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Ivan Trajkovski afirmou que o direito ao home office 2 dias por semana obrigaria empresas a rever onde contratam, colocaria até 30% das vagas remotas de Victoria em risco e poderia levar empregos para países mais baratos, em alerta feito enquanto o projeto avança no Parlamento australiano

Ivan Trajkovski afirmou que o direito ao home office 2 dias por semana obrigaria empresas a rever onde contratam, colocaria até 30% das vagas remotas de Victoria em risco e poderia levar empregos para países mais baratos, em alerta feito enquanto o projeto avança no Parlamento australiano

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Ivan Trajkovski afirmou que o direito ao home office 2 dias por semana obrigaria empresas a rever onde contratam, colocaria até 30% das vagas remotas de Victoria em risco e poderia levar empregos para países mais baratos, em alerta feito enquanto o projeto avança no Parlamento australiano

Escrito por Ana Alice

Publicado em 03/09/2026 às 14:35

Atualizado em 03/09/2026 às 14:40

Legislação Trabalhista

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Parlamento de Victoria concentra o debate sobre home office, vagas remotas e risco de empregos migrarem para outros países. (Imagem: Elekhh)

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Mudança nas regras do trabalho remoto em Victoria abriu uma disputa sobre empregos, custos e terceirização internacional, enquanto empresários alertam para possíveis efeitos sobre vagas compatíveis com home office e o Parlamento australiano analisa uma proposta que amplia direitos de trabalhadores em funções que permitem atuação fora do escritório.

O avanço de uma proposta que cria o direito de trabalhar de casa por até dois dias semanais em Victoria abriu uma disputa sobre empregos, custos e terceirização internacional, após um empresário australiano alertar para possíveis efeitos sobre vagas compatíveis com trabalho remoto.

Fundador da empresa de terceirização Orbii, Ivan Trajkovski afirmou ao Herald Sun que até 30% dos postos de Victoria executáveis remotamente poderiam ser cortados, transferidos ou substituídos por trabalhadores no exterior dentro de um período de dois anos.

Na avaliação do empresário, uma companhia que conclui ser possível executar determinada função longe do escritório também pode passar a comparar salários, disponibilidade de profissionais e custos operacionais em outros países antes de decidir onde aquela vaga continuará sendo mantida.

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Embora o percentual apresentado não seja uma estimativa oficial do governo de Victoria, a projeção de Trajkovski ganhou espaço enquanto a proposta enfrenta resistência de grupos empresariais e continua avançando pelas etapas de análise previstas no Parlamento estadual australiano.

Projeto de home office avança no Parlamento de Victoria

Já aprovado pela Assembleia Legislativa, o Equal Opportunity Amendment Work from Home Bill 2026 chegou ao Conselho Legislativo, onde a segunda leitura foi apresentada depois que a proposta deixou a primeira casa do Parlamento de Victoria.

De acordo com a redação legislativa, empregados elegíveis que trabalham 38 horas ou mais por semana poderiam exercer o direito ao home office por até dois dias semanais, desde que suas atribuições possam ser realizadas de maneira razoável fora do local habitual.

Para trabalhadores com jornadas inferiores a 38 horas, a previsão passa a ser proporcional, enquanto empregados em período de experiência, aprendizes, estagiários, participantes de programas de treinamento e algumas categorias enquadradas por regras específicas ficam fora da definição de elegibilidade.

Antes de exercer o direito, o funcionário interessado deverá apresentar uma notificação escrita ao empregador indicando os dias e horários pretendidos, salvo quando isso não for praticável, enquanto a empresa terá prazo previsto de 21 dias para formalizar sua resposta.

Empresas poderão avaliar produtividade, custos e necessidade de presença

Na análise do pedido, poderão ser consideradas exigências próprias da função, disponibilidade de equipamentos no local de trabalho, contato presencial com clientes e efeitos relevantes sobre produtividade, segurança, supervisão, treinamento, atendimento, confidencialidade e custos financeiros relacionados ao modelo remoto.

Caso a configuração solicitada não seja considerada razoável, a empresa poderá rejeitar o pedido, embora o projeto também permita autorizar período equivalente ou menor de trabalho em casa quando essa alternativa for compatível com as condições concretas daquela atividade.

Entre as obrigações previstas está o pagamento de custos razoáveis necessários para viabilizar o trabalho doméstico, incluindo equipamentos essenciais e acesso seguro aos sistemas corporativos, quando o empregador estiver obrigado a permitir que o funcionário exerça esse direito.

Trabalho remoto com laptop representa o debate sobre home office, vagas remotas e contratação internacional. (Imagem: Zulfugar Karimov/Unsplash)

Alerta envolve possível transferência de vagas para outros países

Ao relacionar a proposta às transformações na contratação de profissionais digitais, Trajkovski argumentou que estruturas preparadas para funcionar remotamente podem facilitar a transferência de determinadas atividades para mercados estrangeiros nos quais empresas conseguem contratar mão de obra por valores menores.

Segundo a avaliação apresentada pelo empresário ao Herald Sun, esse movimento já não estaria restrito às funções administrativas mais básicas e poderia alcançar áreas como marketing, contabilidade e design, executadas por profissionais qualificados capazes de atender companhias australianas sem residir no país.

Enquanto organizações empresariais mantêm oposição a pontos da proposta, o governo de Victoria continua apoiando a criação do direito ao trabalho remoto, embora o cronograma de implementação inicialmente previsto tenha sido adiado e agora esteja direcionado para julho do próximo ano.

Mesmo depois da mudança de cronograma, a proposta ainda não se transformou em regra vigente, pois a tramitação permanece aberta: após passar pela Assembleia Legislativa, o projeto continua no Conselho Legislativo, onde chegou à fase de segunda leitura.

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Direito ao home office terá critérios para aplicação

Longe de representar uma autorização automática para qualquer trabalhador permanecer em casa, o alcance previsto depende de critérios de razoabilidade vinculados à própria função e aos impactos que a ausência presencial poderá provocar sobre a operação conduzida pelo empregador.

É justamente nesse ponto que a discussão assume dimensão econômica, porque o mesmo mecanismo capaz de ampliar a flexibilidade dos empregados pode, segundo Trajkovski, aumentar o universo geográfico considerado pelas empresas ao preencher vagas sem necessidade de presença física.

Em atividades realizadas integralmente por computador, a localização do profissional tende a pesar menos na execução cotidiana da função, razão pela qual o empresário associa a expansão do trabalho remoto à possibilidade de companhias compararem alternativas de contratação em diferentes países.

Do lado da proposta, a intenção é impedir recusas incompatíveis com os critérios legais e transformar o trabalho remoto, quando considerado razoável, em um direito formal, substituindo parte das negociações individuais atualmente existentes entre empregados e empregadores de Victoria.

Mais do que uma discussão limitada à produtividade dentro ou fora dos escritórios, o debate passou a envolver decisões sobre custos, localização dos postos e acesso a profissionais estrangeiros, enquanto parlamentares avaliam até onde deve avançar a garantia legal oferecida aos trabalhadores.

A controvérsia acompanha uma transformação já incorporada à organização de muitas atividades profissionais, mas agora concentra atenção sobre como uma regra estadual poderá interferir nas decisões de contratação de empresas que conseguem operar equipes distribuídas geograficamente.

Se uma função pode ser realizada de casa sem presença física no escritório, o direito ao home office protege o trabalhador local ou também facilita a decisão de uma empresa de transferir essa mesma vaga para outro país?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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