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Jardineira vê jogo anunciar prêmio de £ 1,09 milhão, recebe apenas £ 20 mil, enfrenta quase cinco anos de disputa e consegue na Justiça o pagamento integral após empresa alegar “erro técnico”

Jardineira vê jogo anunciar prêmio de £ 1,09 milhão, recebe apenas £ 20 mil, enfrenta quase cinco anos de disputa e consegue na Justiça o pagamento integral após empresa alegar “erro técnico”

7 min de leitura

Jardineira vê jogo anunciar prêmio de £ 1,09 milhão, recebe apenas £ 20 mil, enfrenta quase cinco anos de disputa e consegue na Justiça o pagamento integral após empresa alegar “erro técnico”

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 10/09/2026 às 16:07

Atualizado em 10/09/2026 às 16:08

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Imagem ilustrativa mostra Corrinne Durber diante do contraste entre o jackpot de £ 1,09 milhão anunciado na tela e o pagamento de apenas cerca de £ 20 mil.

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A tela do jogo anunciou um jackpot de £ 1,09 milhão, a Paddy Power creditou apenas £ 20 mil, atribuiu a diferença a uma falha de programação e enfrentou uma disputa judicial que terminou com a condenação ao pagamento das £ 1.076.867,57 restantes.

Uma jardineira inglesa viu a tela de um jogo anunciar um prêmio superior a £ 1 milhão, mas recebeu apenas cerca de £ 20 mil após a plataforma alegar uma falha técnica.

Corrinne Durber recusou a justificativa da Paddy Power e levou a disputa ao Tribunal Superior da Inglaterra e do País de Gales.

A informação foi publicada pelo jornal britânico The Guardian. O caso começou em outubro de 2020 e terminou em março de 2025, após quase cinco anos de discussão.

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A Justiça determinou que a empresa pagasse £ 1.076.867,57, diferença entre o jackpot de £ 1.097.132,71 mostrado na tela e as £ 20.265,14 já creditadas na conta da jogadora.

A rodada que mostrou um prêmio superior a £ 1 milhão

Corrinne Durber, moradora de Gloucestershire, jogava Wild Hatter em um iPad quando avançou para uma rodada de jackpot.

O jogo combinava uma estrutura semelhante à de um caça-níquel com uma roda da fortuna. Depois de vencer a primeira fase, a jardineira recebeu a oportunidade de girar a roda que definia a premiação.

A tela indicou que o ponteiro havia parado no Monster Jackpot, maior prêmio disponível naquela rodada.

Naquele momento, o valor acumulado alcançava £ 1.097.132,71. A informação exibida levou Corrinne a acreditar que havia se tornado milionária com uma única jogada.

O pagamento realizado pela plataforma, porém, ficou muito abaixo desse valor. A conta da apostadora recebeu apenas £ 20.265,14, quantia correspondente ao chamado Daily Jackpot.

Mais de £ 1,07 milhão separava o resultado apresentado pelo jogo do dinheiro efetivamente entregue.

Imagem ilustrativa retrata a reação da jardineira ao ver no tablet um jackpot superior a £ 1 milhão.

Como a Paddy Power explicou a diferença entre os dois valores

Corrinne entrou em contato com a Paddy Power ainda na noite da aposta. A empresa respondeu que uma falha de programação havia mostrado a categoria errada de jackpot.

Segundo a plataforma, o servidor central registrara o Daily Jackpot como o resultado verdadeiro. Uma incompatibilidade entre o sistema e a animação teria feito o ponteiro aparecer sobre o Monster Jackpot.

A empresa sustentou que a premiação era determinada por um gerador de números aleatórios. Portanto, a imagem mostrada no tablet não seria suficiente para definir o valor a ser pago.

Durante o julgamento, a defesa descreveu a roda como um recurso de entretenimento. A animação tornava a experiência mais atraente, mas não controlava o resultado armazenado nos sistemas internos.

A Paddy Power também recorreu aos termos e condições aceitos pela jogadora. As regras previam que as informações registradas no servidor poderiam prevalecer em caso de divergência com aquilo que aparecia na tela.

Essa interpretação significava que um resultado invisível para a jogadora teria mais valor do que a premiação anunciada pelo próprio jogo.

Imagem ilustrativa mostra a jogadora contestando o pagamento de apenas £ 20 mil após a tela anunciar um prêmio de £ 1,09 milhão.

Por que Corrinne decidiu enfrentar a empresa na Justiça

A explicação não convenceu a jardineira. Corrinne não tinha acesso ao servidor, ao gerador de números ou aos registros internos usados para justificar a redução.

Para ela, o resultado disponível ao consumidor era aquele exibido pelo próprio jogo. Se a plataforma mostrava o Monster Jackpot, deveria pagar o valor correspondente.

Corrinne processou a PPB Entertainment Limited, companhia responsável pelas operações da Paddy Power e da Betfair, por quebra de contrato.

O processo buscava o pagamento das £ 1.076.867,57 restantes. Esse valor não representava um novo prêmio, mas a diferença entre as £ 1.097.132,71 anunciadas e o montante já creditado.

A discussão colocou dois elementos em conflito. De um lado estavam os dados técnicos armazenados pela empresa. Do outro, o resultado visual apresentado diretamente à apostadora.

O caso chegou ao Tribunal Superior britânico e exigiu a análise das regras do jogo, da animação, do funcionamento do sistema e das obrigações da plataforma perante o consumidor.

Imagem ilustrativa representa a disputa judicial entre a apostadora e os representantes da plataforma responsável pelo jogo.

O princípio de que vale aquilo que aparece na tela

O juiz Andrew Ritchie decidiu a favor de Corrinne em 5 de março de 2025.

Na sentença, o magistrado considerou central a ideia de que o consumidor deve receber aquilo que o jogo mostra. Em outras palavras, a expectativa legítima era de que o resultado exibido estivesse correto.

O juiz comparou a situação com uma roleta em um cassino físico. Se uma pessoa aposta no número 13 e a bola para exatamente nessa posição, ela espera receber o prêmio correspondente.

Assista o vídeo

O apostador comum não entra em um cassino imaginando que um registro oculto poderá substituir posteriormente o resultado visto na mesa.

A mesma lógica foi aplicada ao jogo digital. Corrinne não tinha como saber que a animação supostamente não correspondia ao número gerado no servidor.

O magistrado também analisou a tentativa de transferir ao consumidor os riscos provocados por falhas, testes inadequados ou erros nos serviços digitais da própria empresa.

Para o Tribunal, regras contratuais excessivamente desfavoráveis não poderiam apagar automaticamente o resultado claro apresentado na tela.

Imagem ilustrativa retrata a saída da jogadora do tribunal após a decisão que garantiu o pagamento das £ 1.076.867,57 restantes.

A conta que levou ao pagamento de £ 1.076.867,57

O Monster Jackpot mostrado a Corrinne valia £ 1.097.132,71. A Paddy Power já havia depositado £ 20.265,14 como pagamento do prêmio diário.

A subtração dos valores deixou uma diferença exata de £ 1.076.867,57.

Foi essa quantia que o Tribunal determinou que a empresa pagasse à jardineira. Assim, o total recebido deveria alcançar o jackpot originalmente indicado pelo jogo.

A decisão foi apresentada em um documento de 62 páginas. O julgamento analisou não apenas o defeito técnico, mas também a maneira como as regras foram incorporadas ao contrato com a consumidora.

Na prática, a derrota impediu que a plataforma usasse exclusivamente seus registros internos para substituir um resultado milionário exibido de maneira clara ao jogador.

O valor determinado pela Justiça não incluía uma indenização adicional. A condenação correspondia apenas à parte do jackpot que ainda não havia sido entregue.

O que a decisão representa para os jogos digitais

O processo não estabeleceu que toda falha visual em um jogo necessariamente obriga uma plataforma a pagar qualquer valor mostrado por engano.

A decisão examinou as regras específicas do Wild Hatter, a forma como a premiação apareceu e a expectativa criada para a consumidora.

Nesse caso, o juiz entendeu que a experiência apresentada pela plataforma indicava claramente que a roda definia o prêmio. Corrinne não recebeu qualquer informação, durante a jogada, de que o resultado visual poderia ser ignorado.

A empresa controlava o software, os servidores, os testes e a maneira como as informações chegavam ao usuário. A apostadora, por outro lado, tinha apenas a tela como referência.

Permitir que um registro inacessível substituísse o resultado visível colocaria todo o risco tecnológico sobre o consumidor.

Dessa forma, o julgamento reforçou que empresas digitais também podem responder pelas mensagens, animações e resultados apresentados em seus sistemas.

Vitória encerrou uma disputa iniciada em 2020

Após a decisão, Corrinne afirmou estar aliviada porque a Justiça reconheceu que ela havia conquistado o prêmio de forma legítima.

A jardineira também questionou por que a Paddy Power não realizou o pagamento desde o início. Segundo ela, a recusa provocou anos de desgaste e uma batalha judicial que poderia ter sido evitada.

Corrinne declarou que não voltaria a apostar com a empresa e recomendou que outros consumidores tivessem cuidado ao utilizar plataformas semelhantes.

A Flutter UKI, proprietária da Paddy Power, lamentou o episódio e informou que analisaria o julgamento. A companhia também afirmou que procura oferecer uma experiência justa aos apostadores.

O caso mostrou que uma falha digital não elimina automaticamente aquilo que uma empresa apresenta ao consumidor. Se apenas a plataforma controla o programa, os testes e os servidores, o jogador não consegue verificar um resultado oculto antes de apostar.

Corrinne Durber entrou no jogo esperando confiar na tela. Quase cinco anos depois, a Justiça decidiu que a empresa também precisava respeitar aquilo que havia mostrado.

Você considera correta a decisão de obrigar a plataforma a pagar o prêmio exibido na tela ou acredita que o registro interno deveria prevalecer? Deixe sua opinião nos comentários.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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