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Homem tira maço de cigarros do bolso em Ibiraçu, no Espírito Santo, e deixa cair sem perceber mais de R$ 1 mil que havia ganhado como ajudante de pedreiro para pagar a pensão da filha, perde a esperança de recuperar o valor até desconhecido encontrar as notas e mobilizar a cidade para devolvê-las
Escrito por Ana Alice
Publicado em 11/09/2026 às 23:58
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Um maço com mais de R$ 1 mil caiu no chão em Ibiraçu e permaneceu quase duas semanas longe do dono, até câmeras, redes sociais e moradores ajudarem a reunir quem perdeu e quem encontrou o dinheiro.
Um maço com mais de R$ 1 mil ficou no chão de uma praça em Ibiraçu, no Norte do Espírito Santo, depois de cair do bolso de um trabalhador.
Minutos depois, outro homem encontrou as notas.
O que poderia ter terminado ali virou uma busca de quase duas semanas, com câmeras de segurança, publicações nas redes sociais e moradores tentando descobrir quem havia perdido o dinheiro.
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O desfecho aconteceu na manhã de quarta-feira (09), quando o consultor de empresas Pedro Moro devolveu toda a quantia ao ajudante de pedreiro Matheus Reginaldo Celestino, de 24 anos.
O encontro ocorreu justamente no mesmo lugar onde o dinheiro havia aparecido no chão.
Para Matheus, aquelas notas tinham um destino muito menos casual.
Ele contou que o valor era o pagamento recebido por um serviço como ajudante de pedreiro e seria usado, entre outras despesas, para pagar a pensão da filha.
Quando percebeu que havia perdido o dinheiro, chegou a procurá-lo, mas acabou acreditando que dificilmente o recuperaria.
Dinheiro caiu do bolso durante uma parada para lanche
A perda aconteceu na sexta-feira (28), quando Matheus havia parado em um estabelecimento de churrasquinho para fazer um lanche.
Em determinado momento, colocou a mão no bolso para pegar um maço de cigarros e acabou retirando as notas junto, sem perceber.
O dinheiro caiu na rua enquanto ele seguia pelo local.
Matheus continuou andando sem notar imediatamente o que tinha acontecido.
A sequência só ficou clara depois graças a uma câmera de segurança instalada nas proximidades.
As imagens mostram Matheus passando pela rua e, logo em seguida, o maço de dinheiro aparecendo no chão.
Algum tempo depois, Pedro também surge na gravação e recolhe as notas.
Pedro tentou localizar o dono antes de levar o dinheiro
O detalhe curioso é que os dois estiveram muito perto de se encontrar ainda naquele dia.
Segundo informações posteriormente reunidas pelo UOL, Pedro permaneceu algum tempo na região tentando perceber se alguém apareceria procurando pelo dinheiro.
Matheus também voltou às proximidades depois de notar a perda, mas os dois acabaram não se cruzando.
Pedro decidiu então levar a quantia consigo e iniciar uma procura.
Em vez de publicar imediatamente o valor exato ou detalhes que permitissem a qualquer pessoa reivindicar as notas, o consultor começou perguntando a moradores e acompanhando as redes sociais para descobrir se alguém comentava sobre uma perda de dinheiro naquela região.
Ele também foi atrás das imagens de segurança.
De acordo com o relato ao UOL, Pedro visitou imóveis próximos até conseguir uma gravação que ajudasse a entender de onde as notas haviam surgido.
A existência das imagens daria posteriormente uma forma de conferir a versão apresentada por quem aparecesse dizendo ser o verdadeiro dono.
Redes sociais mobilizaram moradores de Ibiraçu
No dia 3 de setembro, o consultor decidiu ampliar a busca e publicou um vídeo sobre o caso nas redes sociais.
A história começou então a circular por Ibiraçu.
Moradores compartilharam a publicação e passaram a tentar identificar o homem que aparecia nas imagens.
Ao mesmo tempo, Pedro começou a receber mensagens de pessoas interessadas no dinheiro, mas manteve a quantia guardada enquanto buscava elementos que confirmassem a identidade do proprietário.
Do outro lado dessa procura, Matheus já havia praticamente desistido.
Amigos do ajudante de pedreiro viram as publicações e perceberam que o caso poderia ser exatamente o dinheiro perdido por ele.
Foi assim que a mobilização nas redes chegou ao trabalhador e permitiu que ele entrasse em contato com Pedro.
Detalhes ajudaram a confirmar quem era o verdadeiro dono
Encontrar alguém dizendo ser o dono, porém, ainda não encerrava a história.
Antes de entregar as notas, Pedro procurou confirmar se Matheus realmente era a pessoa que havia perdido o dinheiro.
Segundo o UOL, uma fotografia do trabalhador foi mostrada a pessoas que estavam no churrasquinho naquele dia.
O proprietário do estabelecimento reconheceu Matheus como o homem que havia aparecido no local procurando pela quantia.
Houve ainda uma verificação difícil de acertar por acaso.
Matheus conseguiu informar quantas notas havia de determinados valores e como o dinheiro estava organizado.
Também possuía comprovantes relacionados à retirada da quantia.
Para Pedro, os detalhes correspondiam ao maço que permanecera guardado desde o encontro na praça.
Dinheiro foi devolvido 12 dias depois
Doze dias depois da perda, os dois voltaram ao ponto onde tudo havia começado.
Na manhã de quarta-feira (09), Pedro entregou mais de R$ 1 mil a Matheus na mesma praça de Ibiraçu.
O trabalhador recuperou integralmente o pagamento que imaginava não ver novamente.
“Já tinha dado como perdido esse dinheiro. Mas, graças a Deus, deu tudo certo”, disse Matheus ao comentar a devolução, segundo o UOL.
Pedro também relatou que a busca havia se tornado assunto na cidade.
Depois que o vídeo começou a circular, pessoas o abordavam constantemente para perguntar se o proprietário já havia aparecido.
A história chamou atenção não apenas pelo dinheiro encontrado, mas pelo trabalho realizado para descobrir quem realmente poderia buscá-lo.
Entre a queda das notas e a devolução, houve procura por câmeras, conversas com moradores, publicações na internet e checagem dos detalhes fornecidos pelo trabalhador.
O que a lei diz sobre dinheiro encontrado na rua
Existe ainda um aspecto pouco conhecido nesses casos: no Brasil, encontrar algo perdido não transforma automaticamente quem encontrou em proprietário do objeto ou do dinheiro.
O Código Civil determina que quem encontra uma coisa alheia perdida deve devolvê-la ao dono ou legítimo possuidor.
Caso não saiba quem é o proprietário, deve tentar localizá-lo e, se não conseguir, entregar o bem à autoridade competente.
A legislação também prevê uma recompensa para quem faz a restituição nos termos legais, não inferior a 5% do valor do bem, além de eventual indenização pelas despesas de conservação e transporte.
As fontes sobre o caso de Ibiraçu, porém, não informam que Pedro tenha pedido ou recebido qualquer recompensa de Matheus.
O Código Penal trata ainda da chamada apropriação de coisa achada.
O artigo 169 prevê que quem encontra algo perdido e se apropria do bem, sem restituí-lo ao dono ou entregá-lo à autoridade competente dentro de 15 dias, pode responder criminalmente.
Câmera e redes sociais fecharam o caminho do dinheiro
No caso ocorrido em Ibiraçu, porém, não foi necessário chegar a esse caminho.
A combinação entre uma câmera apontada para a rua, uma publicação nas redes sociais e moradores que reconheceram a história permitiu descobrir exatamente quem havia deixado o maço cair.
As notas que passaram quase duas semanas guardadas com um desconhecido voltaram às mãos de Matheus.
E o dinheiro que havia desaparecido quando ele tentou apenas retirar um maço de cigarros do bolso pôde seguir para o destino que estava previsto antes daquela parada para o lanche: as despesas do trabalhador e o compromisso financeiro com a filha.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

