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Guardas ambientais dos Estados Unidos colocam cervos, alces e lobos robôs nas margens de estradas, com movimentos, calor e até fezes falsas, para atrair caçadores ilegais, e um único chamariz de US$ 2 mil já conseguiu gerar cerca de US$ 30 mil em multas ao longo de dez anos
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 01/09/2026 às 17:21
Atualizado em 01/09/2026 às 17:22
Ciência e Tecnologia
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Guardas ambientais dos Estados Unidos usam cervos, alces, lobos e animais robóticos para atrair caçadores ilegais em operações direcionadas. Os chamarizes podem mover cabeça, pernas e cauda, emitir calor e até simular fezes; no Oregon, um único modelo de US$ 2 mil gerou cerca de US$ 30 mil em multas.
Guardas ambientais dos Estados Unidos utilizam animais taxidermizados e transformados em chamarizes robóticos para tentar flagrar caçadores ilegais. Os modelos produzidos pela Custom Robotic Wildlife, Inc. podem representar cervos, alces, lobos e outros animais, receber movimentos controlados remotamente e, em versões mais sofisticadas, emitir calor ou até simular fezes.
As informações foram publicadas pela Wisconsin Public Radio em 20 de agosto de 2025, em reportagem de Beatrice Lawrence baseada em entrevista com Brian Wolslegel, da Custom Robotic Wildlife, Inc. O taxidermista de Mosinee, em Wisconsin, explicou que os equipamentos são enviados a agentes de fiscalização de diferentes regiões dos Estados Unidos para operações voltadas a suspeitos específicos.
Brian Wolslegel transforma animais taxidermizados em chamarizes
Foto cedida por Brian Wolslegel.
O trabalho é realizado por Brian Wolslegel, que utiliza sua experiência com taxidermia para produzir modelos realistas destinados à fiscalização da vida selvagem.
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A Custom Robotic Wildlife, Inc. fabrica veados, alces, cervos, lobos e outros animais que podem receber mecanismos internos capazes de reproduzir movimentos e outras características observadas na natureza.
Peças de carros de controle remoto movimentam os animais
Grande parte da tecnologia usada nos chamarizes tem origem em componentes de carros de controle remoto.
Wolslegel afirmou que sua empresa também fabrica peças próprias com o auxílio de uma fresadora e de um torno, mas que a base dos sistemas continua ligada à tecnologia empregada em veículos controlados remotamente.
Agentes conseguem controlar os animais à distância
O sistema permite que os policiais ambientais permaneçam afastados do chamariz.
A partir dessa posição, eles podem observar a aproximação de um suspeito e movimentar partes do animal sem precisar ficar próximos do ponto em que a operação está sendo realizada.
Operações costumam ocorrer próximas a estradas
Foto cedida por Brian Wolslegel .
Segundo Wolslegel, os chamarizes são frequentemente colocados nas laterais de estradas, especialmente durante a temporada de caça.
As operações buscam flagrar situações como disparos feitos a partir da estrada ou durante a noite, incluindo casos em que pessoas utilizam holofotes para localizar animais.
Ações não são montadas aleatoriamente, segundo fabricante
Wolslegel afirmou que a fiscalização não simplesmente coloca os animais na estrada esperando que qualquer motorista faça um disparo.
Segundo ele, muitas operações são direcionadas a pessoas já conhecidas pelos agentes, que sabem qual veículo procuram e quem está sendo investigado.
Chamariz substitui animal real durante o flagrante
A lógica da estratégia é evitar a necessidade de encontrar um animal selvagem real exatamente no momento em que o suspeito aparece.
Wolslegel explicou que seria extremamente difícil reunir, ao mesmo tempo e no mesmo ponto, um policial, o caçador ilegal e um animal vivo.
O chamariz elimina essa variável ao permitir que a fiscalização deixe previamente o “animal” posicionado e espere apenas a aproximação do suspeito.
Primeiros modelos praticamente não se movimentavam
Os equipamentos evoluíram com o tempo.
Segundo Wolslegel, algumas das primeiras versões não apresentavam movimento algum, enquanto outras tinham apenas uma orelha móvel conectada por fio ao rabo.
Quando a orelha se mexia, a cauda acompanhava o movimento.
Cabeças e pernas passaram a se mover depois
À medida que caçadores ilegais começaram a reconhecer os chamarizes mais simples, os fabricantes também aumentaram a complexidade.
A empresa passou a desenvolver modelos com cabeças e pernas móveis, buscando dar ao animal uma aparência mais convincente durante as operações.
Algumas bases permitem que o animal inteiro gire
Determinados modelos utilizam bases giratórias.
Esses sistemas permitem que o corpo do chamariz mude de posição de maneira mais ampla, ampliando a impressão de que se trata de um animal vivo.
Sistema de trilhos perdeu espaço por dificuldade no terreno
A empresa também chegou a utilizar modelos montados sobre trilhos.
Wolslegel explicou que o sistema funcionava bem sobre seu piso de cimento, mas era mais difícil de instalar em campo aberto devido a fatores como solo irregular, galhos e características do terreno.
Por isso, esse recurso passou a ser menos utilizado.
Um modelo chegou a simular fezes
A busca por realismo produziu soluções incomuns.
Wolslegel contou que um dos chamarizes recebeu um sistema de rosca sem-fim que levantava a cauda enquanto soltava pequenos objetos marrons, simulando fezes.
O mecanismo funcionou durante determinado período e fazia parte das tentativas de tornar o animal mais convincente.
Caçadores chegam a disparar 10 ou 12 vezes contra o mesmo chamariz
Os equipamentos também precisam resistir aos próprios flagrantes.
Segundo Wolslegel, há casos em que uma pessoa dispara 10 ou 12 vezes contra o mesmo chamariz antes de perceber que não está diante de um animal real.
Apesar disso, ele afirmou que os modelos costumam durar mais do que se poderia imaginar.
Chamariz de US$ 2 mil gerou cerca de US$ 30 mil em multas
Um exemplo citado pelo fabricante veio do Oregon.
Segundo Wolslegel, um policial realizou um levantamento ao longo de dez anos e verificou que um único dispositivo avaliado em aproximadamente US$ 2 mil havia resultado, em média, em cerca de US$ 30 mil em multas durante o período.
Caçadores com visão térmica exigiram nova evolução
O avanço dos equipamentos utilizados por caçadores ilegais criou outra dificuldade para os agentes.
Wolslegel explicou que alguns utilizam miras térmicas e conseguem perceber quando um objeto não apresenta assinatura de calor compatível com um animal verdadeiro.
Novo cervo recebe placas de aquecimento no corpo
Para responder a essa mudança, a empresa desenvolveu um projeto chamado “O Calor”.
O modelo é um cervo equipado com placas de aquecimento internas, capazes de produzir uma assinatura térmica para que o chamariz se pareça com um animal real quando observado por uma mira desse tipo.
Desenvolvimento do cervo térmico levou mais de um ano
A adaptação exigiu um período prolongado de testes.
Wolslegel afirmou que a equipe trabalhou por pouco mais de um ano até chegar a uma versão considerada adequada para ser apresentada aos agentes e utilizada de maneira eficaz em campo.
Próximo projeto pode simular respiração em dias frios
Outra ideia em desenvolvimento envolve um cartucho de CO2 instalado no nariz do animal.
A intenção é fazer com que, em dias frios, o modelo libere um pouco de vapor, reproduzindo visualmente a aparência da respiração de um animal vivo.
Animais robóticos também são usados em filmes e comerciais
A atuação da empresa não fica restrita à fiscalização ambiental.
Wolslegel afirmou que também produz modelos para comerciais de televisão e produções cinematográficas quando os responsáveis precisam representar animais de maneira realista.
Lobo preto foi criado para gravação no centro de Chicago
Um dos trabalhos recentes mencionados foi a construção de um lobo preto destinado a uma cena filmada no centro de Chicago.
Segundo Wolslegel, o uso de um animal real naquele ambiente não seria viável, e o modelo produzido pela empresa foi utilizado na gravação.
Fiscalização continua adaptando chamarizes às novas técnicas
O próprio fabricante descreveu o processo como uma disputa contínua entre fiscalização e caçadores ilegais.
À medida que os suspeitos reconhecem movimentos artificiais ou passam a utilizar equipamentos como miras térmicas, a Custom Robotic Wildlife adiciona novos recursos aos chamarizes, incluindo movimentos mais complexos, assinatura de calor e outras simulações.
O resultado é uma ferramenta usada em operações direcionadas, com exemplares que podem permanecer ativos durante anos. Na sua opinião, o que mais chama atenção nessa estratégia: os movimentos dos animais, o uso de calor e fezes falsas ou um chamariz de US$ 2 mil conseguir gerar cerca de US$ 30 mil em multas ao longo de uma década? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

