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Há dez anos SUVs eram coadjuvantes no Brasil, hoje lideram 46,6% do mercado e ajudam a explicar por que sedãs, monovolumes e carros baratos perderam tanto espaço
Escrito por Carla Teles
Publicado em 26/09/2026 às 00:45
Atualizado em 26/09/2026 às 01:50
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Os SUVs saltaram de 15% dos emplacamentos de veículos leves em 2016 para 46,6% entre janeiro e agosto de 2026, enquanto hatches pequenos ficaram perto de 21%; no mesmo período, sedãs pequenos, monovolumes e carros de entrada recuaram fortemente, segundo dados da Fenabrave reunidos pela AutoIndústria em setembro no Brasil.
Os SUVs deixaram uma posição secundária para se tornar a categoria dominante do mercado brasileiro de veículos leves em apenas uma década. Entre janeiro e agosto de 2016, respondiam por 15% dos licenciamentos. No mesmo período de 2026, essa participação chegou a 46,6%, praticamente metade de todos os automóveis e comerciais leves emplacados no país.
Os números foram publicados pela AutoIndústria em 24 de setembro de 2026, com base nas categorias acompanhadas pela Fenabrave. A comparação de dez anos mostra uma mudança que vai além do crescimento de um tipo de carro: enquanto os utilitários esportivos avançaram, categorias que antes tinham peso expressivo, como sedãs pequenos, monovolumes e veículos de entrada, perderam participação de forma acentuada.
SUVs passaram de 15% para 46,6% em uma década
Nos oito primeiros meses de 2016, os SUVs ocupavam apenas a terceira posição entre as 17 categorias listadas pela Fenabrave. Naquele momento, 15% dos veículos leves emplacados pertenciam a esse segmento, participação ainda distante da liderança.
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Em 2026, o cenário se inverteu. Entre janeiro e agosto, aproximadamente 879 mil SUVs foram licenciados, dentro de um mercado total de 1.887.750 automóveis e comerciais leves. Isso elevou a categoria para 46,6% do total e consolidou sua liderança com ampla vantagem.
Quase um em cada dois veículos leves vendidos já é SUV
A participação de 46,6% mostra o grau de concentração alcançado pela categoria. Em termos práticos, quase metade dos veículos leves que chegaram às ruas brasileiras nos oito primeiros meses de 2026 estava enquadrada pela Fenabrave entre os SUVs.
Essa transformação ajuda a entender por que as fabricantes ampliaram suas linhas de utilitários esportivos ao longo dos últimos anos. O crescimento dos SUVs ocorreu ao mesmo tempo em que vários segmentos tradicionais encolheram ou praticamente desapareceram do mercado.
SUVs e hatches pequenos concentram mais de dois terços das vendas
Somados, SUVs e hatches pequenos responderam por mais de 67,3% dos licenciamentos de veículos leves entre janeiro e agosto de 2026. Isso significa que, de cada três automóveis e comerciais leves emplacados no período, aproximadamente dois pertenciam a apenas essas duas categorias.
Há dez anos, a concentração era muito menor. Em 2016, os dois segmentos mais vendidos — hatches pequenos e carros de entrada — somavam 39,7% do mercado. A diferença entre os dois períodos chega a aproximadamente 27,6 pontos percentuais.
Hatches pequenos ficaram praticamente estáveis
Ao contrário dos SUVs, os hatches pequenos não precisaram avançar significativamente para permanecer entre os segmentos mais relevantes. A participação deles mudou pouco ao longo da década.
Em 2016, os hatches pequenos representavam 21,7% do mercado, com aproximadamente 283 mil unidades licenciadas entre janeiro e agosto. Em 2026, a fatia ficou em 20,8%, mas o volume subiu para cerca de 392 mil unidades devido ao tamanho maior do mercado.
Concentração cresceu porque SUVs ocuparam espaço de outros segmentos
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Os dados mostram que a atual concentração não surgiu porque todas as principais categorias cresceram juntas. O movimento foi conduzido principalmente pelo avanço dos SUVs, enquanto vários outros tipos de veículos perderam participação.
A AutoIndústria observa que o mercado passou a depender cada vez mais de um número reduzido de categorias. Os utilitários esportivos foram o principal motor dessa mudança, acumulando volumes cada vez maiores desde a segunda metade da década passada.
Sedãs pequenos caíram de mais de 14% para apenas 2%
Os sedãs pequenos estão entre os exemplos mais claros dessa transformação. Há dez anos, eles ainda respondiam por mais de 14% dos licenciamentos e ocupavam posição importante no mercado brasileiro.
Em 2026, a participação recuou para aproximadamente 2%. A queda nos emplacamentos ocorreu paralelamente à redução da oferta desses modelos nas lojas, mostrando como uma categoria antes comum nas ruas perdeu protagonismo diante de novas preferências e estratégias das fabricantes.
Monovolumes praticamente desapareceram
Os monovolumes seguiram uma trajetória ainda mais radical. Em 2016, a categoria representava pouco mais de 2% do mercado brasileiro de veículos leves.
Nos anos mais recentes, inclusive em 2026, essa participação ficou próxima de zero. O segmento deixou de ter peso relevante nos licenciamentos, refletindo uma mudança profunda na oferta de produtos disponíveis ao consumidor.
Hatches médios também perderam espaço até quase desaparecer
Os hatches médios tiveram comportamento semelhante ao dos monovolumes. Modelos desse tipo chegaram a ocupar uma parcela mensurável do mercado brasileiro, mas perderam espaço progressivamente.
A participação também saiu de pouco mais de 2% em 2016 para praticamente zero nos anos recentes. O movimento mostra que a expansão dos SUVs não afetou apenas sedãs, mas também tipos de carroceria que durante décadas fizeram parte do portfólio das principais montadoras.
Carros de entrada encolheram para um quarto da participação anterior
Outra mudança expressiva ocorreu entre os veículos classificados pela Fenabrave como carros de entrada, justamente os modelos posicionados entre os mais baratos do mercado.
Há dez anos, eles respondiam por 18% dos licenciamentos. Em 2026, a participação caiu para apenas 4,5%, exatamente um quarto da fatia observada em 2016. A redução ajuda a mostrar por que o mercado atual tem presença menor de automóveis básicos de baixo preço.
Mercado perdeu parte do espaço reservado aos carros mais baratos
A retração dos veículos de entrada não significa apenas uma troca de carrocerias. Ela também mostra uma mudança na composição comercial das vendas, já que o segmento reunia produtos posicionados nas faixas mais acessíveis.
Enquanto os SUVs passaram a responder por quase metade do mercado, os carros de entrada perderam 13,5 pontos percentuais em dez anos. Essa diferença evidencia como a estrutura das vendas brasileiras mudou no período analisado.
Picapes foram a outra categoria que conseguiu crescer
Entre os grandes segmentos, os SUVs não foram os únicos a ampliar participação desde 2016. As picapes também avançaram de maneira relevante.
Somadas as versões de diferentes portes, elas passaram de 13% do mercado de veículos leves em 2016 para 17% em 2026. Com esse crescimento, tornaram-se a terceira categoria mais vendida do país, atrás de SUVs e hatches pequenos.
Três categorias agora dominam boa parte do mercado
A combinação entre SUVs, hatches pequenos e picapes mostra como o mercado se reorganizou. Os três formatos concentram hoje uma parcela muito maior dos licenciamentos do que há uma década.
Os SUVs ocupam a primeira posição com 46,6%, os hatches pequenos aparecem com 20,8% e as picapes chegam a 17%. Ao mesmo tempo, categorias que anteriormente dividiam o mercado perderam relevância ou praticamente desapareceram das estatísticas.
Mudança foi mais rápida do que os números de 2016 sugeriam
Em 2016, os SUVs ainda estavam longe de dominar os emplacamentos. Com 15% de participação, disputavam espaço com carros de entrada, hatches e sedãs em uma estrutura de mercado muito mais distribuída.
Dez anos depois, a distância entre as categorias aumentou. A participação dos SUVs cresceu 31,6 pontos percentuais, enquanto sedãs pequenos e carros de entrada sofreram retrações de dois dígitos no mesmo intervalo.
Mercado brasileiro ficou mais dependente de poucos tipos de veículos
A comparação entre 2016 e 2026 mostra que não houve apenas uma mudança na liderança. Houve também uma concentração mais intensa das vendas.
Há dez anos, eram necessários quatro segmentos para alcançar uma participação equivalente àquela hoje concentrada principalmente nas duas primeiras categorias. Em 2026, SUVs e hatches pequenos, sozinhos, ultrapassam dois terços do mercado de veículos leves.
SUVs ajudam a explicar a nova paisagem das ruas brasileiras
O avanço dos SUVs alterou a composição das vendas e, ao mesmo tempo, reduziu o espaço comercial disponível para vários formatos tradicionais. Sedãs pequenos, monovolumes, hatches médios e carros de entrada perderam participação enquanto utilitários esportivos e picapes avançaram.
Os números da Fenabrave mostram a dimensão dessa transformação: os SUVs saíram de 15% em 2016 para 46,6% em 2026, enquanto veículos de entrada recuaram de 18% para 4,5% e sedãs pequenos caíram de mais de 14% para apenas 2%.
Na sua opinião, os SUVs realmente atendem melhor às necessidades dos brasileiros ou o mercado ficou concentrado demais nesse tipo de carro? Conte nos comentários qual categoria você ainda gostaria de ver com mais opções nas lojas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

