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Grupo paga £ 8,5 milhões por território de 3 mil hectares explorado durante décadas, começa a bloquear canais para devolver água às turfeiras, retirar árvores exóticas e trazer animais de volta, mas o detalhe mais surpreendente está no destino reservado ao futuro “Yellowstone britânico”: após recuperar o investimento, os compradores pretendem entregar toda a propriedade a uma comunidade ou instituição beneficente para impedir que a terra seja revendida e novamente explorada de forma intensiva

Grupo paga £ 8,5 milhões por território de 3 mil hectares explorado durante décadas, começa a bloquear canais para devolver água às turfeiras, retirar árvores exóticas e trazer animais de volta, mas o detalhe mais surpreendente está no destino reservado ao futuro “Yellowstone britânico”: após recuperar o investimento, os compradores pretendem entregar toda a propriedade a uma comunidade ou instituição beneficente para impedir que a terra seja revendida e novamente explorada de forma intensiva

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Grupo paga £ 8,5 milhões por território de 3 mil hectares explorado durante décadas, começa a bloquear canais para devolver água às turfeiras, retirar árvores exóticas e trazer animais de volta, mas o detalhe mais surpreendente está no destino reservado ao futuro “Yellowstone britânico”: após recuperar o investimento, os compradores pretendem entregar toda a propriedade a uma comunidade ou instituição beneficente para impedir que a terra seja revendida e novamente explorada de forma intensiva

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 14/09/2026 às 08:07

Atualizado em 14/09/2026 às 08:11

Sustentabilidade

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Imagem ilustrativa mostra a formalização do investimento destinado a recuperar os 3 mil hectares de Emblehope Moor, futuro “Yellowstone britânico”.

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Emblehope Moor receberá pôneis, terá turfeiras inundadas novamente e perderá extensas plantações comerciais enquanto seus compradores testam um modelo incomum: recuperar a natureza, pagar investidores e entregar gratuitamente os 3 mil hectares a uma comunidade ou instituição beneficente, impedindo que o futuro “Yellowstone britânico” volte ao mercado e seja novamente explorado de forma intensiva

Durante décadas, uma propriedade gigantesca no norte da Inglaterra serviu à criação de ovelhas, ao manejo de aves para caça, ao treinamento de cães e ao cultivo comercial de árvores.

Agora, o mesmo território começa a passar por uma transformação radical.

A empresa de recuperação ambiental Restore comprou Emblehope Moor por cerca de £ 8,5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 62 milhões na conversão direta. A propriedade reúne 7.500 acres, pouco mais de 3 mil hectares, em Northumberland.

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Paulo Nogueira

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Concluída em 21 de julho de 2026, a operação abriu caminho para um dos maiores projetos contínuos de restauração da natureza sob um único proprietário na Inglaterra.

O plano inclui recuperar turfeiras ressecadas, bloquear antigos canais de drenagem, retirar extensas plantações de abeto-de-sitka e criar condições para o retorno de animais silvestres.

Entretanto, a parte mais incomum aparece no modelo de propriedade. Depois de pagar o financiamento e remunerar os investidores, a empresa pretende entregar a área para uma organização comunitária ou beneficente.

Vista aérea de Emblehope Moor, território de 3 mil hectares adquirido por £ 8,5 milhões para receber um dos maiores projetos de recuperação ambiental da Inglaterra. Foto: Mark Pinder/The Guardian.

Drenagem retirou água de uma paisagem que deveria funcionar como uma grande esponja natural

Vista de longe, Emblehope ainda parece uma extensa paisagem selvagem. Porém, décadas de intervenção humana alteraram profundamente o funcionamento do terreno.

Uma rede de canais subterrâneos e valas de drenagem retirou água das turfeiras. Como resultado, áreas que deveriam permanecer encharcadas passaram a apresentar sinais de ressecamento.

Até o musgo esfagno, conhecido por absorver e armazenar grandes quantidades de água, foi encontrado seco durante o verão.

A primeira grande etapa do projeto será identificar os caminhos utilizados pela água para deixar a propriedade. Em seguida, a equipe pretende bloquear parte desses canais e restaurar a hidrologia natural.

De acordo com a instituição financeira Triodos Bank UK, a recuperação abrangerá aproximadamente 800 hectares de turfeiras degradadas.

Modelos ambientais indicam que o solo restaurado poderá reter cerca de 100 mil metros cúbicos adicionais de água. Esse volume equivale a aproximadamente 40 piscinas olímpicas.

Além de recuperar a vegetação, a medida pode reduzir a velocidade com que a chuva desce em direção aos rios. Portanto, o projeto também poderá ajudar a diminuir o risco de inundações nas áreas localizadas abaixo da propriedade.

A turfa saudável ainda funciona como um importante reservatório de carbono. Quando drenada e degradada, porém, ela pode liberar parte desse carbono para a atmosfera.

Bota pressiona uma área de musgo e turfa ressecada em Emblehope Moor, onde antigos canais de drenagem retiraram água do terreno. Foto: Mark Pinder/The Guardian.

Árvores plantadas comercialmente serão retiradas enquanto pôneis ajudarão a controlar a vegetação

Outra mudança ocorrerá nas áreas ocupadas pelo abeto-de-sitka, árvore originária da costa oeste da América do Norte e amplamente utilizada em plantações comerciais britânicas.

Parte desses exemplares será retirada gradualmente. A intenção não é deixar o terreno completamente vazio, mas criar um mosaico de ambientes formado por turfa, vegetação rasteira, arbustos, pequenas árvores, clareiras floridas e áreas com água.

Integrantes do projeto observam as extensas plantações de abeto-de-sitka que serão parcialmente retiradas para permitir a recuperação de diferentes habitats. Foto: Mark Pinder/The Guardian.

Animais também terão papel direto nesse processo.

Pôneis da raça Exmoor deverão circular pela propriedade e consumir parte da vegetação. O pastoreio controlado ajuda a impedir que determinadas plantas dominem toda a paisagem e ainda reduz o acúmulo de material seco capaz de alimentar incêndios.

Bovinos e ovelhas continuarão presentes em sistemas de baixa intensidade. A Restore também manteve o agricultor e o guarda-caça que já trabalhavam na propriedade.

Gado da raça Galloway circula pela propriedade de Emblehope, onde o pastoreio de baixa intensidade deverá ajudar no controle da vegetação. Foto: Mark Pinder/The Guardian.

A decisão procura preservar o conhecimento acumulado por profissionais que conhecem o relevo, os animais e a história do uso da terra.

Em vez de simplesmente expulsar as atividades rurais, o projeto tentará reorganizá-las para que funcionem ao lado da recuperação ambiental.

Águias, tetrazes e castores podem voltar conforme habitats forem recuperados

Emblehope já abriga aves de rapina, incluindo falcões-esmerilhão, além de receber visitas de águias-reais. Rios e córregos da região ainda possuem trutas e salmões, enquanto esquilos-vermelhos e martas circulam pelas áreas próximas.

Com a recuperação da vegetação e da água, os responsáveis esperam criar condições para que outras espécies retornem naturalmente.

Entre os animais citados estão o maçarico-real, a águia-real e o grou-comum. Futuras reintroduções de espécies como o picanço-de-dorso-ruivo, o tetraz-preto e o gato-selvagem poderão ser estudadas, desde que existam evidências ambientais e autorizações.

Apesar das especulações, não há um plano financiado para liberar linces dentro de Emblehope. A espécie depende principalmente de ambientes florestais, enquanto boa parte da propriedade apresenta características abertas.

O apelido “Yellowstone britânico” também precisa ser entendido em seu contexto. Emblehope não possui o tamanho do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos.

A expressão foi usada pelo ambientalista Ben Goldsmith para descrever um conjunto crescente de grandes propriedades dedicadas à recuperação ambiental em Northumberland.

Emblehope está próxima de áreas como College Valley, Hepple Wilds, Rothbury Estate e a enorme Floresta de Kielder. Juntas, essas propriedades poderão formar um corredor de paisagens cada vez mais favoráveis à fauna.

Investidores receberão retorno, mas empresa promete entregar propriedade à comunidade

A compra foi estruturada com uma combinação incomum de doações filantrópicas, capital privado e financiamento bancário.

O Triodos Bank forneceu um empréstimo de aproximadamente £ 4,5 milhões para viabilizar a aquisição. A Restore ainda procura levantar cerca de £ 4 milhões para financiar o programa de transformação previsto para os próximos 20 anos.

As receitas poderão vir da retirada comercial das árvores plantadas, da pecuária controlada, de pagamentos públicos por manejo ambiental, de créditos de carbono, da educação e de um ecoturismo limitado.

Empresas também poderão patrocinar a recuperação de pequenas parcelas de habitat.

O modelo prevê que os investidores recebam retorno e que a dívida seja quitada. Depois disso, entretanto, a intenção é transferir Emblehope para uma estrutura comunitária ou beneficente, conforme explicou a empresa em sua comunicação sobre a aquisição.

A proposta procura evitar que a recuperação ambiental valorize a propriedade apenas para que ela seja revendida e volte a sofrer exploração intensiva.

O desafio será provar que o sistema consegue gerar receitas, recuperar a natureza e beneficiar moradores sem transformar a conservação em mera estratégia financeira.

A aquisição já foi concluída. A transformação da paisagem, contudo, deverá levar décadas e poderá ser medida pelo retorno da água, pela recuperação da turfa e pela presença cada vez maior de animais silvestres.

Grandes propriedades recuperadas com recursos privados deveriam permanecer protegidas permanentemente, mesmo depois que os investidores recebem o retorno esperado?

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Caio Aviz

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Fonte

The Guardian


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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