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Jovem de 20 anos sai para pescaria de dez dias no Canadá, desaparece por 50 dias sob temperaturas de até -20 °C e é encontrado por trabalhadores do setor de petróleo e gás
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 04/09/2026 às 23:52
Atualizado em 04/09/2026 às 23:53
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Viagem que deveria durar apenas dez dias terminou em uma luta pela sobrevivência entre neve, ferimentos, falta de comida e abrigos improvisados em uma das regiões mais isoladas do Canadá
O que deveria ser uma viagem de apenas dez dias para pescar, acampar e explorar uma região montanhosa terminou em 50 dias de sobrevivência no frio, com pouca comida, ferimentos e noites passadas em abrigos improvisados. Aos 20 anos, Sam Benastick saiu sozinho para uma área remota da Colúmbia Britânica, no Canadá, e desapareceu durante semanas até ser encontrado por acaso por dois trabalhadores ligados ao setor de petróleo e gás.
Sam chegou à região do Parque Provincial Redfern-Keily em 7 de outubro de 2024. O plano era permanecer cerca de dez dias no local e retornar em 17 de outubro. Depois que ele não voltou para casa, a família comunicou o desaparecimento às autoridades em 19 de outubro, iniciando uma grande operação de busca.
O jovem havia levado equipamentos de camping, mochila, lona e uma motocicleta Honda de 230 cilindradas, utilizada para circular pela região. O último contato conhecido com a família ocorreu em 8 de outubro.
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Primeiro ele permaneceu no carro e depois começou a montar abrigos
Após ser encontrado, Sam contou à polícia que inicialmente passou alguns dias dentro do próprio carro. Depois deixou o veículo e seguiu em direção a uma área montanhosa, onde montou acampamento próximo a um riacho e permaneceu por aproximadamente 10 a 15 dias.
Mais tarde, desceu para o vale e improvisou outro acampamento no leito seco de um curso d’água. Era o início de uma rotina de sobrevivência em uma região praticamente desabitada, enquanto as temperaturas caíam rapidamente com a chegada do inverno canadense.
Durante o período em que esteve desaparecido, foram registradas temperaturas inferiores a -20 °C, além de neve intensa. Algumas medições da região chegaram a apontar valores ainda mais baixos durante aquele período.
Segundo relatos posteriores de familiares e pessoas que conversaram com Sam após o resgate, a situação teria se complicado logo nos primeiros dias. Em determinado momento, ele teria sido seguido por um lobo enquanto tentava retornar de motocicleta, acabou se afastando do veículo e sofreu uma queda que deixou suas pernas machucadas.
Os mesmos relatos indicam que uma das lesões no tornozelo era profunda o suficiente para que ele tentasse fechar o ferimento utilizando agulha e linha de pesca. Esse detalhe não aparece no primeiro comunicado oficial da polícia canadense, mas foi relatado posteriormente durante a reconstrução da história.
Comida foi racionada durante semanas
A alimentação era outro problema. Sam havia levado dois potes de manteiga de amendoim e passou a controlar rigorosamente o consumo para evitar que os mantimentos terminassem rapidamente.
Um dos homens que o encontrou afirmou posteriormente que o jovem mencionou consumir cerca de sete colheres por dia. Ele também teria conseguido algumas batatas e, em determinado momento, capturado uma ave para se alimentar.
Apesar de ter viajado para pescar, Sam aparentemente não conseguiu capturar peixes durante o período em que ficou isolado. Depois do resgate, sua própria mãe chegou a brincar sobre o fato de ele ter sobrevivido a semanas na floresta sem conseguir pescar nada.
A falta de comida tornou-se cada vez mais grave conforme os dias passavam. Ao mesmo tempo, ele precisava enfrentar a neve e proteger o corpo das baixas temperaturas utilizando praticamente tudo o que possuía.
Um dos abrigos teria pegado fogo
Outro episódio grave ocorreu quando um de seus abrigos pegou fogo. Familiares disseram posteriormente que Sam sofreu inalação de fumaça e também sinais de congelamento durante o período em que permaneceu na mata.
Para tentar proteger as pernas do frio, ele chegou a cortar partes do próprio saco de dormir e enrolá-las ao redor do corpo.
Quando percebeu que precisava encontrar uma saída, decidiu caminhar na direção que acreditava levar à Alaska Highway, uma das principais rodovias da região. Atravessou áreas cobertas de neve e começou a seguir marcas deixadas por veículos na esperança de alcançar alguma estrada.
Enquanto isso, do lado de fora da floresta, uma enorme operação tentava descobrir onde ele estava.
Cerca de 120 voluntários participaram das buscas
A procura mobilizou aproximadamente 120 voluntários treinados, além da polícia canadense, Canadian Rangers e moradores que conheciam a região.
Equipes percorreram o território a pé, em veículos terrestres e com apoio de cães. Drones, helicópteros e aeronaves também foram utilizados.
De acordo com autoridades locais, a operação acumulou aproximadamente 3.500 horas de busca em uma área de centenas de quilômetros quadrados.
Mesmo com toda a estrutura mobilizada, Sam não foi localizado.
As buscas oficiais acabaram reduzidas no fim de outubro, mas a família permaneceu na região e continuou procurando informações sobre o jovem. Parentes chegaram a ficar semanas hospedados em um estabelecimento próximo para continuar acompanhando a operação.
Trabalhadores do setor de petróleo e gás o reconheceram na estrada
O desfecho aconteceu apenas em 26 de novembro de 2024, cerca de 50 dias depois de Sam iniciar a viagem.
Dois trabalhadores ligados às operações de petróleo e gás circulavam pela região quando perceberam um homem caminhando lentamente por uma estrada.
Os trabalhadores, identificados em reportagens posteriores como Gaston Schaeffer e John Tattrie, reconheceram o jovem porque haviam visto fotografias e cartazes divulgados durante as buscas.
Sam estava extremamente debilitado. Ele caminhava utilizando dois pedaços de madeira como apoio, enquanto partes do saco de dormir estavam enroladas em suas pernas para protegê-las do frio.
Os homens colocaram o jovem dentro do veículo, ofereceram comida e entraram em contato com os serviços de emergência.
Sam foi levado ao Fort Nelson General Hospital, onde recebeu atendimento médico. Familiares informaram que ele apresentava sinais de congelamento e problemas relacionados à inalação de fumaça, mas estava consciente e em condição estável.
Pouco depois, uma fotografia divulgada pela família mostrou o jovem no hospital fazendo sinal positivo com os polegares.
O caso chamou atenção também pelas características do local onde ele desapareceu. O Parque Provincial Redfern-Keily possui aproximadamente 80 mil hectares, com montanhas, vales, tundra alpina e grandes áreas sem infraestrutura.
Além das mudanças repentinas no clima, autoridades responsáveis pelo parque alertam para a presença de ursos-negros e ursos-pardos, além das grandes distâncias entre as áreas utilizadas por visitantes e as rodovias.
Depois de quase sete semanas enfrentando frio, ferimentos e escassez de comida, Sam conseguiu sair da região selvagem praticamente sozinho. No entanto, sua localização final aconteceu por uma coincidência: dois trabalhadores que simplesmente seguiam para mais um dia de serviço reconheceram o jovem que dezenas de equipes procuravam havia semanas.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

