4 min de leitura
Funcionária compra um bilhete de loteria separado do bolão, ganha 41,4 milhões e é processada pelos colegas de trabalho que exigiram uma parte do prêmio
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 01/09/2026 às 08:01
Atualizado em 01/09/2026 às 08:43
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Registros de venda permitiram separar as 190 apostas financiadas por 19 funcionários dos 20 bilhetes comprados depois por Pat Wales para ela e o marido, distinção que enfraqueceu a ação apresentada por quatro colegas que reivindicavam parte do prêmio.
Quando uma mesma pessoa compra apostas para um bolão e bilhetes particulares em sequência, identificar quais recursos financiaram cada jogo pode ser decisivo para determinar a propriedade de um prêmio. Foi essa separação que encerrou a disputa envolvendo Pat Wales, funcionária da Lincoln Financial Group, em Portland, no Maine.
Pat participava de um bolão organizado entre colegas de trabalho e ficou responsável por comprar os bilhetes coletivos. Em agosto de 2001, depois de concluir a compra do grupo, ela adquiriu outras apostas para ela e o marido, Erwin Wales.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Um dos bilhetes pessoais acertou os números do Powerball. Quatro colegas, porém, sustentaram que a aposta vencedora deveria ser considerada parte do bolão e recorreram à Justiça para reivindicar uma parcela dos US$ 41,4 milhões antes dos impostos associados à opção de pagamento à vista.
A UPI informou que 19 funcionários haviam contribuído com US$ 10 cada, formando um total de US$ 190. Pat usou esse dinheiro para comprar 190 apostas destinadas ao grupo e, poucos minutos depois, fez uma nova compra, desta vez para uso próprio e do marido.
A proximidade entre as duas operações estava no centro da controvérsia, mas os recursos e os destinatários eram diferentes. A defesa do casal sustentou que o bilhete premiado fazia parte do lote particular e não das apostas financiadas pelos colegas.
Como os registros separaram as apostas
A Associated Press, em reportagem publicada pela Wired, relatou que o advogado do casal, Terrence Garmey, apresentou registros do estabelecimento de New Hampshire onde os números haviam sido comprados. A documentação indicava duas transações distintas realizadas por Pat.
Os registros mostravam primeiro a compra das 190 apostas correspondentes ao dinheiro reunido pelos funcionários. Depois, Pat teria adquirido outros 20 bilhetes para ela e Erwin, e o número vencedor estava nesse segundo conjunto, de acordo com a versão apresentada pelo advogado.
Essa distinção mudou o foco da disputa. A existência do bolão não era contestada; o ponto decisivo era saber se a aposta premiada havia sido financiada pelos US$ 190 arrecadados entre os colegas ou com recursos particulares do casal.
O prêmio fazia parte de um jackpot do Powerball de aproximadamente US$ 294,8 milhões, dividido entre quatro bilhetes vencedores vendidos nos Estados Unidos. Cada aposta premiada dava direito a cerca de US$ 73,7 milhões na modalidade de pagamentos distribuídos ao longo dos anos.
Também havia a opção de receber o prêmio em parcela única. Para Pat e Erwin, essa alternativa correspondia a aproximadamente US$ 41,4 milhões antes dos impostos, valor que se tornou o centro financeiro da ação apresentada pelos colegas.
Os quatro trabalhadores alegaram que existia um entendimento segundo o qual uma vitória beneficiaria todos os participantes do grupo. A ação incluía alegações de quebra de contrato e de dever fiduciário, além da tentativa de reconhecer participação no prêmio atribuído ao casal.
A disputa avançou além da reivindicação de uma parcela da fortuna. Os autores pediram que parte do dinheiro fosse bloqueada enquanto o processo estivesse em andamento, para preservar recursos caso conseguissem demonstrar posteriormente que o bilhete vencedor pertencia ao bolão.
A Wired informou que a ação pretendia congelar pelo menos US$ 8,6 milhões dos ganhos do casal. A juíza Nancy Mills, de acordo com a UPI, recusou a medida por considerar insuficientes naquele estágio os elementos apresentados para vincular a aposta premiada ao conjunto coletivo.
Desistência encerrou a disputa
A documentação da loja permitiu distinguir a compra feita para os funcionários daquela realizada logo depois para Pat e Erwin. A separação entre os dois lotes enfraqueceu a tese de que todas as apostas adquiridas naquela ocasião deveriam ser tratadas como parte do bolão.
Depois de examinar essas informações, os quatro colegas desistiram da ação. O processo terminou antes que houvesse julgamento completo sobre as alegações de quebra de contrato e dever fiduciário apresentadas contra Pat e o marido.
O episódio também teve impacto pessoal sobre a funcionária. Garmey relatou à Associated Press que Pat ficou profundamente abalada ao saber que colegas poderiam processá-la, enquanto ela e o marido ainda lidavam com a descoberta de que possuíam um dos quatro bilhetes vencedores.
O caso expôs uma diferença prática entre administrar apostas coletivas e comprar bilhetes particulares. Pat era a responsável por adquirir os jogos do grupo, mas a defesa sustentou que essa função não transformava automaticamente as apostas compradas depois, com recursos próprios, em patrimônio dos colegas.
A identificação das operações foi especialmente importante porque as compras ocorreram com poucos minutos de diferença. Sem registros que distinguissem os dois lotes, a disputa dependeria com mais força das versões das partes sobre o que havia sido combinado e quais bilhetes pertenciam a cada grupo.
O advogado dos quatro colegas informou à UPI que a desistência ocorreu depois que eles obtiveram as respostas que buscavam. Como a ação foi retirada, as alegações apresentadas pelos trabalhadores não chegaram a ser julgadas no mérito.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

