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Google vai combinar solar e 380 MWh de baterias em antiga mina de carvão nos EUA, investe em energia por até 10 horas para sustentar expansão de data centers

Google vai combinar solar e 380 MWh de baterias em antiga mina de carvão nos EUA, investe em energia por até 10 horas para sustentar expansão de data centers

13 min de leitura

Google vai combinar solar e 380 MWh de baterias em antiga mina de carvão nos EUA, investe em energia por até 10 horas para sustentar expansão de data centers

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 05/09/2026 às 10:45

Atualizado em 05/09/2026 às 10:50

Energia Renovável

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Projeto de até US$ 350 milhões na Virgínia Ocidental reunirá 86 MW de energia solar, 280 MWh de baterias de íons de lítio e 100 MWh da tecnologia de zinco Z3 da Eos. Google comprará energia, capacidade e atributos de energia limpa, enquanto a implantação avançará em três etapas entre 2028 e 2030.

O Google, a MN8 Energy e a Eos Energy Enterprises anunciaram uma combinação incomum para atender ao crescimento da demanda elétrica ligada aos data centers. O projeto Mammoth Solar, no condado de Kanawha, na Virgínia Ocidental, reunirá 86 MW de geração solar, 70 MW/280 MWh de baterias de íons de lítio e 10 MW/100 MWh de armazenamento de longa duração baseado em zinco. A infraestrutura será construída em uma antiga área de mineração de carvão recuperada e poderá mobilizar até US$ 350 milhões em investimento de capital.

A MN8 será responsável por possuir e operar o empreendimento, enquanto o Google comprará energia, capacidade e atributos de energia limpa produzidos pelo conjunto. O objetivo é colocar nova capacidade despachável na rede PJM, que atende uma ampla região dos Estados Unidos e também abastece data centers da companhia, incluindo uma instalação planejada na própria Virgínia Ocidental.

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O projeto, porém, ainda não está totalmente em operação. A previsão atual coloca a parte solar em funcionamento comercial em 2028, seguida pelas baterias de lítio em 2029 e pelo armazenamento de zinco de longa duração em 2030. Portanto, trata-se de uma implantação escalonada, sujeita aos riscos normais de desenvolvimento, licenciamento, conexão, construção e fornecimento de equipamentos.

Projeto combinará 86 MW de solar com 380 MWh de armazenamento

O desenho técnico chama atenção porque não aposta em uma única bateria. A MN8 decidiu combinar duas tecnologias com funções diferentes para tentar transformar uma fonte solar variável em um recurso mais controlável para a rede.

O sistema de íons de lítio terá 70 MW de potência e 280 MWh de capacidade, o equivalente a quatro horas de descarga à potência nominal. Já a solução Z3 da Eos entregará 10 MW/100 MWh, permitindo 10 horas de armazenamento. Juntas, as duas tecnologias somam 380 MWh de capacidade energética, embora desempenhem papéis diferentes dentro da operação.

Na prática, as baterias de lítio podem responder a necessidades de menor duração, enquanto o armazenamento de zinco amplia a janela na qual a energia capturada anteriormente pode permanecer disponível. Assim, a MN8 pretende combinar geração solar e armazenamento para entregar uma capacidade mais previsível durante um número maior de horas.

Essa lógica já aparece em outros mercados acompanhados pelo CPG. Uma matéria recente mostrou como a Amazon contratou na Austrália um BESS independente de 50 MW e 200 MWh para armazenar excedentes de solar e eólica e devolvê-los à rede durante os períodos de maior demanda.

Bateria de zinco consegue fornecer energia durante 10 horas

A principal novidade tecnológica está no sistema Z3 da Eos Energy Enterprises. A instalação terá 100 MWh de capacidade com 10 MW de potência, o que resulta em uma duração nominal de dez horas.

Essa característica coloca o equipamento na categoria de armazenamento de energia de longa duração, ou LDES. A ideia é manter energia disponível por períodos mais extensos do que aqueles normalmente cobertos por muitos sistemas convencionais de lítio.

Segundo as empresas, será o primeiro projeto do Google a utilizar a tecnologia Z3 da Eos e também a primeira implantação comercial de armazenamento de longa duração em escala comercial na Virgínia Ocidental.

Além disso, o Google descreveu a solução como uma combinação inédita para seus projetos, reunindo solar, armazenamento de menor duração e baterias de longa duração baseadas em zinco dentro de um mesmo portfólio.

Zinco entra para complementar as baterias de lítio

A química das duas tecnologias é diferente. A Eos utiliza uma solução aquosa baseada em zinco, enquanto a parte de menor duração utilizará baterias de íons de lítio.

A própria Eos posiciona sua tecnologia como uma alternativa não inflamável, projetada para aplicações de aproximadamente quatro a mais de 16 horas. Entretanto, isso não significa que o zinco substituirá totalmente o lítio no projeto Mammoth Solar. Pelo contrário, a arquitetura foi desenhada para usar as duas tecnologias de forma complementar.

A estratégia mostra uma tendência importante no armazenamento. Em vez de perguntar qual bateria “vence”, grandes projetos começam a escolher tecnologias diferentes conforme a duração e o serviço necessário.

Google comprará energia e capacidade, mas MN8 será dona do projeto

Outro detalhe importante envolve a estrutura comercial. O Google não será o proprietário do parque solar ou das baterias. A MN8 Energy será dona e operadora do empreendimento, enquanto a gigante de tecnologia comprará a energia, a capacidade e os atributos de energia limpa associados ao projeto.

Isso permite ao Google apoiar a construção de nova infraestrutura energética sem necessariamente assumir diretamente a operação de uma usina. Ao mesmo tempo, a contratação cria uma fonte de receita para o projeto e ajuda a justificar economicamente a instalação de tecnologias que ainda buscam ganhar escala comercial.

A companhia afirma que a estratégia faz parte de um esforço mais amplo para adicionar nova capacidade às redes elétricas nas regiões onde mantém operações. No caso da Virgínia Ocidental, o projeto também servirá à rede PJM, e não exclusivamente a uma instalação isolada do Google.

Data centers estão criando uma nova corrida por eletricidade

A infraestrutura surge em um momento no qual o avanço da inteligência artificial eleva rapidamente as necessidades energéticas dos data centers. Grandes complexos de processamento precisam de potência disponível continuamente, enquanto solar e eólica variam conforme as condições naturais.

Por isso, empresas de tecnologia começaram a buscar uma combinação de geração, armazenamento, contratos de longo prazo e novas fontes firmes. O Mammoth Solar tenta responder a esse desafio usando a energia solar durante o dia e ampliando sua disponibilidade por meio de baterias com durações diferentes.

Essa pressão energética já aparece de maneira clara em outros projetos.

Também existem sinais no consumo de estruturas já operacionais. Na Austrália, data centers da NextDC aumentaram o uso de água e energia por três anos consecutivos enquanto a demanda por infraestrutura digital e inteligência artificial continuava crescendo.

Solar entra em operação primeiro, em 2028

O cronograma do projeto será dividido em três etapas. A usina solar de 86 MW deverá iniciar operação comercial em 2028, criando a primeira camada da infraestrutura energética.

Depois, em 2029, a MN8 espera ativar os 70 MW/280 MWh de armazenamento de íons de lítio. Finalmente, o sistema Z3 de zinco, com 10 MW/100 MWh, deverá entrar em operação em 2030.

Essa diferença temporal também é importante para a interpretação da notícia. O projeto de US$ 350 milhões não ficará completo em uma única data, tampouco os 380 MWh estarão disponíveis quando a primeira geração solar começar.

Imagem ilustrativa.

Assim, o empreendimento será construído como uma sequência. Cada nova etapa adicionará uma camada de capacidade e flexibilidade à infraestrutura anterior.

Antiga mina de carvão receberá novo complexo de energia

Um dos elementos mais simbólicos está na localização. O Mammoth Solar será desenvolvido sobre uma área de mineração de carvão recuperada na Virgínia Ocidental, estado cuja história econômica está profundamente ligada aos combustíveis fósseis.

Agora, o mesmo terreno será usado para receber painéis solares e dois tipos de armazenamento energético. Isso não significa que a economia regional tenha abandonado o carvão ou que toda a mineração será substituída por renováveis, mas mostra uma mudança concreta na utilização daquele local específico.

O reaproveitamento também reduz a necessidade de ocupar uma área sem histórico industrial. Ao utilizar terreno anteriormente associado à mineração, o projeto combina recuperação territorial com uma nova função econômica ligada ao sistema elétrico.

Investimento poderá chegar a US$ 350 milhões

Segundo estimativas da MN8, o projeto representa até US$ 350 milhões em investimento de capital. A empresa também calcula que a construção deverá criar aproximadamente 200 empregos.

Além disso, o empreendimento poderá gerar aproximadamente US$ 4 milhões em receitas de impostos sobre propriedade para o condado e escolas locais durante os primeiros 20 anos de operação. As empresas afirmam que outros milhões poderão surgir nos 15 a 20 anos seguintes.

Essas cifras, entretanto, são estimativas apresentadas pela MN8, e não receitas públicas já realizadas. Da mesma forma, os 200 empregos correspondem principalmente à fase de construção, enquanto a operação deverá manter um número menor de posições permanentes e temporárias.

Projeto foi desenhado especificamente para o perfil de carga dos data centers

A MN8 afirma ter projetado o Mammoth Solar como um sistema integrado capaz de combinar geração intermitente com armazenamento de curto e longo prazo. O objetivo é criar um recurso despachável mais compatível com o perfil elétrico de cargas como data centers.

Esse desenho tenta resolver um problema simples de entender. Painéis solares produzem somente quando existe radiação suficiente, mas um data center precisa funcionar 24 horas por dia. Portanto, simplesmente construir mais painéis não garante fornecimento contínuo.

As baterias permitem deslocar parte dessa energia para outros horários. Primeiro, o sistema armazena eletricidade disponível. Depois, pode devolvê-la à rede durante janelas nas quais a produção solar diminuiu ou desapareceu.

Ainda assim, o comunicado não afirma que o complexo tornará o data center do Google 100% independente da rede ou 100% abastecido pelo Mammoth Solar durante todas as horas. A infraestrutura permanece integrada ao sistema PJM.

Baterias de dez horas tentam atravessar períodos sem sol

A duração de 10 horas oferecida pelo Z3 ajuda a mostrar por que o Google se interessa pelo armazenamento de longa duração. Um sistema desse tipo pode conservar energia por uma janela significativamente maior do que um BESS convencional de poucas horas.

Na arquitetura anunciada, os 100 MWh de zinco serão descarregados a uma potência de 10 MW. Portanto, não se trata de fornecer 100 MW durante dez horas; a relação correta é 10 MW durante aproximadamente 10 horas na configuração nominal anunciada.

Esse detalhe evita confundir potência e capacidade energética. MW indicam a taxa de entrega de potência, enquanto MWh indicam a quantidade de energia que pode ser armazenada ou fornecida ao longo do tempo.

Já a bateria de lítio combina 70 MW e 280 MWh, resultando matematicamente em quatro horas à potência nominal.

Primeiro projeto nasce de acordo que pode chegar a 750 MWh

A parceria entre MN8 e Eos começou antes do anúncio envolvendo o Google. Em outubro de 2025, as duas empresas assinaram um acordo que permite a implantação de até 750 MWh de sistemas Z3 em diferentes projetos.

Naquele momento, a Eos informou que os primeiros projetos considerados poderiam combinar 200 MWh de armazenamento com duração de dez horas e geração solar para atender cargas de alta demanda.

Agora, Mammoth Solar será o primeiro projeto executado dentro daquele acordo mestre. Porém, utilizará inicialmente 100 MWh da tecnologia de zinco, ou seja, apenas uma parcela da capacidade potencial prevista na parceria.

Portanto, os 750 MWh não devem ser atribuídos ao projeto do Google na Virgínia Ocidental. Esse valor corresponde ao teto do acordo mais amplo entre MN8 e Eos.

Eos acelera fábrica americana para responder à demanda

O crescimento comercial ocorre enquanto a Eos amplia sua própria capacidade industrial. A companhia iniciou em junho de 2026 a produção comercial em uma nova linha em Thorn Hill, na Pensilvânia, e vem reorganizando suas operações para concentrar a fabricação de baterias nesse complexo.

Quando suas duas linhas estiverem operacionais, a instalação deverá alcançar uma capacidade nominal de aproximadamente 4 GWh por ano, segundo a empresa. A Eos também estima que a consolidação das operações poderá reduzir seus custos de conversão entre 10% e 15%, com benefícios começando em 2027.

Essa expansão é relevante porque projetos de armazenamento em escala de rede exigem milhares de módulos. Assim, demonstrar uma bateria tecnicamente interessante não basta; o fabricante também precisa produzir em quantidade, controlar custos e cumprir cronogramas.

Google testa uma tecnologia que ainda busca ganhar escala comercial

O Mammoth Solar terá um papel importante justamente porque coloca a tecnologia Z3 em uma aplicação comercial associada a uma das maiores empresas de tecnologia do mundo.

O Google descreve o projeto como uma forma de ajudar a acelerar a comercialização de armazenamento de longa duração. A intenção é testar um modelo no qual tecnologias mais maduras, como solar e lítio, operam ao lado de uma solução emergente de maior duração.

Isso também significa que o projeto ainda precisa provar seu desempenho durante anos de operação. A existência de um contrato e de um cronograma não elimina riscos relacionados a fabricação, instalação, durabilidade, eficiência e custos.

A própria Eos reconhece em seu comunicado que cronogramas e resultados futuros estão sujeitos a questões de desenvolvimento, financiamento, construção, licenciamento, conexão, cadeia de suprimentos e desempenho tecnológico.

Lítio continuará fazendo o trabalho de menor duração

A presença de 280 MWh de baterias de íons de lítio mostra que o projeto não parte da ideia de abandonar uma tecnologia já amplamente utilizada.

Pelo contrário, o sistema utiliza o lítio onde ele já possui forte presença comercial e adiciona o zinco para ampliar a duração. Dessa forma, cada tecnologia assume um papel específico dentro da mesma instalação.

Esse modelo híbrido pode se tornar mais comum à medida que redes elétricas passam a exigir diferentes serviços. Algumas necessidades duram segundos ou minutos; outras exigem várias horas.

Por isso, armazenamento não é uma categoria única. Potência, duração, número de ciclos, segurança, custo e disponibilidade de materiais podem favorecer soluções diferentes conforme a aplicação.

Projeto adicionará capacidade ao gigantesco sistema PJM

Toda essa infraestrutura será conectada ao PJM Interconnection, uma das maiores redes elétricas organizadas dos Estados Unidos. O projeto não funcionará como uma usina privada completamente separada para o Google; sua capacidade entrará no sistema regional.

Isso permite que a eletricidade participe de uma rede muito maior e, ao mesmo tempo, cria capacidade adicional em uma região onde data centers elevam rapidamente a demanda.

O Google utilizará contratos para associar seu consumo à nova geração, capacidade e atributos ambientais. Entretanto, eletricidade fisicamente injetada em uma grande rede interligada se mistura à energia proveniente de outras fontes.

Essa diferença evita uma simplificação comum: não existe um cabo exclusivo saindo do parque Mammoth Solar diretamente para todos os servidores da companhia.

Crescimento de data centers transforma armazenamento em infraestrutura estratégica

O caso da Virgínia Ocidental mostra como a expansão da computação começa a alterar investimentos que antes pareciam restritos ao setor elétrico.

Uma nova instalação de IA não exige apenas processadores e redes de fibra. Ela precisa de subestações, linhas de transmissão, geração e sistemas capazes de equilibrar a oferta elétrica.

Por isso, grandes empresas digitais passaram a financiar ou contratar ativos energéticos em escalas cada vez maiores. A discussão já inclui solar, eólica, gás, baterias e até energia nuclear.

Ao mesmo tempo, o armazenamento torna-se particularmente útil porque ajuda a aproveitar uma parcela maior das fontes renováveis.

De uma mina de carvão a uma infraestrutura para data centers

O Mammoth Solar reúne elementos que normalmente apareceriam em histórias separadas.

Primeiro, existe uma antiga área de mineração de carvão. Depois, entram 86 MW de painéis solares. Em seguida, aparecem 280 MWh de baterias de lítio e 100 MWh de armazenamento de zinco. Finalmente, o comprador é uma empresa cuja demanda cresce por causa da expansão de data centers e inteligência artificial.

A implantação também possui uma sequência clara. A geração solar deverá chegar em 2028, o lítio em 2029 e o zinco em 2030.

Se todo o cronograma avançar conforme planejado, a antiga área de mineração terminará a década abrigando um complexo energético de até US$ 350 milhões, conectado a uma rede que enfrenta uma das maiores ondas de crescimento de demanda dos últimos anos.

Google aposta que diferentes baterias podem resolver problemas diferentes

Talvez o aspecto mais importante do projeto esteja justamente na decisão de não escolher apenas uma tecnologia.

O sistema utilizará lítio para uma janela de aproximadamente quatro horas e zinco para dez horas. Ao combiná-los com 86 MW de energia solar, a MN8 pretende transformar uma fonte dependente do sol em um recurso com disponibilidade mais ampla ao longo do dia.

O Google, por sua vez, garante demanda comercial para a energia, capacidade e atributos de energia limpa. Assim, o projeto tenta conectar três peças que precisarão avançar juntas nos próximos anos: geração renovável, armazenamento de longa duração e expansão da infraestrutura digital.

Porém, o verdadeiro teste virá somente após 2030. Será necessário verificar se a bateria de zinco consegue entregar durante anos a duração, confiabilidade e economia esperadas em uma aplicação de escala comercial.

Se funcionar, Mammoth Solar poderá mostrar um caminho no qual data centers não dependem de uma única tecnologia para encontrar eletricidade firme. Em vez disso, solar, lítio e baterias de longa duração trabalham em conjunto para tentar transformar energia variável em capacidade mais previsível para uma rede pressionada pelo crescimento da computação.

E você, acredita que baterias de zinco capazes de armazenar energia por 10 horas podem se tornar uma solução importante para alimentar data centers e reduzir a dependência de fontes fósseis, ou o lítio ainda continuará dominando esse mercado por muitos anos?

Fonte

EOS


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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