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Grunner lança em 2026 sua primeira máquina agrícola a etanol, que pode cortar em até R$ 2 milhões por safra o gasto de combustível de uma usina grande, a R$ 30,60 por hora contra R$ 56,05 do trator a diesel, segundo a fabricante
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 26/09/2026 às 20:27
Atualizado em 26/09/2026 às 20:28
Agronegócio
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A Grunner levou ao Grunner Day 2026, em Lençóis Paulista (SP), a versão a etanol das máquinas que fazem transbordo de cana, aplicam vinhaça e distribuem sólidos nas usinas; o motor foi desenvolvido com a MWM, e o investimento em motores e numa plataforma nova somou R$ 19,5 milhões.
A Grunner lançou comercialmente em setembro de 2026 sua primeira máquina a etanol, que gasta R$ 30,60 de combustível por hora, contra R$ 56,05 do trator a diesel, na conta da fabricante.
A máquina foi apresentada no Grunner Day 2026, nos dias 23 e 24 de setembro, em Lençóis Paulista (SP). Pela estimativa da empresa, publicada pela Cana Online, uma usina de grande porte pode economizar até R$ 2 milhões por safra em combustível.
Junto com ela, a Grunner apresentou uma versão a biometano e uma plataforma nova, desenvolvida com a Mercedes-Benz, informou a Globo Rural.
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R$ 25,45 a menos a cada hora de trabalho
A hora da máquina a etanol sai R$ 25,45 mais barata, mostra o cálculo da Grunner publicado pela Cana Online. Sobre os R$ 56,05 do trator a diesel, isso dá 45% a menos.
O número do etanol parte de 13,1 litros por hora, a um custo líquido considerado de R$ 2,32 por litro, detalhou a Cana Online. É o resultado mais conservador do teste em dinamômetro, o aparelho que mede o motor em bancada.
Multiplicados, 13,1 litros a R$ 2,32 dão R$ 30,39 por hora, 21 centavos abaixo do valor apresentado. A diferença joga contra o etanol. O número que a Grunner mostra fica um pouco menos favorável que a multiplicação simples.
Em 24 horas de motor ligado, a conta por hora da fabricante vira R$ 734,40 a etanol contra R$ 1.345,20 a diesel. A diferença chega a R$ 610,80 por máquina em um dia.
Os R$ 2 milhões valem para uma usina de 2,5 milhões de toneladas
A economia de até R$ 2 milhões por safra vale para um caso específico, detalhou a Cana Online. É uma usina que processa 2,5 milhões de toneladas de cana, com 25 máquinas Grunner e 30 conjuntos de tratores de transporte.
A estimativa é da própria fabricante e usa a mesma hipótese conservadora da conta por hora. Em seis anos, pela mesma projeção, a economia chegaria a R$ 12 milhões.
Moagem é a quantidade de cana que a usina processa na safra. Dividida por ela, a economia dá cerca de R$ 0,80 por tonelada.
Como nasce de uma diferença por hora, a economia cresce ou encolhe com o número de máquinas e de horas trabalhadas. Na aritmética simples, somar R$ 2 milhões a R$ 25,45 por hora exige cerca de 78,6 mil horas de máquina na safra.
Em que trabalho da usina entra a máquina da Grunner
A Grunner fabrica máquinas inteligentes para o setor sucroenergético, o de açúcar e etanol, segundo a Globo Rural. Os equipamentos trabalham dentro do canavial.
A Globo Rural informou que a versão a etanol já está disponível para as três linhas principais da marca. A ATR faz o transbordo de cana, a ASP aplica vinhaça e a ADS distribui sólidos na lavoura.
A colhedora não guarda a cana que corta. Um elevador joga a cana picada no transbordo, que anda ao lado da colhedora de cana. A máquina leva a carga até a beira do talhão, onde a cana passa para os caminhões.
A vinhaça é o líquido que sobra da destilação do etanol e volta ao canavial como adubo, aplicado por máquinas como as da linha ASP.
Motor da MWM aproveita cerca de 85% das peças do diesel
O motor a etanol foi desenvolvido com a MWM, fabricante brasileira de motores e geradores. Ele parte de uma plataforma diesel e compartilha cerca de 85% dos componentes com ela, detalhou a Cana Online.
Entre os itens feitos para o etanol estão o sistema de injeção, os componentes da aplicação, o chicote elétrico e a câmara de combustão. Alguns itens estruturais mantiveram a arquitetura do diesel e receberam só adaptações de usinagem.
A câmara de combustão foi alterada para trabalhar com uma taxa de compressão adequada ao etanol. Taxa de compressão é a medida de quanto o pistão comprime o conteúdo do cilindro antes da queima.
Etanol libera cerca de 28 MJ por quilo, e o diesel, 45
O maior desafio foi tirar eficiência de um combustível com menos energia. Quem explicou foi Jorge Paulo Dantas de Araújo, diretor de Engenharia de Produto da MWM (Tupy do Brasil).
O diesel libera cerca de 45 megajoules (MJ) por quilo na queima, e o etanol, cerca de 28 MJ, informou Araújo. Um quilo de diesel carrega, portanto, perto de 1,6 vez a energia de um quilo de etanol.
“Devido a essa diferença, precisamos naturalmente de uma quantidade maior de combustível para entregar a mesma energia”, disse o diretor da MWM.
Araújo também descartou um motor a etanol com o consumo do diesel. Se alguém disser que fez um, afirmou, “não é verdade”, porque igualar os dois “é fisicamente impossível”.
Mesmo com essa desvantagem de partida, o trabalho da MWM foi buscar a maior eficiência possível, respeitando as características do etanol, afirmou Araújo. Ele fez o balanço assim: “No final das contas, conseguimos obter um desempenho até que bastante impressionante”.
Perto do dobro do consumo do diesel, e ainda assim mais barato
Segundo dados apresentados pela Grunner, o consumo do motor a etanol fica entre 1,8 e 2,2 vezes o do equivalente a diesel. Na ponta de cima da faixa, é mais que o dobro.
No campo, a média fica em 12,5 litros por hora, disse André Torquetti, gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner. O número é menor que os 13,1 litros usados na conta de custo.
Multiplicados pelos mesmos R$ 2,32, os 12,5 litros de campo levariam a hora da máquina a etanol a R$ 29,00. Seriam R$ 27,05 abaixo do trator a diesel, folga maior que a divulgada pela fabricante.
Tanques de 630 a 1.200 litros para manter a autonomia do diesel
Gastar mais combustível por hora cria um problema prático, porque a máquina teria de parar mais vezes para abastecer. Manter a autonomia dos modelos a diesel foi um dos principais desafios do projeto, disse Torquetti.
A saída foi instalar tanques maiores, com capacidade entre 630 e 1.200 litros. Com eles, a máquina a etanol opera por cerca de 48 a 92 horas, conforme a configuração e o tipo de atividade no campo.
Se o tanque menor corresponder às 48 horas e o maior às 92, o ritmo é de 13 litros por hora nos dois casos. É praticamente o consumo usado na conta conservadora da fabricante.
Contada em dias corridos, a autonomia vai de dois a quase quatro dias de motor ligado entre um abastecimento e outro no campo.
Usina que produz etanol pode usar o combustível na frota ou vender
A versão a etanol mira principalmente as usinas que já produzem o combustível e podem usá-lo nas próprias operações, explicou Torquetti. A troca permite reduzir a dependência do diesel e usar mais energia renovável gerada em casa.
Para o gerente, “etanol e biometano dão às usinas mais alternativas para definir sua estratégia energética”. Quem produz o próprio combustível, completou, pode avaliar “quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado”.
Para a Grunner, a opção também reduz a exposição das usinas às oscilações de preço do diesel, relatou a Globo Rural. O motor novo permite que a usina use na lavoura o combustível que ela mesma produz.
Com os números da fabricante, a hora a etanol sai mais barata até cerca de R$ 4,28 por litro
O litro a R$ 2,32 é o custo líquido considerado pela Grunner. Se a usina puser outro valor no etanol, como o preço que conseguiria vendendo o combustível, a conta muda.
Refeita com os 13,1 litros por hora e o trator a diesel mantido em R$ 56,05, a conta mostra vantagem do etanol até perto de R$ 4,28 por litro.
Acima de R$ 4,28, a hora a diesel fica mais barata. O inverso também vale: se o diesel subir, a hora do trator a diesel encarece e a folga do etanol aumenta.
R$ 19,5 milhões: R$ 15,5 milhões nos motores e R$ 4 milhões na plataforma
O motor a etanol entra num investimento de R$ 19,5 milhões. A maior parte, R$ 15,5 milhões, foi para as novas motorizações a etanol e biometano, informou a Globo Rural.
Os outros R$ 4 milhões pagaram o desenvolvimento da plataforma nova. Na divisão, quase 80% do dinheiro ficou nos motores, já que R$ 15,5 milhões equivalem a 79,5% do total.
Biometano também chega às linhas ATR, ASP e ADS
Além do etanol, a Grunner apresentou no evento uma versão movida a biometano, segundo a Cana Online. A ideia é ampliar as opções das usinas que produzem os próprios combustíveis renováveis.
Os motores a biometano também vêm da MWM e já estão disponíveis para as linhas ATR, ASP e ADS, registrou a Globo Rural. São duas opções de combustível próprio na mesma linha de máquinas.
Plataforma nova da Grunner, feita com a Mercedes-Benz, nasce para o campo
Até agora, as máquinas da Grunner usavam uma base criada para aplicações rodoviárias e depois adaptada para o campo, contou a Globo Rural. A plataforma nova já nasce pensada para a operação agrícola.
Ela será usada nas principais linhas da empresa e aceita as diferentes opções de motor. A Mercedes-Benz segue fornecendo as plataformas e os motores a diesel, e a MWM fica com os de etanol e biometano.
Com a mudança, a Grunner quer máquinas mais resistentes e com menos intervenções. Também quer mais disponibilidade operacional, que é o tempo em que a máquina fica pronta para trabalhar, fora da oficina.
A empresa afirma que o projeto busca ainda vida útil maior e gasto menor com reparo e manutenção das máquinas.
Conversão de máquinas a diesel vale para o etanol, não para o biometano
Quem já tem máquina da marca a diesel poderá convertê-la em máquina a etanol por meio de retrofit, informou a Cana Online. Retrofit é a reforma que troca a motorização de um equipamento já em operação.
A conversão não será oferecida para a motorização a biometano, informa a Globo Rural. Para usar esse gás, a usina precisa de máquina nova, que já saia de fábrica com o motor a biometano.
A frota da Grunner em operação no Brasil passa de 1.500 equipamentos, segundo a Cana Online e a Globo Rural.
Uma busca do setor desde a década de 1980
Torquetti tratou a máquina a etanol como resposta a uma demanda antiga das usinas. “O setor busca isso desde a década de 1980”, disse o gerente durante o Grunner Day.
Na mesma fala, ele descreveu a Grunner como “uma empresa 100% brasileira, de famílias de produtores”. Segundo ele, a companhia “teve essa façanha de conseguir entregar esse primeiro equipamento movido a etanol”.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

