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Inácio chama de “entreguista” defesa da exploração de terras indígenas

Inácio chama de “entreguista” defesa da exploração de terras indígenas

Fotos: Sérgio Vale/ Gleison Miranda

Durante a sabatina do ac24horas, o candidato ao Senado Inácio Moreira (PSOL/Rede) criticou nesta quarta-feira, 02, a defesa feita por candidatos de direita pela ampliação da exploração mineral e econômica em terras indígenas. Questionado sobre a tese de que há “muita terra” destinada aos povos originários e de que a iniciativa privada deveria ter maior liberdade para atuar nessas áreas, Inácio classificou o discurso como um “mantra entreguista”.

“É um mantra entreguista que beija a bandeira dos Estados Unidos, que pede para os Estados Unidos virem aqui se instalar para explorar os nossos recursos naturais, que nem as terras raras”, afirmou.

Para o candidato, a exploração dos territórios indígenas não deve ser definida por interesses externos ou exclusivamente pelo governo, mas pelos próprios povos que vivem nessas áreas. “Eu quero é que os próprios índios decidam o que é bom para eles nesses territórios e explorem”, disse.

Inácio também destacou a atuação de sua suplente, uma mulher indígena que, segundo ele, foi homenageada no Brasil por ter sido a primeira mulher dos povos originários a ocupar uma ouvidoria pública. Ele afirmou que ela possui mestrado e que tem aprendido com sua experiência.

“A minha suplente foi homenageada no Brasil porque ela é a primeira mulher dos povos originários indígenas que foi da ouvidoria pública. Ela tem mestrado. Eu tenho o maior orgulho dela e tenho aprendido muito com ela”, declarou.

O candidato citou ainda recursos destinados às aldeias indígenas do Juruá. Segundo Inácio, foram mais de R$ 30 milhões destinados para que as comunidades pudessem discutir e elaborar seus próprios planos de desenvolvimento.

“Você sabe dos 30 e poucos milhões que foram lá para as aldeias indígenas do Juruá? Era para eles sentarem e fazerem o plano de desenvolvimento deles”, afirmou.

Na avaliação de Inácio, a definição das políticas para a Amazônia não pode ser determinada por interesses internacionais. Ele defendeu que cada esfera tenha autonomia para definir suas prioridades, incluindo os povos indígenas dentro de seus territórios.

“Não dá para o mundo pautar a gente sobre o que a gente tem que fazer. Cabe a nós discutir o que é melhor para o Brasil, cabe a nós discutir o que é melhor para o Acre e cabe aos povos originários, dentro das suas aldeias, definir o que é melhor”, disse.

Inácio também citou o potencial turístico e econômico das comunidades indígenas. Segundo ele, já existem aldeias que estão estruturadas do ponto de vista turístico e que possuem elementos próprios que podem ser valorizados, como marcas de roupas e artistas.

“Nós temos aldeias que, do ponto de vista turístico, estão muito bem, porque receberam e se prepararam para isso. Nós temos marcas de camisa, nós temos cantores”, afirmou.

Para o candidato, porém, é necessário criar condições para que os próprios povos indígenas possam tomar decisões sobre o futuro de seus territórios. “Esse é um processo que precisa que a gente dê as condições para que eles tomem as decisões”, declarou.

Ao falar sobre a questão fundiária, Inácio afirmou que é preciso reconhecer a ocupação histórica dos povos indígenas e o processo de retirada de seus territórios. “Sobre terra, a gente tem que reconhecer que tudo isso aqui era deles. Quem tomou fomos nós. Eles estão defendendo uma partezinha para ficar”, afirmou.

Segundo Inácio, a preservação desses territórios também está relacionada à proteção dos povos indígenas diante da violência na Amazônia. “Se não, sabe o que acontece? Nunca se matou tanto índio como no bioma da Amazônia. Nunca”, disse.

O candidato também fez uma relação entre a atual legislação ambiental e as políticas de ocupação da Amazônia adotadas décadas atrás. “A maioria das legislações ambientais quem fez foi o próprio regime militar, que teve uma política de atrair pessoas para o bioma da Amazônia para ocupar e depois percebeu que tinha que ter um freio. A maioria da legislação ambiental tem mais de 35 anos”, afirmou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

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