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Jovem de 21 anos tenta três vezes ensinar vizinha de 68 a usar celular, cria manual à mão e vê idosa chorar ao descobrir que poderia ver o filho por videochamada

Jovem de 21 anos tenta três vezes ensinar vizinha de 68 a usar celular, cria manual à mão e vê idosa chorar ao descobrir que poderia ver o filho por videochamada

6 min de leitura

Jovem de 21 anos tenta três vezes ensinar vizinha de 68 a usar celular, cria manual à mão e vê idosa chorar ao descobrir que poderia ver o filho por videochamada

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 08/09/2026 às 22:03

Atualizado em 08/09/2026 às 22:04

Curiosidades

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Maria conseguia fazer ligações, mas não entendia os ícones do smartphone; depois de três tentativas frustradas, a vizinha decidiu criar um guia que ela pudesse consultar sozinha

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Maria conseguia fazer ligações, mas não entendia os ícones do smartphone; depois de três tentativas frustradas, a vizinha decidiu criar um guia que ela pudesse consultar sozinha

Maria tinha 68 anos quando ganhou acesso a um smartphone, mas aquilo que parecia simples para outras pessoas virou um problema dentro de casa. Ela sabia utilizar um celular antigo para fazer chamadas, porém não entendia os ícones, não sabia abrir uma conversa no WhatsApp e tampouco conhecia recursos como mensagens de áudio, fotos ou videochamadas.

A dificuldade chegou até Beatriz Capella, de 21 anos, uma jovem que conhecia Maria praticamente desde criança. Beatriz tentou sentar ao lado da vizinha e explicar como tudo funcionava. Fez isso uma vez, depois outra e ainda uma terceira.

Não adiantou.

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Maria conseguia acompanhar enquanto Beatriz estava ao seu lado, mas depois se perdia novamente diante da tela. Foi então que a jovem percebeu que repetir as mesmas explicações talvez nunca resolvesse o problema.

Em vez de desistir, ela pegou papel, caneta, imagens do próprio celular e começou a montar algo que Maria pudesse abrir sempre que esquecesse o que precisava fazer.

Beatriz conhecia Maria havia 17 anos e percebeu que a dificuldade com o celular escondia um problema bem maior

Página do manual artesanal criada por Beatriz explica passo a passo como escolher um contato, iniciar uma ligação pelo celular e encerrá-la corretamente. Foto: Reprodução

Beatriz e Maria não eram duas desconhecidas reunidas por acaso. Quando a história aconteceu, em janeiro de 2023, as duas já eram vizinhas havia aproximadamente 17 anos.

Beatriz frequentava a casa de Maria desde pequena. A idosa vivia com o marido, Cido, e fazia parte da rotina da família da jovem havia muito tempo.

Foi justamente essa proximidade que permitiu que Beatriz enxergasse algo além da dificuldade tecnológica.

Maria tinha 13 irmãos, dois filhos e netas, mas, segundo relato dado pela jovem ao GMC Online, mantinha pouco contato com boa parte da família. Os filhos não iam até sua casa havia mais de cinco anos, enquanto ela também não tinha condições de se deslocar para visitá-los.

O telefone era uma das poucas pontes disponíveis para manter algum contato. Mas o smartphone que poderia ampliar essa comunicação permanecia praticamente inacessível para ela.

Depois de três tentativas, jovem imprime as telas do próprio celular e transforma tudo em um manual artesanal

Página da “tela principal” mostrava os ícones do celular, a função de cada aplicativo e o caminho para voltar à tela inicial. Foto: Reprodução

Beatriz decidiu então transformar aquilo que aparecia na tela em algo que Maria pudesse consultar no papel.

Ela fez capturas das telas do próprio aparelho, imprimiu as imagens e começou a escrever instruções ao redor de cada uma delas. Usou números, setas e explicações simples para mostrar onde tocar e o que aconteceria depois.

O manual começava pelas funções mais básicas.

Beatriz identificou aplicativos como Google, previsão do tempo, YouTube e contatos e explicou até o significado dos botões localizados na parte inferior da tela. Uma das orientações mostrava, por exemplo, como sair de um aplicativo sem desligar o celular.

Depois, o nível de detalhe aumentava.

Havia páginas exclusivas sobre WhatsApp, câmera, galeria, telefone, relógio, calendário e configurações. O objetivo era permitir que Maria consultasse o material sempre que esquecesse uma etapa, sem depender da presença de outra pessoa.

Manual ensinava desde abrir uma conversa no WhatsApp até mandar áudio, foto e adicionar novos contatos

Manual criado por Beatriz Capella trazia explicações escritas à mão sobre o WhatsApp para ajudar Maria a usar o celular sozinha. Foto: Reprodução

Na parte dedicada ao WhatsApp, Beatriz não se limitou a escrever que o aplicativo servia para conversar.

Ela mostrou como abrir uma conversa, escolher um contato, identificar mensagens recebidas e utilizar o microfone para gravar e enviar áudios. Também explicou como escrever mensagens, mandar fotografias e utilizar emojis.

Outras páginas ensinavam Maria a adicionar contatos ao aparelho e a utilizar a câmera.

As instruções mostravam como tirar uma fotografia, gravar um vídeo e até mudar para a câmera frontal. Havia também um passo a passo separado para iniciar uma ligação e encerrá-la corretamente.

Mas uma das páginas acabaria tendo um significado muito maior do que todas as outras.

Era aquela que explicava dois pequenos símbolos localizados na parte superior de uma conversa no WhatsApp.

Um dos símbolos fazia uma ligação normal; o outro permitiria que Maria finalmente visse quem estava do outro lado

Capa do guia artesanal feito por Beatriz para ensinar Maria e Cido a utilizar o smartphone no dia a dia. Foto: Reprodução

Beatriz explicou que um dos botões servia para fazer uma ligação comum.

O outro, representado por uma câmera, iniciava uma videochamada.

Para alguém acostumado ao smartphone, a diferença pode parecer óbvia. Para Maria, porém, aquela explicação revelava uma possibilidade que até então ela não sabia que existia: além de ouvir alguém distante, poderia também ver o rosto daquela pessoa pela tela.

Foi nesse momento que o manual deixou de ser apenas uma sequência de instruções sobre tecnologia.

Maria percebeu que poderia utilizar aquele aparelho para se aproximar de pessoas que não encontrava pessoalmente havia anos.

E a reação surpreendeu até Beatriz.

Maria descobre que poderia ver o filho que não encontrava pessoalmente havia mais de cinco anos e desaba em lágrimas

Segundo Beatriz contou posteriormente, Maria conseguiu ver pela câmera um dos filhos, que não encontrava pessoalmente havia mais de cinco anos.

A emoção tomou conta da idosa.

Beatriz relatou que Maria chorou intensamente ao perceber tudo o que o celular permitiria fazer e chegou a passar mal diante da emoção daquele momento.

A jovem contou ainda que a vizinha disse que ninguém havia feito algo semelhante por ela.

O aparelho que antes parecia apenas um conjunto confuso de ícones passava a representar outra coisa. Maria agora sabia que poderia receber fotos, ouvir mensagens, responder por áudio e, principalmente, ver alguém distante em tempo real.

Capa do manual revela que Beatriz não pensou apenas em Maria e deixou uma mensagem para o casal na última página

As imagens do material mostram que Beatriz chamou o guia de “Como usar o celular… Maria e Cido”.

Ou seja, o manual também foi preparado pensando no marido da vizinha.

Na última página, datada de 7 de janeiro de 2023, a jovem deixou uma mensagem pessoal aos dois. Ela explicou que havia criado aquele passo a passo esperando facilitar o uso do aparelho e lembrou que Maria e Cido faziam parte de sua vida desde quando era pequena.

Beatriz também fez questão de deixar claro que poderiam procurá-la quando surgisse alguma dúvida e que não precisavam sentir vergonha de pedir ajuda.

Aquelas páginas, portanto, não eram apenas um tutorial impresso. Tinham sido construídas especificamente para duas pessoas que ela conhecia havia quase duas décadas.

Depois do manual, mensagens que antes ficavam sem resposta começaram a voltar em forma de áudio

A mudança não ficou apenas na emoção registrada no primeiro momento.

Beatriz contou que, antes das explicações, costumava mandar mensagens para Maria e muitas vezes nem sequer via confirmação de que elas haviam sido abertas.

Depois do manual, isso começou a mudar.

Maria passou a visualizar as mensagens e responder enviando áudios, algo que até pouco tempo antes não sabia fazer sozinha.

Beatriz resolveu publicar parte da experiência nas redes sociais. Inicialmente, segundo ela, a intenção era mostrar o momento apenas para pessoas próximas, mas a reação de Maria fez a jovem decidir compartilhar a história com mais gente.

O vídeo rapidamente ultrapassou 1 milhão de visualizações e se aproximou de 180 mil curtidas no TikTok.

O que chamou atenção de tanta gente, porém, não foi apenas a criatividade de imprimir telas e escrever instruções à mão.

Depois de três tentativas que não funcionaram, Beatriz encontrou uma maneira de adaptar a tecnologia à realidade de Maria. E, entre setas, desenhos e explicações simples, ajudou uma mulher de 68 anos a descobrir que aquele pequeno ícone de câmera poderia diminuir uma distância que já durava mais de cinco anos.

Fontes

GMC Online

BNews


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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