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Jovem moçambicano começou construindo drones no próprio quarto, chorou quando o primeiro protótipo não respondeu aos comandos, insistiu até montar 14 modelos e agora prepara o 15º para levar até 3 kg de medicamentos a comunidades a 200 km de distância

Jovem moçambicano começou construindo drones no próprio quarto, chorou quando o primeiro protótipo não respondeu aos comandos, insistiu até montar 14 modelos e agora prepara o 15º para levar até 3 kg de medicamentos a comunidades a 200 km de distância

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Jovem moçambicano começou construindo drones no próprio quarto, chorou quando o primeiro protótipo não respondeu aos comandos, insistiu até montar 14 modelos e agora prepara o 15º para levar até 3 kg de medicamentos a comunidades a 200 km de distância

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 04/09/2026 às 18:58

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Jovem moçambicano desenvolve drones e trabalha em um novo protótipo destinado ao transporte de medicamentos para regiões de difícil acesso.

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Estudante de Engenharia Eletrônica transforma anos de tentativas em um projeto que pretende usar GPS, navegação autônoma e drones para reduzir as dificuldades de entrega em regiões remotas de Moçambique

O jovem moçambicano Cleiton Michaque começou a construir drones em 2019, ainda adolescente, usando o computador do pai para aprender programação e eletrônica praticamente por conta própria. O começo esteve longe de ser simples: o primeiro equipamento passou meses sem funcionar como ele esperava e Cleiton chegou a chorar quando o protótipo não obedecia aos comandos.

Ele continuou tentando.

Anos depois, Cleiton já soma 14 drones construídos do zero para aplicações que incluem filmagens, mapeamento, corridas e transporte de pequenas cargas. Agora, o estudante trabalha em um projeto mais ambicioso: desenvolver um aparelho capaz de transportar medicamentos e outras encomendas para comunidades de difícil acesso em Moçambique.

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O novo drone foi projetado para suportar tecnicamente até 3 kg de carga e Cleiton pretende desenvolver configurações capazes de alcançar uma autonomia máxima de até 200 quilômetros. O projeto ainda está em testes e, neste momento, os voos experimentais são muito mais curtos, na faixa de aproximadamente dois quilômetros.

Primeiro drone não respondia aos comandos e levou meses até conseguir voar

A história começou quando Cleiton ainda era adolescente.

Sem uma grande estrutura industrial à disposição, ele recorreu inicialmente ao computador do pai para estudar eletrônica e programação. O primeiro drone exigiu meses de pesquisa, montagem, correções e tentativas.

Houve noites sem dormir tentando solucionar problemas de programação.

Em uma das fases mais frustrantes do projeto, Cleiton recorda que chegou a chorar porque o equipamento simplesmente não respondia aos comandos.

A insistência deu resultado quando finalmente conseguiu fazer o protótipo voar.

O pai, que inicialmente enxergava a experiência como uma iniciativa juvenil, passou a apoiar a compra dos primeiros materiais ao perceber o nível de dedicação do filho.

Desde então, a pequena coleção cresceu.

Os 14 drones construídos por Cleiton ficam guardados em um expositor instalado no próprio quarto, incluindo o primeiro protótipo. Cada aparelho possui características próprias de velocidade e autonomia.

O detalhe ajuda a explicar por que a história chama atenção: não se trata apenas de pilotar equipamentos prontos. Cleiton afirma trabalhar com eletrônica, mecânica, programação e impressão 3D para fazer os sistemas funcionarem em conjunto.

O 15º projeto quer trocar estradas difíceis pelo céu para entregar medicamentos

A ideia do novo drone nasceu de um problema concreto.

Cleiton observou as dificuldades enfrentadas por motociclistas que transportam medicamentos para localidades mais afastadas da província de Maputo. Cheias, rios e estradas degradadas podem tornar algumas rotas terrestres lentas ou difíceis de percorrer.

Foi nesse cenário que surgiu uma pergunta: se o transporte pela terra encontra obstáculos, por que não utilizar o espaço aéreo?

A proposta passou a ser adaptar uma tecnologia associada principalmente a filmagens, competições e levantamentos aéreos para o transporte de produtos essenciais.

O aparelho em desenvolvimento possui GPS e sistema de navegação autônoma. A ideia é programar previamente a rota para que o drone viaje até o destino, realize a entrega da carga e retorne automaticamente ao ponto de partida.

O estudante cursa atualmente o primeiro ano de Engenharia Eletrônica na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique.

É uma combinação importante para entender o projeto: aquilo que começou como aprendizado autodidata no computador do pai agora avança paralelamente à formação universitária.

Drone suporta até 3 kg, mas testes são realizados com limite de 2 kg por segurança

A capacidade prevista também exige uma distinção importante.

Segundo Cleiton, o equipamento pode suportar tecnicamente cerca de 3 kg, mas os ensaios estão limitados a 2 kg por razões de segurança.

Dentro desse limite, a intenção é transportar medicamentos, pequenas encomendas, alimentos, água e roupas.

A autonomia também continua em desenvolvimento.

As baterias usadas atualmente são importadas da África do Sul e permitem, segundo o estudante, aproximadamente 30 a 45 minutos de voo no modelo em desenvolvimento. Protótipos menores apresentam autonomia de aproximadamente oito a 12 minutos.

Os testes atuais são realizados em percursos de cerca de dois quilômetros, muitas vezes partindo da própria casa de Cleiton, no bairro de Tsalala, nos arredores de Maputo.

A ambição dos 200 quilômetros, portanto, deve ser entendida como a meta de autonomia que o estudante pretende alcançar com novas configurações, e não como uma distância já comprovada nos ensaios atuais.

Essa diferença é especialmente relevante em projetos de drones: capacidade teórica, autonomia estimada e desempenho efetivamente demonstrado em testes são etapas diferentes do desenvolvimento de uma aeronave.

Peças importadas tornam cada drone um investimento caro

Montar os aparelhos também envolve um obstáculo financeiro.

Motores, controladores, hélices, baterias e outros componentes utilizados por Cleiton precisam ser importados, principalmente da África do Sul.

Ele estima em aproximadamente 200 mil meticais, cerca de 2,7 mil euros, o investimento envolvido na fabricação de um drone.

Cleiton rejeita a ideia de que desenvolver o equipamento seja simplesmente comprar peças e encaixá-las. Para fazer o conjunto funcionar, explica, é necessário combinar conhecimentos de programação, eletrônica, mecânica, impressão 3D e uma sequência de testes.

Com todos os componentes disponíveis, ele calcula que poderia produzir até cinco drones por dia e afirma ter a ambição de fabricar uma centena em duas semanas.

Projeto já levou Cleiton ao Japão e agora pode virar uma empresa moçambicana

Os drones acabaram levando Cleiton para além do próprio quarto.

O estudante já participou de iniciativas internacionais ligadas à tecnologia, incluindo uma viagem ao Japão, e recebeu convites para palestras e demonstrações em instituições de ensino.

Ele também criou o Centro de Criação e Controlo, projeto por meio do qual, segundo a reportagem da agência Lusa publicada pelo ZAP, 17 jovens já receberam formação em pilotagem, programação e montagem de drones.

A iniciativa procura oferecer capacitação tecnológica especialmente a jovens em situação de vulnerabilidade.

Empresas públicas e privadas também já demonstraram interesse nos equipamentos para aplicações como filmagem, cartografia e monitoramento.

O próximo objetivo é transformar a experiência acumulada em uma startup moçambicana dedicada à fabricação, manutenção e comercialização de drones, além da formação de novos profissionais.

Cleiton também considera buscar bolsas de estudos no exterior, citando Japão, Portugal e Califórnia, nos Estados Unidos, enquanto pretende continuar aprofundando conhecimentos em engenharia.

O projeto de entrega de medicamentos ainda precisa vencer a etapa mais decisiva: demonstrar nos testes que consegue ampliar de forma segura a autonomia atual até as distâncias pretendidas.

Por enquanto, a trajetória já percorreu outro caminho considerável: daquele primeiro drone que não respondia aos comandos e fez o jovem chorar até um conjunto de 14 aparelhos construídos e um novo protótipo pensado para levar tecnologia a lugares onde uma estrada ruim pode significar muito mais do que simplesmente uma viagem demorada.

Fonte: reportagem da agência Lusa publicada pelo ZAP Notícias em 25 de agosto de 2026.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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