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Jovem policial do Ceará perde vontade de seguir na PM após punição por vídeos, anuncia busca por outra carreira e transforma redes sociais em espaço de recomeço ao se tornar influenciadora digital
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 11/09/2026 às 20:28
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Mayara Kelly entrou na PM do Ceará em 2017, virou influenciadora nas redes e, após punição por vídeos no quartel, anunciou que buscaria outra carreira.
A trajetória profissional da soldado Mayara Kelly Melo Mota ganhou repercussão nacional depois que aquilo que ela publicava nas redes sociais passou a produzir consequências dentro da Polícia Militar do Ceará. Integrante da corporação desde outubro de 2017, mãe de duas crianças e dona de um perfil acompanhado por dezenas de milhares de pessoas, a policial conciliava patrulhamento, maternidade, treinos e produção de conteúdo até ser punida administrativamente por vídeos gravados no ambiente de trabalho.
A situação chegou ao ponto de Mayara afirmar, em outubro de 2025, que havia perdido a vontade de continuar na PM e que voltaria a estudar para conseguir outro emprego no qual se sentisse valorizada. O episódio colocou frente a frente dois mundos que cresceram paralelamente na vida da cearense: a carreira pública que ela dizia ter sonhado em conquistar e uma presença digital que transformou sua rotina em conteúdo acompanhado por milhares de pessoas.
Mayara Kelly entrou para a Polícia Militar do Ceará em 2017
Antes da repercussão nacional, Mayara já acumulava vários anos dentro da segurança pública.
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A policial ingressou na Polícia Militar do Ceará em outubro de 2017. Segundo relatos publicados pela própria soldado e recuperados pela imprensa, tornar-se policial fazia parte de um objetivo antigo.
A trajetória até a aprovação também exigiu preparação. Mayara contou que começou a estudar intensamente para o concurso em 2016 e concentrou grande parte de sua rotina na meta de entrar para a corporação.
A aprovação representou a realização daquele projeto profissional.
Anos mais tarde, ela continuava trabalhando operacionalmente. Mayara relatou ter passado por atividades internas e, posteriormente, atuar nas ruas como patrulheira e, em algumas ocasiões, como motorista de viatura.
Rotina de policial começou a dividir espaço com milhares de seguidores
Enquanto avançava na carreira militar, Mayara também construiu uma audiência nas redes sociais. Em abril de 2025, diferentes veículos registravam que seu perfil no Instagram reunia mais de 40 mil seguidores. A CNN apontava número próximo de 47 mil naquele período.
O conteúdo não era dedicado exclusivamente à segurança pública.
Mayara publicava registros da maternidade, academia, família, treinamentos e momentos cotidianos. A profissão, entretanto, ocupava uma parte importante do perfil.
Fotografias fardada, treinos e vídeos sobre atividades policiais ajudavam a aproximar a audiência de uma rotina que a maioria dos seguidores normalmente conhece apenas do lado de fora dos quartéis.
A policial também utilizava esse espaço para falar sobre a presença feminina na segurança pública.
Foi justamente essa interseção entre vida pessoal, imagem institucional e redes sociais que mais tarde se tornaria o centro da controvérsia.
Vídeo lavando uma viatura colocou a policial no centro de uma sindicância
Um dos conteúdos que provocaram o procedimento administrativo mostrava uma atividade aparentemente simples.
Mayara apareceu lavando uma viatura dentro das dependências da Polícia Militar.
No vídeo, ela explicava que motoristas também participavam da limpeza do veículo depois do serviço e abordava o episódio sob a perspectiva da rotina de uma mulher desempenhando tarefas operacionais na corporação.
Segundo a própria policial, ela já havia trabalhado internamente, mas naquele momento atuava nas ruas, inclusive como motorista em determinadas escalas.
O conteúdo ganhou grande repercussão. Em abril de 2025, uma das reportagens sobre o caso apontava que o vídeo acumulava mais de 280 mil visualizações e quase 20 mil curtidas.
Mas a repercussão ultrapassaria os números da internet.
A gravação acabou sendo analisada pela estrutura disciplinar da PMCE.
Outro vídeo ensinava como utilizar um torniquete em uma hemorragia
A sindicância também avaliou outra publicação.
Nela, Mayara aparecia demonstrando o uso de um torniquete, equipamento utilizado para controlar hemorragias graves.
Assista o vídeo
A defesa da policial sustentou que o conteúdo tinha caráter educativo e havia sido inspirado por uma experiência vivida pela própria família.
Segundo o advogado da soldado, um irmão de Mayara, também policial, havia sido baleado na perna durante uma ocorrência. O uso do torniquete teria sido decisivo para conter a perda de sangue até o atendimento.
Mayara afirmou durante o procedimento que sua intenção era também motivar mulheres interessadas em ingressar na Polícia Militar.
A soldado argumentou ainda que seu perfil não era monetizado.
Ou seja, embora fosse tratada pela imprensa como influenciadora digital devido ao alcance obtido nas redes, ela sustentava que aqueles conteúdos não estavam sendo utilizados para obter renda com a exposição da profissão.
PM entendeu que farda, viatura e quartel foram expostos sem autorização
A interpretação administrativa foi diferente. A Polícia Militar do Ceará considerou que as publicações envolveram elementos diretamente relacionados à corporação, incluindo fardamento, viatura e dependências do quartel.
A sindicância associou a conduta a dispositivos do Código Disciplinar dos militares estaduais relacionados aos deveres institucionais e à utilização da imagem da corporação.
Em março de 2025, foi aplicada a Mayara a sanção de dois dias de permanência disciplinar no quartel. A decisão passou posteriormente por recursos administrativos.
A defesa contestou a punição.
Entre os argumentos apresentados estava a alegação de tratamento desigual, afirmando que outros policiais haviam publicado conteúdos semelhantes sem receber a mesma resposta disciplinar.
A corporação, por sua vez, afirmou que o procedimento observou os direitos de defesa e contraditório.
Último recurso administrativo foi negado meses depois
O caso não terminou com a primeira decisão. Mayara recorreu administrativamente, e a disputa permaneceu aberta durante meses.
Em 30 de setembro de 2025, o processo administrativo chegou a uma etapa decisiva: o comando da PMCE manteve a punição após negar o último recurso da defesa.
A determinação previa que a soldado cumprisse os dois dias de permanência disciplinar.
Segundo reportagem do UOL, a sanção também passaria a integrar a ficha funcional da policial, podendo produzir reflexos temporários sobre futuras promoções dentro do serviço público militar.
Foi nesse momento que a repercussão deixou de se concentrar somente na discussão sobre os vídeos.
Mayara passou a falar publicamente sobre o próprio futuro profissional.
Policial disse que havia perdido a vontade de continuar na corporação
A reação publicada pela soldado mudou o rumo da história. Depois da manutenção da punição, Mayara afirmou que não voltaria a publicar conteúdo sobre sua profissão.
Também declarou que havia perdido a vontade de permanecer na Polícia Militar.
A policial disse que passaria a estudar para conseguir outro trabalho no qual se sentisse valorizada e tivesse liberdade para compartilhar com orgulho sua trajetória profissional.
A manifestação chamava atenção porque a própria trajetória digital de Mayara mostrava o quanto a identidade policial havia sido importante para ela.
Fotografias antigas publicadas no perfil, relatos sobre o concurso e conteúdos produzidos durante anos apresentavam a carreira como uma conquista.
Agora, aquela mesma profissão aparecia associada a uma decisão de recomeçar os estudos e procurar outra possibilidade profissional.
Justiça suspendeu a punição de dois dias no quartel
Poucos dias depois, o caso ganhou uma nova reviravolta.
Em 7 de outubro de 2025, a Justiça do Ceará suspendeu a punição disciplinar aplicada à soldado.
A decisão foi tomada pelo juiz Roberto Soares Bulcão Coutinho após pedido de tutela de urgência apresentado pela defesa de Mayara.
O magistrado reconheceu elementos que justificavam suspender a sanção enquanto a controvérsia continuava sendo analisada, evitando que a policial cumprisse imediatamente os dois dias de permanência.
A decisão judicial não apagou, entretanto, o impacto pessoal que o processo havia produzido.
Em manifestação posterior, Mayara descreveu o período como um dos momentos mais difíceis de sua trajetória e afirmou ter se sentido no “fundo do poço”.
O apoio recebido dos seguidores, segundo ela, ajudou na recuperação emocional depois da repercussão da punição.
Nova norma passou a impedir monetização ligada à imagem da corporação
A regulamentação publicada posteriormente tornou a fronteira mais clara.
Segundo O POVO, a PMCE passou a diferenciar contas particulares sem associação à instituição daquelas em que o policial se identifica profissionalmente, aparece fardado ou divulga elementos relacionados ao trabalho.
Nos perfis vinculados à função pública, a regulamentação proibiu a obtenção de vantagens financeiras ou monetização decorrente da exposição associada à corporação.
A norma também trouxe regras sobre bastidores operacionais e manifestações que possam ser relacionadas à imagem institucional.
O movimento mostra como o caso de Mayara ocorreu justamente num período em que corporações militares de todo o país precisavam lidar com um fenômeno relativamente novo.
Policiais deixaram de aparecer publicamente apenas em entrevistas oficiais ou materiais institucionais.
Hoje, alguns acumulam dezenas ou centenas de milhares de seguidores e conseguem transformar a própria rotina em conteúdo distribuído instantaneamente para grandes audiências.
Mayara já conciliava maternidade, patrulhamento e produção de conteúdo
A audiência de Mayara não havia surgido de um único vídeo viral.
Seu perfil misturava diferentes dimensões da vida cotidiana.
Além da carreira militar, ela mostrava a maternidade e a família. Em 2025, a CNN registrou que a policial era mãe de duas crianças e casada com outro integrante da segurança pública.
Academia, treinos e reflexões pessoais também faziam parte das publicações.
Essa combinação explica por que ela passou a ser descrita como influenciadora mesmo antes de qualquer decisão sobre deixar a corporação.
Mayara havia criado uma audiência própria.
Ao mesmo tempo, a policial fazia questão de afirmar que não pretendia transformar a farda em fonte de renda. Durante a disputa administrativa, declarou que seu perfil não era monetizado e que nunca havia buscado “milhões de seguidores”.
O conflito não era simplesmente entre uma policial e uma segunda profissão comercial.
Era também uma disputa sobre os limites entre identidade profissional e vida digital.
Sonho que começou com concurso terminou colocando a carreira diante de uma encruzilhada
A história de Mayara Kelly passou por uma mudança difícil de imaginar quando ela começou a estudar para o concurso.
Em 2017, a aprovação abriu as portas da Polícia Militar do Ceará.
Nos anos seguintes, ela passou pelo serviço interno, patrulhamento, direção de viaturas e atividades operacionais. Paralelamente, construiu uma audiência na internet mostrando partes dessa trajetória.
Dois vídeos produzidos em 2023, porém, alteraram completamente essa relação.
Um mostrava Mayara lavando uma viatura.
O outro apresentava uma demonstração do uso de um torniquete.
As gravações desencadearam sindicância, recursos, punição disciplinar, repercussão nacional e uma disputa judicial.
Quando o último recurso administrativo foi rejeitado em 2025, Mayara anunciou que pararia de publicar sobre a profissão e começaria a estudar em busca de outro trabalho.
Poucos dias depois, a Justiça suspendeu a punição.
A carreira que ela havia perseguido como um sonho passou, assim, a dividir espaço com a possibilidade de um novo começo.
E as redes sociais, inicialmente utilizadas para mostrar o orgulho pela farda e incentivar outras mulheres interessadas na profissão, acabaram se transformando no palco público da maior reviravolta de sua trajetória profissional.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

