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Geólogo do Instituto Federal leva ao laboratório uma pedra verde achada em Castelo do Piauí, a 190 km de Teresina, e confirma uma opala diferente das duas variedades que o estado explora desde 1940

Geólogo do Instituto Federal leva ao laboratório uma pedra verde achada em Castelo do Piauí, a 190 km de Teresina, e confirma uma opala diferente das duas variedades que o estado explora desde 1940

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5 min de leitura

Geólogo do Instituto Federal leva ao laboratório uma pedra verde achada em Castelo do Piauí, a 190 km de Teresina, e confirma uma opala diferente das duas variedades que o estado explora desde 1940

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 08/09/2026 às 13:51

Atualizado em 08/09/2026 às 13:55

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O geólogo do Instituto Federal levou ao laboratório uma pedra verde achada em Castelo do Piauí, a cento e noventa quilômetros de Teresina, e confirmou uma opala verde com características diferentes das duas variedades que o estado explora comercialmente desde a década de quarenta.

O achado foi apresentado na segunda-feira, 31 de agosto, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí.

Quem levou o material foi o geólogo e professor do IFPI Érico Gomes, acompanhado da pró-reitora de Extensão do instituto, Divamélia Gomes.

A gema tem coloração predominantemente verde, o que a distingue do que já se conhecia no território piauiense.

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Castelo do Piauí fica a cerca de 190 quilômetros de Teresina, no semiárido do estado, numa região que até agora não figurava no mapa da opala.

O Piauí tinha duas frentes de opala, e agora aparece uma terceira

Até este achado, o mapa da opala no estado tinha dois endereços consolidados.

Pedro II é o principal polo brasileiro da chamada opala nobre, reconhecida pela combinação de cores e pelo efeito óptico característico. Buriti dos Montes responde pela opala de fogo, com tonalidades que vão do amarelo ao laranja e ao vermelho.

A extração em Buriti dos Montes remonta à década de 1940.

Castelo do Piauí entra agora como uma terceira ocorrência, com uma cor que não estava na lista.

O que é a opala, e por que ela muda de cor

A opala é uma gema formada por dióxido de silício hidratado, ou seja, sílica com água presa na estrutura.

O que a torna valiosa é o chamado jogo de cores, um fenômeno óptico que produz reflexos iridescentes em tonalidades diferentes conforme o ângulo da luz. O nome vem do sânscrito upala, associado à expressão pedra preciosa.

Não é pigmento. É estrutura interna organizando a luz.

Conforme os pesquisadores, é justamente por isso que a análise leva tempo. Duas pedras da mesma cor podem valer preços completamente diferentes, dependendo de como as microesferas de sílica estão arranjadas por dentro.

Nova ocorrência não é nova classificação

Este é o ponto onde a notícia costuma escorregar, e convém deixá-lo claro.

Identificar uma ocorrência nova não significa, necessariamente, criar uma classificação mineralógica nova. Para saber o que se encontrou de fato, ainda faltam estudos.

Os pesquisadores agora avaliam a composição, as propriedades físicas, a qualidade, a extensão da área mineralizada e o comportamento da gema depois da lapidação. São esses dados que vão determinar o potencial mineral e econômico real.

Quem levou o achado à fundação de pesquisa

A apresentação foi feita por dois nomes do Instituto Federal do Piauí.

Érico Gomes é geólogo e professor da instituição, e assinou a identificação da ocorrência. Divamélia Gomes, pró-reitora de Extensão, acompanhou a apresentação na Fapepi, segundo a imprensa regional.

O detalhe institucional importa. Quando quem anuncia é um instituto federal, e não uma empresa de mineração, a conversa começa pela pesquisa, e não pelo direito minerário.

O problema histórico do Piauí não é achar pedra, é vendê-la bruta

A fala de Érico Gomes vai direto ao gargalo que interessa.

“Essa opala de Buriti dos Montes é extraída desde 1940. Com o tempo, foi descoberta a opala de Pedro II, e elas sempre foram comercializadas na forma bruta”, disse o professor à imprensa regional.

É a diferença entre exportar minério e exportar joia. A margem inteira fica com quem lapida, e a lapidação acontece longe do estado que tirou a pedra do chão.

Gomes defende agora a descentralização do conhecimento técnico e o investimento no beneficiamento local.

Ou seja, a aposta não está em achar mais pedra. Está em formar quem saiba lapidá-la dentro do estado, porque é na lapidação que o valor multiplica.

O Arranjo Produtivo Local da Opala entra na conta

A pesquisa está conectada aos trabalhos do APL da Opala, que reúne acadêmicos, mineradores, artesãos e empreendedores em torno da cadeia produtiva da gema.

O objetivo declarado é justamente transformar essa realidade histórica de venda em estado bruto.

Castelo do Piauí, além disso, já integra um consórcio intermunicipal que mapeia a presença de outros minerais de valor na região, entre eles quartzo, cristal e ametista.

Ou seja, o município não parte do zero. Existe estrutura de articulação montada antes mesmo de a opala verde aparecer.

A aproximação entre consórcio e APL é o que pode mudar o jogo

Segundo a imprensa regional que acompanhou a apresentação, a conexão entre esse consórcio mineral e o arranjo da opala deve impulsionar políticas de capacitação técnica no município.

O caminho pretendido é claro: transformar a matéria-prima em joia de alto valor agregado dentro do próprio Piauí, e não em outro estado.

Dá pra entender por que o achado foi apresentado numa fundação de pesquisa, e não numa entrevista de mineradora. O ativo aqui é o conhecimento, não a cava.

O que ainda não se sabe sobre a pedra verde

Não há informação sobre quilates, valor de mercado, volume estimado ou extensão da área mineralizada, e por isso nenhuma cifra pode ser atribuída ao achado neste momento.

A composição e a qualidade seguem em análise, portanto qualquer projeção comercial hoje seria especulação.

Também não houve, até agora, corroboração institucional publicada pelo Serviço Geológico do Brasil sobre a ocorrência.

O prazo dos estudos igualmente não foi divulgado. Análise de composição e teste de lapidação levam meses, portanto o retrato comercial da pedra verde só deve aparecer em 2027.

Até lá, o que existe é uma ocorrência identificada, apresentada por pesquisadores públicos e ainda em avaliação.

Riqueza mineral em território brasileiro costuma esbarrar exatamente nessa etapa, entre o achado e a cadeia produtiva, como acontece nas operações que precisam de tecnologia pesada para chegar ao minério.

Os detalhes da apresentação na Fapepi estão na publicação do Portal AZ, com registro fotográfico da fundação.

O que você acha: o Piauí consegue lapidar a própria opala ou vai seguir vendendo pedra bruta?

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Fontes

Portal AZ (PI)

Portal Clube News (PI)


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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