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Halliburton fecha acordo com a brasileira Eneva, dona de capacidade para produzir 9 milhões de m³ de gás por dia, para buscar novos projetos de petróleo e gás na Venezuela
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 22/09/2026 às 17:22
Petróleo e Gás
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Halliburton e Eneva assinam acordo para buscar projetos de petróleo e gás na Venezuela, em meio à retomada dos investimentos no país.
Segundo a Halliburton, em comunicado publicado em 21 de setembro de 2026, a gigante americana de serviços petrolíferos assinou um memorando de entendimento com a brasileira Eneva para identificar e buscar oportunidades de desenvolvimento de petróleo e gás na Venezuela. A parceria coloca lado a lado uma companhia com quase nove décadas de experiência no mercado venezuelano e a maior operadora privada de gás natural onshore do Brasil, que informa ter capacidade para produzir 9 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
O acordo ainda não aponta campos, investimentos ou metas de produção, mas chega justamente quando empresas internacionais voltam a estudar ativos venezuelanos e as exportações de petróleo do país alcançaram 1,17 milhão de barris por dia em agosto.
Halliburton e Eneva começam pela busca de oportunidades
O documento assinado pelas empresas é um memorando de entendimento, conhecido pela sigla MOU. Ele cria uma estrutura para que Halliburton e Eneva trabalhem juntas na identificação de possíveis negócios na Venezuela.
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Não existe ainda um campo petrolífero entregue à dupla, uma usina definida ou um orçamento anunciado.
A frase usada pela Halliburton é mais cuidadosa: as empresas vão colaborar para “identificar e perseguir oportunidades de desenvolvimento” no setor venezuelano de petróleo e gás. O acordo aproveita uma relação comercial que elas já mantêm no Brasil.
O próximo passo será descobrir quais ativos realmente cabem nessa parceria.
Eneva chega com experiência em produzir e monetizar gás no Brasil
A brasileira não entra nessa conversa como uma petroleira tradicional focada apenas em retirar óleo do subsolo.
Seu modelo combina exploração e produção de hidrocarbonetos com geração elétrica, comercialização de gás, GNL e infraestrutura energética. A companhia opera campos principalmente em terra e construiu boa parte de sua estratégia ligando reservas de gás diretamente a usinas termelétricas.
Hoje, a Eneva informa capacidade para produzir 9 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.
Também opera 7,2 GW de capacidade termelétrica instalada e se apresenta como a maior operadora privada onshore de gás natural do Brasil.
É esse conhecimento que pode encontrar espaço em projetos venezuelanos caso as duas empresas avancem além do memorando.
Halliburton conhece os campos venezuelanos há quase nove décadas
Do outro lado da mesa está uma das maiores empresas de serviços para campos de petróleo do mundo.
A Halliburton afirma ter quase 90 anos de experiência na Venezuela. A companhia mantém bases estrategicamente localizadas no país, além de conhecimento operacional e equipes familiarizadas com as condições locais.
Ela não funciona exatamente como uma ExxonMobil ou uma Chevron.
Em muitos projetos, seu negócio está em fornecer tecnologia e serviços usados para encontrar, perfurar, completar e manter poços. Isso inclui interpretação do subsolo, construção de poços, cimentação, equipamentos de completação e soluções para elevar a produtividade de campos existentes.
Para um país com campos maduros e infraestrutura que passou anos recebendo investimento abaixo do necessário, esse tipo de serviço entra cedo na cadeia.
A parceria pode ir do reservatório até a produção
A Halliburton não informou quais serviços pretende oferecer com a Eneva.
Seu portfólio ajuda a entender o tamanho das possibilidades.
A empresa trabalha desde a caracterização do reservatório, etapa usada para entender onde estão petróleo e gás, até construção de poços, completação e otimização da produção. Também atua em projetos integrados nos quais diferentes serviços são combinados dentro da mesma operação.
A Eneva conhece outro pedaço dessa cadeia.
No Brasil, ela explora gás, perfura poços, trata o combustível e, em determinados projetos, usa esse mesmo gás para produzir eletricidade.
Uma oportunidade venezuelana pode aproveitar apenas parte dessas competências. Por enquanto, nenhuma configuração foi anunciada.
Venezuela exportou 1,17 milhão de barris por dia em agosto
O acordo aparece num momento em que o fluxo de petróleo venezuelano voltou a crescer.
Dados citados pela Reuters mostram que as exportações ficaram em aproximadamente 1,17 milhão de barris por dia em agosto de 2026. Vitol e Trafigura responderam juntas por cerca de 597 mil barris diários daquele volume.
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A quantidade embarcada esbarra agora em outro problema: logística.
O custo para contratar um navio Aframax entre o porto venezuelano de José e a Costa do Golfo dos Estados Unidos subiu de aproximadamente US$ 1,35 milhão no começo do ano para US$ 3,5 milhões. Um Aframax transporta cerca de 700 mil barris.
O petróleo está saindo. Transportá-lo ficou muito mais caro.
Eneva pode testar fora do Brasil um modelo construído em terra
A maior parte da experiência de exploração e produção da Eneva foi construída nas bacias brasileiras do Parnaíba e Amazonas.
No fim de 2024, a companhia declarava 46 bilhões de metros cúbicos de reservas certificadas 2P de gás natural. Reservas 2P combinam volumes provados e prováveis, uma classificação usada pela indústria para representar recursos com perspectiva razoável de recuperação comercial.
O portfólio também reunia 11,7 milhões de barris de reservas 2P de óleo e condensado.
Já sua área de atuação ia muito além do poço. A empresa tratava gás, transportava GNL por rodovia, operava termelétricas e comercializava energia.
Uma entrada venezuelana seria uma mudança geográfica importante para uma companhia cuja estrutura operacional foi construída principalmente dentro do Brasil.
O acordo aparece no meio de uma corrida maior
Halliburton e Eneva não estão se movimentando sozinhas. A Reuters informou nesta semana que empresas internacionais vêm negociando novos acordos de energia com a Venezuela.
A francesa TotalEnergies assinou um memorando com a estatal PDVSA em 19 de setembro, embora os detalhes comerciais não tenham sido divulgados.
A ExxonMobil também avançou em conversas sobre uma possível volta ao país e demonstrou interesse no projeto de petróleo pesado Petromonagas e em áreas do bloco Carabobo, segundo pessoas ouvidas pela Reuters.
A Continental Resources assinou outro entendimento preliminar ligado ao setor.
São negociações diferentes, com empresas, ativos e estágios próprios. O ponto em comum é a volta do capital internacional à mesa.
Halliburton também assinou um segundo acordo na Venezuela
No mesmo anúncio em que revelou a parceria com a Eneva, a Halliburton confirmou outro memorando, desta vez com a WESCA.
Nesse caso, o escopo está mais definido.
A Halliburton deverá apoiar avaliações de campos e planejamento de desenvolvimento. As duas companhias já trabalham juntas usando tecnologias digitais e interpretação do subsolo para melhorar o conhecimento sobre reservatórios.
São dois memorandos separados.
O acordo com a WESCA não significa que Eneva participe automaticamente desses mesmos campos ou atividades.
Infraestrutura ainda será uma das grandes barreiras
Encontrar empresas dispostas a investir resolve apenas uma parte da equação venezuelana.
Poços precisam estar conectados a sistemas de coleta. Petróleo precisa de processamento, armazenamento e terminais. Gás exige tratamento, dutos ou outra solução para chegar ao consumidor.
A logística recente mostra como qualquer gargalo aparece rapidamente nos custos.
Enquanto as exportações ficaram em 1,17 milhão de barris por dia em agosto, filas de navios e tempo médio de espera nos terminais permaneceram em níveis elevados, segundo a Reuters.
Para quem entrar agora, haverá oportunidades de produção. Também haverá infraestrutura para recuperar.
Momento político e financeiro ainda pesa sobre os negócios
A abertura de novas negociações empresariais acontece ao mesmo tempo em que autoridades venezuelanas discutem energia, financiamento e reestruturação de dívida com instituições internacionais e representantes dos Estados Unidos.
A Reuters informou que a dívida soberana venezuelana e da PDVSA é estimada por analistas entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões. O Banco Interamericano de Desenvolvimento começou a preparar um plano de relacionamento de dois anos com foco, entre outras áreas, no sistema elétrico.
Essas conversas ainda estão em andamento.
Para empresas de petróleo e gás, regras contratuais, financiamento, segurança operacional e capacidade de receber pagamentos serão tão decisivos quanto a quantidade de hidrocarbonetos disponível.
Memorando ainda está longe de significar produção
O anúncio da Halliburton não informa valor de investimento, número de poços, área de exploração, produção prevista ou prazo para início de uma operação da Eneva na Venezuela.
Isso coloca uma linha clara entre o que já aconteceu e o que ainda depende de negociação.
O fato concreto é o acordo para buscar oportunidades em conjunto.
Se um ativo for escolhido, outras etapas terão de vir depois: avaliação técnica, negociação comercial, contratos, aprovação regulatória, definição de capital e planejamento da operação.
Só então equipamentos começam a chegar ao campo.
Uma empresa brasileira agora tem lugar numa mesa internacional maior
A Eneva construiu sua escala perfurando e produzindo gás em terra no Brasil, conectando parte dessas reservas a usinas e criando caminhos para levar o combustível a mercados sem gasodutos.
Agora, uma companhia que produz até 9 milhões de metros cúbicos de gás por dia no mercado brasileiro passa a procurar oportunidades na Venezuela ao lado de uma empresa com quase 90 anos de experiência naquele país.
Ainda não há um poço venezuelano com o nome da Eneva ao lado. Há, porém, algo que não existia antes de 21 de setembro: um acordo formal para procurar esse poço.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

