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Funcionário de clube hípico trabalha por anos mesmo com Parkinson porque não tinha aposentadoria, congela diante de cavalo em movimento e episódio faz comunidade perceber que ele já não podia continuar sozinho e decidir ajudá-lo a se aposentar
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 10/09/2026 às 12:51
Atualizado em 10/09/2026 às 12:52
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Charles Muchineripi trabalhava havia cerca de 10 anos em um clube hípico da África do Sul e continuou no emprego enquanto o Parkinson avançava por não ter pensão nem fundo de aposentadoria
Durante aproximadamente 10 anos, Charles Muchineripi se tornou uma figura conhecida no Stellenbosch District Riding Club, um clube hípico localizado na província do Cabo Ocidental, na África do Sul. Ele abria portões, carregava equipamentos e ajudava a preparar as arenas onde eram realizadas competições.
Mas, com o passar dos anos, o Parkinson começou a comprometer cada vez mais seus movimentos. Mesmo assim, Charles continuou trabalhando. Segundo relato do Stellenbosch District Riding Club repercutido pelo Good Things Guy em 4 de setembro de 2026, a situação chegou a um ponto crítico recentemente, quando ele sofreu um episódio de congelamento durante o trabalho, diante de um cavalo em movimento. A fonte não informa o dia exato em que o incidente ocorreu
Parkinson começou a transformar tarefas simples em um desafio
A doença foi reduzindo a mobilidade e a força de Charles. Caminhar ficou mais difícil e, principalmente em momentos de estresse, começaram a ocorrer episódios em que seu corpo deixava temporariamente de responder aos comandos.
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Paulo Nogueira
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Esse fenômeno é conhecido como “freezing”, ou congelamento de marcha, um sintoma associado ao Parkinson no qual a pessoa pode ficar momentaneamente incapaz de iniciar ou continuar um movimento.
No ambiente de um clube hípico, onde cavalos circulam pelas pistas e áreas de serviço, essa limitação começou a representar um risco cada vez maior.
Um cavalo vinha em movimento quando Charles simplesmente não conseguiu sair do lugar
O episódio que mudou a situação aconteceu durante mais um dia de trabalho no clube.
Charles estava próximo a um portão quando um cavalo vinha em sua direção. Naquele momento, sofreu um episódio de congelamento provocado pelo Parkinson e ficou parado entre o animal e o portão, sem conseguir reagir normalmente.
Por sorte, ninguém ficou ferido. Mas a cena deixou evidente para as pessoas ao redor que Charles já não estava em condições de continuar enfrentando sozinho uma rotina que exigia mobilidade e reação rápida.
Continuar trabalhando já não era uma solução
Até então, afastar Charles do emprego criava outro problema: como ele conseguiria sobreviver?
Mesmo com a saúde deteriorada, o trabalhador não possuía os recursos normalmente associados à aposentadoria. Um de seus filhos havia se disposto a ajudá-lo, mas ainda existiam despesas com moradia, medicamentos, alimentação e cuidados cotidianos.
Foi nesse momento que integrantes do clube e pessoas próximas decidiram transformar a preocupação em uma mobilização para permitir que Charles finalmente deixasse o trabalho.
Comunidade cria uma espécie de fundo de aposentadoria para Charles
Uma campanha foi aberta na plataforma sul-africana BackaBuddy por Karen Dormehl, presidente do Stellenbosch District Riding Club, com a meta de arrecadar 200 mil rands sul-africanos (cerca de R$ 63,6 mil).
Na plataforma, mais de 32,9 mil rands (aproximadamente R$ 10,5 mil) já apareciam como arrecadados. O Good Things Guy informou ainda que, considerando outras iniciativas organizadas pela comunidade, o total mobilizado já havia ultrapassado 50 mil rands (cerca de R$ 15,9 mil).
A intenção não era entregar o dinheiro de uma só vez, mas criar uma estrutura que ajudasse Charles a manter alguma estabilidade depois de deixar o trabalho.
Charles passa a ter uma residência e ajuda mensal para suas despesas
A mobilização também permitiu encontrar uma vaga para Charles no Vrederus Tehuis, uma residência para idosos localizada em Villiersdorp, também na província do Cabo Ocidental.
Com a mudança, ele passou a ter um local onde poderia viver recebendo suporte, enquanto o dinheiro arrecadado seria utilizado para complementar suas despesas.
O planejamento prevê ainda uma ajuda de 2 mil rands por mês, equivalente a aproximadamente R$ 636, destinada aos custos de Charles e aos cuidados necessários nesta nova etapa.
Clube transforma o nome de Charles em parte de um evento de hipismo
A mobilização não terminou com a mudança para a residência.
O Stellenbosch District Riding Club programou para os dias 12 e 13 de setembro de 2026 o “SDRC Charles Muchineripi Spring Derby Festival”, competição registrada pela South African Show Jumping.
Até mesmo o formulário de inscrição do evento permite que participantes façam uma doação adicional diretamente para Charles.
Depois de uma década ajudando a manter portões, equipamentos e arenas funcionando, o funcionário que continuava trabalhando mesmo quando o próprio corpo já começava a impedir seus movimentos passou a receber da comunidade uma ajuda organizada para conseguir, enfim, deixar a rotina de trabalho com segurança.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

