito por Carla Teles
Publicado em 13/09/2026 às 22:33
Atualizado em 13/09/2026 às 22:37
Ciência e Tecnologia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Encontrado na mina Antaibao, em Shuozhou, na província chinesa de Shanxi, um fóssil de 295 milhões de anos apresenta estruturas com possíveis sementes encerradas; se a interpretação dos pesquisadores estiver correta, o achado pode antecipar em cerca de 150 milhões de anos a origem das plantas com flores na Terra.
Um fóssil encontrado na mina Antaibao, na cidade de Shuozhou, província de Shanxi, na China, reacendeu em 2026 uma discussão que acompanha a paleobotânica há décadas: quando surgiram as primeiras plantas com flores. Batizado de Permocarpelloides shuozhouensis, o espécime pertence a uma formação geológica com aproximadamente 295 milhões de anos.
Segundo reportagem do Xataka, assinada por Eva R. de Luis e publicada em 13 de setembro de 2026, pesquisadores ligados ao Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, da Academia Chinesa de Ciências, identificaram no fóssil estruturas que podem conter óvulos ou sementes encerrados. Se essa interpretação for confirmada, a história das angiospermas poderá recuar cerca de 150 milhões de anos.
Fóssil surgiu em uma mina na província de Shanxi
O espécime foi recuperado na mina Antaibao, em Shuozhou, no norte da China. A equipe descreveu o material como pertencente a um novo gênero e uma nova espécie, dando a ele o nome científico Permocarpelloides shuozhouensis.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Produtores de pimenta do Espírito Santo ganham fábrica de R$ 45 milhões capaz de esterilizar 2.520 quilos de especiarias por hora e atender exportadores da América Latina
Produtores de pimenta do Espírito Santo ganham uma fábrica de R$ 45 milhões capaz de esterilizar 2.520 quilos de especiarias por hora e atender exportadores da América Latina.
A Technobras inaugurou…
Paulo Nogueira
0
A idade não foi estimada apenas pela aparência do fóssil. A formação geológica onde ele apareceu foi datada por método de urânio-chumbo de alta precisão, situando o material entre aproximadamente 295 e 298,9 milhões de anos, no início do período Permiano.
Possíveis sementes aparecem dentro de estruturas protegidas
O fóssil apresenta três pequenas estruturas dispostas paralelamente. Cada uma mede aproximadamente 4,2 a 4,8 milímetros e contém pequenos grânulos preservados em seu interior.
Para os pesquisadores, esses grânulos podem representar óvulos ou sementes em diferentes estágios de desenvolvimento. O detalhe mais importante é que eles aparecem encerrados por uma estrutura externa, em vez de permanecerem expostos.
Proteção das sementes é uma das pistas para plantas com flores
Essa característica interessa especialmente aos pesquisadores porque as plantas com flores, ou angiospermas, possuem óvulos encerrados dentro de estruturas reprodutivas. É uma diferença fundamental em relação às gimnospermas, grupo no qual as sementes ficam expostas.
Assim, não é simplesmente a presença de algo parecido com uma semente que chama atenção. O ponto central está na maneira como esse material parece protegido dentro da estrutura fossilizada, característica que aproxima o espécime da organização encontrada nas angiospermas.
Três estruturas lembram organização encontrada em flores atuais
A disposição dos três possíveis carpelos também chamou atenção da equipe. Eles aparecem organizados de uma maneira que, segundo a interpretação apresentada, lembra padrões estruturais encontrados em grupos atuais de plantas com flores.
O Xataka destaca a comparação com representantes das Magnoliales, ordem que inclui plantas com características florais consideradas importantes para estudos evolutivos. A semelhança não significa, contudo, que a planta fóssil fosse uma magnólia moderna.
Descoberta levaria flores para muito antes dos dinossauros
Grande parte das reconstruções tradicionais posiciona a expansão inicial das angiospermas no período Cretáceo, aproximadamente entre 130 e 145 milhões de anos atrás, embora existam hipóteses que defendam origens anteriores.
Um organismo com características de plantas com flores há cerca de 295 milhões de anos mudaria radicalmente essa cronologia. A diferença seria de aproximadamente 150 milhões de anos e colocaria esse sistema reprodutivo no Permiano, muito antes do cenário normalmente associado à ascensão das flores.
Fóssil não prova sozinho que angiospermas já existiam
Apesar do potencial da descoberta, a interpretação exige cautela. Fósseis vegetais tão antigos frequentemente chegam incompletos, comprimidos ou sem estruturas suficientes para uma classificação definitiva.
Por isso, os pesquisadores não encerram o debate sobre a origem das plantas com flores apenas com esse espécime. A hipótese depende de confirmar que as estruturas observadas correspondem realmente aos componentes reprodutivos interpretados pela equipe.
Cientistas admitem que planta pode pertencer a outro grupo
Existe uma explicação alternativa. O próprio grupo reconhece que Permocarpelloides shuozhouensis pode acabar sendo classificado como uma gimnosperma extinta com morfologia incomum, e não necessariamente como uma angiosperma primitiva.
Essa possibilidade é importante porque impede transformar o achado em uma prova definitiva de flores no Permiano. O fóssil apresenta características provocadoras, mas sua posição exata na árvore evolutiva das plantas continua aberta à discussão.
Mesmo outra classificação manteria importância do achado
Caso o organismo não seja reconhecido como uma verdadeira angiosperma, a descoberta não perderia todo o seu significado. A presença de estruturas aparentemente capazes de envolver óvulos ou sementes continuaria sendo relevante para compreender a evolução da reprodução vegetal.
Nesse cenário, o fóssil mostraria que o mecanismo de encerrar e proteger estruturas reprodutivas já estava sendo experimentado pelas plantas muito antes do Cretáceo, ainda que tenha surgido independentemente da linhagem das angiospermas modernas.
Equipe já apresentou outros fósseis que desafiam cronologia tradicional
Esse não é o primeiro material antigo apresentado pelo mesmo grupo como possível evidência de uma origem mais remota das plantas com flores. Outros fósseis, como Taiyuanostachya, Yuzhoua e Dengfengfructus, já haviam sido propostos como candidatos de idade semelhante.
A diferença apontada para Permocarpelloides é a organização das três estruturas reprodutivas. Para os pesquisadores, esse arranjo torna o novo espécime um candidato especialmente interessante, embora não elimine as dúvidas taxonômicas.
Origem das plantas com flores continua sendo um quebra-cabeça
Hoje, as angiospermas dominam grande parte dos ecossistemas terrestres e incluem enorme diversidade de árvores, ervas, culturas agrícolas e outras espécies. Mesmo assim, estabelecer exatamente quando essa linhagem surgiu continua sendo uma questão difícil.
O registro fóssil não preserva todas as etapas evolutivas, e encontrar estruturas reprodutivas completas em materiais extremamente antigos é raro. Por isso, cada novo espécime capaz de preservar sementes, óvulos ou carpelos pode alterar a interpretação do passado vegetal.
Fóssil de 295 milhões de anos pode mudar uma cronologia de milhões de anos
O Permocarpelloides shuozhouensis não permite afirmar definitivamente que plantas com flores cobriam a Terra no Permiano. O que ele faz é apresentar uma combinação de idade e estruturas reprodutivas capaz de colocar uma hipótese muito mais antiga novamente no centro do debate.
Se futuras análises confirmarem a interpretação da equipe chinesa, a origem desse tipo de reprodução poderá recuar aproximadamente 150 milhões de anos e alcançar uma época anterior aos dinossauros. Você imaginava que estruturas semelhantes às das plantas com flores poderiam existir há quase 300 milhões de anos? Conte nos comentários o que mais surpreendeu você nessa descoberta.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

