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George W. Bush recebe no ouvido a notícia de que “os Estados Unidos estão sob ataque” enquanto acompanhava crianças em uma escola, permanece sentado por cerca de sete minutos para não assustá-las e, horas depois, é levado entre bases militares e um bunker antes de retornar à Casa Branca
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/09/2026 às 20:57
Atualizado em 11/09/2026 às 20:58
Geopolítica
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Vinte e cinco anos depois dos atentados, o repórter Steve Holland, da Reuters, relembra o que viu ao acompanhar o então presidente em Sarasota, na Flórida. Naquele 11 de setembro, quatro aviões foram usados nos ataques, as Torres Gêmeas desabaram e cerca de 3 mil pessoas morreram em Nova York
George W. Bush estava sentado em uma sala de aula da Escola de Ensino Fundamental Emma E. Booker, em Sarasota, na Flórida, quando o então chefe de gabinete da Casa Branca, Andy Card, se aproximou e sussurrou em seu ouvido que um segundo avião havia atingido o World Trade Center. “Os Estados Unidos estão sob ataque”, disse Card, enquanto as câmeras registravam a expressão do presidente. Bush permaneceu sentado por cerca de sete minutos e terminou o exercício de leitura com as crianças.
As informações foram publicadas pelo jornal O GLOBO, com agências internacionais, em 11 de setembro de 2026, a partir do relato do repórter Steve Holland, da agência Reuters, que acompanhava o presidente naquele dia, e de declarações dadas por Bush à National Geographic e à NBC.
Agenda do dia previa evento com crianças em escola de Sarasota
O dia 11 de setembro de 2001 começou com Bush correndo por um campo de golfe na Flórida antes do amanhecer, quando Holland o viu pela primeira vez naquela jornada.
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A programação era rotineira: o presidente, que estava na Casa Branca havia menos de oito meses, participaria de um evento com crianças para promover suas políticas educacionais.
No centro de imprensa, primeiro avião ainda parecia acidente
Enquanto Bush se reunia com funcionários e alunos da escola, o jornalista estava em um centro de imprensa próximo, onde os repórteres acompanhavam pela televisão a fumaça saindo de uma das Torres Gêmeas, em Nova York.
O primeiro avião já havia atingido o prédio e, naquele momento, acreditava-se que poderia ter sido um acidente. Foi durante essa cobertura que o segundo avião atingiu a outra torre.
Bush já sabia da primeira colisão antes de entrar na sala de aula
O presidente havia sido informado sobre o primeiro impacto antes mesmo de entrar na sala onde faria a atividade com os alunos.
A frase de Andy Card, dita ao pé do ouvido durante o exercício de leitura, foi a que informou a Bush que se tratava de um ataque.
Presidente ficou sentado cerca de sete minutos e ainda posou para fotos
Depois de receber a notícia, Bush permaneceu sentado por cerca de sete minutos até concluir o exercício de leitura.
Na sequência, elogiou as crianças e tirou fotos com alunos e professores. Questionado por um repórter sobre os ataques, respondeu que falaria sobre o assunto mais tarde.
Cena virou símbolo de paralisia no documentário de Michael Moore
A imagem do presidente sentado, amplamente divulgada na época, se tornou uma das mais conhecidas daquele dia.
Anos depois, a cena foi usada pelo cineasta Michael Moore no documentário “Fahrenheit 9/11” como símbolo do que seus críticos consideravam uma reação de paralisia diante da crise.
Bush disse que a primeira reação foi de raiva
Em relatos posteriores à imprensa, Bush afirmou que a decisão de permanecer sentado foi consciente. À National Geographic, ele contou: “Minha primeira reação foi de raiva. Quem diabos faria isso com os Estados Unidos?”
Em seguida, segundo ele, a atenção se voltou para as crianças e para o que chamou de “o contraste entre o ataque e a inocência” delas.
Ex-presidente afirma que não quis assustar as crianças
Bush contou que conseguia observar os jornalistas no fundo da sala recebendo informações nos celulares, cena que comparou a “assistir a um filme mudo”. Foi ali, afirmou, que percebeu que pessoas fora daquela sala também estariam observando sua reação.
Naquele momento, relembrou, decidiu não “levantar imediatamente e sair da sala de aula” porque não queria assustar as crianças. “Eu já havia passado por crises suficientes para saber que a primeira coisa que um líder precisa fazer é transmitir calma”, acrescentou.
À NBC, Bush negou ter ficado em choque
Sobre as críticas à sua reação, Bush foi direto em relato à NBC: “Não vou debater com os críticos se eu estava ou não em choque. Eu não estava. Eles podem ler o meu livro e tirar suas próprias conclusões.”
Quatro aviões, cerca de 3 mil mortes e 189 vítimas no Pentágono
Fora da sala de aula, a dimensão do ataque ficava cada vez mais clara. As duas torres do World Trade Center desabaram, matando cerca de 3 mil pessoas.
Um terceiro avião atingiu o Pentágono, matando 64 pessoas a bordo e outras 125 dentro do prédio. O quarto, o voo 93 da United Airlines, caiu em um campo na Pensilvânia depois que passageiros reagiram contra os sequestradores, e todas as 44 pessoas a bordo morreram.
Casa Branca foi evacuada e Serviço Secreto mandou tirar os saltos
Em Washington, a fumaça que saía do Pentágono provocou temores de carros-bomba, e a Casa Branca foi evacuada.
Segundo Steve Holland, agentes do Serviço Secreto chegaram a orientar funcionárias a tirarem os sapatos de salto e correrem.
Bush passou por Barksdale, Offutt e um bunker subterrâneo
Na Flórida, teve início a operação para retirar Bush rapidamente da escola e levá-lo ao Air Force One. O presidente seguiu primeiro para a Base Aérea de Barksdale, na Louisiana, e depois para a Base Aérea de Offutt, em Nebraska.
Em Nebraska, entrou em um bunker subterrâneo para participar de uma teleconferência com seus principais assessores. As dificuldades para manter contato com a Casa Branca durante os deslocamentos levariam Bush a pressionar depois por melhorias nos equipamentos de comunicação do avião presidencial.
Vice-presidente recebeu autoridade para autorizar abate de avião
Durante aquelas horas, Bush discutiu como responder caso outras aeronaves sequestradas ameaçassem novos alvos. Em depoimento prestado em 2004 à comissão independente que investigou o 11 de Setembro, ele relatou ter concedido ao vice-presidente autoridade para autorizar o abate de um avião, se necessário.
Bush afirmou conhecer as regras básicas de engajamento por causa da experiência como piloto da Guarda Aérea Nacional do Texas. As anotações da comissão registram: “Ele entendia as consequências para o piloto, como um piloto poderia se sentir ao receber a ordem de derrubar um avião comercial americano. Seria difícil”.
Retorno à Casa Branca e 14 horas de ônibus para a imprensa
Bush chegou à Casa Branca ainda no fim da tarde de 11 de setembro. O repórter que o acompanhava, porém, ficou na Flórida com grande parte do corpo de imprensa da Casa Branca, sem como voltar a Washington com o tráfego aéreo suspenso.
Então presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Holland pressionou por uma solução, e o grupo conseguiu um ônibus fretado. Depois de 14 horas na estrada, ele disse ter visto em Washington “a enorme abertura ainda fumegante no Pentágono”.
Em 14 de setembro, o megafone sobre os destroços no Marco Zero
Três dias após os atentados, o jornalista voltou a acompanhar Bush, dessa vez ao Marco Zero, em Nova York. As ruínas do World Trade Center ainda queimavam, o cheiro podia ser sentido a quilômetros e havia preocupação de que prédios ao redor, fragilizados, também desabassem.
Com uma camada espessa de cinzas cobrindo ruas, calçadas e os ombros dos bombeiros exaustos, Bush caminhou pelo local ao lado do então prefeito Rudy Giuliani, subiu nos destroços de um caminhão de bombeiros e falou com um megafone: “Eu consigo ouvir vocês. O resto do mundo ouve vocês. E as pessoas que derrubaram esses prédios ouvirão todos nós em breve.”
25 anos depois, Bush expõe 15 pinturas em Dallas
Nesta sexta-feira, 25 anos após os atentados, Bush expõe no Texas cerca de 15 pinturas inspiradas em suas lembranças do 11 de Setembro. A mostra “Lembrando o 11 de Setembro”, em tradução livre, está em cartaz no museu presidencial dele, em Dallas, e começa com uma representação de Nova York depois da queda das Torres Gêmeas, com os edifícios do sul de Manhattan envoltos em fumaça cinza.
Bush, que começou a se dedicar à pintura três anos depois de deixar a Casa Branca, em 2009, retrata a si mesmo consolando uma família e uma mãe enlutada, cercado por bombeiros de Nova York, discursando na Catedral Nacional de Washington e ao lado do pai, o ex-presidente George H. W. Bush. Segundo comunicado da exposição, esses são os momentos que ele escolheu pintar por serem os de que mais se lembra: “não o medo, mas a determinação; não o desespero, mas o instinto dos americanos comuns de se unir e ajudar uns aos outros”.
Na sua opinião, os cerca de sete minutos em que George W. Bush permaneceu sentado na sala de aula mostraram sangue-frio de um líder tentando transmitir calma, ou foram tempo demais diante de um ataque daquela dimensão? Deixe sua opinião nos comentários.
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George W. Bush no 11 de Setembro
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

