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Joesley Batista se reuniu com Trump no Salão Oval em 20 de agosto e defendeu o fim da tarifa de 26% sobre a carne bovina brasileira, segundo o Wall Street Journal, e no dia seguinte o presidente americano anunciou a entrada temporária de mais carne importada nos EUA
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 01/09/2026 às 13:49
Atualizado em 01/09/2026 às 13:50
Economia
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O encontro na Casa Branca aconteceu enquanto o preço da carne sobe nos Estados Unidos, e a JBS, controlada por Joesley e Wesley Batista, busca ampliar participação naquele mercado. O Brasil exportou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina aos americanos no primeiro semestre de 2026, alta de 10%
Joesley Batista, bilionário brasileiro e um dos controladores da JBS, fez lobby junto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela redução das tarifas sobre as importações de carne bovina do Brasil, segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal. A atuação do empresário teria como pano de fundo a alta dos preços da carne nos EUA.
As informações foram publicadas pela Redação do g1, em São Paulo, em 31 de agosto de 2026, às 21h23, com base em reportagem do The Wall Street Journal.
Reunião no Salão Oval ocorreu em 20 de agosto
Segundo a publicação, Joesley Batista se reuniu com Trump no Salão Oval da Casa Branca em 20 de agosto.
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Na ocasião, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo jornal, os dois discutiram como um aumento no fornecimento de carne bovina do Brasil poderia ajudar a reduzir os preços caso Trump eliminasse a tarifa de importação de 26%.
Um dia depois, Trump anunciou a entrada temporária de mais carne estrangeira
No dia seguinte, Trump anunciou nas redes sociais um plano para permitir temporariamente a entrada de mais carne bovina estrangeira nos EUA.
Segundo o presidente americano, os produtos importados seriam vendidos com desconto de 25% em relação aos preços de mercado.
Lula e Trump conversaram por 80 minutos no mesmo 21 de agosto
Em comunicado divulgado no mesmo dia, 21 de agosto, o governo brasileiro informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma conversa de 80 minutos por telefone com Trump.
Na conversa, foram discutidos temas como tarifas, combate ao crime organizado e as visões dos dois líderes sobre os conflitos atuais no mundo.
Jornal diz não ter conseguido determinar quem organizou o encontro
O Wall Street Journal afirmou não ter sido possível determinar quem organizou a reunião entre Joesley Batista e Donald Trump.
O Brasil é o maior produtor de carne bovina do mundo, contexto que ajuda a dimensionar o peso da negociação tarifária.
Preço da carne é desafio para o governo Trump
A alta dos preços da carne bovina tem sido um desafio para o governo Trump, que busca reduzir o custo de produtos do dia a dia nos EUA.
O plano de reduzir temporariamente as tarifas sobre a carne importada, com o objetivo de aumentar a oferta e baixar os preços para os consumidores, enfureceu os pecuaristas e provocou fortes críticas de parlamentares republicanos e de grupos do setor.
Entidade de pecuaristas diz que medida prejudica produtores
A National Cattlemen’s Beef Association, maior entidade comercial de pecuaristas dos EUA, afirmou que a intervenção do governo só prejudicará os produtores e dificultará a estabilidade de longo prazo da indústria de carne bovina.
Segundo o Wall Street Journal, a decisão também enfrentou resistência de republicanos que disputam eleições acirradas nas eleições de meio de mandato em áreas rurais.
Pilgrim’s Pride doou US$ 5 milhões para a posse de Trump
O jornal afirma que a JBS desempenhou um papel importante na formação das posições do governo Trump, antes mesmo da ordem que ampliou temporariamente as importações de carne bovina.
A publicação também destaca que a Pilgrim’s Pride, segunda maior processadora de frango dos EUA e controlada majoritariamente pela JBS, contribuiu com US$ 5 milhões para a posse de Trump, tornando-se a maior doadora.
Departamento de Justiça investiga as quatro maiores processadoras do país
A relação da JBS com o governo Trump ocorre enquanto o Departamento de Justiça investiga as quatro maiores processadoras de carne dos EUA, incluindo a empresa, para determinar se elas estão envolvidas em práticas anticompetitivas.
As companhias negam qualquer irregularidade e enfrentam dificuldades financeiras à medida que o gado fica mais caro para ser processado nos EUA. Segundo o jornal, Tyson Foods e JBS fecharam unidades depois de perder centenas de milhões de dólares no processamento de carne bovina.
Brasil enviou US$ 1,5 bilhão em carne aos EUA no primeiro semestre
Para a JBS, importar mais produtos brasileiros para os EUA permitiria à empresa ampliar sua participação no mercado americano, segundo o Wall Street Journal.
O Brasil enviou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina para os EUA nos primeiros seis meses deste ano, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA.
JBS emprega cerca de 280 mil pessoas em mais de 20 países
A JBS começou como um frigorífico familiar no Brasil e, desde então, se tornou uma das maiores processadoras de carne bovina dos EUA e do Brasil, empregando cerca de 280 mil pessoas em mais de 20 países, destacou o jornal.
Em 2025, a empresa listou suas ações na Bolsa de Nova York. Segundo o Wall Street Journal, a expectativa era atrair um grupo maior de investidores e consolidar a imagem da companhia como uma gigante americana do setor de carnes.
Irmãos Batista também controlam a holding J&F
Além da JBS, Joesley e Wesley Batista controlam a J&F, holding com negócios nos setores de celulose, mineração, energia, higiene e limpeza, serviços financeiros, petróleo e gás e comunicação.
O grupo, portanto, opera muito além do processamento de proteína animal no Brasil e no exterior.
Neste mês, eles compraram 100% da Avibras, da indústria de defesa
Neste mês, Joesley e Wesley Batista compraram 100% da Avibras, uma das principais empresas da indústria de defesa do Brasil. A operação foi realizada por meio da Globe Investimentos, empresa de investimentos dos irmãos.
O negócio envolve a Nova AVB, estrutura criada durante o processo de reestruturação da Avibras, e foi notificado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas o valor da transação não foi divulgado.
Avibras está em recuperação judicial desde 2022
A Avibras enfrentava uma grave crise financeira e estava em recuperação judicial desde 2022. A empresa também passou por um longo período de paralisação e por uma greve que durou mais de três anos.
Como parte da reestruturação, os ativos industriais e tecnológicos foram concentrados em uma nova estrutura empresarial, enquanto a companhia original permaneceu com os passivos submetidos ao processo de recuperação judicial.
Situação atual: medida de Trump segue sob críticas nos EUA
O plano anunciado por Trump em 21 de agosto para permitir temporariamente a entrada de mais carne bovina estrangeira nos Estados Unidos segue alvo de críticas de pecuaristas, de parlamentares republicanos e de entidades do setor, conforme o relato do Wall Street Journal reproduzido pelo g1.
Nesse cenário, a JBS mantém a investigação do Departamento de Justiça sobre práticas anticompetitivas em andamento e negocia a expansão de sua participação no mercado americano, enquanto Joesley Batista aparece como o articulador do pedido de fim da tarifa de 26% sobre a carne bovina brasileira.
Na sua opinião, a redução da tarifa sobre a carne brasileira beneficia o consumidor americano, ou representa vantagem sobretudo para grandes grupos como a JBS? Deixe sua opinião nos comentários.
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Joesley Batista Trump carne bovina
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

