5 min de leitura
Índia vai pressionar o BRICS a integrar as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países-membros para facilitar pagamentos internacionais, leva proposta à cúpula de Nova Delhi e afirma que plano não pretende substituir o dólar, embora desconfiança entre integrantes e obstáculos técnicos possam limitar o avanço
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 10/09/2026 às 11:42
Atualizado em 10/09/2026 às 11:45
Economia
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A Índia, presidente do BRICS, levará à cúpula de Nova Delhi, em 12 e 13 de setembro, a proposta de integrar as moedas digitais dos bancos centrais dos 11 países-membros. Segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, o plano não visa substituir o dólar, mas enfrenta tensões políticas e baixa adoção.
A Índia deve pressionar pela integração das moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países do BRICS, com o objetivo de facilitar pagamentos internacionais entre os membros, durante a cúpula do grupo marcada para esta semana em Nova Delhi. O país vai apoiar a proposta apesar de obstáculos políticos e técnicos que podem limitar seu avanço, segundo duas fontes que pediram anonimato.
As informações foram publicadas pelo g1 em 10 de setembro de 2026, a partir de apuração da agência Reuters com fontes que não quiseram ser identificadas pela sensibilidade do tema e por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.
Cúpula em Nova Delhi nos dias 12 e 13 de setembro, sob presidência indiana
A Índia preside o BRICS em 2026. Os líderes do grupo se reúnem em Nova Delhi nos dias 12 e 13 de setembro.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Terreno de 944 mil m² em Campinas começa a virar mega data center de IA: projeto parte de R$ 5 bilhões, terá 216 MW, pode chegar a R$ 20 bilhões e prevê 3,6 mil empregos
Terranova recebeu autorização para iniciar o Campus Campinas em Barão Geraldo; complexo terá 115 mil m² construídos, subestação de 300 MW e infraestrutura preparada para crescer até 1 GW
Um terreno…
Paulo Nogueira
0
A proposta de integração das moedas digitais dos bancos centrais fará parte da agenda da reunião de líderes, disseram as fontes à Reuters.
Banco central indiano propôs a integração em janeiro
O Reserve Bank of India (RBI), banco central indiano, propôs em janeiro de 2026 a integração das moedas digitais oficiais dos países-membros para facilitar o comércio internacional, conforme a Reuters.
A cúpula de setembro é o momento em que a Índia tenta levar a ideia do nível técnico para o nível dos chefes de Estado.
Onze países no bloco: de Brasil e China a Irã e Emirados Árabes
O BRICS reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os cinco fundadores, além de Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Integrar as moedas digitais dos bancos centrais desses 11 países significa conectar infraestruturas financeiras de sistemas e interesses muito diversos.
Proposta dá continuidade à declaração do Rio de Janeiro de 2025
A iniciativa indiana dá continuidade à declaração aprovada na cúpula do BRICS de 2025, no Rio de Janeiro. O documento defendeu a interoperabilidade entre os sistemas de pagamento dos países-membros para tornar as transações internacionais mais eficientes.
Discussões anteriores dentro do bloco sobre mecanismos de pagamento compartilhados, porém, avançaram pouco, segundo o g1.
Baixa adoção das moedas digitais oficiais pelo mundo pode travar a implementação
As moedas digitais de bancos centrais ainda têm baixa adoção em todo o mundo. Esse cenário pode dificultar a implementação da proposta, de acordo com a reportagem.
Sem uso amplo dentro de cada país, a integração entre os sistemas nacionais perde parte da utilidade prática.
Irã e Emirados Árabes: relações financeiras cortadas são obstáculo
As relações tensas entre alguns membros, como Irã e Emirados Árabes Unidos, continuarão sendo um obstáculo, disse uma das fontes.
Os Emirados Árabes Unidos cortaram relações financeiras com o Irã, segundo ela, o que dificulta qualquer sistema de pagamentos que precise conectar os dois países.
Índia resiste a aprofundar integração financeira com a China e já barrou a Alipay+
A Índia tem demonstrado resistência em aprofundar a integração financeira com a China, afirmou a segunda fonte. Acordos desse tipo exigiriam um nível maior de confiança entre os dois países.
O país barrou uma proposta da Alipay+ para se conectar ao sistema indiano de pagamentos instantâneos em transações internacionais, por questões de segurança nacional relacionadas aos vínculos da empresa com a China, conforme a Reuters.
Acordos de swap cambial seriam necessários antes de a integração operar
Também seriam necessários acordos de swap cambial para ajudar a administrar desequilíbrios comerciais antes que a integração das moedas digitais pudesse entrar em operação, acrescentou a fonte.
Esses acordos permitem que bancos centrais troquem moedas entre si, o que ajuda a compensar diferenças entre o que cada país compra e vende dentro do bloco.
Moeda comum proposta pelo Brasil não avançou, e Trump ameaçou tarifas
Os países do BRICS já estudaram alternativas aos pagamentos baseados no dólar. Entre elas estava uma proposta do Brasil para a criação de uma moeda comum para o grupo, mas o plano não avançou.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia alertado o bloco contra uma iniciativa desse tipo e ameaçado impor tarifas elevadas.
Índia diz que não quer substituir o dólar: objetivo é pagamento mais fácil e rápido
A Índia não tem interesse em substituir o dólar, afirmou a segunda fonte. O objetivo da integração das moedas digitais oficiais é tornar os pagamentos internacionais mais fáceis e rápidos.
A distinção separa a proposta indiana da moeda comum defendida anteriormente pelo Brasil.
Proposta entra na pauta dos líderes neste fim de semana, sem resposta oficial de Nova Delhi
Os ministérios indianos das Relações Exteriores e das Finanças e o banco central do país não responderam aos pedidos de comentário enviados por e-mail pela Reuters. A confirmação oficial da proposta, portanto, ficou para a própria cúpula.
Quando o g1 publicou a reportagem, na manhã de 10 de setembro de 2026, faltavam dois dias para o encontro dos líderes do BRICS em Nova Delhi, onde a integração das moedas digitais dos bancos centrais deve ser discutida.
Na sua opinião, a integração das moedas digitais dos bancos centrais do BRICS tem chance de sair do papel, ou as tensões entre os membros vão travar o plano como travaram a moeda comum? Deixe sua opinião nos comentários.
Tags
BRICSpagamentos internacionais
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

