Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Homem vive 100 dias a 6,7 metros no fundo do mar e sai todo alterado, com colesterol 72 pontos menor, quase 4 kg a menos e testosterona 7 vezes maior

Homem vive 100 dias a 6,7 metros no fundo do mar e sai todo alterado, com colesterol 72 pontos menor, quase 4 kg a menos e testosterona 7 vezes maior

4 min de leitura

Homem vive 100 dias a 6,7 metros no fundo do mar e sai todo alterado, com colesterol 72 pontos menor, quase 4 kg a menos e testosterona 7 vezes maior

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 20/09/2026 às 11:15

Atualizado em 20/09/2026 às 11:21

Ciência e Tecnologia

Canal

Assista o vídeo
Joseph Dituri se comunica com mergulhadores fora do habitat subaquático durante seu experimento oceânico de 100 dias na costa da Flórida. Crédito: Jules’ Undersea Lodge

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Joseph Dituri viveu 100 dias a 6,7 metros de profundidade, perdeu quase quatro quilos, reduziu o colesterol e relatou testosterona sete vezes maior, mas pesquisadores alertam que o caso isolado não prova longevidade nem rejuvenescimento

Em 2023, um experimento impressionante de 100 dias em um habitat instalado a 6,7 metros no fundo do mar perto de Key Largo, na Flórida, colocou o engenheiro biomédico Joseph Dituri sob pressão constante e produziu resultados que agora ele tenta levar para estudos maiores. Aos 60 anos, o pesquisador relatou mudanças no colesterol, peso, sono, inflamação e testosterona, no entanto especialistas alertam que um único caso não permite concluir que a exposição prolongada tenha efeito antienvelhecimento.

Assista o vídeo

Dituri permaneceu no habitat submarino em 2023, submetido a uma pressão de 1,6 atmosferas, equivalente a aproximadamente 25 libras por polegada quadrada.

A missão acabou quebrando um recorde mundial, embora, segundo ele, a principal intenção fosse observar como o organismo responderia a meses em um ambiente pressurizado.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A ideia se aproxima de uma questão estudada pela medicina hiperbárica. A terapia com oxigênio hiperbárico, conhecida como HBOT, é utilizada em determinadas condições, como doença da descompressão e intoxicação por monóxido de carbono.

O experimento de Dituri, porém, levou a exposição a uma duração muito maior e teve apenas o próprio pesquisador como participante.

Joseph Dituri é visto dentro de um pequeno habitat subaquático. Crédito: Frazier Nivens/AP

Colesterol caiu 72 pontos e pesquisador perdeu quase 4 quilos

Entre as mudanças relatadas após os 100 dias estão uma redução de 72 pontos no colesterol e uma perda de quase quatro quilos, mesmo sem alteração da dieta.

Dituri também afirmou ter apresentado redução em marcadores inflamatórios, incluindo o cortisol, além de aumento expressivo da testosterona. A Popular Mechanics descreveu o resultado como uma elevação para sete vezes o nível anterior.

Nem todas as mudanças foram positivas. A pressão exercida durante a permanência submersa comprimiu sua coluna e reduziu sua altura em quase dois centímetros.

Antes da missão, Dituri tentou criar uma base de comparação dentro de casa. Ele cobriu as janelas e reduziu a temperatura de sua residência em Tampa para se aproximar das condições que encontraria no habitat.

Durante a estadia no oceano, relatou passar o dobro do tempo em sono REM em comparação com o período em terra.

Posteriormente, um eletroencefalograma apontou maior coerência cerebral, descrita no material como uma comunicação mais eficiente entre redes neurais.

Caso isolado no fundo do mar não prova aumento da longevidade

Os resultados chamaram atenção, mas estão longe de formar um consenso científico. Neal Pollock, pesquisador de fisiologia do mergulho na Universidade Laval, observa que milhares de pacientes já realizam sessões diárias de oxigenoterapia hiperbárica durante um mês ou mais em protocolos aprovados pelo FDA.

Segundo ele, porém, as condições de pressão enfrentadas por Dituri no fundo do mar não demonstraram uma relação sistemática com aumento da expectativa de vida.

Pesquisadores israelenses cujos estudos sobre telômeros são citados em discussões sobre envelhecimento também afirmaram que suas descobertas foram interpretadas de maneira exagerada e não comprovam maior longevidade.

Kinjal Sethuraman, diretora médica do Centro de Medicina Hiperbárica e de Mergulho do Centro Médico da Universidade de Maryland, defende cautela diante dessas promessas.

Esse dinheiro seria melhor investido em alimentação mais saudável, exercícios regulares, redução do estresse, sono reparador e participação em uma comunidade. Esses são os pilares de um envelhecimento saudável.”

O próprio Dituri reconhece que seu experimento tem uma limitação central: ele foi o único participante. O engenheiro define o resultado como “um caso isolado”.

Agora, a tentativa é sair da experiência individual para um estudo mais robusto. Dituri passou a integrar um projeto na Universidade Estadual do Arizona ligado a uma candidatura ao XPRIZE Healthspan, prêmio de US$ 101 milhões.

A proposta prevê testar um protocolo hiperbárico semelhante em 200 participantes, sob condições mais controladas.

Fontes utilizadas: Daily Galaxy, com informações atribuídas a Joseph Dituri, Popular Mechanics, Neal Pollock, pesquisadores israelenses citados e Kinjal Sethuraman.

Fonte

https://dailygalaxy.com/2


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

Sair da versão mobile