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Imigrante japonês desce na última estação de trem em São Paulo, abre uma pequena oficina com a placa “conserta-se tudo” e começa reparando baldes, bacias e máquinas agrícolas; nove anos depois cria a Jacto, que passa a desenvolver tecnologias para o campo, lança a primeira colhedora de café do mundo e chega a mais de 100 países

Imigrante japonês desce na última estação de trem em São Paulo, abre uma pequena oficina com a placa “conserta-se tudo” e começa reparando baldes, bacias e máquinas agrícolas; nove anos depois cria a Jacto, que passa a desenvolver tecnologias para o campo, lança a primeira colhedora de café do mundo e chega a mais de 100 países

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Imigrante japonês desce na última estação de trem em São Paulo, abre uma pequena oficina com a placa “conserta-se tudo” e começa reparando baldes, bacias e máquinas agrícolas; nove anos depois cria a Jacto, que passa a desenvolver tecnologias para o campo, lança a primeira colhedora de café do mundo e chega a mais de 100 países

Escrito por Carla Teles

Publicado em 10/09/2026 às 16:31

Atualizado em 10/09/2026 às 16:38

Economia

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Imigrante japonês desce na última estação de trem em São Paulo, abre uma pequena oficina com a placa “conserta-se tudo” e começa reparando baldes, bacias e máquinas agrícolas; Imagem: Divulgação/Jacto

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Shunji Nishimura chegou a Pompeia, no interior de São Paulo, em 1939 e abriu uma oficina para consertos diversos. Nove anos depois, em 1948, criou a primeira polvilhadeira da marca Jacto, iniciando uma trajetória que levaria a empresa a desenvolver máquinas agrícolas e alcançar mais de 100 países mundo afora.

A oficina aberta por Shunji Nishimura em Pompeia, no interior de São Paulo, começou com uma proposta simples: consertar praticamente qualquer objeto que chegasse até ele. Imigrante japonês e técnico em mecânica, Nishimura estabeleceu-se na cidade em 1939 depois de pegar um trem em São Paulo e desembarcar na última estação de sua viagem.

Naquele espaço doméstico, baldes, bacias, canecos e máquinas agrícolas passavam pelas mãos do mecânico. Nove anos depois, em 1948, a experiência acumulada com equipamentos usados no campo resultaria na primeira polvilhadeira criada no Brasil pela empresa e no nascimento da marca Jacto.

Placa “conserta-se tudo” resumiu o começo da oficina

Imagem: IA

Ao chegar a Pompeia com a família, Nishimura colocou diante da oficina uma placa com a expressão “conserta-se tudo”. A descrição não era apenas uma forma de atrair clientes: refletia a variedade de serviços executados naquele período.

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Objetos domésticos e equipamentos rurais dividiam o mesmo espaço de manutenção. Segundo o histórico institucional da Jacto, o mecânico consertava desde utensílios simples até máquinas utilizadas por agricultores da região.

Contato com máquinas agrícolas começou a mudar o rumo do negócio

Entre os equipamentos que chegavam com frequência para manutenção estavam polvilhadeiras utilizadas na aplicação de defensivos. A repetição dos consertos deu a Nishimura contato direto com dificuldades práticas enfrentadas por usuários desses equipamentos.

Em vez de limitar a oficina à manutenção, ele desenvolveu um modelo que considerava mais simples de operar. Esse movimento marcou a passagem de reparador para fabricante de soluções próprias voltadas à agricultura.

Nove anos depois surgiu a primeira máquina com a marca Jacto

Imagem: Divulgação/Jacto

O marco ocorreu em 1948. De acordo com o histórico da empresa, Nishimura desenvolveu a primeira polvilhadeira criada no Brasil e transformou o equipamento no primeiro produto associado à marca Jacto.

Entre a chegada a Pompeia, em 1939, e esse lançamento haviam se passado nove anos. A oficina que recebia baldes, bacias e máquinas agrícolas começava então a assumir perfil industrial, concentrando-se cada vez mais em mecanização para o campo.

Primeira colhedora de café ampliou atuação da empresa

Anos depois, a Jacto desenvolveria outro equipamento apontado pela própria companhia como um marco de sua trajetória: a primeira colhedora de café do mundo.

O modelo recebeu o nome K-3 e foi desenvolvido no Brasil. Segundo a empresa, a máquina passou a representar um marco para a mecanização da cultura cafeeira, numa época em que a colheita dependia muito mais de trabalho manual.

Pesquisa e desenvolvimento ganharam estrutura própria

Imagem: Divulgação/Jacto

A expansão das máquinas agrícolas foi acompanhada pela criação de uma estrutura interna dedicada à inovação. Na década de 1970, a companhia formou seu Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento.

Essa mudança institucional ajudou a organizar a evolução tecnológica da empresa. A lógica que havia começado com ajustes realizados dentro de uma pequena oficina passou a ser incorporada a uma área permanente de desenvolvimento de produtos.

Pulverizador Uniport marcou nova etapa em 1989

Em 1989, a Jacto apresentou o pulverizador automotriz Uniport. De acordo com o histórico institucional, o equipamento introduziu um novo conceito para pulverização e posteriormente deu origem a uma família de máquinas especializadas.

A proposta era reunir a função em um único equipamento e permitir velocidades maiores de operação, ampliando a área trabalhada. A empresa também destacou mudanças relacionadas ao conforto e à proteção dos operadores dentro das cabines.

Agricultura de precisão entrou na estratégia nos anos 1990

Outra mudança importante ocorreu com a agricultura de precisão. Em 1997, a Jacto começou a utilizar tecnologias dos Estados Unidos, como GPS e barras de luzes, em uma fase ainda inicial desse segmento no Brasil.

Dois anos depois, em 1999, a empresa afirma ter realizado demonstrações desses equipamentos na Agrishow, em Ribeirão Preto. Em 2004, lançou uma versão de piloto automático com tecnologia embarcada. O foco já não estava apenas na mecânica das máquinas, mas também no uso de dados e sistemas eletrônicos no campo.

Marca Otmis consolidou produtos voltados à agricultura de precisão

Em 2010, a companhia criou a Otmis, linha de produtos voltada especificamente à agricultura de precisão. Segundo a Jacto, a iniciativa marcou sua entrada também como desenvolvedora de soluções próprias nesse segmento.

Esse movimento ampliou o escopo tecnológico iniciado décadas antes na oficina de Pompeia. Além de construir máquinas, a empresa passou a desenvolver sistemas destinados a orientar e automatizar diferentes etapas das operações agrícolas.

Digitalização chegou também ao atendimento ao produtor

Em maio de 2020, a Jacto lançou o Jacto Connect, descrito pela empresa como um ecossistema digital que reúne serviços, produtos, treinamentos, solicitações de manutenção e outros canais de contato em um aplicativo.

O histórico publicado naquele ano também citava pesquisas envolvendo veículos autônomos para uso futuro nas fazendas. Nesse caso, a própria fonte tratava essa tecnologia como uma perspectiva em desenvolvimento, e não como uma solução já implantada de forma generalizada naquele momento.

Empresa também desenvolveu equipamentos para pequenos produtores

A evolução tecnológica não ficou restrita a máquinas de grande porte. A Jacto também passou a oferecer equipamentos menores destinados a propriedades de diferentes escalas.

Entre os exemplos citados pela empresa estava o pulverizador e dosador costal DJB-20S, movido a bateria e programável por aplicativo de celular. A estratégia indicada no histórico era ampliar a aplicação de tecnologia tanto para grandes operações quanto para produtores menores.

Gestão familiar passou por profissionalização

Com o crescimento, a administração também mudou. Em setembro de 2007, Martin Mundstock assumiu como diretor-presidente, enquanto os filhos de Nishimura passaram a integrar o conselho e o fundador concentrou parte de sua atuação na Fundação Shunji Nishimura.

Em janeiro de 2014, Fernando Gonçalves Neto assumiu a presidência. Em 2019, membros da terceira geração da família passaram a ocupar assentos no Conselho de Administração. A companhia manteve participação familiar ao mesmo tempo em que incorporou executivos profissionais à gestão.

Fundação criada pelo fundador ampliou atuação para educação

Em 1979, quando Nishimura tinha 70 anos, foi criada a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia. A entidade esteve ligada à implantação de diferentes instituições de ensino e formação profissional em Pompeia.

O histórico menciona Escola Técnica Agrícola, Colégio Shunji Nishimura, Escola SENAI e uma Fatec com formação relacionada à mecanização, agricultura de precisão e Big Data no agronegócio. A atuação que começou com equipamentos agrícolas passou também a alcançar formação técnica para o setor.

De uma oficina doméstica a presença em mais de 100 países

Quando publicou seu histórico em 2020, a própria Jacto informava que sua atuação, depois de 72 anos, havia se espalhado por mais de 100 países. O dado mostra a mudança de escala desde a oficina criada por Nishimura em Pompeia.

Entre os dois extremos estão a primeira polvilhadeira da marca, a colhedora de café K-3, pulverizadores automotrizes, agricultura de precisão e plataformas digitais. Uma placa de “conserta-se tudo” acabou antecedendo a formação de uma fabricante brasileira voltada à mecanização e à tecnologia agrícola. Na sua opinião, o que mais explica trajetórias industriais desse tipo: contato direto com problemas do cliente, capacidade técnica ou investimento contínuo em inovação? Conte nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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