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Fretar um petroleiro entre o Golfo Pérsico e a China supera US$ 1 milhão por dia pela primeira vez, poucos navios aceitam cruzar o Estreito de Ormuz e até a rota que evita a passagem já custa US$ 644 mil diários, enquanto frete recorde aumenta pressão sobre diesel e gasolina

Fretar um petroleiro entre o Golfo Pérsico e a China supera US$ 1 milhão por dia pela primeira vez, poucos navios aceitam cruzar o Estreito de Ormuz e até a rota que evita a passagem já custa US$ 644 mil diários, enquanto frete recorde aumenta pressão sobre diesel e gasolina

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Fretar um petroleiro entre o Golfo Pérsico e a China supera US$ 1 milhão por dia pela primeira vez, poucos navios aceitam cruzar o Estreito de Ormuz e até a rota que evita a passagem já custa US$ 644 mil diários, enquanto frete recorde aumenta pressão sobre diesel e gasolina

Escrito por Carla Teles

Publicado em 16/09/2026 às 16:27

Atualizado em 16/09/2026 às 17:02

Economia

Canal

Estreito de Ormuz encarece petroleiro do Golfo Pérsico à China e pressiona diesel com fretes acima de US$ 1 milhão por dia. Imagem: Jacques Girard/Wikipedia.

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A escassez de petroleiros dispostos a atravessar o Estreito de Ormuz elevou o frete do Golfo Pérsico à China para US$ 1,035 milhão por dia. Mesmo embarques saindo do Golfo de Omã, sem cruzar a passagem, chegam a US$ 644 mil diários, aumentando custos logísticos e pressionando combustíveis no mercado.

O custo para fretar um grande petroleiro na rota entre o Golfo Pérsico e a China ultrapassou US$ 1 milhão por dia pela primeira vez, em setembro de 2026, enquanto a redução de navios dispostos a atravessar o Estreito de Ormuz diminui a disponibilidade de embarcações e encarece o transporte internacional de petróleo.

Segundo o Xataka, em publicação de 16 de setembro de 2026, dados da Baltic Exchange divulgados pela Bloomberg apontaram uma diária equivalente a US$ 1,035 milhão para embarcações transportando petróleo do interior do Golfo Pérsico para a China. A alternativa partindo do Golfo de Omã, que evita cruzar o estreito, também alcançou aproximadamente US$ 644 mil por dia.

Frete supera US$ 1 milhão por dia pela primeira vez

Imagem: Jacques Girard/Wikipedia.

O salto levou uma das principais referências do mercado de petroleiros a um patamar inédito. Uma embarcação que transporta petróleo bruto do Golfo Pérsico à China passou a gerar custo diário de US$ 1,035 milhão, segundo os dados usados no levantamento.

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O valor não significa que todo petroleiro do mundo esteja sendo contratado por essa quantia. Trata-se de uma rota de referência do setor que ficou especialmente cara diante das restrições logísticas e do risco envolvendo o Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais importantes para o comércio global de energia.

Poucos navios aceitam atravessar o Estreito de Ormuz

O encarecimento ocorre porque a disponibilidade de embarcações dispostas a operar dentro do Golfo diminuiu. Com o aumento do risco na região, operadores passaram a evitar travessias completas pelo estreito, o que reduz a oferta efetiva de navios para determinados carregamentos.

Dados de rastreamento divulgados pela Reuters reforçam a dimensão da queda no movimento. Apenas quatro embarcações foram registradas atravessando o Estreito de Ormuz na terça-feira, 15 de setembro, ante média de 18 nos dez dias anteriores. A própria Reuters ressalvou que navios navegando com os transponders desligados podem não aparecer na contagem.

Petróleo passou a fazer trechos curtos antes de chegar aos grandes petroleiros

A rota tradicional entre o interior do Golfo e a Ásia também perdeu parte de sua função habitual. Em vez de enviar grandes petroleiros por todo o percurso, exportadores passaram a utilizar embarcações para transportar cargas em trechos mais curtos através do Estreito de Ormuz.

Depois da travessia, o petróleo pode ser transferido ou recolhido por navios que aguardam do lado de fora da passagem mais arriscada. Essa reorganização protege parte das embarcações de uma exposição maior, mas ocupa navios por mais tempo e reduz a quantidade disponível para novos fretes.

O efeito aparece diretamente na capacidade do mercado. Quanto mais tempo cada petroleiro permanece comprometido com uma operação, menor é a quantidade de embarcações disponíveis para atender outras cargas, criando pressão adicional sobre as tarifas.

Evitar completamente Ormuz ainda custa US$ 644 mil por dia

Nem mesmo escolher uma origem fora da passagem eliminou o aumento dos preços. Segundo os dados divulgados, transportar petróleo do Golfo de Omã até a China, sem precisar atravessar o Estreito de Ormuz, passou a custar cerca de US$ 644 mil por dia.

A diferença em relação à rota de US$ 1,035 milhão é expressiva, mas o valor continua extraordinariamente elevado para o setor. O aumento mostra que a pressão não está restrita apenas aos navios que entram diretamente no Golfo Pérsico: a escassez de capacidade está atingindo também rotas criadas para contornar o risco.

A Reuters já havia registrado tarifas recordes na ligação entre o Golfo de Omã e a China dias antes, em meio à redução da disponibilidade de grandes petroleiros e ao aumento dos riscos de navegação na região.

Rotas mais longas retiram navios disponíveis do mercado

O problema não depende de um único corredor marítimo. Alterações em outras rotas também obrigam determinados petroleiros a permanecer mais tempo no mar, reduzindo a capacidade disponível para carregar novas remessas.

Algumas embarcações passaram a realizar desvios que acrescentam aproximadamente 30 dias de navegação ao redor da África. Quando um navio precisa permanecer semanas extras realizando uma única viagem, ele deixa de estar disponível para outro contrato durante todo esse período.

O resultado é uma combinação de maior risco, trajetos mais demorados e oferta menor de petroleiros, exatamente em um momento em que refinarias continuam disputando petróleo para manter a produção de derivados.

Frete mais caro aumenta pressão sobre diesel e gasolina

A diária de um petroleiro é apenas uma parte do custo de levar petróleo da origem até uma refinaria, mas quando essa despesa sobe de maneira tão acentuada, ela passa a pesar na cadeia de abastecimento.

O petróleo precisa ser comprado, transportado, refinado e novamente distribuído antes de chegar ao consumidor na forma de diesel, gasolina e outros derivados. Por isso, fretes recordes representam mais um componente de custo para refinadores e distribuidores.

A Reuters informou nesta quarta-feira que o mercado de diesel já enfrenta forte pressão internacional em meio às restrições de oferta e aos problemas logísticos. Isso não significa que um aumento específico no frete seja repassado integralmente e de forma imediata aos postos, mas amplia a pressão sobre uma cadeia que já opera sob custos elevados.

Estreito de Ormuz segue como ponto decisivo para o mercado de energia

A importância do Estreito de Ormuz ajuda a explicar por que mudanças relativamente pequenas no fluxo de navios conseguem gerar efeitos tão amplos. Antes das atuais interrupções, a passagem concentrava uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo e gás, conectando produtores do Golfo aos mercados asiáticos e internacionais.

Com menos embarcações realizando a travessia, exportadores estão testando novas combinações de rotas e transferências. A Arábia Saudita, por exemplo, passou a ampliar operações de carregamento próximas a Omã para atender compradores asiáticos sem depender da mesma logística tradicional dentro do Golfo.

Enquanto a disponibilidade de navios permanecer reduzida e as viagens exigirem trajetos mais complexos, o custo do transporte tende a continuar sendo um dos pontos de pressão do mercado internacional de petróleo, mesmo quando o preço do barril oscila de maneira independente.

O salto para mais de US$ 1 milhão por dia mostra como uma passagem marítima relativamente estreita pode influenciar uma cadeia energética que alcança refinarias, transportadoras, indústrias e consumidores em diferentes continentes.

E você, acredita que o aumento recorde do frete de petroleiros pelo Estreito de Ormuz vai chegar rapidamente ao preço do diesel e da gasolina, ou outros fatores terão peso maior nos próximos meses? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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