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Irã captura drone submarino americano de US$ 2,5 milhões no Estreito de Ormuz, veículo de 5,8 metros que mergulha a 6 mil metros e opera sozinho por até 10 dias
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 10/09/2026 às 12:55
Atualizado em 10/09/2026 às 12:56
Ciência e Tecnologia
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Guarda Revolucionária afirma ter capturado um Dive-LD dos Estados Unidos na entrada do Estreito de Ormuz. Pentágono confirma a perda, mas diz que drone apresentou defeito, era de modelo mais antigo e não transportava equipamentos classificados; episódio expõe nova disputa tecnológica debaixo d’água.
O Irã anunciou em 8 de setembro de 2026 que capturou um veículo submarino não tripulado dos Estados Unidos na entrada do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta. O equipamento identificado pela mídia estatal iraniana é um Dive-LD, veículo subaquático autônomo de grande porte desenvolvido pela empresa norte-americana Anduril.
O equipamento mede aproximadamente 5,8 metros, pode permanecer em operação por até 10 dias sem retornar à base e foi projetado para atingir profundidades de até 6 mil metros. Unidades do Dive-LD custavam cerca de US$ 2,5 milhões cada, segundo valor divulgado pelo DefenseScoop em 2024 e citado pela Reuters.
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Entretanto, Estados Unidos e Irã apresentam versões bastante diferentes sobre a importância da captura. Enquanto a Guarda Revolucionária descreveu o equipamento como um dos sistemas submarinos não tripulados mais modernos dos EUA, o Pentágono afirmou que o drone havia apresentado uma falha mais de um dia antes e não carregava sistemas classificados.
Irã diz que operação capturou um dos drones submarinos mais modernos dos EUA
A Guarda Revolucionária Iraniana anunciou que suas forças navais localizaram e capturaram o veículo na entrada do Estreito de Ormuz.
Segundo a versão iraniana, uma operação de inteligência e campo permitiu apreender o equipamento. A mídia estatal identificou o veículo como um Dive-LD e divulgou imagens do aparelho recuperado.
A localização transforma o episódio em algo particularmente sensível.
O Estreito de Ormuz concentra enorme importância para o transporte internacional de petróleo e gás. Além disso, a região tornou-se um dos principais pontos de emprego de sistemas navais não tripulados durante as tensões recentes.
O CPG já mostrou como a disputa pelo controle da passagem ganhou outra dimensão quando Donald Trump afirmou que os Estados Unidos controlavam o Estreito de Ormuz e chegou a publicar um mapa marcando a passagem estratégica como “novo território dos EUA”.
Agora, a disputa também acontece abaixo da superfície.
Dive-LD mede 5,8 metros e pode mergulhar a 6 mil metros
Embora seja frequentemente chamado informalmente de “submarino-drone”, o Dive-LD é tecnicamente um veículo subaquático autônomo de grande porte, ou AUV.
Ele não precisa levar tripulação.
De acordo com informações da fabricante citadas pela Reuters, o sistema pode cumprir missões de contramedidas de minas, mapeamento do fundo do mar, coleta de inteligência e inspeção de infraestrutura submarina, incluindo cabos e oleodutos.
Sua autonomia chega a 10 dias, enquanto a profundidade operacional projetada alcança 6.000 metros.
Isso significa que o equipamento pode percorrer áreas submarinas durante longos períodos sem colocar marinheiros diretamente em risco.
A Marinha norte-americana vem investindo justamente nessa lógica: usar sistemas autônomos para monitorar grandes extensões marítimas, localizar ameaças e acompanhar embarcações adversárias.
Pentágono confirma perda, mas diz que equipamento estava defeituoso
Os Estados Unidos não negaram que perderam o veículo.
Um porta-voz do Pentágono confirmou à Reuters que um drone submarino utilizado pelas forças norte-americanas havia apresentado uma falha mais de um dia antes do anúncio iraniano.
Segundo o representante, o sistema realizava levantamentos em águas regionais para apoiar operações em andamento.
Entretanto, Washington apresentou o equipamento de forma muito diferente de Teerã.
O Pentágono afirmou que se tratava de um modelo mais antigo e que o veículo defeituoso não coletava dados sensíveis nem transportava sonar ou radar classificados.
A Reuters informou que não conseguiu verificar independentemente a versão iraniana sobre as circunstâncias da captura.
Portanto, existe uma distinção importante: a perda do drone foi reconhecida pelos EUA, mas a narrativa de uma complexa operação iraniana para capturá-lo permanece uma alegação de Teerã.
Equipamento custaria aproximadamente US$ 2,5 milhões
O Dive-LD também chama atenção pelo valor.
Segundo reportagem do DefenseScoop de 2024 citada pela Reuters, cada unidade custava aproximadamente US$ 2,5 milhões.
Ainda assim, a filosofia operacional desses veículos considera a possibilidade de perda.
A própria Anduril afirmou após o episódio que o Dive-LD é um sistema autônomo “attritable” — desenvolvido para operar em ambientes perigosos nos quais perder uma unidade faz parte do risco previsto.
Isso diferencia o equipamento de um submarino militar tripulado tradicional, cujo custo e, principalmente, risco humano são incomparavelmente maiores.
Ao utilizar um AUV, os Estados Unidos podem executar determinadas missões submarinas sem expor uma tripulação.
EUA já usam drones para operar nas águas próximas a Ormuz
A captura não ocorreu em um ambiente no qual veículos autônomos são novidade.
Nos últimos meses, sistemas navais sem tripulação ganharam espaço nas operações norte-americanas na região.
O CPG mostrou recentemente que a Marinha dos Estados Unidos realizou seu primeiro resgate divulgado utilizando um barco-drone autônomo Corsair de 7,3 metros, capaz de superar 64 km/h e percorrer mais de 1.850 quilômetros.
Naquela operação, o sistema recuperou dois militares após a queda de um helicóptero AH-64 Apache próximo à costa de Omã.
Além disso, os Estados Unidos empregaram drones submarinos em operações relacionadas à localização e limpeza de minas no Estreito de Ormuz.
Portanto, o Dive-LD faz parte de uma transformação maior na guerra naval.
Drones submarinos podem procurar minas sem colocar mergulhadores em risco
Uma das aplicações mais importantes desses sistemas está justamente na guerra de minas.
Localizar objetos explosivos no fundo do mar com navios ou mergulhadores pode colocar pessoas e embarcações de grande valor diretamente em perigo.
Veículos autônomos mudam essa equação.
Eles podem mapear o fundo, utilizar sensores para localizar objetos e transmitir informações para operadores humanos.
O CPG já mostrou outro exemplo extremo dessa tendência: o Greyshark Foxtrot alemão pode permanecer até 16 semanas submerso, utiliza 17 sensores e, segundo sua fabricante, seis unidades conseguiriam mapear todo o Estreito de Ormuz em até 24 horas.
A comparação ajuda a mostrar por que forças militares estão investindo rapidamente nessa categoria.
Captura abre possibilidade de engenharia reversa
Um dia depois do anúncio iraniano, surgiu uma consequência potencialmente mais importante.
Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que o Irã provavelmente tentará realizar engenharia reversa no Dive-LD capturado, estudando seus componentes e tentando reproduzir parte das soluções empregadas pelo equipamento.
Teerã possui precedente nesse campo.
Em 2011, o Irã capturou um drone aéreo norte-americano RQ-170 Sentinel. Posteriormente, o país apresentou aeronaves que afirmou ter desenvolvido a partir da tecnologia analisada naquele equipamento.
Isso não significa que o Irã conseguirá simplesmente copiar o Dive-LD.
Especialistas apontam que reproduzir componentes mecânicos pode ser muito mais viável do que acessar software protegido, sistemas criptografados e outras tecnologias digitais.
Mesmo assim, ter fisicamente um equipamento adversário permite desmontar sua estrutura, analisar materiais, componentes, arquitetura e métodos de fabricação.
Versões dos EUA e da fabricante criam uma contradição
Existe ainda um detalhe curioso.
O Pentágono tentou minimizar a importância tecnológica do equipamento perdido ao descrevê-lo como um modelo antigo e defeituoso.
Por outro lado, a Anduril continua apresentando o Dive-LD como parte de sua família de sistemas autônomos voltados a operações modernas.
Isso não significa necessariamente que uma das versões seja falsa.
O veículo específico capturado pode pertencer a uma configuração anterior, enquanto versões mais recentes incorporam melhorias.
Entretanto, a diferença de linguagem interessa porque Washington possui razões estratégicas para minimizar qualquer benefício tecnológico obtido pelo Irã.
Teerã, naturalmente, possui o incentivo contrário: apresentar a captura como uma grande conquista militar e tecnológica.
Em 2022, Irã já havia apreendido drones navais americanos
Esse também não é o primeiro confronto envolvendo veículos autônomos norte-americanos.
Em setembro de 2022, forças iranianas chegaram a apreender dois barcos-drone dos Estados Unidos no Mar Vermelho.
Na ocasião, a Marinha norte-americana respondeu enviando os destróieres USS Nitze e USS Delbert D. Black, além de um helicóptero MH-60R Sea Hawk.
Os iranianos acabaram devolvendo os equipamentos.
Agora, porém, o caso envolve um veículo submarino autônomo encontrado em um momento no qual essas tecnologias possuem papel muito maior nas operações militares.
Ormuz transforma qualquer equipamento submarino em peça estratégica
A geografia aumenta o peso do episódio.
O Estreito de Ormuz possui apenas algumas dezenas de quilômetros em seus pontos mais estreitos e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico.
Além disso, a passagem é fundamental para exportações energéticas de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Catar e Irã.
O CPG já mostrou como ameaças contra portos e restrições à navegação em Ormuz rapidamente colocam petróleo, terminais e infraestrutura energética do Golfo no centro da crise.
Por isso, monitorar o fundo do mar possui implicações que vão além de operações militares convencionais.
Cabos submarinos, oleodutos, minas, rotas de navegação e instalações portuárias fazem parte da infraestrutura que pode ser observada por AUVs.
Captura mostra uma guerra naval cada vez menos tripulada
O episódio também revela uma mudança silenciosa na tecnologia militar.
Durante décadas, vigilância submarina dependia principalmente de submarinos tripulados, navios especializados, sonares fixos e aeronaves.
Agora, sistemas relativamente pequenos podem assumir parte dessas missões.
Um Dive-LD de 5,8 metros, por exemplo, pode passar até 10 dias operando sozinho e mergulhar a 6 mil metros. Se for perdido, não há marinheiros para resgatar.
Essa combinação de autonomia, profundidade e ausência de tripulação explica por que os Estados Unidos investem pesadamente em veículos marítimos autônomos.
Porém, existe um preço para essa estratégia.
Quanto mais equipamentos autônomos são espalhados por áreas disputadas, maior também se torna a possibilidade de um adversário recuperar uma unidade.
Foi exatamente isso que aconteceu no Estreito de Ormuz.
Agora, enquanto Washington afirma ter perdido apenas um equipamento antigo, defeituoso e sem sistemas classificados, Teerã possui fisicamente um veículo desenvolvido por uma das empresas de defesa mais importantes da nova geração norte-americana.
E o próximo capítulo provavelmente ocorrerá longe do mar: engenheiros iranianos poderão desmontar o Dive-LD peça por peça para descobrir quanto da tecnologia de um drone submarino de aproximadamente US$ 2,5 milhões eles conseguem compreender — e eventualmente reproduzir.
E você, acredita que drones submarinos autônomos vão substituir parte das missões hoje realizadas por submarinos e navios tripulados nas próximas décadas?
Fonte
Reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

