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Funcionário compra bilhete de loteria, ganha C$ 1 milhão e é processado pelos colegas de trabalho que exigiram uma parte do prêmio
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 02/09/2026 às 16:35
Atualizado em 02/09/2026 às 16:46
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Quatro trabalhadores de uma fábrica na Colúmbia Britânica afirmaram ter contribuído para a aposta premiada e recorreram à Justiça para cobrar C$ 200 mil cada. O caso mostra por que a origem do dinheiro e o registro de apostas coletivas podem se tornar decisivos quando apenas uma pessoa guarda o bilhete.
Uma aposta informal entre colegas terminou em disputa judicial no Canadá depois que Hung Sengsouvanh apareceu como vencedor de C$ 1 milhão. Quatro funcionários que trabalhavam com ele alegaram ter financiado o bilhete e reivindicaram uma parcela do prêmio.
Ding Jiu Du, Haret Dagane, Elwood Prado e Tounkham Homsombath pediram C$ 200 mil para cada um, o equivalente a um quinto do valor recebido. Somadas, as parcelas reivindicadas pelos quatro chegavam a C$ 800 mil.
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Os cinco trabalhavam em uma fábrica de iluminação em Surrey, na província da Colúmbia Britânica. Uma reportagem da Global News baseada nos documentos apresentados à Justiça informou que a disputa chegou à Suprema Corte da Colúmbia Britânica, em Vancouver.
De acordo com a ação descrita pelo veículo, cada participante teria destinado C$ 5 para a compra de um bilhete de C$ 25 da Lotto Max. Parte do dinheiro estaria ligada a valores que haviam sobrado das contribuições para uma confraternização de Natal da empresa.
Os trabalhadores afirmaram ainda que colocaram mais C$ 1 cada para participar de uma premiação adicional. Sengsouvanh teria se oferecido para comprar o bilhete depois do expediente, ficando responsável pelo dinheiro reunido e pela aposta.
Colegas alegaram acordo para dividir o prêmio
O bilhete participou do sorteio de 14 de dezembro de 2018 e foi contemplado com um prêmio Maxmillions de C$ 1 milhão. Os quatro colegas sustentaram que a aposta havia sido feita pelo grupo e que o dinheiro deveria ser dividido igualmente entre os cinco participantes.
Nos documentos citados pela Global News, eles afirmaram que passaram o fim de semana sem notícias de Sengsouvanh e descobriram pelas redes sociais que o bilhete havia sido premiado. Depois, teriam procurado o colega para pedir suas respectivas parcelas.
A ação sustentava a existência de um acordo verbal segundo o qual qualquer prêmio obtido com aquele bilhete seria repartido igualmente. A alegação era central porque os autores não questionavam apenas quem estava com a aposta física, mas também quem teria financiado sua compra.
A disputa foi formalizada na Justiça em fevereiro de 2019. Os quatro funcionários disseram que Sengsouvanh havia se recusado repetidamente a entregar as parcelas solicitadas e pediram ao tribunal o reconhecimento de que também tinham direito ao prêmio.
Essas afirmações eram alegações dos autores e não significavam que o tribunal já tivesse reconhecido o acordo. Na reportagem publicada sobre a ação, as reivindicações ainda não haviam sido julgadas, e Sengsouvanh não havia apresentado resposta ao processo naquele momento.
A Global News informou também que não conseguiu obter uma manifestação dele sobre as acusações. Sengsouvanh já havia sido apresentado publicamente como o vencedor do bilhete de C$ 1 milhão.
Processo também buscou rastrear o dinheiro
A ação incluiu um réu identificado como John Doe, expressão utilizada quando a identidade de uma pessoa não está determinada no processo. Os trabalhadores alegaram que familiares ou outras pessoas poderiam ter recebido parte do dinheiro pago a Sengsouvanh.
Por isso, pediram que eventuais transferências fossem rastreadas e que bens comprados com recursos que consideravam pertencentes ao grupo também pudessem ser alcançados pela disputa. O pedido estava ligado à tentativa de preservar os valores reivindicados enquanto o caso fosse analisado.
As declarações divulgadas quando Sengsouvanh recebeu o prêmio indicavam que ele pretendia quitar dívidas, ajudar os filhos e viajar com a família para o Laos, seu país de origem. A possibilidade de deixar o trabalho também apareceu entre os planos atribuídos ao vencedor.
Os quatro autores argumentaram que havia risco de os C$ 800 mil reivindicados serem gastos ou transferidos antes de uma decisão. Para obter as parcelas, porém, precisavam sustentar sua versão sobre a origem coletiva do dinheiro e o compromisso de divisão estabelecido antes do sorteio.
A posse física do bilhete, portanto, não era a única questão apresentada ao tribunal. A reivindicação dependia da demonstração de que Sengsouvanh havia comprado a aposta com recursos entregues pelos colegas e sob um acordo que também lhes atribuía participação em eventual prêmio.
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Alisson Ficher
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Apostas em grupo podem ser registradas antes do sorteio
A British Columbia Lottery Corporation mantém orientações para apostas coletivas e disponibiliza procedimentos específicos para grupos que dividem bilhetes. Entre eles está a identificação dos participantes envolvidos na aposta, o que cria um registro anterior a qualquer eventual premiação.
Para determinados resgates coletivos, a loteria também exige documentação dos integrantes que receberão parcelas do prêmio. Essas regras não determinam retroativamente o resultado da disputa envolvendo Sengsouvanh e seus colegas, mas oferecem uma forma de documentar previamente quem participa de uma aposta conjunta.
No caso levado à Suprema Corte da Colúmbia Britânica, os quatro funcionários dependiam justamente da prova de um acordo que afirmavam ter sido feito verbalmente. A cobertura disponível sobre a ação registrava as reivindicações como alegações ainda não comprovadas em tribunal, sem decisão de mérito informada naquele momento.
O formulário disponibilizado pela loteria para apostas em grupo permite registrar informações como os nomes dos participantes, os valores contribuídos e os jogos escolhidos antes do sorteio, reduzindo a dependência exclusiva de um acordo verbal caso um bilhete compartilhado seja premiado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

