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Homem enterrado dentro de vaso há 4.500 anos tem primeiro genoma completo do Egito Antigo sequenciado, e DNA revela ligação inesperada com populações da Mesopotâmia

Homem enterrado dentro de vaso há 4.500 anos tem primeiro genoma completo do Egito Antigo sequenciado, e DNA revela ligação inesperada com populações da Mesopotâmia

5 min de leitura

Homem enterrado dentro de vaso há 4.500 anos tem primeiro genoma completo do Egito Antigo sequenciado, e DNA revela ligação inesperada com populações da Mesopotâmia

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 16/09/2026 às 16:42

Atualizado em 16/09/2026 às 16:43

Ciência e Tecnologia

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Reconstrução ilustrativa mostra como poderia ser o rosto do homem de Nuwayrat, cujo genoma de cerca de 4.500 anos revelou ancestralidade ligada ao norte da África e à Ásia Ocidental.

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Esqueleto encontrado em tumba de Nuwayrat revelou ancestralidade principalmente norte-africana, mas parte do DNA apresentou relação com populações antigas do Crescente Fértil oriental.

Há cerca de 4.500 anos, um homem foi enterrado com o corpo dobrado dentro de um grande vaso de cerâmica em Nuwayrat, no Egito. Milênios depois, seus dentes permitiram aos cientistas obter o primeiro genoma humano completo já sequenciado de um indivíduo do Egito Antigo, abrindo uma rara janela para sua ancestralidade.

A datação por radiocarbono colocou sua vida entre 2855 e 2570 a.C., na transição entre o Período Dinástico Inicial e o Império Antigo. O resultado mais marcante, porém, apareceu na análise genética: aproximadamente 80% de sua ancestralidade estava relacionada ao norte da África, enquanto cerca de 20% apresentava proximidade com populações antigas da Ásia Ocidental.

DNA de homem do Egito Antigo revelou ligação genética com populações da Mesopotâmia.

O estudo publicado pela revista científica Nature, em 2 de julho de 2025, acrescentou uma nova peça às evidências de contato entre diferentes populações antigas. A arqueologia já indicava circulação de objetos, plantas, animais, tecnologias e conhecimentos entre o Egito e outras regiões durante a formação das primeiras sociedades complexas.

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O genoma de Nuwayrat mostrou que esses contatos também podem ter envolvido movimentos populacionais. Segundo a análise, cerca de 77,6% da ancestralidade apresentou relação com populações neolíticas do norte da África, enquanto 22,4% estavam associados a grupos antigos do Crescente Fértil oriental, incluindo a região da Mesopotâmia.

Os pesquisadores ainda não conseguiram estabelecer quando essa mistura aconteceu. Ela pode ter ocorrido centenas ou milhares de anos antes do nascimento daquele homem, em um período específico ou ao longo de diferentes gerações. O achado ganhou ainda mais importância porque o clima quente do Egito dificulta a conservação de DNA antigo.

Homem foi encontrado dentro de grande vaso de cerâmica em tumba escavada na rocha.

A história moderna daquele esqueleto começou em 1902, quando arqueólogos britânicos realizaram escavações na necrópole de Nuwayrat, ao sul do Cairo. Em uma tumba escavada numa colina de calcário, eles encontraram os restos humanos protegidos dentro de um grande recipiente de cerâmica.

O corpo havia sido colocado em posição contraída, com os joelhos próximos ao peito. A combinação entre a tumba de pedra, o recipiente e as condições do sepultamento pode ter favorecido a preservação dos restos durante milhares de anos, algo especialmente importante em uma região onde o material genético costuma se degradar rapidamente.

Décadas depois, cientistas analisaram dentes desse indivíduo para tentar recuperar seu DNA. O material preservado permitiu aplicar técnicas de sequenciamento genético e, finalmente, reconstruir seu genoma com aproximadamente 2× de cobertura.

Esqueleto humano dentro de grande vaso de cerâmica representa sepultamento de homem que viveu há cerca de 4.500 anos no Egito Antigo.

Ossos preservados por 4.500 anos deram pistas sobre a rotina de trabalho daquele homem.

O DNA revelou sua ancestralidade, mas os ossos forneceram pistas sobre uma parte muito mais cotidiana de sua história. A análise do esqueleto indicou que o homem morreu entre 44 e 64 anos, provavelmente mais próximo do limite superior dessa faixa, depois de uma vida marcada por esforço físico repetitivo.

Desgastes nas articulações e na coluna, além de alterações musculoesqueléticas, indicaram atividades que exigiam agachamento, inclinação do corpo e movimentos constantes dos membros. Quando essas características foram comparadas a trabalhos conhecidos do Egito Antigo, uma possibilidade ganhou força: a produção de cerâmica.

A hipótese não significa que sua profissão tenha sido descoberta com certeza. Outras atividades físicas poderiam deixar marcas semelhantes no corpo, incluindo trabalhos ligados à tecelagem. O fato de o homem ter sido enterrado dentro de um vaso também não comprova que ele fosse oleiro, pois esse tipo de sepultamento não era exclusivo de uma profissão.

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Viviane Alves

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Crânio e DNA ajudaram cientistas a reconstruir parte da aparência do egípcio.

O crânio preservado também permitiu que pesquisadores produzissem uma reconstrução facial em 3D, enquanto o material genético forneceu pistas sobre características físicas. A análise apontou maior probabilidade de olhos castanhos, cabelos castanhos e pigmentação de pele escura.

Essas características, no entanto, foram tratadas como estimativas, e não como uma fotografia exata daquele homem. A quantidade de indivíduos antigos disponíveis para comparação genética ainda é pequena, o que limita a precisão das previsões sobre aparência.

Por essa razão, a reconstrução facial final foi apresentada em tons de cinza, sem atribuir cores definitivas à pele ou aos cabelos. A cautela também vale para a ancestralidade: um único indivíduo não representa toda a população do Egito que viveu naquele período.

Crânio e reconstrução facial anatômica ilustram estudo do homem de Nuwayrat, que viveu há cerca de 4.500 anos no Egito Antigo.

Primeiro genoma completo do Egito Antigo revelou uma história preservada durante milhares de anos.

A importância do homem de Nuwayrat está justamente na quantidade de informações recuperadas de um único sepultamento. Um indivíduo colocado dentro de um vaso de cerâmica há aproximadamente 4.500 anos permitiu aos cientistas combinar genética, arqueologia e análise óssea para reconstruir fragmentos de sua origem e de sua vida.

O resultado também acrescentou evidência genética aos antigos contatos entre o norte da África e o Crescente Fértil. Objetos e conhecimentos já demonstravam que essas regiões estavam conectadas, mas o genoma mostrou que pessoas também fizeram parte desses movimentos ao longo do tempo.

Ainda existem perguntas sem resposta, especialmente sobre quando ocorreu a mistura genética identificada no estudo. Mesmo assim, os dentes preservados daquele homem forneceram o primeiro genoma humano completo sequenciado do Egito Antigo, transformando um sepultamento descoberto há mais de um século em uma rara fonte de informações sobre pessoas que viveram no início da Era das Pirâmides.

O que mais chama sua atenção nessa descoberta: o DNA de 4.500 anos ter sobrevivido no Egito ou a ligação genética encontrada com populações da Mesopotâmia? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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