O candidato ao Senado Inácio Moreira (PSOL/Rede) afirmou, durante sabatina do ac24horas, que recebeu diferentes tipos de pressão para desistir da candidatura ao Senado e que chegou a ser convidado para ocupar a vaga de vice na chapa do candidato ao governo Thor Dantas (PSB).
Questionado nesta quarta-feira, 02, se havia sido preterido dentro do grupo político que reúne partidos de esquerda e se recebeu pedidos para abandonar a disputa, Inácio confirmou que houve insistências de diferentes formas.
“De todas as formas que você pensar. Pedido educado, pedido nas entrelinhas, todo tipo de pedido”, afirmou.
Na sequência, o candidato foi questionado se teria aceitado uma eventual oferta para ser vice de Thor. Inácio confirmou que o convite foi feito, mas disse que decidiu manter sua candidatura ao Senado. “Mas me ofereceram”, respondeu.
Perguntado se a situação havia lhe causado algum tipo de ofensa, Inácio negou e afirmou que sua decisão está relacionada ao projeto político que pretende construir.
“Não, porque eu sei o que é que eu quero. Eu sei onde é que eu quero chegar. Eu vou ser senador da República”, declarou.
Inácio também rejeitou a ideia de que tenha sido enfraquecido pela falta de espaço na composição política e afirmou que existe uma parcela significativa da população que não se sente representada pelas estruturas tradicionais de poder.
“Sabe por quê? Porque nós somos a maioria. Rapaz, às vezes vendem a gente com uma fragilidade que a gente não tem”, afirmou.
Ao explicar sua decisão de permanecer na disputa, Inácio também falou sobre sua trajetória e sobre a intenção de dar visibilidade a pessoas que, segundo ele, normalmente não ocupam espaços de poder.
“Eu sempre assisti às festas, às grandes festas, aos grandes comícios, no meio da multidão. Eu sempre fui mais um. Eu sempre balancei bandeira em dois anos. Eu nunca estive lá no palanque”, disse.
Segundo ele, sua presença na disputa eleitoral também representa pessoas que historicamente ficaram fora desses espaços. Inácio citou como exemplo seu suplente e afirmou que estar na chapa é uma forma de mostrar que pessoas comuns também podem chegar a posições de destaque.
“Eu estou aqui e eu vejo, por exemplo, o Diego, meu vice da associação de moradores. Eu estou aqui porque ele é um de nós. Eu estou aqui para que essas pessoas se vejam aqui. Para dizer assim: ‘Ó, dá sim para a gente’”, afirmou.
Inácio também citou a trajetória da ministra Marina Silva como exemplo de alguém que saiu do Acre e alcançou projeção nacional. Ele lembrou que Marina chegou ao estado ainda jovem e passou por diferentes cargos políticos antes de se tornar uma liderança nacional.
“Quando a Marina chegou aqui com 16 anos, quem diria que ela ia ser tudo no Acre? Porque ela foi tudo no Acre. Ela foi vereadora, foi deputada estadual, foi senadora da República, três vezes candidata a presidente, deputada federal por São Paulo e agora está liderando a pesquisa para o Senado”, afirmou.
O candidato também falou sobre a saída de acreanos para outros estados. Para ele, o problema não está em deixar o Acre para conhecer outras regiões ou construir uma trajetória profissional, mas nas condições que levam as pessoas a deixar o estado.
“O maior problema não é as pessoas irem. O maior problema é como as pessoas vão e o porquê que as pessoas vão. Esse é o problema que a gente tem que corrigir”, disse.
Ao retomar a questão política, Inácio afirmou que não pretende discutir a estratégia adotada por Jorge Viana na disputa pelo Senado. Segundo ele, embora haja críticas à ausência de uma campanha conjunta entre candidatos da esquerda, outros concorrentes também optaram por disputar de forma independente.
“Fica difícil eu discutir a estratégia do outro candidato, até porque ela se parece muito com os outros. Às vezes a gente tenta condenar o Jorge Viana pela estratégia dele, mas a maioria dos candidatos está carreira solo também, não está fazendo campanha casada”, afirmou.
Sobre sua própria trajetória política, Inácio lembrou que nunca havia sido candidato antes e que decidiu entrar na disputa após assumir uma posição política em favor da candidatura de Marcos Alexandre. “Eu já participei, comprei uma briga. Eu nunca tinha sido candidato na minha vida. Eu comprei uma briga para apoiar o Marcos Alexandre”, declarou.
Apesar das dificuldades para integrar uma chapa majoritária, Inácio afirmou que não considera a ausência de apoio de determinados grupos como motivo para abandonar o projeto eleitoral.
“Eu sei o que é que eu quero. Eu sei onde é que eu quero chegar. Eu vou ser senador da República”, reforçou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

